Aula 12: Impostos da União
Direito Tributário
Sumário
SUMÁRIO ...2
IMPOSTOS DA UNIÃO ... 4
IMPOSTODEIMPORTAÇÃO-II ... 5
FATO GERADOR ... 5
BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA ... 6
SUJEITO PASSIVO... 7
LANÇAMENTO ... 8
IMPOSTODEEXPORTAÇÃO-IE ... 11
FATO GERADOR ... 11
BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA ... 12
SUJEITO PASSIVO... 12
LANÇAMENTO ... 13
IMPOSTODERENDA-IR ... 15
FATO GERADOR ... 15
BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA ... 16
SUJEITO PASSIVO... 17
LANÇAMENTO ... 17
IMPOSTOSOBREPRODUTOSINDUSTRIALIZADOS–IPI ... 20
FATO GERADOR ... 21
BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA ... 21
SUJEITO PASSIVO... 22
LANÇAMENTO ... 23
IMPOSTOSOBREOPERAÇÕESDECRÉDITO,CÂMBIOESEGURO,OURELATIVASATÍTULOSOUVALORES MOBILIÁRIOS–IOF ... 26
FATO GERADOR ... 26
BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA ... 28
SUJEITO PASSIVO... 28
LANÇAMENTO ... 28
IMPOSTOSOBREPROPRIEDADETERRITORIALRURAL–ITR ... 31
FATO GERADOR ... 31
BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA ... 32
SUJEITO PASSIVO... 33
LANÇAMENTO ... 33
IMPOSTOSOBREGRANDESFORTUNAS-IGF ... 35
IMPOSTOEXTRAORDINÁRIODEGUERRA-IEG ... 36
IMPOSTOSRESIDUAIS ... 38
QUESTÕES COMENTADAS... 40
LISTA DE QUESTÕES... 66
GABARITO ... 78
RESUMO DIRECIONADO ... 79
IMPOSTODEIMPORTAÇÃO-II ... 79
IMPOSTODEEXPORTAÇÃO-IE ... 80
IMPOSTODERENDA-IR ... 81
IMPOSTOSOBREPRODUTOSINDUSTRIALIZADOS–IPI ... 82
IMPOSTOSOBREOPERAÇÕESDECRÉDITO,CÂMBIOESEGURO,OURELATIVASATÍTULOSOUVALORES MOBILIÁRIOS–IOF ... 83
IMPOSTOSOBREPROPRIEDADETERRITORIALRURAL–ITR ... 84
IMPOSTOSOBREGRANDESFORTUNAS-IGF ... 85
IMPOSTOEXTRAORDINÁRIODEGUERRA–IEG ... 85
IMPOSTOSRESIDUAIS ... 86
Impostos da União
Nesta aula estudaremos os impostos de competência da União. Lembre-se que os Impostos, tributos que tem por hipótese de incidência um fato alheio a qualquer atuação estatal, possuem competência privativa. Ou seja, a instituição de cada imposto só pode ser feita por determinado Ente tributante.
Para começar, vamos ver os impostos de competência privativa da União (Art. 153, CF/88).
Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
I - importação de produtos estrangeiros; (II)
II - exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; (IE) III - renda e proventos de qualquer natureza; (IR)
IV - produtos industrializados; (IPI)
V - operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; (IOF) VI - propriedade territorial rural; (ITR)
VII - grandes fortunas, nos termos de lei complementar. (IGF)
Além desses, a Constituição Federal também outorgou competência privativa à União para instituir os impostos extraordinário de Guerra (IEG) e os Impostos Residuais.
Para fins de provas de Direito Tributário, a maioria das questões exigem os aspectos constitucionais e as normas gerais estabelecidas no CTN, além de alguns entendimentos jurisprudenciais. Mais que isso seria desnecessário pois tais detalhes são vistos nas disciplinas de legislação tributária.
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - II
O imposto de importação, assim como os demais que incidem no comercio exterior, não tem como principal finalidade arrecadar (função fiscal), mas sim a de intervir na situação econômica, de modo a incentivar ou inibir determinadas condutas.
O II tem um papel importante na proteção do mercado interno, da indústria nacional e do balanço de pagamentos. Muitas vezes é necessário proteger um setor da indústria nacional que esteja sofrendo diante da concorrência de produtos exteriores no mercado interno. Se há uma elevada incidência do Imposto de Importação é provável que o produto nacional fique mais barato para o consumidor final. Por outro lado, se o governo reduz esse imposto é possível ocorrer uma maior entrada desses bens.
FATO GERADOR
CTN Art. 19. O imposto, de competência da União, sobre a importação de produtos estrangeiros tem como fato gerador a entrada destes no território nacional.
Sabemos que o fato gerador (hipótese de incidência) pode ser analisado sob 3 aspectos: o critério material, temporal e espacial.
O critério material é importar produtos estrangeiros. Aqui já surge uma polêmica, já que tanto a CF como o CTN usa o termo “produtos”, todavia o decreto-lei n° 37/66 (norma que instituiu o II e que foi recepcionada pela nossa Constituição Federal) e o Regulamento Aduaneiro (Decreto 6.759/09) usam o termo
“mercadoria”. São conceitos jurídicos diferentes disciplinados pelo Direito Civil, o primeiro tem o sentido de ser um bem resultado de determinado processo, enquanto o segundo são bens tangíveis com o intuito de negociações comerciais. O que importa para fins de provas de Direito tributário é que o STJ entende que o Imposto de Importação incide sobre a entrada de bens tangíveis em geral, já que as expressões mercadoria e produto foram utilizadas com o mesmo sentido.
Chamo atenção para o fato que o Imposto de Importação incide sobre produtos estrangeiros. Assim, não há que se falar em incidência do imposto de produtos nacionais que saíram do território brasileiro por um motivo (exportação temporária) e retornaram. Todavia, caso o produto nacional seja desnacionalizado (exportado em caráter definitivo) e por algum motivo retorne ao Brasil, haverá a incidência do Imposto.
O critério espacial, por óbvio, é o território nacional. Dessa maneira, há incidência do imposto pelo ingresso da mercadoria de procedência estrangeira no território brasileiro.
Já o critério temporal seria o momento da entrada do produto estrangeiro no território brasileiro. Em que momento é considerado essa entrada? Na hora que o navio atracou o porto? Quando o avião pousou no solo? Ou quando o navio entrou no mar territorial? Tal situação geraria diversos problemas, já que o imposto de importação é exceção aos princípios da legalidade, anterioridade anual e nonagesimal. Por isso a sua alíquota poderia ser alterada rapidamente. Imagine que um importador no dia 10/02/X1 resolva importar
de 10%), a mercadoria saiu da China no dia no dia 15/02/x1 (a alíquota estava 15%), a mercadoria entra no mar territorial no dia 25/02/x1 (a alíquota estava, nesse dia, 20%), por fim a mercadoria é entregue ao importador no dia 28/02/x1 (a alíquota estava 30%). Já deu para ver o problema surgindo rsrs?
A legislação, com o intuito de evitar situações de insegurança jurídica, acertadamente definiu que, para efeito de cálculo do imposto, considera-se ocorrido o fato gerador na data do registro da declaração de importação (DI). Isso foi, inclusive ratificado pelo STJ:
Não obstante o fato gerador do imposto de importação se dê com a entrada da mercadoria estrangeira em território nacional, torna-se necessária a fixação de um critério temporal a que se atribua a exatidão e certeza para se completar o inteiro desenho do fato gerador. Assim, embora o fato gerador do tributo se dê com a entrada da mercadoria em território nacional, ele apenas se aperfeiçoa com o registro da Declaração de Importação.
Para fins de prova de Direito Tributário basta saber que o critério temporal do II é na data do registro da declaração de importação (DI). Tal assunto é estudado mais detalhadamente em Legislação Aduaneira.
Por fim, é necessário que você saiba que, para fins de provas de Direito Tributário, não há a ocorrência do fato gerador nos regimes aduaneiros especiais, como admissão temporária ou trânsito aduaneiro.
BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA
CTN Art. 20. A base de cálculo do imposto é:
I - quando a alíquota seja específica, a unidade de medida adotada pela lei tributária;
II - quando a alíquota seja ad valorem, o preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da importação, em uma venda em condições de livre concorrência, para entrega no porto ou lugar de entrada do produto no País;
III - quando se trate de produto apreendido ou abandonado, levado a leilão, o preço da arrematação.
Inicialmente é importante que você saiba que as alíquotas podem ser ad valorem ou específicas. As primeiras são aquelas que consistem na aplicação de determinado percentual sobre a base de cálculo, como 10%. Já as segundas são aquelas que consistem em determinado valor de dinheiro sobre uma unidade de mediada adotada, como R$ 0,25 a cada litro.
Ademais, destaco que as alíquotas do imposto de importação são exceções aos princípios da legalidade (podem ser alteradas por ato do Poder Executiv0), da anterioridade e da noventena. Hoje na prática, tanto as alíquotas do Imposto de Importação como as de Exportação são alteradas pela CAMEX (Câmara de Comércio Exterior), órgão do Poder Executivo. De acordo com o STF, “é compatível com a Carta Magna a norma infraconstitucional que atribui a órgão integrante do Poder Executivo da União a faculdade de estabelecer as alíquotas do Imposto de Exportação. Competência que não é privativa do Presidente da República”.
Por conta do Mercosul, as alíquotas do imposto de importação estão fixadas na Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC), é uma tabela que contém milhares de produtos (cada um com seu código) associados à sua respectiva alíquota.
Caso a alíquota seja específica, a base de cálculo será a quantidade da unidade de medida adotada. Por exemplo, se a alíquota for R$ 0,50 a cada metro quadrado de couro, e um importador importar 100 m² de couro, ele irá pagar R$ 50,00 de imposto de importação.
Caso a alíquota seja ad valorem, a base de cálculo será o preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da importação, em uma venda em condições de livre concorrência. Ou seja, será o valor real, e não o valor declarado pelo importador, isso tudo para evitar a prática de sonegação fiscal. Ressalto que esse termo “preço normal” deve ser entendido como valor aduaneiro apurado conforme as regras do GATT (Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio), tratado internacional que o Brasil faz parte.
Por fim, veja no inciso III o CTN determina que, em se tratando de produtos estrangeiros abandonados ou apreendidos, a base de cálculo do imposto seria o preço da arrematação (preço pago no leilão). O verbo foi usado no subjuntivo propositalmente, pois o DL 37/66 não instituiu esse fato gerador. Assim na prática não há a incidência do II sobre tal hipótese (arrematação de produto em leilão). Todavia para fins de provas de Direito Tributário é necessário saber que no caso de produto abandonado ou estrangeiro a base de cálculo é o preço da arrematação.
SUJEITO PASSIVO
CTN Art. 22. Contribuinte do imposto é:
I - o importador ou quem a lei a ele equiparar;
II - o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados.
Veja que o CTN permite que a lei prevê a possibilidade de instituição de importadores por equiparação.
Nesse sentido o Decreto Lei n° 37/66 prevê como contribuinte do imposto:
DL 37/66 - Art.31 - É contribuinte do imposto:
I - o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional;
II - o destinatário de remessa postal internacional indicado pelo respectivo remetente;
III - o adquirente de mercadoria entrepostada;
Para fins de prova de Direito Tributário saber da literalidade, já é mais do que suficiente.
Por fim, chamo atenção mais uma vez ao caso do arrematante de produtos apreendidos ou abandonados e levados a leilão. Apesar de o CTN (Art. 22, II) falar que o arrematante é contribuinte do II, na prática isso não acontece.
LANÇAMENTO
Em relação ao imposto de importação, o lançamento é, em regra, por homologação, visto que o importador faz a declaração de importação (DI) junto com seu pagamento antecipado. Falei “em regra” já que há algumas situações que fazem com que o Auditor Fiscal da Receita Federal faça o lançamento de ofício, como nos casos em que a mercadoria estrangeira que não haja sido objeto de declaração de importação, ou na hipótese em que tenha sido consumida ou revendida, ou não seja localizada.
Sintetizando as informações relativas ao Imposto de Importação (II):
Fato Gerador Entrada de produtos estrangeiros no território nacional
Momento do Fato Gerador
No momento do Registro da DI (Declaração de Impostação)
Base de Cálculo
quando a alíquota seja
específica Unidade de medida adotada pela lei tributária
quando a alíquota seja ad valorem
Preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da importação, em uma venda em condições de livre concorrência, para entrega no
porto ou lugar de entrada do produto no País
quando se trate de produto apreendido ou abandonado, levado a
leilão
Preço da arrematação
Vamos praticar!
(FCC – 2018 - Auditor Fiscal da Receita Estadual (SEF SC)/Auditoria e Fiscalização)
Conforme o Código Tributário Nacional (CTN), no que se refere ao imposto de importação,
a) o fato gerador é o desembaraço aduaneiro em alfândega nacional ou em EADI (Estação Aduaneira do Interior).
b) a base de cálculo é, quando a alíquota for específica, a unidade de medida adotada pela lei tributária.
c) o contribuinte é o nacional que adquire bens ou mercadorias no exterior, de estrangeiro.
d) o fato gerador ocorre no momento em que o negócio jurídico, de compra e venda, esteja definitivamente constituído, nos termos do direito aplicável.
e) a base de cálculo é o valor do produto no mercado varejista regional, posta no estabelecimento do fornecedor (FOB), em situação de livre concorrência.
RESOLUÇÃO: Vamos ver cada uma das alternativas
a) ERRADA. O fato gerador a entrada de produtos estrangeiros no território nacional.
b) CERTA. É o que dispõe o CTN.
c) ERRADA. O contribuinte é o importador.
d) ERRADA. O fato gerador ocorre com o registro da DI (Declaração de Importação).
e) ERRADA. A base de cálculo é a quantidade de unidade de medida adotada se a alíquota for específica, ou o valor aduaneiro (valor normal) se a alíquota for específica.
Sujeito passivo
Importador ou quem a lei a ele equiparar
Importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a
entrada de mercadoria estrangeira no território nacional
Destinatário de remessa postal internacional indicado pelo
respectivo remetente
Adquirente de mercadoria entrepostada Arrematante de produtos
apreendidos ou abandonados
Lançamento Por Homologação
(Em regra)
Resposta: Letra B
IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO - IE
Assim como o imposto de impostação, o imposto de exportação (IE) tem como principal finalidade a de intervir no mercado econômico, possuindo assim uma função eminentemente extrafiscal. Apesar disso, é um imposto que raramente há a incidência já que não faz sentido “exportar” tributos. Uma eventual tributação na exportação teria impactos negativos na balança comercial no país, pois iria encarecer o preço dos produtos brasileiros para os compradores internacionais, reduzindo a competitividade do produto nacional no comércio internacional. Então você deve estar se pensando, qual a razão de o imposto de impostação existir?
Imagine que há uma crise de desabastecimento de carne bovina no mundo, pela lei da oferta e da demanda os preços irão subir pela escassez desse produto. Nesse cenário, muitos empresários nacionais desse ramo focariam em exportar a carne, o que iria gerar um desabastecimento nacional de carne (um verdadeiro caos para o Brasil). Assim, com o intuito de evitar esse desabastecimento nacional, seria razoável que a União tributasse a exportação.
FATO GERADOR
CTN Art. 23. O imposto, de competência da União, sobre a exportação, para o estrangeiro, de produtos nacionais ou nacionalizados tem como fato gerador a saída destes do território nacional.
O critério material é exportar produtos nacionais (o famoso “made in Brazil” rsrs) ou nacionalizados (produtos estrangeiros que foram importados em caráter definitivo). Assim, não há que se falar em incidência do imposto de produtos nacionais que entraram no território brasileiro por um motivo (importação temporária) e depois retornaram ao exterior. Todavia, caso o produto estrangeiro seja nacionalizado (importado em caráter definitivo) e por algum motivo saia do Brasil, poderá haver a incidência do Imposto.
O critério espacial, por óbvio, é o território nacional. Dessa maneira, há incidência do imposto pela saída da mercadoria nacional ou nacionalizado do território brasileiro.
Já o critério temporal seria o momento da saída do produto nacional ou nacionalizado do território brasileiro. Em que momento é considerado essa entrada? Temos o mesmo problema do critério temporal do imposto de importação (II) estudado anteriormente. Dessa maneira, a legislação definiu a data do registro de exportação como critério temporal do imposto. Ressalto que hoje o Registro de Exportação foi substituído pela Declaração Única de Exportação (DU-E).
BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA
CTN Art. 24. A base de cálculo do imposto é:
I - quando a alíquota seja específica, a unidade de medida adotada pela lei tributária;
II - quando a alíquota seja ad valorem, o preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da exportação, em uma venda em condições de livre concorrência.
Parágrafo único. Para os efeitos do inciso II, considera-se a entrega como efetuada no porto ou lugar da saída do produto, deduzidos os tributos diretamente incidentes sobre a operação de exportação e, nas vendas efetuadas a prazo superior aos correntes no mercado internacional o custo do financiamento
Seguindo a mesma sistemática do imposto de importação, a base de cálculo é a quantidade de unidade de medida adotada, se a alíquota for específica, ou o valor normal, se a alíquota for ad valorem.
Na hipótese da alíquota ad valorem, o valor normal nesse caso deve ser entendido como preço à vista do produto, na condição FOB (Free on Board), isso por que o legislador quis retirar, para fins de base de calculo do imposto, os custos relativos a fretes, seguros e financiamento.
Em relação as alíquotas, acrescenta-se que o Decreto-Lei 1.578/77 dispõe que a alíquota do imposto é de trinta por cento (30%), facultado ao Poder Executivo reduzi-la (até zero) ou aumentá-la, para atender aos objetivos da política cambial e do comércio exterior. Em caso de elevação, a alíquota do imposto não poderá ser superior a cinco vezes o percentual fixado (ou seja, de 150%).
Para finalizar, relembre que as alíquotas do imposto de exportação são exceções aos princípios da legalidade (podem ser alteradas por ato do Poder Executivo – como explicado acima, na prática são alteradas pela CAMEX), da anterioridade e da noventena.
SUJEITO PASSIVO
CTN Art. 27. Contribuinte do imposto é o exportador ou quem a lei a ele equiparar.
O contribuinte do imposto é o exportador, assim considerado qualquer pessoa que promova a saída do produto do território nacional.
LANÇAMENTO
O lançamento do Imposto de Exportação é feito por homologação. Cabe ao exportador fazer a Declaração de Exportação junto com o pagamento antecipado.
Sintetizando as informações relativas ao Imposto de Exportação (IE):
Fato Gerador Exportar produto nacional ou nacionalizado
Momento do
Fato Gerador Na data do Registro de Exportação
Base de Cálculo
quando a alíquota seja específica
Quantidade de medida adotada pela lei tributária
quando a alíquota seja
ad valorem Preço normal
Sujeito passivo Exportador, assim considerado qualquer pessoa que promova a saída do produto do território nacional
Lançamento Por Homologação
(Em regra)
Vamos praticar!
(ESAF – 2012 - Analista Tributário da Receita Federal do Brasil)
Acerca do Imposto de Exportação, analise os itens a seguir, classificando-os como verdadeiros (V) ou falsos (F).
Em seguida, escolha a opção adequada às suas respostas.
I. A Câmara de Comércio Exterior, observada a legislação específica, relacionará as mercadorias sujeitas ao Imposto de Exportação, mas de acordo com o art. 153, § 10 da Constituição Federal, a alteração das alíquotas do imposto é de competência privativa do Chefe do Poder Executivo.
II. Mesmo considerando a função regulatória do Imposto de Exportação, suas alíquotas não poderão ser manejadas sem a observância de condições e limites estabelecidos em lei em sentido estrito.
III. Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, é incompatível com a Constituição Federal a norma infraconstitucional que atribui a órgão integrante do Poder Executivo da União a faculdade de estabelecer as alíquotas do Imposto de Exportação.
IV. O Imposto de Exportação incide sobre mercadoria nacional ou nacionalizada destinada ao exterior.
Considera-se nacionalizada a mercadoria estrangeira importada a título definitivo.
a) Estão corretos somente os itens II e III.
b) Estão corretos somente os itens I e III.
c) Estão corretos somente os itens I e II.
d) Estão corretos somente os itens II e IV.
e) Todos os itens estão corretos.
RESOLUÇÃO: Vamos analisar os itens
I – ERRADA. Vimos que as alterações das alíquotas não são de competência privativa do Presidente da República, podendo ser feita por órgão integrante do Poder Executivo, no caso a CAMEX.
II – CERTA. Apesar de ser uma exceção ao princípio da legalidade, é preciso observar os limites legais (no caso é de 30% podendo ser aumentada até 150%, e não mais que isso).
III – ERRADA. Segundo o STF, é compatível com a Constituição Federal a norma infraconstitucional que atribui a órgão integrante do Poder Executivo da União a faculdade de estabelecer as alíquotas do Imposto de Exportação.
IV – CERTA. É o critério material do IE.
Resposta: Letra A
IMPOSTO DE RENDA - IR
O imposto sobre a renda (IR) é o tributo da União de maior arrecadação, tendo uma finalidade fiscal. Além disso, considera-se que ele é um instrumento hábil para promover uma redistribuição de renda. Dessa forma, temos que o Imposto de Renda é um imposto que tem com principal finalidade a arrecadação de recursos, mas, também, possui uma finalidade extrafiscal que é a redistribuição da renda.
Seguindo a linha dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, a Constituição Federal estabeleceu que o IR será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei.
Generalidade diz respeito a tributação de todas as pessoas (sejam elas pessoas físicas ou jurídicas), já universalidade está relacionada com a tributação de todos as rendas e proventos de qualquer natureza. Por fim, a progressividade prevê que as alíquotas do IR sejam maiores para rendimentos mais elevados.
FATO GERADOR
CTN Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:
I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos;
II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.
§ 1° A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção.
§ 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo
O IR tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos.
Disponibilidade jurídica é quando a pessoa passa a ter um direito que não está mais sujeito a nenhuma condição. Por exemplo, se determinada empresa vender sua mercadoria a prazo, e ter auferido lucro nessa operação, incidirá o IR por conta da disponibilidade jurídica, a pesar de ainda não ter recebido o dinheiro. Já a disponibilidade econômica ocorre quando se obtém o dinheiro para usar e dispor como quiser.
Naturalmente a disponibilidade econômica viria depois da jurídica (primeiro, tenho o direito a receber, depois, recebo). Todavia relembre há casos em que surge uma disponibilidade econômica de fatos não previstos no direito, como o oriundo de atividades ilícitas. De acordo com o princípio da pecúnia non olet, o lucro obtido de atividades ilícitas deve ser tributado.
O CTN adotou o conceito de renda como acréscimo patrimonial. Dessa maneira, a renda tributada pode ser decorrente do produto de capital (como rendimento de aplicações financeiras, aluguéis, royalties, etc), do trabalho (como salários), ou da combinação de ambos (como pró-labore, que é a remuneração do sócio por um trabalho prestado a empresa). Além disso, proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda (como ganho de capital na alienação de bens), também devem ser tributados.
Muito se discutiu sobre a possibilidade de se tributar verbas decorrentes de indenização. Hoje é pacificado o entendimento que as verbas indenizatórias não estão sujeitas a tributação da renda por não constituírem acréscimo patrimonial, servindo apenas para recompô-lo. Para o STF, não pode o legislador infraconstitucional definir algo como renda que não o seja.
Súmula 498 do STJ - Não incide imposto de renda sobre a indenização por danos morais.
Seguindo os moldes constitucionais dos critérios da generalidade e universalidade, os parágrafos do art.
43 deixam bem amplo a possibilidade de tributação, já que o imposto incidirá independentemente da denominação, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção da receita ou do rendimento.
Sobre a fonte, temos a seguinte situação: o não residente no Brasil só poderá ser tributado pelos rendimentos aqui auferidos; já o residente no brasil será tributado tanto pelos rendimentos auferidos no Brasil como aqueles auferidos no exterior.
No caso da incidência do IR em rendimentos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência.
BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA
CTN Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis.
Essa regra é aplicada ao imposto de renda sobre pessoas jurídicas (IRPJ). O lucro real é aquele que o contribuinte leva em consideração todas suas receitas menos os custos e despesas dedutíveis. O lucro presumido é a previsão, para certos contribuintes, de calcular o lucro com base em um determinado percentual de sua receita. Por fim, o lucro arbitrado é aquele que é aplicado pelo fisco quando não for possível calcular o lucro pela modalidade comum (real ou presumida a depender do caso).
Apesar de o CTN não trazer normas sobre a base de cálculo das pessoas físicas, é o total de rendimentos tributados subtraído das despesas dedutíveis, como saúde e educação.
Sobre as alíquotas, lembre-se elas serão pautadas de acordo com os princípios da progressividade. Para as pessoas físicas, as alíquotas variam de acordo com a seguinte tabela (não se preocupe em memorizar os valores):
Fonte:http://receita.economia.gov.br/interface/cidadao/irpf/2020/perguntao/p-r-irpf-2020-v-1-3-2020-10-27.pdf
Em relação às pessoas jurídicas, a alíquota é de quinze por cento (15%) sobre o lucro real, presumido ou arbitrado. Além dessa “alíquota geral” há um adicional de dez por cento (10%) sobre a base de cálculo que superar R$ 20.000,00 (vinte mil reais) vezes o número de meses do período de apuração.
Por fim, lembre-se que as alíquotas do IR são exceções ao princípio da noventena.
SUJEITO PASSIVO
CTN Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis.
Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam.
Como não podia ser diferente, o contribuinte do IR é o titular da disponibilidade jurídica. Além disso perceba que o CTN autoriza que uma lei atributa a fonte pagadora, na condição de responsável (e não contribuinte) a fazer a retenção do valor do imposto devido por quem irá receber o rendimento. É o famoso imposto de renda retido na fonte.
LANÇAMENTO
Por conta da declaração do imposto de renda das pessoas físicas algumas pessoas afirmam, erroneamente, que seria um imposto sujeito a lançamento por declaração. No entanto, essa declaração é apenas uma obrigação acessória.
O imposto de renda está sujeito ao lançamento por homologação procedimento em que o contribuinte antecipa o pagamento do tributo, e a autoridade tributária, posteriormente, o homologa.
Sintetizando as informações relativas ao Imposto de Renda (IR):
Fato Gerador
Disponibilidade de Renda: produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos
Disponibilidade de proventos de qualquer natureza (demais acrescimos patrimoniais)
Base de Cálculo
montante real
montante presumido
montante arbitrado
Sujeito passivo titular da disponibilidade de renda ou proventos de qualquer natureza
Lançamento Por Homologação
(Em regra)
Vamos praticar!
(FCC - 2019 - AFAP - Analista de Fomento - Contador)
De acordo com o Código Tributário Nacional, o Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza – IR tem como fato gerador
a) a aquisição da disponibilidade de renda, assim entendido o produto do capital e do trabalho, aí incluída a expectativa de disponibilidade jurídica relacionada ao recebimento de herança proveniente do exterior, desde que prevista em lei complementar federal.
b) a aquisição da disponibilidade de renda, assim entendidas as espécies de rendimentos expressamente previstas como tal, em ato próprio, emanado do Poder Executivo Federal.
c) a expectativa de aquisição, em até três exercícios futuros, de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, ainda que esta disponibilidade não venha a se realizar.
d) a aquisição da disponibilidade, econômica ou jurídica, de proventos, assim entendidos exclusivamente os acréscimos patrimoniais definidos em decreto federal publicado em exercício financeiro anterior àquele em que o referido decreto deverá produzir seus efeitos.
e) a aquisição da disponibilidade, econômica ou jurídica, de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos.
RESOLUÇÃO: De acordo com o CTN, O IR tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos.
Resposta: Letra E
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI
O imposto sobre produtos industriais (IPI), apesar de ter um caráter extrafiscal, apresenta uma das maiores arrecadações dos impostos federais. O IPI é um imposto real que incide sobre uma categoria específica de bens: os produtos industrializados. Nas palavras do CTN, considera-se industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo.
A Constituição Federal estabeleceu que o IPI será seletivo, em função da essencialidade do produto; será não cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;
não incidirá sobre os produtos industrializados destinados ao exterior; e terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei.
As alíquotas devem obedecer ao princípio da seletividade, ou seja, a carga tributária incidente sobre as operações ou prestações serão maiores (ou menores) conforme a essencialidade dos bens ou serviços. Assim, a tributação de determinados produtos ou serviços deve ser maior para aqueles que não forem considerados tão essenciais (bebidas, cigarros e perfumes, por exemplo) e deve ser menor para aqueles que são considerados mais essenciais (arroz, feijão e pão, por exemplo).
O IPI deve ser não cumulativo, que é um princípio (ou técnica) de tributação por meio do qual se pretende evitar a “tributação em cascata” que onera as sucessivas operações e prestações com bens e serviços sujeitos a determinado tributo. Na prática, isso faz com que o imposto incida sobre o valor agregado de cada etapa na cadeia produtiva, usando uma sistemática de débitos e créditos. O adquirente poderá se creditar do “IPI a recuperar” em sua contabilidade para depois compensar com o débito gerado com uma posterior saída, gerando o IPI a recolher.
Ainda sobre o princípio da não cumulatividade é importante saber que o STF entende que “O princípio da não-cumulatividade é alicerçado especialmente sobre o direito à compensação, o que significa que o valor a ser pago na operação posterior sofre a diminuição do que pago anteriormente, pressupondo, portanto, dupla incidência tributária. Assim, se nada foi pago na entrada do produto, nada há a ser compensado. O aproveitamento dos créditos do IPI não se caracteriza quando a matéria-prima utilizada na fabricação de produtos tributados reste desonerada, sejam os insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. Isso porque a compensação com o montante devido na operação subsequente pressupõe, necessariamente, a existência de crédito gerado na operação anterior”. Veja que o STF entende que não há o direito ao creditamento de IPI com insumos desonerados (isentos, alíquota zero ou não tributáveis).
Por fim, segundo a súmula 495 do STJ, a aquisição de bens integrantes do ativo permanente da empresa não gera direito a creditamento de IPI.
Seguindo a lógica de desonerar as exportações, a Constituição Federal deu uma imunidade específica ao IPI para os produtos industrializados destinados ao exterior.
Por fim, os bens de capital, aqueles usados para produzir outros (como máquinas), terão um benefício na forma da lei. Trata-se de um dispositivo não autoaplicável, é necessário que haja uma lei para dispor sobre o tema.
FATO GERADOR
CTN Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador:
I - o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira;
II - a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51;
III - a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão.
Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considera-se industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo.
Sobre o desembaraço (liberação de uma mercadoria pela alfândega para a entrada no país) de produtos estrangeiros, muito se discutiu sobre a constitucionalidade dessa norma. Veja que os importadores de produtos estrangeiros acabam sofrendo uma “dupla tributação”: 1° no desembaraço, e 2° na saída do seu estabelecimento quando forem revender.
O STJ entendeu que é legitimo a incidência dos dois fatos geradores, já que não ocasiona a ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bitributação, porque a lei elenca dois fatos geradores distintos, o desembaraço aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior e a saída do produto industrializado do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor, isto é, a primeira tributação recai sobre o preço de compra onde embutida a margem de lucro da empresa estrangeira e a segunda tributação recai sobre o preço da venda, onde já embutida a margem de lucro da empresa brasileira importadora Além disso, o importador poderia se creditar do valor cobrado no primeiro fato gerador, o que manteria a tributação apena sobre o valor agregado.
Ainda sobre os produtos de procedência estrangeira, o STF decidiu que é legítima a incidência de IPI de automóveis estrangeiros por pessoas físicas para uso próprio. A decisão se baseou nos argumentos que tinha que ser observado o princípio da isonomia (promovendo condições de igualdade entre o fabricante nacional, sujeito ao imposto, e o fornecedor estrangeiro); e que não há imunidade na importação.
Ressalto que a terceira hipótese de incidência na prática não tem efeito, já que ele não foi instituído pelo legislador ordinário. Se aplicando os comentários que vimos sobre o imposto de importação. Lembre-se que o CTN não institui tributos.
BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA
CTN Art. 47. A base de cálculo do imposto é:
I - no caso do inciso I do artigo anterior (desembaraço aduaneiro), o preço normal, como definido no inciso II do artigo 20, acrescido do montante:
a) do imposto sobre a importação;
b) das taxas exigidas para entrada do produto no País;
c) dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis;
II - no caso do inciso II do artigo anterior (saída dos estabelecimentos dos contribuintes):
a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria;
b) na falta do valor a que se refere a alínea anterior, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente;
III - no caso do inciso III (arrematação de produtos levados a leilão) do artigo anterior, o preço da arrematação;
No caso de importação, a base de cálculo é o valor normal (leia-se valor aduaneiro), que é a própria base de cálculo do II, acrescidos do próprio Imposto de Importação, das taxas aduaneiras e dos encargos cambiais.
Já para o caso de saída dos estabelecimentos contribuintes, como regra, a base de cálculo é o valor da própria operação. Aqui há uma importante observação sobre o assunto: a lei 7.798/89 determinou que os descontos incondicionais (aqueles concedidos independentemente de qualquer condição, não sendo necessário que o comprador pratique qualquer ato subsequente ao de compra para fazer jus ao benefício e que, uma vez concedido, não será pago) seriam incluídos na base de cálculo do IPI, ou seja, ainda que fosse concedido um desconto incondicional, a base de cálculo seria o valor “cheio”. O STF ao analisar o caso reconheceu a inconstitucionalidade de tal dispositivo. Assim, os descontos incondicionais concedidos não devem integrar a base de cálculo do IPI.
Na falta desse valor, a base de cálculo será o preço corrente da mercadoria no mercado atacadista (não é varejista) da praça do remetente (não é do destinatário).
Para finalizar o assunto de base de cálculo, o CTN dispõe que, no caso de arrematação, a base de cálculo seria o preço da arrematação. Todavia, não há efeitos práticos desse dispositivo, já que esse fato gerador não foi instituído pelo legislador ordinário.
Sobre as alíquotas, como já falado anteriormente, destaco que elas devem ser seletivas e são exceções aos princípios da legalidade e da anterioridade anual.
SUJEITO PASSIVO
CTN Art. 51. Contribuinte do imposto é:
I - o importador ou quem a lei a ele equiparar;
II - o industrial ou quem a lei a ele equiparar;
III - o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior;
IV - o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão.
Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considera-se contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante.
Sem muitos comentários, veja que a lei pode equiparar alguém a ser contribuinte do imposto, tanto no caso de importação como no caso de indústria, é o chamado estabelecimento equiparado a industrial. Isso não é necessariamente algo ruim, pois quem adquire os produtos de tais estabelecimentos poderá se creditar do IPI.
Por fim, o parágrafo único dispõe que no caso de uma pessoa jurídica possuir diversos estabelecimentos, cada um deles será considerado autônomo. Ou seja, cada estabelecimento deverá cumprir suas obrigações tributárias independentemente dos demais
LANÇAMENTO
Da mesma forma que os demais impostos federais, o IPI é lançado por homologação.
Sintetizando as informações relativas ao Imposto sobre produtos industrializados (IPI):
Fato Gerador
Desembaraço Aduaneiro
Saída dos estabelecimentos dos contribuintes
Arematação em leilão
Base de Cálculo
Preço normal (valor aduaneiro) + II + Taxas + Encargos Financeiros
i) Valor da operação
ii) na falta do valor da operação, o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente
Preço da arrematação
Sujeito passivo
Importador ou quem a lei a ele equiparar
Industrial ou quem a lei a ele equiparar
Comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes
Arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão
Lançamento Por Homologação
(Em regra)
Vamos praticar!
(VUNESP - 2019 - Prefeitura de Campinas - SP - Auditor Fiscal Tributário Municipal - Conhecimentos Específicos)
A respeito do imposto sobre produtos industrializados, é correto afirmar com base na Constituição Federal que A) será seletivo em função da essencialidade do produto.
B) incidirá também nas operações de venda destinadas ao exterior.
C) será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de plantas industriais improdutivas.
D) será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da não cumulatividade.
E) terá majorado seu impacto na aquisição do exterior de bens de capital pelo contribuinte.
RESOLUÇÃO:
A) CERTA. De acordo com a CF, o IPI DEVE ser seletivo.
B) ERRADA. Há uma imunidade para as exportações do IPI .
c) ERRADA. O examinador deu uma misturada. O ITR (imposto sobre propriedade territorial rural) é que será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas.
d) ERRADA. O examinador deu uma misturada. O IR (imposto sobre rendas) é que informado pelos critérios da generalidade, da universalidade, e progressividade. O IPI, de fato, deve ser não cumulativo.
e) ERRADA. O IPI terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei
Resposta: Letra A
IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGURO, OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS – IOF
O Imposto Sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF), apesar de ter uma grande parcela de contribuição na arrecadação da União, tem um caráter eminentemente fiscal, por permitir a União intervir no mercado financeiro.
Importante falar sobre o IOF – Ouro – Ativo Financeiro: o ouro pode ser utilizado como mercadoria, ou como meio de ativo financeiro. No primeiro caso, não há que se falar em IOF, e sim em ICMS, IPI. Já no segundo caso, a CF estabeleceu que o ouro se sujeita exclusivamente à incidência do IOF, devido na operação de origem.
Nesse caso, a alíquota mínima será de um por cento (1%), assegurada a transferência do montante da arrecadação nos seguintes termos: trinta por cento (30%) para o Estado, o Distrito Federal ou o Território, conforme a origem; e setenta por cento (70%) para o Município de origem
A operação de origem é primeira operação, ou seja, o desembaraço aduaneiro do exterior, ou a aquisição por instituição autorizada. Justamente por isso, o STF entendeu inconstitucional o dispositivo legal que previa a incidência do IOF sobre a transmissão de ouro definido como ativo financeiro.
Lembre-se que o IOF é um imposto de competência da União, todavia pela norma constitucional, o valor arrecadado será transferido para os estados e municípios conforme a origem, 30% e 70% respectivamente.
Para concluir a introdução sobre o IOF, é importante saber que no caso de alienação de salvados configura atividade integrante das operações de seguros e não tem natureza de circulação de mercadoria para fins de incidência do ICMS, sendo devido apenas o IOF. Em muitos casos, as seguradoras ficam com os respectivos salvados quando pagam a respectiva indenização de seguro (por exemplo, se você der uma perda total no seu carro, provavelmente a seguradora ficará com o “resto”, chamados de salvados). Nesse caso o STF entendeu que a venda desses salvados não constituem atividade mercantil, e sim de recuperação de receitas
FATO GERADOR
CTN Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador:
I - quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado;
II - quanto às operações de câmbio, a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este;
III - quanto às operações de seguro, a sua efetivação pela emissão da apólice ou do documento equivalente, ou recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável;
IV - quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários, a emissão, transmissão, pagamento ou resgate destes, na forma da lei aplicável.
Parágrafo único. A incidência definida no inciso I (operações de crédito) exclui a definida no inciso IV (operações relativas a títulos e valores mobiliários), e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito.
No caso das operações de crédito (por exemplo: empréstimos bancários e financiamentos) ou câmbio (troca de moedas), considera-se ocorrido o fato gerador com a entrega do valor ou a sua colocação a disposição.
O STF entende que o mero saque realizado em caderneta de popança não se equipara a uma operação de crédito, tendo declarado inconstitucional o dispositivo legal que previa essa hipótese de incidência.
Súmula 664 do STF - É inconstitucional o inciso V do art. 1º da Lei 8.033/90, que instituiu a incidência do imposto nas operações de crédito, câmbio e seguros - IOF sobre saques efetuados em caderneta de poupança No caso das operações de seguro (contratos realizados para se garantir algo contra o risco de eventual dano futuro e incerto), ocorre o fato gerador com a emissão da apólice ou quando a seguradora recebe o pagamento do prêmio. Já nas operações relativas a títulos e valores mobiliários, o fato gerador pode ser a emissão, transmissão, pagamento ou resgate dos títulos, conforme estabelecido na lei.
Em algumas situações pode ficar caracterizado tanto uma operação de crédito, como uma operação relativa a títulos e valores mobiliários, por exemplo quando o crédito (caso do inciso I) de uma operação de crédito for representado por um título (caso do inciso IV). Nessa situação o parágrafo único do Art. 63 estabelece que a incidência de um excluirá a incidência do outro, justamente para não acontecer uma dupla incidência.
BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA
CTN Art. 64. A base de cálculo do imposto é:
I - quanto às operações de crédito, o montante da obrigação, compreendendo o principal e os juros;
II - quanto às operações de câmbio, o respectivo montante em moeda nacional, recebido, entregue ou posto à disposição;
III - quanto às operações de seguro, o montante do prêmio;
IV - quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários:
a) na emissão, o valor nominal mais o ágio, se houver;
b) na transmissão, o preço ou o valor nominal, ou o valor da cotação em Bolsa, como determinar a lei;
c) no pagamento ou resgate, o preço.
É importante saber qual a base de cálculo para cada fato gerador, já que as bancas examinadoras costumam fazer um “mix”.
Sobre as alíquotas, lembre-se que elas são exceção aos princípios da legalidade, da anterioridade e da noventena.
SUJEITO PASSIVO
CTN Art. 66 Contribuinte do imposto é qualquer das partes na operação tributada, como dispuser a lei.
Perceba que o contribuinte ficará a critério do legislador ordinário instituidor do tributo.
LANÇAMENTO
Da mesma forma que os demais impostos federais, o IOF é lançado por homologação.
Sintetizando as informações relativas ao IOF):
Fato Gerador
Entega ou sua disposição do montante da operação de crédito
Entega da moeda ou de documento que a represente
Emissão da apólice de seguros, ou recebimento do prêmio Emissão, transmissão, pagamento ou resgate dos titulos e
valores mobiliários
Base de Cálculo
Crédito: Montante da operação (principal e juros)
Câmbio: Montante da operação em moeda nacional
Seguro: Montante do prêmio
Títulos e Valores Imobiliários:
i) Emissão: valor nominal + ágio, se houver
ii) Transmissão: Preço / Valor Nominal / Valor da bolsa (conforme determina a lei)
iii) Pagamento ou Resgate: o respectivo preço
Sujeito Passivo A lei definará qualquer uma das partes na operação tributada
Lançamento Por Homologação
(Em regra)
Vamos praticar!
(ESAF - 2012 - Receita Federal - Analista Tributário da Receita Federal - Prova 2 - Área Informática) O ouro, quando não for considerado como simples metal, mas definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, sujeita-se exclusivamente à incidência do ____________________________.
Esse imposto é devido na operação _____________. Está sujeito à alíquota________________________, já estabelecida na Constituição. O produto da arrecadação pertence _________________________.
a) ICMS / de origem / máxima / ao Estado.
b) ICMS / de destino / máxima / ao Estado de destino.
c) IOF / de origem / mínima / ao Estado e ao Município de origem.
d) IOF / de origem / máxima / À União e, compartilhadamente, ao Estado e Município de origem.
e) IOF / de destino / mínima / ao Estado e ao Município de destino.
RESOLUÇÃO:
Como vimos, sobre o ouro - ativo financeiro- incidirá exclusivamente o IOF na operação de origem com a alíquota mínima de 1%. O produto da arrecadação será repartido ao Estado e ao Município de origem, 30% e 70% respectivamente.
Resposta: Letra C
IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR
O ITR tem uma finalidade marcadamente extrafiscal, diferente do que muitos pensam, pois, a União pode utilizá-lo como um instrumento de política agrária. O ITR incide sobre a propriedade territorial rural, enquanto o IPTU incide sobre a propriedade predial e territorial urbano. Veja o que a Constituição Federal dispõe sobre o ITR:
CF Art. 153 § 4º O imposto previsto no inciso VI (ITR) do caput:
I - será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas;
II - não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel;
III - será fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem, na forma da lei, desde que não implique redução do imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal.
Segundo a Constituição Federal, o ITR será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas. A afirmação que as alíquotas do ITR devem ser fixadas como forma de estimular a manutenção das propriedades produtivas também deve ser considerada como correta.
A CF traz uma imunidade específica sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel. Para usufruir dessa imunidade é necessário que o proprietário da pequena gleba rural a explore e não possua outro imóvel. Veja que são requisitos cumulativos.
Além dessa imunidade específica do Art. 153, §4° da CF, há mais uma estabelecida no Art. 184, §5° da CF.
Nesse caso não haverá a incidência do ITR (e de nenhum outro imposto) as operações de transferência para fins de reforma agrária.
Por fim, é possível que haja uma delegação da capacidade tributária ativa aos municípios (lembre-se que a competência que é indelegável, continua sendo da união). Isso apenas é possível se não houver alguma redução do imposto ou qualquer outra forma de redução fiscal. Nessa situação os respectivos municípios que o fiscalizar e cobrar ficará com 100% (tudo) do valor arrecadado. Quando o município não optar por fiscalizar e cobrar a União ficará com 50% e repassará ao município os outros 50%.
FATO GERADOR
CTN Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município.
O ITR incide sobre propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza. Imóveis por natureza é o solo e tudo quanto se lhe incorporar naturalmente (como árvores e vegetação), isto é, não se considera as construções (acessão física). Caso a propriedade seja localizada em zona rural será devido o ITR, já se for localizado em zona urbana será devido o IPTU.
Veja o que o CTN dispõe sobre o assunto:
CTN Art. 32. § 1º Para os efeitos deste imposto, entende-se como zona urbana a definida em lei municipal;
observado o requisito mínimo da existência de melhoramentos indicados em pelo menos 2 (dois) dos incisos seguintes, construídos ou mantidos pelo Poder Público:
I - meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais;
II - abastecimento de água;
III - sistema de esgotos sanitários;
IV - rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar;
V - escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) quilômetros do imóvel considerado.
Veja que o CTN estabelece que é a lei municipal que definirá qual a área de zona urbana ou rural. Todavia, para ser considerada área de zona urbana, o CTN estabelece que deve ser observado o mínimo de 2 requisitos enumerados nos incisos acima. Por exclusão, tudo o que não for área urbana será considerada área rural para fins de ITR.
Por fim, é importante ressaltar que (depois de certa polêmica na doutrina e jurisprudência, o que não vale a pena dissertar para um curso focado em concursos) o Decreto-Lei n° 57/66 estabelece que a regra estabelecida no §1° do Art. 32 do CTN não se aplica ao imóvel que, comprovadamente, seja utilizado em exploração extrativa vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial, incidindo assim, sobre o mesmo, o ITR. Assim considere como verdadeiro a afirmação que incidirá o ITR (e consequentemente não incidirá o IPTU) sobre o imóvel que seja utilizado em exploração extrativa vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial ainda que ele seja localizado em zona urbana.
BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA
CTN Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor fundiário.
O valor fundiário é o valor da terra nua, sem considerar construções, instalações e benfeitorias. Apesar de ser um tributo extrafiscal, as alíquotas devem observar os princípios da legalidade, da anterioridade e da noventena. Além disso, relembre a importante progressividade do ITR de forma a desestimular a manutenção de propriedades de improdutivas. A título de curiosidade, a menor alíquota estabelecida na legislação é de
0,03% (para imóveis pequenos e produtivos), enquanto a maior alíquota é de 20% (para imóveis grandes e improdutivos).
SUJEITO PASSIVO
CTN Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.
Proprietário são aqueles que possuem o título de domínio devidamente registrados em cartório; já titular do domínio útil é quem recebeu do proprietário o direito de usar, gozar e dispor da propriedade, conservando o domínio direto, como é o caso do enfiteuta ou foreiro nos casos de constituição de enfiteuses (ressalto que o novo código Civil de 2002 proibiu a constituição de novas enfiteuses); por fim, o possuidor a qualquer título é quem recebeu o direito de usar um dos poderes inerentes a propriedade.
É importante saber que o STJ (RESP 1.114.982/PR) entende que se o imóvel for invadido não é possível que a haja a cobrança do ITR pois foram perdidos o domínio e os direitos de propriedade.
LANÇAMENTO
Apesar de haver uma declaração, o lançamento do ITR é por homologação, já que o sujeito passivo deve calcular o montante devido e fazer um pagamento antecipado
Sintetizando as informações relativas ao ITR:
Vamos praticar!
(FCC - 2018 - Prefeitura de São Luís - MA - Auditor Fiscal de Tributos I - Geral)
Relativamente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), compete à União instituí-lo (art. 153, caput, inciso VI). De acordo com a Constituição Federal, ainda, e desde que não implique redução deste imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal, o ITR poderá ser, na forma da lei,
a) instituído, fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem.
b) instituído pelos Municípios que assim optarem.
c) fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem.
d) cobrado pelos Estados e pelos Municípios que assim optarem, de forma proporcional.
e) fiscalizado, concorrentemente, pela União, pelos Estados e pelos Municípios que assim optarem..
RESOLUÇÃO:
A competência tributária do ITR é da União. Assim apenas ela poderá instituir esse imposto. Todavia vimos que é possível que haja uma delegação da capacidade tributária ativa aos municípios que assim optarem para fiscalizar e cobrar o ITR.
Resposta: Letra C
Fato Gerador Propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localização fora da zona urbana
Lançamento Por Homologação
(Em regra)
Base de Cálculo Valor Fundiário
Sujeito Passivo Proprietário do imóvel, titular do seu domínio útil ou o seu possuidor
IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS - IGF
O imposto de grandes fortunas ainda não foi instituído pela União. Para exercer tal competência é necessário que ele seja instituído por meio de lei complementar. Lembre-se que nos casos em que é necessária lei complementar, o imposto não poderá ser instituído por medida provisória.
Muitos criticam a inercia da União para instituir tal tributo, já que, a princípio, tal tributo seria um grande instrumento para promover a justiça fiscal e reduzir a desigualdade social. Todavia, é necessário levar em consideração que se tal tributo fosse instituído, haveria uma tendência de os ricos retirarem suas grandes fortunas do Brasil, até por que esse imposto só poderia ser cobrado após a observância dos princípios da anterioridade anual e da noventena.
Vamos praticar!
(FGV - 2014 - SEFAZ- MT - Auditor Fiscal Tributário da Receita Municipal - Prova 2)
Com relação ao Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), assinale a afirmativa correta.
a) Pode ser instituído pela União, pelos Estados e pelos Municípios, no exercício de competência concorrente.
b) Pode ser instituído pela União, mas, enquanto esta não o fizer, poderão instituí-lo os Estados, no exercício de competência supletiva.
c) Pode ser instituído pela União, mas, enquanto esta não o fizer, poderão instituí-lo os Municípios, no exercício de competência supletiva.
d) Pode ser instituído apenas pela União, por meio de lei complementar, inexistindo competência concorrente ou supletiva de qualquer outro ente público.
e) Pode ser instituído apenas pela União, por meio de lei ordinária, inexistindo competência concorrente ou supletiva de qualquer outro ente público.
RESOLUÇÃO: A competência (que é indelegável para instituir tributo) pertence à União. Assim, nenhum outro ente poderá instituí-lo. Além disso, lembre-se que é necessário lei complementar.
Resposta: Letra D
IMPOSTO EXTRAORDINÁRIO DE GUERRA - IEG
A competência extraordinária foi conferida pela Constituição Federal exclusivamente à União para instituir impostos extraordinários na iminência ou no caso de guerra externa.
Art. 154. A União poderá instituir:
II - na iminência ou no caso de guerra externa, impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação.
O constituinte, sabendo da situação excepcional, deu competência a União para instituir esse imposto com o fato geradores compreendidos ou não em sua competência tributária. Cuidado para não confundir, o fato gerador não é a guerra em si. A guerra externa seria um pressuposto fático para que a União possa instituir tal tributo. O fato gerador será definido na norma que o instituir. Assim é possível que haja um IEG sobre algum imposto de competência da União, como um IR-Extraordinário (hipótese de bis in idem); ou sobre algum imposto de competência de outros entes, como um ICMS-Extraordinário (hipótese de bitributação constitucionalmente permitida).
Chamo atenção para algumas características que podem ser cobradas em prova:
➢ É necessário que seja uma guerra externa, assim não é possível instituí-lo mediante uma guerra civil (uma guerra interna);
➢ Não é necessário que a guerra já esteja deflagrada, é possível instituir o IEG na sua iminência;
➢ Como não há necessidade de lei complementar, é possível instituir o IEG por meio de Medida Provisória;
➢ O IEG é exceção aos princípios da anterioridade anual e da noventena;
➢ Após as causas de sua criação (a guerra externa) o IEG será cessado gradativamente, de acordo com o Art. 76 do CTN, o IEG será suprimido gradativamente, no prazo máximo de cinco anos, contados da celebração da paz;
Vamos praticar!
(FGV - 2015 - Prefeitura de Niterói - RJ - Fiscal de Tributos)
De acordo com a Constituição da República Federativa do Brasil, os impostos extraordinários:
a) são de competência da União e só podem ser instituídos em caso de guerra externa, interna ou sua iminência;
b) são de competência da União e podem ter fato gerador próprio de tributos de competência das demais pessoas políticas de direito público interno;
c) podem ser exigidos nos casos de calamidade pública, guerra externa ou sua iminência;
d) devem ser instituídos por meio de lei complementar;
e) deverão ter a sua cobrança suprimida imediatamente, quando cessadas as causas de sua criação.
RESOLUÇÃO: Vamos ver cada uma das alternativas:
A) ERRADA. Não é possível cobrar o IEG em caso de guerra interna; só pode ser instituí-lo em caso de guerra externa.
B) CERTA. De acordo com o Art. 154, II, CF/88, o fato gerador do IEG pode estar ou não dentro do campo de competência da União.
c) ERRADA. Não é possível instituir o IEG em caso de calamidade pública.
d) ERRADA. Não é necessária lei complementar, podendo ser instituído por lei ordinária ou até mesmo medida provisória.
e) ERRADA. A cobrança deve ser suprimida gradativamente (5 anos de acordo com o CTN).
Resposta: Letra B