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CAPÍTULO 2. PLANEJAMENTO E PROJETO NA CONSTRUÇÃO CIVIL COM O

2.2 Modelagem da Informação

2.2.5 Implantação do BIM em Escritórios e Empreendimentos

O processo de implantação do BIM em escritórios e empreendimento da AECO mostram- se na grande maioria custosos e de difícil compreensão. Entretanto, um planejamento das funções e atribuição das equipes, assim como do processo e sua implantação pode ser uma boa estratégia de implementação.

Deve-se sempre reforçar que a implementação não se faz apenas com a troca de ferramenta para softwares paramétricos, mas toda a infraestrutura e o processo de projeto devem ser revistos e reestruturados, focando na integralidade das equipes e prestadores de serviço envolvidos no desenvolvimento do empreendimento, da elaboração do projeto, até sua manutenção e demolição. (NÓBREGA JUNIOR; MELHADO, 2013)

“Quanto melhor a equipe trabalhar de forma conjunta, mais provável que resista a disputas internas.” (AIA, 2007, p. 13, Tradução Nossa) 18

Eastman et al., (2011) reforçam a ideia de que deve-se fazer a reestruturação completa, não apenas de ferramenta, mas da infraestrutura e dos processos utilizados pelas equipes projetistas.

Como levantado por Manning; Messner, (2008) a implantação não necessariamente precisa ser feita de forma totalmente aprofundada, mas pode ser considerada à medida da necessidade dos profissionais, cliente e do próprio empreendimento; assim como não é necessário a utilização do BIM em 100% para colher as vantagens proporcionadas por ela.

Os primeiros passos dados já são suficientes para perceber a mudança de tempo desprendido na concepção da edificação. Manning; Messner, (2008) apontam que o tempo desprendido no desenvolvimento do projeto pode cair de meses para dias, e que em alguns casos a diminuição na utilização de ferramentas CAD em 39% foi suficiente para otimizar o trabalho e reduzir consideravelmente o tempo desprendido em projeto devido a refazimentos e ao próprio processo de projeto sequencial.

Os desenhos originais em 2D, desenvolvidos por um arquiteto experiente, levaram aproximadamente mais de 350 horas de trabalho divididas em aproximadamente 24 meses. O mesmo projeto utilizando o Autodesk Revit levou aproximadamente 214 horas divididas em 44 dias. (MANNING; MESSNER, 2008, p. 449, Tradução Nossa) 19

Entretanto, é importante ter em mente que existem profissionais diferenciados quando se opta pela utilização do BIM. Um dos fatores primordiais é a determinação dos profissionais especialistas no setor, que planejam e auxiliam nas mudanças de ferramentas e processos.

Escolher um profissional para desempenhar essas funções e até mesmo diferenciar suas atuações dentro da empresa é fundamental para determinar o escopo da vaga a ser preenchida. Barison; Santos, (2010) ressaltam a importância de definir a atuação dos profissionais especialistas, principalmente quanto de sua adequação em escritórios da AECO. De acordo com os autores, pode-se determinar algumas funções variadas nos especialistas em BIM, ressaltando também que um especialista pode, dependendo da necessidade, realizar mais de uma função, sendo elas:

1- BIM Modeller – responsável pelo desenvolvimento dos modelos computacionais a serem utilizados, contendo informações de desenho, material, tamanho, detalhamento, documentação, etc. Pode-se comparar as funções do BIM Modeller com o comumente conhecido “cadista” ou “projetista”. Apesar de ser comum no ambiente da AECO a utilização de mão de obra não qualificada para desenvolver essas atividades relacionadas ao desenho do projeto, é aconselhável que o BIM Modeller seja um profissional devidamente qualificado para exercer essa função, haja visto que o lançamento de dados quando utilizado o BIM não são apenas referentes ao desenho técnico.

19 The original 2D plan drawings, completed by a seasoned CAD architect, took total drawing hours estimated at over 350 hours of work spread over approximately 24 months. The redesign using Autodesk Revit took approximately 214 hours of design time over 44 days.(MANNING; MESSNER, 2008, p. 449, Original)

2- BIM Analyst – responsável pela simulação de análises no modelo de forma geral, incluindo análises estruturais, energéticas, logísticas, etc.

3- BIM Software Developer – responsável por desenvolver softwares e plug-ins de suporte de acordo com as necessidades do processo.

4- Modelling Specialist – mais voltado a profissionais de TI para trabalhar com

programação em arquivos IFC.

5- BIM Facilitator – profissional habilitado para operar e lecionar sobre softwares e sistemas, auxiliando no processo de implantação do BIM em empreendimentos.

6- BIM Consultant – profissionais aptos a elaborar planos de ação e implementação do

BIM em escritórios e empresas que não possuem, ou não querem investir inicialmente, em profissionais para exercer a função de BIM Manager.

7- BIM Researcher – profissional vinculado a instituições de ensino ou governamentais

responsáveis pela pesquisa, treinamento, ensino, determinações e normas voltadas para o uso do BIM.

8- BIM Manager – responsável não somente pela implantação do BIM em empreendimentos, por meio de um Plano de Implantação e Execução, mas também manter a coordenação dos projetos e equipes ao longo do tempo, definir diretrizes na elaboração do projeto, mediar impasses, defender as necessidades do cliente, etc. Em alguns países, governos e organizações desenvolveram manuais para apoio aos processos de implementação em escritórios e empreendimento.

No Brasil, a Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (ASBEA) lançou o primeiro fascículo do “Guia de Boas Práticas do BIM” em 2013, e posteriormente em 2015 o segundo fascículo do guia. No ano de 2016, a Câmara Brasileira da indústria da Construção (CBIC) lançou uma coletânea de 5 volumes intitulada “Implementação do BIM para Construtoras e Incorporadoras”, sendo dividida da seguinte forma: (1) Fundamentos BIM; (2) Implementação BIM; (3) Colaboração e Integração BIM; (4) Fluxos de Trabalho BIM; (5) Formas de Contratação BIM; e (5) 10 Motivos para Evoluir com o BIM.

Em seguida, em 2017, a Agencia Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) lançou uma série de 6 capítulos para a divulgação e auxílio na utilização da tecnologia BIM intitulados: (1) O Processo de Projeto BIM; (2) Classificação da Informação no BIM; (3) BIM na Quantificação, Orçamentação, Planejamento e Gestão de Serviços de Construção; (4) Contratação e Elaboração de Projetos BIM na Arquitetura e Engenharia; (5) Avaliação de Desempenho Energético; e (6) A Implantação de Processos de Projeto BIM.

No Brasil, as normas voltadas para a utilização do BIM foram desenvolvidas a partir do ano de 2011 e são, ainda, aperfeiçoadas. Com base na ISO 12006-2 – Construção de edificações – Organização da Construção Parte 2: Estrutura para Classificação (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2018) foram desenvolvidas as seguintes normas:

• ABNT – NBR 15965-1:2011 – Sistema de Classificação da Informação da Construção Parte 1: Terminologia e Estrutura. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011);

• ABNT – NBR 15965-2:2012 – Sistema de Classificação da Informação da Construção Parte 2: Características dos Objetos da Construção. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2012);

• ABNT – NBR 15965-3:2014 – Sistema de Classificação da Informação da Construção Parte 3: Processos da Construção. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2015);

ABNT – NBR 15965-7: 2015 – Sistema de Classificação da Informação da Construção parte 7: Informação da Construção. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2015)

Deve-se sempre levar em consideração as normas e guias para a elaboração do plano de implementação, haja visto que elas regulam a interoperabilidade da informação.

A elaboração de um Plano de Implementação e Execução do BIM é fator determinante acerca das escolhas a serem feitas, sejam elas de definição de nível de aprofundamento da tecnologia, propósitos de utilização, metas a serem alcançadas, documentações, mudança de infraestrutura, qualificação de corpo de trabalho, mudança de processos, etc. É sempre importante que estudos de viabilidade e do retorno financeiro previsto sejam feitos e atualizados à medida que se proceda com a implementação. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA, 2013)

É importante fomentar que o plano de implementação não pode ser rígido, já que cada projeto e cliente têm suas variadas necessidades e demandas, fazendo com que o processo de projeto seja ajustável a qualquer implicação necessária. (AGÊNCIA BRASILEIRA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL, 2017a)

Os honorários das atividades prestadas também mudam ao optar-se pela utilização do BIM. Como apontado por Abaurre, (2013) o compartilhamento de lucros e contabilidade aberta é fator essencial na elaboração de contratos voltados para a construção civil.

Todas essas considerações devem ser analisadas na elaboração de novos contratos em novos empreendimentos, assim como a reestruturação de modelos e contratos antigos, a fim de

adequar a atividade a metodologia BIM. A importância das variáveis contratuais é central nos processos de implementação, razão pela qual precisa ser discutida no âmbito desta pesquisa.

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