O ITR tem uma finalidade marcadamente extrafiscal, diferente do que muitos pensam, pois, a União pode utilizá-lo como um instrumento de política agrária. O ITR incide sobre a propriedade territorial rural, enquanto o IPTU incide sobre a propriedade predial e territorial urbano. Veja o que a Constituição Federal dispõe sobre o ITR:
CF Art. 153 § 4º O imposto previsto no inciso VI (ITR) do caput:
I - será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas;
II - não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel;
III - será fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem, na forma da lei, desde que não implique redução do imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal.
Segundo a Constituição Federal, o ITR será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas. A afirmação que as alíquotas do ITR devem ser fixadas como forma de estimular a manutenção das propriedades produtivas também deve ser considerada como correta.
A CF traz uma imunidade específica sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel. Para usufruir dessa imunidade é necessário que o proprietário da pequena gleba rural a explore e não possua outro imóvel. Veja que são requisitos cumulativos.
Além dessa imunidade específica do Art. 153, §4° da CF, há mais uma estabelecida no Art. 184, §5° da CF.
Nesse caso não haverá a incidência do ITR (e de nenhum outro imposto) as operações de transferência para fins de reforma agrária.
Por fim, é possível que haja uma delegação da capacidade tributária ativa aos municípios (lembre-se que a competência que é indelegável, continua sendo da união). Isso apenas é possível se não houver alguma redução do imposto ou qualquer outra forma de redução fiscal. Nessa situação os respectivos municípios que o fiscalizar e cobrar ficará com 100% (tudo) do valor arrecadado. Quando o município não optar por fiscalizar e cobrar a União ficará com 50% e repassará ao município os outros 50%.
FATO GERADOR
CTN Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município.
O ITR incide sobre propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza. Imóveis por natureza é o solo e tudo quanto se lhe incorporar naturalmente (como árvores e vegetação), isto é, não se considera as construções (acessão física). Caso a propriedade seja localizada em zona rural será devido o ITR, já se for localizado em zona urbana será devido o IPTU.
Veja o que o CTN dispõe sobre o assunto:
CTN Art. 32. § 1º Para os efeitos deste imposto, entende-se como zona urbana a definida em lei municipal;
observado o requisito mínimo da existência de melhoramentos indicados em pelo menos 2 (dois) dos incisos seguintes, construídos ou mantidos pelo Poder Público:
I - meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais;
II - abastecimento de água;
III - sistema de esgotos sanitários;
IV - rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar;
V - escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) quilômetros do imóvel considerado.
Veja que o CTN estabelece que é a lei municipal que definirá qual a área de zona urbana ou rural. Todavia, para ser considerada área de zona urbana, o CTN estabelece que deve ser observado o mínimo de 2 requisitos enumerados nos incisos acima. Por exclusão, tudo o que não for área urbana será considerada área rural para fins de ITR.
Por fim, é importante ressaltar que (depois de certa polêmica na doutrina e jurisprudência, o que não vale a pena dissertar para um curso focado em concursos) o Decreto-Lei n° 57/66 estabelece que a regra estabelecida no §1° do Art. 32 do CTN não se aplica ao imóvel que, comprovadamente, seja utilizado em exploração extrativa vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial, incidindo assim, sobre o mesmo, o ITR. Assim considere como verdadeiro a afirmação que incidirá o ITR (e consequentemente não incidirá o IPTU) sobre o imóvel que seja utilizado em exploração extrativa vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial ainda que ele seja localizado em zona urbana.
BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA
CTN Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor fundiário.
O valor fundiário é o valor da terra nua, sem considerar construções, instalações e benfeitorias. Apesar de ser um tributo extrafiscal, as alíquotas devem observar os princípios da legalidade, da anterioridade e da noventena. Além disso, relembre a importante progressividade do ITR de forma a desestimular a manutenção de propriedades de improdutivas. A título de curiosidade, a menor alíquota estabelecida na legislação é de
0,03% (para imóveis pequenos e produtivos), enquanto a maior alíquota é de 20% (para imóveis grandes e improdutivos).
SUJEITO PASSIVO
CTN Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.
Proprietário são aqueles que possuem o título de domínio devidamente registrados em cartório; já titular do domínio útil é quem recebeu do proprietário o direito de usar, gozar e dispor da propriedade, conservando o domínio direto, como é o caso do enfiteuta ou foreiro nos casos de constituição de enfiteuses (ressalto que o novo código Civil de 2002 proibiu a constituição de novas enfiteuses); por fim, o possuidor a qualquer título é quem recebeu o direito de usar um dos poderes inerentes a propriedade.
É importante saber que o STJ (RESP 1.114.982/PR) entende que se o imóvel for invadido não é possível que a haja a cobrança do ITR pois foram perdidos o domínio e os direitos de propriedade.
LANÇAMENTO
Apesar de haver uma declaração, o lançamento do ITR é por homologação, já que o sujeito passivo deve calcular o montante devido e fazer um pagamento antecipado
Sintetizando as informações relativas ao ITR:
Vamos praticar!
(FCC - 2018 - Prefeitura de São Luís - MA - Auditor Fiscal de Tributos I - Geral)
Relativamente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), compete à União instituí-lo (art. 153, caput, inciso VI). De acordo com a Constituição Federal, ainda, e desde que não implique redução deste imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal, o ITR poderá ser, na forma da lei,
a) instituído, fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem.
b) instituído pelos Municípios que assim optarem.
c) fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem.
d) cobrado pelos Estados e pelos Municípios que assim optarem, de forma proporcional.
e) fiscalizado, concorrentemente, pela União, pelos Estados e pelos Municípios que assim optarem..
RESOLUÇÃO:
A competência tributária do ITR é da União. Assim apenas ela poderá instituir esse imposto. Todavia vimos que é possível que haja uma delegação da capacidade tributária ativa aos municípios que assim optarem para fiscalizar e cobrar o ITR.
Resposta: Letra C
Fato Gerador Propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localização fora da zona urbana
Lançamento Por Homologação
(Em regra)
Base de Cálculo Valor Fundiário
Sujeito Passivo Proprietário do imóvel, titular do seu domínio útil ou o seu possuidor