2.4 Os efeitos do Projeto de Lei no Comércio Eletrônico
2.4.1 Impactos do Projeto de Lei do Senado nº 281 de 2012
Verifica-se que o crescimento econômico trouxe consigo um aumento considerável nas reclamações relativas ao comércio eletrônico. E o CDC se mostrou ineficiente diante de problemas relativos às negociações realizadas por esse meio. Os principais problemas em que CDC se mostrou insuficiente estão relacionadas à:
[...] ausência de informação sobre os produtos e serviços, sobre o prazo de entrega, sobre o preço efetivo do produto e, principalmente, sobre as características do fornecedor, como onde ele está localizado, se tem um serviço de atendimento ao consumidor. Muitas vezes o consumidor não sabe para quem reclamar, porque não tem nem o número de telefone ou o e-mail desse fornecedor. Então, essa mudança no projeto visa a cuidar dessas informações específicas (CANUT, 2007, p. 01).
Com base nas mudanças provocadas pelo uso da internet e dos novos hábitos adquiridos face às novas possibilidades de negócios, surgiram propostas de atualização do CDC em conformidade com as novidades.
A comissão de juristas responsável pela atualização do código, nomeada pelo Senado Federal, garantiu essa reforma a fim de proporcionar maior conforto ao consumidor, especialmente àquele usuário do comércio eletrônico.
Assim, a partir dessa reforma do CDC, as novas questões que demandam tratamento diferenciado ganharão amparo legal. No entanto, como ressalta Canut (2007, p. 03), “todas essas mudanças só terão efeito se o consumidor ficar mais consciente”.
Conforme justificativa contida no texto do projeto de reforma do CDC (BRASIL, 2012, p. 08), há que se realizar reformas “a fim de que a evolução tecnológica alcance os objetivos que todos desejam: o desenvolvimento social e econômico, a aperfeiçoamento das relações de consumo e a prevenção de litígios”.
CONCLUSÃO
As relações virtuais e seus resultados já são um fato, cujos resultados lesivos são restringidos pela legislação vigorante e pelas novas direções que se adaptam a essa nova gama de negócios jurídicos. A tendência é a substituição gradativa do meio físico pelo virtual ou eletrônico, o que justifica a adequação, adaptação e interpretação das normas jurídicas nesse novo ambiente.
Os consumidores se viam desprotegidos contra as grandes empresas e por isso não reclamavam seus direitos, no entanto, isso começou a mudar depois do advento do Código de Defesa do Consumidor que trouxe uma garantia para que o consumidor pudesse fazer a compra ou contratar algum serviço e se estes fossem defeituosos poderia reclamar para que houvesse a troca do produto ou a realização correta do serviço.
Apesar de o CDC garantir os direitos dos consumidores, falta uma maior efetividade para as relações de consumo realizadas de forma online. Mesmo havendo entendimento jurídico de que os contratos realizados na internet têm a mesma validade jurídica dos contratos presenciais, têm-se a compreensão de que a vulnerabilidade do consumidor na internet, muitas vezes, pode ser maior, pois, os contratos firmados de forma online são peculiares, tendo em vista a falta de definição de preço, prazo de entrega que muitas vezes sequer são cumpridos.
Atualmente, o CDC traz o artigo 49 como uma pequena forma de “defesa” para os consumidores que realizam contratos de forma online, uma vez que trata do direito ao arrependimento, mesmo assim, restringe-se apenas a casos em que a contratação ocorre fora do estabelecimento comercial, não especificando ou trazendo um amparo diretamente aos contratos realizados pela internet.
As novas regras do PLS 281/2012, devem seguir um padrão já adotado pelo CDC, ou seja, as normas e os negócios jurídicos devem ser interpretados da maneira mais favorável ao consumidor; além de preencher e aplicar uma série de requisitos que visam uma maior transparência ao comércio eletrônico.
Desta forma, o PLS 281/2012 embora não resolva todos os problemas, certamente irá trazer melhorias para os consumidores, no sentido de que estes poderão contar com um amparo legal mais amplo que os proteja e lhes traga mais segurança na hora de efetivar a compra de um produto ou a contratação de um serviço via internet.
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