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Impondo nosso ritmo de jogo

No documento Sit_and_Win (páginas 156-162)

Uma grande parte do sucesso no HU se deve a tomar as rédeas do jogo e ter o domínio da ação.

Você passa a ter esse domínio quando controla ativamente o rumo que as mãos tomam, e não se vê obrigado a fazer alguma jogada.

No heads-up, devido à pequenez dos stacks, há algumas jogadas que se tornam automaticamente fracas.

Vamos explorar cada uma destas possibilidades para entender porque algumas delas serão descartadas a priori.

SB, Fold É uma jogada que não iremos fazer muitas vezes, mesmo com mãos ruins, pois temos que encarar somente um adversário (que

provavelmente possui também por sua vez uma mão ruim). No entanto, é útil para equilibrar o nosso range percebido pelo adversário – aumentando nossa equidade de fold com as

próximas mãos ruins que jogarmos.

SB, Limp É uma jogada que dá um flop gratuito para o nosso adversário e que não mostra força nenhuma. Além disso, prejudica nossos raises futuros, pois passa mais informação sobre eles. Portanto é extremamente raro o limp ser uma boa jogada no heads-up – se você está acostumado a fazer este tipo de

jogada, pare imediatamente.

SB, Raise pequeno (de 2 a 2.5 bb’s)

Um raise pequeno nos permite blefar (steal pré- flop) minimizando o nosso risco caso a mão vá para o flop ou receba um re-raise. Além disso, quando temos uma mão boa, o raise pequeno nos permite começar a deixar o adversário committed e ir aumentando o pote, ou até mesmo incentivá-lo a dar um re-raise. Em ambos os casos, o raise obriga o BB a fazer um investimento adicional fora de

posição para continuar na mão –

colocando pressão e minimizando o risco caso algo dê errado.

SB, Raise grande (de 2.5 a 4 bb’s)

Considerando os benefícios explicados do raise pequeno, sobra muito pouco espaço para um raise grande. Este raise aumenta o nosso risco, sem ter um aumento proporcional em EV. Mesmo que um raise grande vá deixar nosso adversário mais committed quando tivermos mãos boas, em geral teremos mãos

ruins, então estamos mais preocupados com um call ou re-raise. Portanto, assim como o limp, é uma jogada que raramente iremos

utilizar – a nossa decisão ao invés de dar um raise grande será de dar um raise pequeno ou push direto. Outro ponto importante é que variar entre um raise pequeno e um raise grande dá informação adicional sobre a nossa mão. Se dermos sempre raises

pequenos, quando dermos um raise grande estamos sinalizadno que temos uma mão

melhor (ou, se não a temos, aumentando nosso risco). Então é melhor continuar com o mesmo tamanho de raises e deixar nosso adversário confuso: “Será que ele tem um 72o ou um AA?”. Ele não tem como responder esta pergunta se jogarmos dessa forma.

SB, Push Existem mãos onde o risco de o jogo ir para o pós-flop é um preço muito grande a se pagar. E também existem situações onde temos que impor força e não dar chances para o re- raise ou onde queremos confundir nosso adversário. O push é uma excelente jogada no heads-up, principalmente se aliada a um correto entendimento da dinâmica de jogo – ou seja, onde o timing seja correto e haja um balanceamento entre push, fold e raise (pequeno).

sobre o destino da mão. Limp e raise grande dão informação e

oportunidade aos nossos adversários de nos tomar o controle da mão de e fazer jogadas que nos machuquem.

Enquanto isso, dando fold, raise pequeno ou push, nós sempre estamos dominando a mão, fornecendo pouca informação e dando opções bem restritas para o nosso adversário. Ele só pode basicamente pagar (fora de posição) ou re-raise all-in contra o raise pequeno e só pode pagar o push. Isto deixa muito pouco espaço para manobrar, o que o leva a cometer erros caros (como dar um resteal com uma mão fraca – o que é é exatamente o que queremos que faça).

BB, Check contra Limp

Como vimos analisando o nosso leque de

jogadas no SB, um adversário que der limp no SB estará nos dando uma grande ajuda. Dando check – em geral com mãos medianas ou fracas – poderemos ver

gratuitamente o flop, podendo assim flopar uma mão boa e/ou explorar fraqueza fazendo algum move pós-flop.

BB, Raise contra Limp

Caso após algum tempo de jogo percebamos uma tendência do SB em dar limp e/ou percebamos que seu limp costuma ser com mãos fracas (e não uma armadilha), podemos passar a dar raise no BB contra o limp. Este raise indica muita força, pois

poderíamos ver o flop de graça, e por isso costuma ser bem eficaz em fazer o SB dar fold. O tamanho do raise também pode variar:

queremos desencorajar o call. Além do claro benefício de permitir roubar os blinds sem muito risco e com uma mão fraca, esta jogada tem um efeito colateral positivo, que é o de diminuir o range do BB, fazendo com que ele dê mais folds futuramente e te faça ganhar os blinds.

BB, Fold contra Raise

Como não vale a pena jogar um pote

grande fora de posição, na maioria das vezes o fold, por termos mãos fracas, será a nossa jogada contra um raise.

BB, Call contra Raise

O call contra raise em geral será utilizado

somente para preparar armadilhas. Isto é, ou teremos uma mão muito boa (QQ+) e vamos pagar e dar check no flop para deixar o

adversário blefar, ou então teremos uma mão fraca e vamos pagar e apostar no flop ou

check/raise no flop (quando houver espaço para o fold ao check/raise e quando tivermos uma boa leitura de que o raise pré-flop não mostra força). Portanto pode-se dizer que embora sendo muito lucrativa nestes casos, em geral será uma jogada que não utilizaremos.

BB, All-in contra Raise

Não incluí Raise contra Raise e sim All-in contra Raise, pois geralmente, pelos stacks serem pequenos no HU, qualquer re-raise será o equivalente a um all-in. O all-in é uma jogada que iremos utilizar algumas vezes, seja visando

acabar com o sit and go (indo para o

showdown) ou para mostrar muita força e induzir um fold com um semi-blefe.

Perceba que aqui continua exatamente a mesma tendência: controle sobre a mão. Por isso raramente iremos pagar um raise e optar por jogadas que definam a mão e que possam ser utilizadas sem passar informação (o all- in resteal pode ser tanto um re-steal real quanto uma intenção de ir para o showdown, o SB não tem como definir com certeza qual dos dois é).

É importante ressaltar que toda esta mentalidade deve permear o nosso jogo no HU desde o início. Se começarmos dando raises grandes, limps, etc, depois nossas demais jogadas não terão o mesmo efeito que teriam caso tivessem sido usadas desde o começo. Nesse caso a dinâmica do heads-up já foi alterada. Por exemplo, se demos um raise grande quando tínhamos uma mão boa e o BB a viu, agora com T6o teremos que dar um raise grande para roubar os blinds – um raise pequeno neste caso indicará fraqueza.

Outro ponto que devemos ressaltar é que, assim como no early game e mid game, no heads-up torna-se importante novamente o jogo pós-flop inteligente. A decisão de dar ou não continuation bet e o como extrair valor com mãos boas é fundamental para explorar a vantagem de jogar com posição no botão contra o BB. Além disso, eventualmente um blefe forte (como um check/raise all-in) pode ser extremamente valioso e trazer muito EV. Portanto é necessário novamente o discernimento e raciocínio constante durante a mão sobre o range do nosso adversário, para poder fazer as escolhas corretas pós-flop.

Uma boa parte do nosso lucro no HU virá da alta subjetividade que o jogo pós-flop traz. Muitos jogadores sabem que precisam colocar pressão em

seus adversários no HU, mas confundem ser “agressivo” com ser “loose”. Agressivo é antônimo de passivo e não de tight. Este tipo de jogador tende a ser loose/passive e dar muitos limps e calls em raises. Isso é ótimo para nós. No primeiro caso flops gratuitos (ou uma boa chance de roubar sem grande risco) e no segundo caso o jogo pós-flop em posição. Vamos capitalizar em cima desta enorme falha.

Outro ponto diferente do pós-flop do heads-up para o do early e mid game é que os stacks são muito pequenos. Basta um mínimo de action para estarmos committed e termos que ir all-in. Daí nasce a necessidade de regular o jogo desde o pré-flop com raises pequenos – e mesmo assim estaremos muito short para o jogo pós-flop. Sendo assim, continuation bets relativamente pequenos e o entendimento que em muitas situações após apostar teremos que ir pro chão se o adversário pagar ou aumentar ajuda a prevenir situações onde somos obrigados a fazer determinada jogada. O planejamento de cada um dos próximos passos da mão é

essencial pra prevenir este tipo de contratempo e ao mesmo tempo lucrar quando queremos deixar nosso adversário committed (por exemplo, fazendo-o pagar uma aposta baixa, onde ele tem bons odds e sabemos que não poderá mais foldar ou estará entregando valor demais).

No documento Sit_and_Win (páginas 156-162)