CAPÍTULO 01.OS PROGRAMAS BOLSA ESCOLA NO CAMPO DAS
1.3 O Programa Bolsa Escola de Belo Horizonte
1.3.3 Implantação do Programa Executivo Bolsa Escola
De acordo com o Relatório do Programa (1999), o processo de implantação
do mesmo em Belo Horizonte foi inspirado em duas experiências, cujas
características lhes eram semelhantes. A experiência do “Programa Bolsa Familar
para a Educação”, implementado no Distrito Federal e o “Programa de Criança:
Brincar e estudar”, desenvolvido em Belo Horizonte pela Associação Municipal de
Assistência Social (AMAS).
De acordo com Borges (2003) esse último Programa foi
desenvolvido pela AMAS entre 1996 a 1998, com o apoio do UNICEF, com o objetivo de contribuir para a erradicação do trabalho infantil em Belo Horizonte. Mediante o compromisso de matricular e garantir a freqüência de suas crianças de 7 a 14 anos na escola e retirá-las de qualquer atividade de trabalho, a família recebia um recurso mensal no valor de R$100,00, além de acompanhamento e orientação dos agentes do Programa, inclusive sobre as formas de obter geração de renda, capacitação para o trabalho e garantia de direitos sociais. A opção metodológica adotada foi a de trabalhar com os grupos sócio-
educativos compostos de várias famílias e com visitas domiciliares (p. 76).
Este Programa da AMAS/BH contribuiu na construção da metodologia de
acompanhamento das famílias inseridas no Bolsa Escola e o Programa do Distrito
Federal contribuiu para a elaboração das metodologias de cadastramento e
seleção destas famílias.
A definição do processo de implantação do Bolsa Escola em Belo Horizonte
começou pela localização do seu público, a partir do estudo de caso de cada
Regional Administrativa
20, recorrendo ao Banco de Dados do IQVU (Índice de
Qualidade de Vida Urbana) da Secretaria Municipal de Planejamento, ao Censo
Demográfico (IBGE
21) e outros. Esse estudo resultou numa planilha de dados que
trazia relacionado o número de chefes de família por Unidade de Planejamento
(UP)
22, com renda média inferior a R$260,00 (duzentos e sessenta reais)
mensais
23, patamar que teria se estabelecido com a finalidade de incluir no
processo de pré-seleção as famílias de baixa renda de todas as Administrações
Regionais.
De acordo com os implementadores, ao mesmo tempo em que se
estudavam as fontes, buscaram-se levantar as palavras-chave, expressas na lei e
no decreto, que demonstrassem uma significação dos mesmos, com o objetivo de
transformá-las em critérios norteadores do perfil das diversas Regionais. Desta
forma, palavras como Renda, Idade / População (7 a 14 anos), Escola,
Permanência / Evasão, Condições de vida foram assinaladas e tornaram-se
delineadoras dos critérios a serem selecionados, que foram os seguintes:
ECONÔMICO: renda média per capita calculada através do produto do número de chefes de família pelo rendimento médio da Unidade de Planejamento dividido pela população total da mesma;
20
O mapa político geográfico da Região Metropolitana de Belo Horizonte encontra-se subdividido e descentralizado em nove Regionais Administrativas ou Administrações Regionais, que funcionam como sub- prefeituras.
21
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 22
As Unidades de Planejamento ou UP’s são unidades espaciais de Belo Horizonte definidas no plano diretor de 1995. A cidade constitui-se ao todo por 81 UP’s.
23 Cabe ressaltar que em 1997, o valor do salário mínimo era de R$120,00, portanto este valor de R$260,00
DEMOGRÁFICO: população de 7 a 14 anos, calculada através do percentual da população de 7 a 14 anos sobre a população total por Unidade de Planejamento;
QUALIDADE DE VIDA URBANA: designada pela qualidade e acesso aos serviços urbanos e calculada através de IQVU-BH por Unidade de Planejamento;
ANÁLISE DO SETOR EDUCACIONAL: definida pela qualidade e acesso aos serviços educacionais e calculada através do IQVU setorial por Unidade de Planejamento;
EVASÃO ESCOLAR: abandono escolar calculado através do número de crianças que deixaram a escola sem concluir o curso por Unidade de Planejamento, este índice é adquirido através da variável educação do IQVU, que traz indicativos como taxa de matrícula, número de matrículas por ano letivo, número de alunos por turma, etc (Relatório do PEBE, 1998, p. 15).