3.3 Procedimento Experimental
3.3.3 Implantação e condução do experimento em campo
Em cada cova foi plantada uma muda de tomateiro. Em todos os ensaios, as plantas foram conduzidas com varas na forma de cerca cruzada, fazendo-se as desbrotas laterais semanalmente.
Os demais tratos culturais e fitossanitários foram executados na medida em que se fizeram necessários, com os fungicidas Mancozeb e Benomyl para controle da doença “mancha alvo” causada por Corynespora cassiicola (Berk. & Curt.) Wei e o inseticida à base de piretroidesintético para controle da broca-grande dos frutos (Helicoverpa zea).
No tocante à murchas bacteriana, as observações foram iniciadas aos oito dias após o transplante, sendo que as avaliações iniciaram-se a partir da segunda e terceira observação (15º e 22º dia), quando as plantas já se encontravam com sintomas irreversíveis de murcha bacteriana ou mortas.
O método adotado de avaliação da resistência ao patógeno, foi o mesmo descrito por KURIYAMA (1975 apud NODA et al, 1997, p. 61) para ensaios de campo. As plantas com ausência ou poucos sintomas da doença no final do ciclo foram consideradas resistentes. A presença de bactéria nos feixes vasculares foi constatada pelo método descrito por KIRÁLY
et al, (1974, idem), que consiste na observação de exudação de células bacterianas, na forma de um líquido de coloração leitosa, quando pequenos pedaços de tecido afetado pelo patógeno são colocados sobre uma placa de vidro com água (NODA et al, 1997, p. 61).
Para a análise epidemiológica da doença foi feito, em intervalos semanais, registro das plantas afetadas pela murcha bacteriana, anotando-se, também, a sua posição nas parcelas. Com os dados obtidos, as características de resistência ao patógeno foram avaliadas por meio do calculo da Taxa de Infecção Aparente (QR), propor por Plank (1963 apud NODA, H. et al, 1997) para doenças sem multiplicação.
A fórmula utilizada para cálculo foi:
QR = 1/t2 – t1 [(loge 1/1 - ID2) - (loge 1/1 - ID1)]
Em que t1 é o número de dias entre a data do transplante e a data da 1a avaliação; t2 é o
número de dias entre a data do transplante e a data da última avaliação; ID1 é o índice de
doença na 1a avaliação; e ID2 é o índice de doença na última avaliação;
Os valores do Índice de Doença (I.D.) foram estimados mediante a fórmula:
ID = PD/ PT
Em que P.D. é o número de plantas na parcela com sintoma de murcha bacteriana; e P.T. é o número total de plantas na parcela.
Os valores do Índice de Sanidade (I.S.) foram estimados mediante a fórmula (NODA, 1981, p. 44):
IS = 1 - ID
A capacidade produtiva foi estimada por meio dos parâmetros Produção Total de Frutos (PTF) e Número de Frutos (NF), expressos, respectivamente, em gramas/0,5 m2 correspondendo ao peso total de frutos coletados em todas as etapas da colheita/parcela. O peso médio de números de frutos foi obtido tirando-se a média os mesmos.
Para a análise de variância, os dados da Taxa de Infecção Aparente foram
transformados em log (x . 104 + 10), o Índice de Sanidade em arc sen x0,005 e os dados
al, 1986, p. 59). As médias de todos os caracteres estudados, foram testadas contra as médias da variedade Caraíba, usada como testemunha resistente, através do teste de Dunnett a 5 % de probabilidade. A significância dos contrastes entre os ambientes foi avaliada pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade.
As estimativas da adaptabilidade e da estabilidade fenotípica foram obtidas segundo o método proposto por Eberhart e Russell (VENCOVSKY & BARRIGA, 1992, p. 304-314). O método baseia-se em coeficiente de regressão linear e variância dos desvios da regressão, que são estimados para cada cultivar. Considerando um dado caráter, a regressão relaciona as médias de um cultivar, em diferentes ambientes, com índices caracterizadores da qualidade desses ambientes. Tomando vários tratamentos, os dados do estudo foram uma tabela de dupla entrada das médias do caráter, pelos tratamentos nos vários ambientes. Foram necessário, ainda, os quadrados médios residuais do caráter, provindos dos experimentos conduzidos nos diferentes ambientes (Ambiente 1, 2, 3 e 4).
Neste estudo foi adotado o seguinte modelo de regressão:
Yij = μi + βiIj + δij + Σij
Em que Yij é a média do genótipo i (genótipos 1 a 8) no ambiente j (que varia de 1 a
4); μi é a média geral do genótipo i; βi é o coeficiente de regressão linear, que mede a resposta
do i-ésimo genótipo à variação do ambiente; Ij é o índice ambiental; δij é o desvio da
regressão; e Σij é o erro experimental médio associado à observação Yij.
Para cada genótipo foi feita uma análise de regressão, utilizando-se o índice ambiental como variável independente e a Taxa de Infecção, Índice de Sanidade, Produção Total de Frutos e Número de Frutos dos genótipos como variáveis dependentes. Assim, de acordo com o método proposto por Eberhart e Russell (VENCOVSKY & BARRIGA, 1992, p. 305), o
efeito do ambiente pode ser desmembrado em dois componentes, um linear e outro não-linear. O coeficiente de regressão (β) está associado ao componente linear, indicando a adaptabilidade do genótipo, ou seja, sua capacidade de responder à melhoria do ambiente. Os desvios da regressão (σ2d) estão associados ao componente não-linear e indicam a estabilidade
de comportamento. Um genótipo com σ2d = 0 teria comportamento previsível, de acordo com a grandeza do índice ambiental.
Assim, por este método, tem-se que um genótipo é estável quando σ2d = 0; não estável, quando σ2d ≠ 0; de adaptabilidade ampla, se β = 1; adaptado a ambientes favoráveis, se β >
1, e adaptado a ambientes desfavoráveis, se β < 1. O coeficiente de determinação (R2) de cada genótipo foi usado como medida auxiliar na definição da estabilidade fenotípica e para quantificar que a proporção da variação em Yij (média do genótipo) é explicada pela regressão
linear (idem).
A adaptabilidade e a estabilidade dos genótipos avaliados foram medidas pelos seguintes parâmetros:
a) Média geral dos genótipos: é o valor esperado para determinado caráter de cada genótipo em condições ambientais médias; é um indicador da adaptabilidade, que foi comparado com as médias de cada genótipo;
b) Quadrado médio dos desvios da regressão linear (QML): soma do quadrado linear (SQL) dividido pelo grau de liberdade (G.L.).
L G SQL QML .
c) Coeficiente de regressão linear (β): é um parâmetro indicador da adaptabilidade. , ˆ 1 2 U S I I Y j j j j ij i já que 0 j j I Onde:
Yij é a média do genótipo i no ambiente j;
Ij é o índice ambiental.
d) Variância dos desvios da regressão (σ2d): quadrado médio do desvio
2 2 di b ou
QMDi menos quadrado médio do resíduo12 2
b ou QMR, sendo a componente da variância
devida aos desvios de regressão, no genótipo i.
di 2 2 1 2 ˆ b b di di
e) Coeficiente de determinação (R2): o coeficiente de correlação (Ri) elevado ao
quadrado, obtendo.
SQL Gi
j j j j ij i I I Y R 2 2 2 i R R Onde:Yij é a média do genótipo i no ambiente j;
SQL é a soma do quadrado linear;
Gi é o valor de cada genótipo no ambiente.
Para a realização das análises, foi utilizado o pacote computacional GENES (CRUZ, 2001).
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para os ambientes 1, 2 e 3, em relação aos caracteres Taxa de Infecção Aparente e Índice de Sanidade, detectou-se por meio das análises de variância pelo menos um controle significativo entre os genótipos avaliados, pelo teste F a 1% de probabilidade (Tabela 1). No ambiente 4, não se detectaram diferenças significativas entre os genótipos. Diferença significativa entre genótipos resistentes, ocorreu somente no ambiente 1. O genótipo C-38 apresentou índice de sanidade (IS) inferior aos genótipos Yoshimatsu 4-11, L-1-2002, L-2- 2002, L-3-2002 e L-4-2002 (Tabela 2). Também se observou que os genótipos L-3-2002 e Caraíba apresentaram diferenças significativas entre os ambientes 2, 3 e 4 para ambos caracteres a 5% de probabilidade pelo teste de Tukey. Sendo que o genótipo C-38 apresentou significancia entre os ambientes 1, 2 e 3. Os demais genótipos não apresentam diferença significativa entre os ambientes.
Em ambientes de várzea (3 e 4) a cultivar Yoshimatsu 4-11 foi superior em resistência e produtividade à Caraíba. Isso também foi constatado por Noda et al (1995/1996, p. 17). A cultivar Santa Cruz Kada foi a que apresentou, em todos os ensaios, maiores níveis de suscetibilidade de R. solenacearum, expressos em Taxa de Infecção Aparente (QR) e Índice de Sanidade (IS), em relação a todos os demais genótipos avaliados, o que confirma observações anteriores Noda et al (1986, p. 59).
Para os caracteres relacionados ao rendimento: Produção Total de Frutos (PTF) e Peso Médio de Números de Frutos (NF) foram detectados contrastes significativos a 1 % de probabilidade, pelo teste F (Tabela 3). Em relação ao caráter PTF, nos ambientes 1, 2 e 3 ocorreram diferenças significativas entre as médias dos genótipos resistentes e o suscetível. Não foram detectadas diferenças entre médias dos genótipos resistentes, exceto no ambiente 3
onde as médias dos genótipos C-38 e Yoshimatsu 4-11 não diferiram da média da cultivar Caraíba e foram inferiores aos genótipos L-1-2002, L-2-2002, L-3-2002 e L-4-2002.
Para o caráter Números de Frutos (NF), foram detectadas, nos ambientes 1 e 3, diferenças significativas entre os genótipos resistentes em relação ao padrão suscetível (Santa Cruz Kada) a 5% de produtividade pelo teste de Dunnett. Detectaram-se também, diferenças significativas entre as médias dos genótipos resistentes. No ambiente 1, a média da cultivar Santa Cruz foi inferior ao da cultivar Caraíba. As médias dos genótipos L-1-2002 e L-3-2002 foram superiores em relação ao genótipo Caraíba, Yoshimatsu 4-11 e L-3-2002. No ambiente 3, as médias dos genótipos L-1-2002, L-2-2002, L-3-2002 e L-4-2002 foram significativamente superiores em relação aos genótipos Caraíba, C-38 e Yoshimatsu 4-11. No ambiente 2, as médias de todos os genótipos resistentes foram superiores em relação aos genótipos padrões de resistência (Caraíba) e de suscetibilidade (Santa Cruz Kada). No ambiente 4, as médias dos genótipos L-1-2002, L-2-2002, L-3-2002 e L-4-2002 foram superiores em relação aos genótipos C-38, Yoshimatsu 4-11, Santa Cruz Kada e Caraíba (Tabela 4).
No ambiente 3 as médias do caráter Produção Total de Frutos dos genótipos Santa Cruz Kada, L-1-2002 e Caraíba diferem significativamente das médias nos ambientes 1, 2 e 4 a 5% de probabilidade pelo teste de Tukey. Há diferença significativa entre os ambientes 1 e 2 para os genótipos C-38 e L-2-2002 apresentam diferença significativa para os ambientes 2 e 4. Somente o genótipo L-3-2002 não apresentou diferença significativa para o ambiente 1, 2 e 4. No ambiente 3, em relação ao caráter Número de Frutos os genótipos Santa Cruz Kada, C-38 e L-1-2002 diferem significativamente dos demais ambientes 2 e 4. Entre os demais genótipos e ambientes não há diferença significativa para este caráter.
Taxa de Infecção Aparente (QR) Índice de Sanidade (IS) Causa da
Variação GL Amb. 1 Amb. 2 Amb. 3 Amb. 4 Amb. 1 Amb. 2 Amb. 3 Amb. 4
Blocos 3 0,22 0,08 0,12 0,38 272,14 116,30 171,40 507,98 Genótipos 7 1,77** 0,72** 1,41** 0,21ns 2700,55** 1019,02** 2252,39** 327,96ns Residuo 21 0,07 0,08 0,19 0,11 98,46 116,30 0,01 166,34 Total 31 Média 1,45 1,15 1,53 1,59 72,69 84,36 69,67 68,33 C.V (%) 18,76 24,24 29,00 20,87 13,65 12,78 24,07 18,87 Transfor- mação log (x . 10
4 + 10) log (x . 104 + 10) log (x . 104 + 10) log (x . 104 + 10) arc sen 0,005
x arc sen x0,005 arc sen x0,005 arc sen x0,005 Tabela 1: Quadrados Médios de caracteres de resistência de genótipos de tomateiro (Lycopersicon esculentum Mill) sob condição de cultivo em solos de quatro ambientes naturalmente infectados por Ralstonia solanacearum.
** Significativo a 1% de probabilidade pelo teste F ns não significativo estatisticamente
Taxa de Infecção Aparente (QR) Índice de Sanidade (IS) Genótipos
Amb. 1 Amb. 2 Amb. 3 Amb. 4 Amb. 1 Amb. 2 Amb. 3 Amb. 4
Santa Cruz Kada 0,112A 0,053A 0,113A 0,013aA 0,100A 0,525A 0,078A 0,600aA C-38 0,009aA 0,000aB 0,013aAB 0,005aAB 0,655B 1,000aA 0,703aAB 0,775aAB Yoshimatsu 4-11 0,000aA 0,000aA 0,002aA 0,004aA 1,000aA 1,000aA 0,908aA 0,840aA HT-16-9-2-7-5-1-5-4-3-2Q-10-7
(L-1-2002) 0,003aA 0,000aA 0,001aA 0,002aA 0,893aA 1,000aA 0,975aA 0,895aA HT-16-9-2-7-5-1-5-4-3-2Q-17-9
(L-2-2002) 0,000aA 0,000aA 0,001aA 0,002aA 1,000aA 1,000aA 0,950aA 0,895aA HT-16-9-2-7-5-1-5-4-3-2Q-17-10
(L-3-2002) 0,001aAB 0,000aB 0,002aA 0,002aA 0,973aAB 1,000aA 0,925aAB 0,895aB HT-16-9-2-7-5-1-5-4-3-2Q-17-13
(L-4-2002) 0,000aA 0,000aA 0,001aA 0,002aA 1,000aA 1,000aA 0,948aA 0,900aA Caraíba (Testemunha) 0,002aAB 0,000aB 0,003aAB 0,007aA 0,925aAB 1,000aA 0,875aAB 0,725aB
Média 0,016 0,006 0,017 0,005 0,818 0,941 0,795 0,816
Tabela 2: Reação de resistência de genótipos de tomateiro (Lycopersicon esculentum Mill) a murcha bacteriana sob condição de cultivo em solos de quatro ambientes naturalmente infestados por Ralstonia solanacearum. Amazonas 2004. (Dados não transformados).
Nas colunas, as médias seguidas pelas mesmas letras minúsculas não diferem em relação à testemunha (Caraíba), a 5% de probabilidade pelo teste de Dunnett Nas linhas, as médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas não diferem entre si a 5 % de probabilidade pelo teste de Tukey.
Produção Total de Frutos (PTF) Números de Frutos (NF) Causa da
Variação GL Amb. 1 Amb. 2 Amb. 3 Amb. 4 Amb. 1 Amb. 2 Amb. 3 Amb. 4
Blocos 3 12,00 16,43 5,65 37,12 0,24 0,29 0,32 0,46 Genótipos 7 231,19** 184,19** 318,35** 107,02** 5,57** 3,77** 6,88** 3,13** Residuo 21 22,02 21,61 17,08 21,27 0,44 0,35 0,33 0,43 Total 31 Média 22,86 32,65 21,57 25,40 3,97 4,77 3,61 4,47 C.V (%) 20,53 14,23 19,16 18,16 16,63 12,38 15,97 14,69 Transfor- mação x0,5 x0,5 x0,5 x0,5 x0,5 x0,5 x0,5 x0,5 Tabela 3: Quadrados Médios de caracteres de produção de frutos (Produção Total de Frutos - PTF e número de Frutos - NF) de genótipos de tomateiro (Lycopersicon esculentum Mill) sob condição de cultivo em solos de quatro ambientes naturalmente infestados por Ralstonia solanacearum.
** Significativo a 1% de probabilidade pelo teste F * Significativo a 5% de probabilidade pelo teste F ns não significativo estatisticamente
Produção Total de Frutos – PTF
(g/0,5 m2) Números de Frutos – NF (fruto/0,5 m2)
Genótipos
Amb. 1 Amb. 2 Amb. 3 Amb. 4 Amb. 1 Amb. 2 Amb. 3 Amb. 4
Santa Cruz Kada 38,783AB 333,917A 7,250B 240,000aAB 1,700AB 8,367aA 0,250B 9,275aA C-38 662,468aB 1341,430aA 387,027aB 631,750aB 21,600aAB 29,900A 12,132aB 18,350aAB Yoshimatsu 4-11 409,635aB 1266,722aA 527,500aB 624,137aAB 12,197aB 26,355A 13,287aB 17,540aAB HT-16-9-2-7-5-1-5-4-3-2Q-10-7
(L-1-2002) 678,267aC 1391,642aA 790,000aC 885,750aB 24,125aAB 30,572A 21,125B 27,030AB HT-16-9-2-7-5-1-5-4-3-2Q-17-9
(L-2-2002) 554,027aB 1327,107aA 717,625B 931,347aAB 18,155aA 27,550A 19,447A 28,720A HT-16-9-2-7-5-1-5-4-3-2Q-17-10
(L-3-2002) 942,002aA 1132,015aA 810,000A 844,750aA 25,987aA 26,275A 21,850A 26,552A HT-16-9-2-7-5-1-5-4-3-2Q-17-13
(L-4-2002) 711,860aB 1054,290aA 805,715aAB 801,000aAB 18,637aA 23,575aA 19,420A 24,800A Caraíba (Testemunha) 708,627aAB 1127,630aA 325,250aB 525,850aAB 12,182aA 14,245aA 7,100aA 11,850aA Média 588,209 1121,844 546,296 685,573 16,823 23,355 14,326 20,515
Tabela 4: Médias da produção de genótipos de tomateiro (Lycopersicon esculentum Mill) sob condições de cultivo em quatro ambientes com solos naturalmente infectados por Ralstonia solanacearum. Amazonas 2004. (Dados não transformados).
Nas colunas, as médias dos genótipos seguidas pela mesma letra não diferem em relação à testemunha (Caraíba) entre si , a nível de 5% de probabilidade pelo teste de Dunnett.
Os resultados da análise de variância conjunta dos quatros ambientes estão apresentados na Tabela 5. Foi detectado pelo menos um contraste significativo entre ambientes e genótipos a 1% de probabilidade, pelo teste F. A interação genótipo x ambiente foi altamente significativa para os caracteres Taxa de Infecção Aparente (QR), a 1% de probabilidade; Índice de Sanidade (IS) e Número de Frutos (NF), a 5% de probabilidade, respectivamente. Segundo Gualberto et al (2002, p. 85) quando a interação genótipo x ambiente for significativa, isso evidencia um comportamento diferenciado dos cultivares diante da variação ambiental, justificando uma avaliação para identificação dos materiais com maior nível de estabilidade fenotípica. Para o caráter Produção Total de Frutos (PTF) a interação genótipo x ambiente não foi significativa.
Quadrados Médios Causa da variação GL QR IS PTF NF Blocos/Ambiente 12 Ambientes 3 1,2436** 1703,1139** 784,3059** 8,4652** Genótipos 7 3,4037** 5215,686** 733,6335** 17,5328** Interação G x A 21 0,2388** 529,1251* 35,7101ns 0,6086* Resíduo 84 0,0597 90,3531 8,9275 0,1522 Total 127
Tabela 5: Análise de variância conjunta de quatro ambientes para caracteres de resistência a Ralstonia solanacearum e de rendimentos em frutos de genótipos de tomate (Lycopersicon esculentum Mill) cultivados em solos naturalmente infestado pelo patógeno.
** Significativo ao nível de 1% de probabilidade pelo teste F * Significativo ao nível de 5% de probabilidade pelo teste F ns não significativo estatisticamente
QR: Taxa de Infecção Aparente IS: Índice de Sanidade
PTF: Produção Total de Frutos NF: Peso Médio de Números de Frutos
Nas Tabelas 6, 7, 8 e 9, são apresentadas as estimativas dos parâmetros de adaptabilidade e estabilidade segundo o modelo de Eberhart e Russell (1966), descrito por Vencovsky & Barriga (1992, p. 304-314).
Na Tabela 6 observa-se que para todos os ambientes o genótipo Santa Cruz Kada apresentou maior suscetibilidade ao patógeno, expressa em Taxa de Infecção Aparente (QR), também constatada por Noda et al (1993, p. 110). A estimativa dos quadrados médios dos desvios da regressão linear (QML) não foram significativos estatisticamente com exceção para o genótipo Santa Cruz Kada e C-38 que apresentaram significância a 1% e a 5% de probabilidade pelo teste F, respectivamente. Com relação ao coeficiente de regressão linear (ß) constatou-se que todos os genótipos apresentaram ampla adaptabilidade constatou-se que todos os genótipos apresentaram valores próximos a 1 que indicam ampla adaptabilidade. Os genótipos C-38 e Caraíba que apresentaram valores de β > 1 indicando adaptação aos ambientes favoráveis. Analisando-se as variâncias dos desvios de regressão (2d), observa-se que todos os genótipos apresentam alta previsibilidade às oscilações
ambientais pois os valores de 2d foram próximo a zero, menos o genótipo Santa Cruz
Kada que caracteriza um comportamento imprevisível. Esse parâmetro é a medida mais importante para avaliar a estabilidade, quando este valor 2d é muito pequeno ou 2d = 0 a
cultivar ou genótipo modifica-se com as variações ambientais de um modo previsível, ou seja, segundo uma linha de regressão perfeita se esta medida for elevada ou σ2d ≠ 0 o comportamento será imprevisível. Estes resultados são compatíveis com as estimativas dos coeficientes de determinação (R2). Esses valores foram todos acima de 56%, indicando um adequado ajustamento à regressão e evidenciando alta previsibilidade de comportamentos dos genótipos, com exceção da Santa Cruz Kada. Segundo Vencovsky & Barriga (1992, p.
304) para que o estudo da estabilidade faça sentido são necessários a análise conjunta dos dados e significância no valor F da interação genótipos x ambientes o que vai reforça e justifica investigações posteriores sobre estabilidade
A análise dos dados da Tabela 7, relacionados ao caráter Índice de Sanidade (IS), evidencia um resultado similar quando comparado com aqueles obtidos considerando a expressão de resistência, medida em Taxa de Infecção Aparente (QR). As estimativas dos QML do IS foram significativas estatisticamente para os genótipos Santa Cruz Kada e C- 38. Também, foi constatado que o genótipo Santa Cruz Kada tem um comportamento imprevisível, com valores de 2d significativos a 1% de probabilidade.
Em relação ao caráter Produção Total de Frutos (PTF) o genótipo Santa Cruz Kada apresentou rendimento significativamente inferior ao dos demais genótipos (Tabela 8). Os genótipos L-1-2002 e L-2-2002 apresentam valor de ß próximo a 1, evidenciando ampla adaptação e alta previsibilidade de comportamento, comprovado pela não significância do desvio da regressão. Porém, os genótipos L-3-2002 e L-4-2002 apresentaram ß<1, indicando que são genótipos adaptados a ambientes desfavoráveis. Barriga (1980) apud Vencovsky et al (1992, p. 305), afirma que quando isso ocorre o cultivar é menos responsivo, mas também menos exigente, podendo ser adequado para ambientes de qualidade inferior, ou seja, trata-se de uma especificidade com maior estresse. O valor elevado do coeficiente de determinação (R2) ressalta que houve um bom ajustamento dos dados, ao modelo utilizado neste trabalho. A estimativa dos parâmetros QML e 2d do
genótipo Santa Cruz Kada foi estatisticamente significativa evidenciando baixos níveis de adaptabilidade e estabilidade.
Para o caráter Números de Frutos (NF) a média da cultivar Caraíba foi superior em relação a testemunha suscetível Santa Cruz Kada e inferior aos demais genótipos avaliados, com exceção ao genótipo Yoshimatsu 4-11, cuja média foi semelhante estatisticamente. Os genótipos L-1-2002 e L-2-2002 apresentaram ß=1, revelando, assim, ampla adaptação às condições de cultivo nos quatro ambientes e ambos genótipos apresentaram 2d=0, o que
evidencia alta previsibilidade frente às oscilações ambientais, sendo considerados, portanto estáveis (Tabela 9). Segundo Vencovsky et al (1992, p. 305), quando menor for à estimativa do desvio de regressão (2d) mais previsível será o cultivar, quanto à sua
resposta às variações ambientais. O coeficiente de determinação mostra que os dados estão bem ajustados.
Presume-se que o ambiente 3 tenha apresentado maiores níveis do potencial de inóculo, pois a severidade da doença através da Taxa de Infecção Aparente foi estatisticamente superior aos demais ambientes (Tabela 2). Isso implica em uma queda na produtividade dos cultivares em decorrência desse fator (Tabela 4). Portanto, o elevado potencial de inóculo neste ambiente deve-se, provavelmente, a seu histórico de uso. O ambiente 3 foi utilizado anteriormente para cultivo com tomate. Por outro lado, observando a média em todos os ambientes fica evidente que os genótipos L-1-2002, L-2-2002, L-3- 2002 e L-4-2002 produziram satisfatoriamente em ambientes com esta característica, ou seja, ambiente com alto potencial de inóculo (Tabela 4). Ou seja, os genótipos apresentaram capacidade de produção mais elevada, mesmo em solos infestados com R. solanacearum, quando comparado com a testemunha suscetível, Santa Cruz Kada e com a testemunha resistente, Caraíba. Noda et al (1993, p. 111), verificou que as progênies HT-16 avaliadas
apresentavam tendências ascendentes dos níveis de resistência quando comparadas com referenciais padrão (Santa Cruz Kada e Caraíba).
O uso de padrão suscetível e resistente nos experimentos mostrou-se eficiente para a avaliação dos níveis intermédios de resistência ao patógeno nos ensaios realizado. Isso fica evidente ao se comparar as médias dos outros genótipos com a média do genótipo Santa Cruz Kada nas Tabelas 6 e 7, o que mostra que a mesma é superior as demais médias, exceto para o genótipo Santa Cruz Kada que apresentou média inferior aos outros genótipos, confirmando a sua suscetibilidade ao patógeno R. solanacearum. O caráter epidêmico da murcha bacteriana, sob condição de ocorrência natural, é evidenciado notadamente através deste genótipo, que mesmo com elevada incidência da doença apresentou produtividade detectável.
A análise conjunta de todos os caracteres avaliados mostra que os valores da variância dos desvios de regressão (2d) para os quatro parâmetros avaliados observa-se
que 2d não foi significativo para os genótipos Yoshimatsu 4-11, L-1-2002, L-2-2002, L-3-
2002 e L-4-2002 indicando alta previsibilidade, exceto para o caractere Número de Frutos em que o genótipo Yoshimatsu 4-11 apresentou significância estatística. Segundo Vendruscolo et al (2001, p. 126) quando isso ocorre a cultivar modifica-se com as variações ambientais de modo previsível apresentando comportamento estável, ou seja, segundo linha de regressão perfeita.
No geral, nos ambientes de terra firme (1 e 2) os genótipos Yoshimatsu 4-11, L-1- 2002, L-2-2002, L-3-2002 e L-4-2002 apresentaram Taxa de Infecção Aparente (QR) inferior a média e Índice de Sanidade (IS) inferior a média. Porém, quando submetidos a ambiente de terra firme com histórico de cultivo com espécies solanáceas, ambiente 1, o