III. Estudo empírico
3.2.5 Construção e Implementação do Programa de Educação Parental
3.2.5.2 Implementação do Programa
Numa fase prévia à implementação da intervenção, definiu-se o horário das
22h30. Desta forma procurou-se corresponder à preferência dos pais e não interferir
com o horário de trabalho dos mesmos.
Quanto ao local de realização das sessões, foram disponibilizadas duas salas da
Escola EB2,3 do Agrupamento de Escolas que as crianças frequentavam, uma para as
sessões com pais com recurso a material multimédia, outra para a realização de
atividades com as crianças. Os participantes ficariam sentados em forma de U, para
facilitar a interação do grupo.
Paralelamente, tomaram-se medidas no sentido de organizar os serviços de apoio
aos filhos dos participantes na intervenção.
De acordo com Dumka et al. (1995), dois grandes problemas na intervenção com
pais residem, por um lado, na dificuldade em reunir um número substancial de
elementos que possam vir a integrar a intervenção e, por outro lado, na dificuldade em
assegurar que as pessoas continuem na intervenção, depois de se dar início à sua
implementação. Torna-se, assim, essencial assegurar serviços de apoio, que se revelam
essenciais para o sucesso dos programas de Educação Parental junto daquela população-
alvo, como referem Goodyear e Rubovits (1982).
Para esse fim, foi disponibilizado um espaço para acolhimento das crianças, cujo
funcionamento tem lugar enquanto os pais estão presentes nas sessões. A dinamização
deste espaço foi realizada por uma voluntária, que tev à sua responsabilidade crianças
desde os 2 anos até aos 9 anos, utilizando materiais de caráter lúdico e filmes, para
ocupar as crianças durante a sessão de educação parental.
No final de cada sessão, os pais e as crianças foram sempre convidados para uma
merenda, oferecida inicialmente pela investigadora, mas que com o decorrer do tempo
Ainda antes de descrever a implementação propriamente dita, importa realçar
que a avaliação pré e pós-teste tiveram lugar, respetivamente, na primeira e na última
sessão.
As sessões foram todas dinamizadas pela autora deste trabalho, com a
participação da orientadora do mesmo.
3.3 Resultados
Iniciamos esta parte do trabalho com os resultados relativos às variáveis
Autoestima, Perceção de Competência Educativa Parental, Rendimento Escolar e Comportamento das Crianças.
Assim, depois de recolhidos os dados, estes foram introduzidos e posteriormente
tratados num programa de tratamento estatístico, o SPSS 20.
Relativamente às variáveis mencionadas, apresentam-se, em primeiro lugar, os
resultados descritivos, e posteriormente referem-se as relações entre as mesmas e as
diferenças entre grupo experimental e grupo de controlo. As variáveis dependentes em
análise são, pois, as seguintes: autoestima, perceção de competência educativa parental
(subdividido em duas dimensões satisfação e sentimento de autoeficácia),
comportamento dos filhos (subdividido em duas dimensões
hiperatividade/impulsividade e desatenção) e rendimento escolar.
A análise estatística iniciou-se com a realização de uma análise descritiva, que
envolveu o cálculo de frequências, médias, desvio-padrão, mínimos e máximo.
Esta análise inicial foi também importante para o estabelecimento do tipo de
estatística a ser utilizada em análises posteriores.
Os dados considerados mais relevantes da estatística descritiva, podem ser
Tabela 3: Estatísticas descritivas para a variável autoestima.
Estatísticas Grupo Amplitude Média Desvio padrão N descritivas Autoestima Pai (avaliação pré) GE 47-60 55 5.37188 8 GC 39-60 51.3913 6.22852 23 Autoestima Pai (avaliação pós) GE 48-60 55.8750 5.48862 8 GC 35-60 52.0435 7.30179 23 Autoestima Mãe (avaliação pré) GE 36-60 49.8750 10.73629 8 GC 41-60 51.3913 5.42648 23 Autoestima Mãe (avaliação pós) GE 33-60 51.5000 11.07120 8 GC 37-60 54.4783 6.21486 23
Legenda: GE = grupo experimental (pais participantes no programa); GC = grupo de controlo; avaliação pré = pré-teste ou avaliação antes do início da implementação do programa; avaliação pós = pós teste ou avaliação depois de finalizado o programa
Como se pode constatar, a distribuição dos resultados da variável autoestima do
pai do GE na fase pré-teste/intervenção apresenta uma média de 55, subindo aquele
valor para 55.88 na fase de avaliação pós-teste/intervenção. Os valores do desvio-
padrão são de 5.37 e 5.48 para as fases pré e pós-teste, respetivamente. A amplitude dos
resultados obtidos corresponde a um intervalo entre 47 e 60 pontos (pré-teste), e 48 e 60
pontos (pós-teste), numa escala cujo valor máximo é de 60 pontos. Por sua vez, a
distribuição dos resultados da mesma variável para as mães do GE na fase pré-teste
apresenta uma média de 49.87, subindo para 51.5 na fase de avaliação pós-teste. Os
valores do desvio-padrão são de 10.73 e 11.07 para as fases pré e pós teste,
respetivamente.
Para a variável perceção da competência educativa parental, iremos considerar
os resultados nas duas dimensões: sentimento de autoeficácia e satisfação. Constatamos
que os valores médios dos resultados obtidos quanto ao sentimento de autoeficácia dos
pais do GE sobem de 31.75 para 33.28, da fase pré para a fase pós-teste. Quanto ao
respetivamente. No momento pré-teste a amplitude de valores situa-se entre 22 e 36
pontos, e na fase pós-teste entre 21 e 42 pontos. Os valores médios dos resultados
obtidos quanto ao sentimento de satisfação dos pais do GE mantêm-se em 44.37, da fase
pré para a fase pós teste. Quanto ao desvio-padrão, encontramos valores de 6.86 e 7.34
para aquelas duas fases, respetivamente. No momento pré-teste a amplitude de valores
situa-se entre 32 e 50 pontos, e na fase pós-teste entre 30 e 53 pontos.
Para as mães do GE, constatamos que os valores médios dos resultados obtidos quanto
ao sentimento de autoeficácia sobem de 32.42 para 33.62, da fase pré para a fase pós-
teste. Quanto ao desvio-padrão, encontramos valores de 2.57 e 5.23 para aquelas duas
fases, respetivamente. No momento pré-teste a amplitude de valores situa-se entre 30 e
37 pontos, e na fase pós-teste entre 23 e 41 pontos. Os valores médios dos resultados
obtidos quanto ao sentimento de satisfação das mães do GE sobe de 40.37 para 41, da
fase pré para a fase pós teste. Quanto ao desvio-padrão, encontramos valores de 9.39 e
10.82 para aquelas duas fases, respetivamente. No momento pré-teste a amplitude de
Tabela 4: Estatísticas descritivas para a variável perceção de competência educativa
parental.
Estatísticas Grupo Amplitude Média Desvio padrão N descritivas Satisfação Pai (avaliação pré) GE 32-50 44.3750 6.86477 8 GC 36-53 44.6957 5.44756 23 Satisfação Pai (avaliação pós) GE 30-53 44,3750 7.34725 8 GC 36-53 45.0870 4.83278 23 Satisfação Mãe (avaliação pré) GE 27-50 40.3750 9.39510 8 GC 34-54 46.6522 5.67778 23 Satisfação Mãe (avaliação pós) GE 26-54 41.0000 10.82326 8 GC 34-53 44.9565 5.74043 23 Autoeficácia Pai (avaliação pré) GE 22-36 31.7500 4.46414 8 GC 22-39 30.7826 5.21324 23 Autoeficácia Pai (avaliação pós) GE 21-42 33.2857 6.42169 7 GC 18-39 30.1304 5.41298 23 Autoeficácia Mãe (avaliação pré) GE 30-37 32.4286 2.57275 7 GC 20-40 32.1304 5.41298 23 Autoeficácia Mãe (avaliação pós) GE 23-41 33.6250 5.23552 8 GC 21-40 31.6522 5.68578 23
Legenda: GE = grupo experimental (pais participantes no programa); GC = grupo de controlo; avaliação pré = pré-teste ou avaliação antes do início da implementação do programa; avaliação pós = pós teste ou avaliação depois de finalizado o programa
Para a variável comportamento, analisamos as duas dimensões da escala:
hiperatividade/impulsividade e desatenção. Constatamos que os valores médios dos
resultados obtidos quanto à hiperatividade/impulsividade dos filhos do GE sobem de 39
valores de 18.26 e 14.9 para aquelas duas fases, respetivamente. No momento pré-teste
a amplitude de valores situa-se entre 13 e 63 pontos, e na fase pós-teste entre 20 e 63
pontos.
Os valores médios dos resultados obtidos quanto à desatenção dos filhos do GE
sobe de 44.25 na fase pré-teste para 46.37 na fase pós teste. Quanto ao desvio-padrão,
encontramos valores de 16.61 e 16.83 para aquelas duas fases, respetivamente. No
momento pré-teste a amplitude de valores situa-se entre 22 e 62 pontos, e na fase pós-
teste entre 22 e 63 pontos.
Para as mães do GE, constatamos que os valores médios dos resultados obtidos
quanto ao sentimento de autoeficácia sobem de 32.42 para 33.62, da fase pré para a fase
pós-teste. Quanto ao desvio-padrão, encontramos valores de 2.57 e 5.23 para aquelas
duas fases, respetivamente. No momento pré-teste a amplitude de valores situa-se entre
30 e 37 pontos, e na fase pós-teste entre 23 e 41 pontos. Os valores médios dos
resultados obtidos quanto ao sentimento de satisfação das mães do GE sobe de 40.37
para 41, da fase pré para a fase pós teste. Quanto ao desvio-padrão, encontramos valores
de 9.39 e 10.82 para aquelas duas fases, respetivamente. No momento pré-teste a
amplitude de valores situa-se entre 27 e 50 pontos, e na fase pós-teste entre 26 e 54
Tabela 5: Estatísticas descritivas para a variável comportamento.
Estatísticas descritivas Grupo Amplitude Média Desvio padrão N Hiperatividade/impulsividade (avaliação pré) GE 13-63 39.0000 18.26655 7 GC 12-52 32.9130 11.88166 23 Hiperatividade/impulsividade (avaliação pós) GE 20-63 44.6250 14.90865 8 GC 16-60 36.8696 11.12043 23 Desatenção (avaliação pré) GE 22-62 44.2500 16.61110 8 GC 16-62 37.1304 14.43576 23 Desatenção (avaliação pós) GE 22-63 46.3750 1683481 8 GC 18-62 37.913 13.50333 23
Legenda: GE = grupo experimental (pais participantes no programa); GC = grupo de controlo; avaliação pré = pré-teste ou avaliação antes do início da implementação do programa; avaliação pós = pós teste ou avaliação depois de finalizado o programa
Por último, no que diz respeito à variável rendimento escolar, registe-se que o
valor médio das notas escolares dos filhos do GE obtido na avaliação pré-teste é de
12.37, valor este que sobe para 12.5 na fase pós-teste.
No primeiro momento de avaliação o desvio-padrão correspondente é de 3.02, e
no pós-teste é de 3.29. A amplitude de valores obtidos, numa escala com valor máximo
de 15 pontos, é de 7 a 15 pontos na fase pré-teste, mantendo-se na fase pós-teste.
Tabela 6: Estatísticas descritivas para a variável rendimento escolar.
Estatísticas Grupo Amplitude Média Desvio padrão N Descritivas Notas escolares (avaliação pré) GE 7-15 12.3750 3.02076 8 GC 6-15 11.1739 2.77410 23 Notas escolares (avaliação pós) GE 7-15 12.5000 3.29502 8 GC 6-15 10.6522 2.77339 23
Legenda: GE = grupo experimental (pais participantes no programa); GC = grupo de controlo; avaliação pré = pré-teste ou avaliação antes do início da implementação do programa; avaliação pós = pós teste ou avaliação depois de finalizado o programa
Terminada a análise descritiva, com o objetivo de se averiguar se o grupo de
controlo e o grupo experimental seriam amostras provenientes de populações com a
mesma distribuição, isto é, para verificar se as duas amostras não eram
significativamente diferentes, à partida, nas variáveis estudadas, utilizou-se o teste não
paramétrico de Mann-Whitney U para a comparação de amostras independentes. Optou-
se pelo recurso a um teste não paramétrico, em virtude das dimensões reduzidas da
amostra deste estudo. Aquele teste foi utilizado para as variáveis autoestima, perceção
de competência educativa parental, comportamento e resultados escolares, nas fases pré e pós-teste.
Observou-se, mediante a aplicação do teste atrás descrito que as diferenças entre
o grupo experimental e o de controlo não são estatisticamente significativas (p> 0.05)
Tabela 7: Resultados do teste Mann-Whitney U para a variável autoestima
Variável Fase de Grupo N Valor Resultados do teste Mann-Whitney U avaliação médio Autoestima Pai Pré-teste Pós-teste GE 8 21.94 GC 23 18.65 GE 8 23 GC 23 17.91 Mann-Whitney U ) 153 Z -.889 Nível sign. (bicauda) l.374 Mann-Whitney U 136 Z -1.382 Nível sign. (bicaudal) .167
Autoestima Mãe Pré-teste Pós-teste GE 8 13.38 GC 23 16.91 GE 8 15.19 GC 23 16.28 Mann-Whitney U 71 Z -.958 Nível sign. (bicaudal) .338 Mann-Whitney U 85,5 Z -.299 Nível sign. (bicaudal) .774
Tabela 8: Resultados do teste Mann-Whitney U para a variável perceção de
competência educativa parental
Variável Fase de Grupo N Valor Resultados do teste Mann-Whitney U avaliação médio Autoeficácia Pai Pré-teste Pós-teste GE 8 21.00 GC 23 18.52 GE 8 23.37 GC 23 16.98 Mann-Whitney U ) 150 Z -.675 Nível sign. (bicauda) .500 Mann-Whitney U 114.5 Z -1.738 Nível sign. (bicaudal) .082
Autoeficácia Mãe Pré-teste Pós-teste GE 7 14.64 GC 23 15.76 GE 8 17.75 GC 23 15.39 Mann-Whitney U 74.5 Z .296 Nível sign. (bicaudal) .767 Mann-Whitney U 78 Z -.635 Nível sign. (bicaudal) .525
Satisfação Pai Pré-teste Pós-teste GE 8 19.00 GC 23 20.70 GE 8 18.84 GC 23 20.80 Mann-Whitney U ) 168 Z -.459 Nível sign. (bicauda) .646 Mann-Whitney U 165.5 Z -.529 Nível sign. (bicaudal) .597
Satisfação Mãe Pré-teste Pós-teste GE 7 11.19 GC 23 17.67 GE 8 12,88 GC 23 17.09 Mann-Whitney U 53.5 Z -1.743 Nível sign. (bicaudal) .081 Mann-Whitney U 67 Z -1.133 Nível sign. (bicaudal) .257
Tabela 9: Resultados do teste Mann-Whitney U para a variável comportamento
Variável Fase de Grupo N Valor Resultados do teste Mann-Whitney U avaliação médio Desatenção Pré-teste Pós-teste GE 8 19.00 GC 23 14.96 GE 8 19.69 GC 23 14.72 Mann-Whitney U 68 Z -1.333 Nível sign. (bicauda) .183 Mann-Whitney U 61 Z -.957 Nível sign. (bicaudal) .339
Hiperatividade/ impulsividade Pré-teste Pós-teste GE 7 18.29 GC 23 14.65 GE 8 19.94 GC 23 14.63 Mann-Whitney U 61 Z -.957 Nível sign. (bicaudal) .339 Mann-Whitney U 60.5 Z .155 Nível sign. (bicaudal) .158
Legenda: GE = grupo experimental (pais participantes no programa); GC = grupo de controlo
Tabela 10: Resultados do teste Mann-Whitney U para a variável rendimento escolar
Variável Fase de Grupo N Resultados Resultados do teste Mann-Whitney U avaliação médios Notas Escolares Pré-teste GE 8 18.69 Mann-Whitney U ) 70.50 Z -.986 Nível sign. (bicauda) .324 GC 23 15.07
Pós-teste
GE 8 19.69 Mann-Whitney U 62.5 Z -1.352 Nível sign. (bicaudal) .176 GC 23 14.72
Legenda: GE = grupo experimental (pais participantes no programa); GC = grupo de controlo
Quanto à variável rendimento escolar, como nas situações anteriores, também
para esta variável as diferenças apontadas não encontram significado estatístico (p>
0.05).
A conclusão geral que ressalta da utilização do teste de Mann-Whitney U é,
grupo de controlo, para todas as variáveis em análise, quer na fase pré, quer na fase pós-
teste.
De seguida foi realizada uma análise correlacional entre as variáveis autoestima,
perceção de competência educativa parental, comportamento dos filhos e rendimento escolar dos mesmos.
Esta análise tem como objetivo verificar a existência de possíveis correlações
entre as várias variáveis presentes nesta investigação, tornando assim possível no caso
da existência de uma correlação significativa, conhecer (prever) o comportamento de
uma variável através do comportamento de outra. Obtiveram-se os resultados
apresentados na tabela 11.
Tabela 11: Resultados da análise correlacional (correlação Rho de Spearman) entre as
variáveis no momento 1 (amostra total, GE+GC)
Variáveis 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Momento 1 1.Autoestima Pai _ _ _ _ _ _ _ _ _ 2.Autoestima Mãe _ _ _ _ .413* _ _ _ 3.Autoeficácia Pai _ . 748** .419* _ _ _ _ 4.Autoeficácia Mãe _ _ _ _ _ _ 5.Satisfação Pai _ .455* .424* _ .424* 6.Satisfação Mãe _ _ _ _ 7.Desatenção _. 679** .604** 8.Hiper/Impulsivid. _ _ 9.Rendim. escolar _ *p<0,05; **p<0.01
Tabela 12: Resultados da análise correlacional correlação Rho de Spearman) entre as
variáveis no momento 2 (GE+GC)
Variáveis 10 11 12 13 14 15 16 17 18 10. Autoestima Pai _ _ 11.AutoestimaMãe _ 12. Autoeficácia Pai 13.Autoeficácia Mãe 14. Satisfação Pai 15. Satisfação Mãe 16. Desatenção 17. Hiper/Impulsivid. 18. Rendim. Escolar _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ .853** _ _ _ _ _ _ _ .414* _ _ _ _ .410* _ _ _ _ _ _ _ _ .642** .822** _ .897** _ *p<0,05; **p<0.01
Assim, analisando as correlações significativas apresentadas nas tabelas 11 e 12,
observa-se o seguinte:- no momento 1ou no pré-teste: a autoestima da mãe se encontra
correlacionada com a sua satisfação. Verifica-se também uma correlação positiva e
muito significativa (p≤0.01) do sentimento de autoeficácia do pai com a o sentimento de
autoeficácia da mãe e com a sua satisfação. Em relação à satisfação do pai, verificam-se
correlações positivas mas com uma significância menor (p≤0.01) com a satisfação da
mãe, a desatenção e o rendimento escolar dos filhos. Já relativamente à desatenção com
a hiperatividade/impulsividade e com o rendimento escolar verifica-se também a
existência de uma correlação positiva;
- no momento 2 ou pós-teste: relativamente à autoestima do pai e da mãe não se
verificam quaisquer correlações significativas. Verifica-se entre o sentimento de
autoeficácia do pai e da mãe uma correlação elevada e significativa (p≤0.01). O
sentimento de autoeficácia da mãe também se correlaciona com a sua satisfação e esta
muito significativa com a hiperatividade/impulsividade e com o rendimento escolar,
assim como a hiperatividade/impulsividade e o rendimento escolar.
Todas as correlações encontradas foram correlações positivas.
Pretendeu-se em seguida analisar o impacto que a aplicação do programa pode
ter ao longo do tempo nas diversas variáveis, para os dois grupos, por forma a responder
às hipóteses equacionados neste estudo. Para tal, foram efetuadas diversos testes de
ANOVA com medidas repetidas de modelo misto de 2 (tempo) X 2 (grupos), para se
averiguar a existência de um efeito diferenciador por parte da variável participação no
programa (grupo experimental ou grupo de controlo) e da variável tempo (tempo 1 e
tempo2).
Diferenciação da perceção de competência educativa entre momentos de avaliação Para responder à hipótese 1, foram analisadas as duas dimensões avaliadas:
sentimento de autoeficácia e satisfação do pai e da mãe, que no seu conjunto forma o
conceito de perceção de competência parental.
Quanto ao sentimento de autoeficácia, comparando-se as mudanças ocorridas no
sentimento de autoeficácia dos pais entre os dois grupos e nos dois momentos,
observou-se que os pais do GE apresentam valores médios mais elevados no momento 1
que os pais do GC, subindo esses valores no momento 2 enquanto os pais do GC
descem. No entanto, as diferenças não são estatisticamente significativas, nem com o
tempo (F=.128, p>0.05), nem com a aplicação do programa (F= 2.156, p>0.05).
Quanto ao sentimento de satisfação dos pais, ao comparar os dois grupos nos
dois momentos, verificou-se que os pais do GE apresentaram valores inferiores que os
essas diferenças também não foram estatisticamente significativas, nem com o tempo
(F=.316, p>0.05), nem com a aplicação do programa (F= .000, p>0.05) (ver Gráficos 1
e 2, Anexo VII).
Diferenciação da autoestima entre momentos de avaliação
Uma das variáveis a analisar neste estudo foi a autoestima dos pais, tendo sido
alvo de análise os resultados obtidos na escala correspondente, para assim se procurar
saber se a aplicação do programa de educação parental será um elemento diferenciador
em termos dos resultados obtidos na avaliação da autoestima (hipótese 2).
Assim procedeu-se à realização de um teste de ANOVA de modelo misto de 2
(tempo) X 2 (grupos), onde não se verificou a existência de um efeito diferenciador por
parte da variável participação no programa de educação parental, não sendo o mesmo
significativo (p≥ .05).
Relativamente às alterações ocorridas na autoestima dos pais, observou-se que
os pais do GE apresentavam valores inferiores ao GC no momento1, mas apresentaram
valores superiores ao GC no momento 2 (ver gráfico 1 anexo VI).
No entanto, da comparação dos dados entre os dois grupos nos dois momentos,
verificamos que não houve diferenças estatisticamente significativas na avaliação da
autoestima dos pais, nem com o tempo (F= 1.209 , p>0.05), nem com a aplicação do
programa (F= .853, p>0.05) (ver Gráfico 3, Anexo VII).
Diferenciação do rendimento escolar entre momentos de avaliação
Relativamente ao rendimento escolar, observou-se que os filhos do GE
apresentaram valores superiores aos do GC no momento 1 e, no momento 2, esses
não é, no entanto, estatisticamente significativa, nem com o tempo (F=.467, p>0.05),
nem com a aplicação do programa (F= 1.241, p>0.05), pelo que não pôde ser
confirmada a Hipótese 4 (ver Gráfico 4, Anexo VII).
.
Diferenciação do comportamento dos filhos entre momentos de avaliação
Como para avaliar o comportamento das crianças foi utilizada a escala SWAN,
que comporta duas dimensões, também aqui nos vamos referir às duas dimensões
avaliadas: desatenção e hiperatividade/impulsividade.
Quanto à desatenção, no momento 1, o GE apresentou valores superiores ao GC
e estes valores subiram nos dois grupos no momento 2. No entanto, não houve
diferenças estatisticamente significativas na desatenção entre os filhos dos dois grupos,
nem com o tempo (F=.216, p>0.05), nem com a aplicação do programa (F= .132,
p>0.05) (ver Gráfico 5, Anexo VII).
Quanto à hiperatividade/impulsividade, os filhos do GE apresentaram valores
superiores aos apresentados pelos filhos do GC nos dois momentos de avaliação. Essa
diferença foi estatisticamente significativa relativamente ao tempo (F= 9.517, p=0.05),
mas não o foi relativamente à aplicação do programa (F= .005, p>0.05).
Apesar desta ultimo resultado significativo em termos estatísticos, não é possível
Tabela 13 Resultados das medidas de avaliação da hiperatividade/impulsividade nos dois momentos: comparação do GE e do GC
Testes multivariados
Source Soma dos quadrados Grau de liberdade
F p
tempo Sphericity Assumed 176.027 1 9.517 .005 Greenhouse-Geisser 176.027 1.000 9.517 .005
Huynh-Feldt 176.027 1.000 9.517 .005 Lower-bound 176.027 1.000 9.517 .005
tempo * CURSO Sphericity Assumed .093 1 .005 .944
Greenhouse-Geisser .093 1.000 .005 .944
Huynh-Feldt .093 1.000 .005 .944
Lower-bound .093 1.000 .005 .944
Error(factor1) Sphericity Assumed 517.907 28
Greenhouse-Geisser 517.907 28.000
Huynh-Feldt 517.907 28.000
Lower-bound 517.907 28.000
Gráfico1: Diferenciação de Grupos para a variável hiperatividade/impulsividade
Apresentados os resultados relativos aos dados recolhidos através das escalas
utilizadas, descrevem-se de seguida os resultados da avaliação da satisfação e eficácia
do programa de formação parental obtidos mediante recurso a um questionário,
construído intencionalmente para este estudo e aplicado aos pais que participaram no
programa.
A maioria dos pais que participaram no programa mostraram-se muito satisfeitos
(apresentando valores de satisfação muito próximos de 100%) com o funcionamento do
programa, os conteúdos tratados, o grupo de pais/mães, as mudanças pessoais ocorridas
e a dinamizadora do programa. Os pais relataram mudanças, após terem participado no
programa, tais como tratar com mais facilidade os problemas decorrentes da educação
dos filhos, aumentar o diálogo com o filho, mudar de atitude com o filho, passar a
respeitar as opiniões do filho, aprender a impor limites e regras ao seu filho. Assim, a
opinião geral dos pais participantes no programa foi muito boa, como se pode verificar
em algumas frases escritas por eles nas questões abertas do questionário:
“O mais importante neste programa foram as aprendizagens com as partilhas e o conhecimento. Vão ficar para sempre. O tempo parecia voar nestes momentos de
partilha, aprendi muito.” (pai A);
“Foi importante partilhar opiniões com pessoas que têm filhos da mesma idade, as partilhas e as experiências eram tantas que o tempo tornava-se pouco.” (pai B);
“A participação no programa foi muito importante pois levou-nos a falar mais abertamente sobre os nossos problemas e a aprender a reagir em diversas situações. A
nossa dinamizadora era fantástica, excelente pessoa e ótima interveniente.” (pai C); “Permitiu-me refletir sobre um conjunto de temas importantes e as