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improbidade - Interpretação controvertida - Improcedência do pedido

Administrativo. Curso Superior de Administração Pública.

CSAP. Termo de compromisso válido firmado entre as partes.

Descumprimento parcial do compromisso firmado pelo aluno. Dever de ressarcir ao Estado (Fundação João Pinheiro) o valor atualizado da bolsa e dos serviços escolares rece-bidos. Cálculo do valor a ser restituído deve se pautar pela aplicação dos princípios da razoabilidade e proporcionali-dade. Aluno que atendeu 71% do período mínimo de perma-nência da carreira após a conclusão do curso. Sentença refor-mada em parte. - É válido o termo de compromisso firmado pelo aluno, obrigando-se ao ressarcimento dos serviços pres-tados ao candidato aprovado no Curso Superior de Admi-nistração, habilitação em Administração Pública, no caso de o aluno não cumprir todas as exigências para fazer jus à gratuidade, no caso, aquelas constantes da Lei Estadual nº 11.658/94 e seguintes, por se tratar de contrato espe-cífico de ensino, em nível de graduação, para formação de administradores públicos com a garantia de inclusão, após a formatura, no serviço público estadual. - Sob pena de ofensa direta aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, além dos princípios gerais do direito norteadores das rela-ções contratuais, a saber, os princípios da eticidade e socia-lidade, entendo que o cálculo do valor a ser restituído deve considerar o fato incontroverso de que o aluno atendeu 71%

(setenta e um por cento) do período mínimo de permanência da carreira após a conclusão do curso, impondo o ressarci-mento proporcional a esse período, especificamente, ressarcir o Estado de Minas Gerais (Fundação João Pinheiro) apenas pelos 7 (sete meses) restantes para a integralização do prazo de 2 anos fixado no termo de compromisso (Apelação Cível 1.0024.05.697003-1/001, Relator Des. Eduardo Andrade, 1ª Câmara Cível, j. em 30.10.2006, p. em 17.11.2006).

Nesse sentido, verifica-se que o montante indicado nas planilhas de f.20/27 mostra-se excessivo, devendo incluir apenas os valores referentes à bolsa de estudos (R$9.030,00), aos custos com professores (R$2.595,19) e ao subsídio com alimentação (R$287,78), por se referirem diretamente à bolsa e aos serviços escolares prestados à aluna. Totalizou-se, portanto, o valor de R$11.912,97 (onze mil novecentos e doze reais e noventa e sete centavos).

Ressalte-se que o custo com orientação de mono-grafia também deveria ser incluído, mas, no caso dos autos, não houve qualquer valor despendido a tal título.

Ademais, para o cálculo do valor gasto com profes-sores, levou-se em consideração a planilha de f. 20/21, dividida por período letivo e, ainda, a informação de que, na turma da apelante, havia 40 alunos no 1º e 2º períodos, 39 no 3º período, 37 no 4º e 5º períodos e 35 no 6º período.

Por fim, considerando a sucumbência das partes, determino a compensação dos honorários advocatí-cios, na forma do art. 21 do CPC, e condeno a parte ré/apelante a arcar com 60% das custas processuais e a autora com os 40% restantes. Fica suspensa, contudo, a cobrança, na forma da Lei nº 1.060/50, pois deferida à requerida a gratuidade judiciária.

Com tais razões, dá-se parcial provimento ao recurso, apenas para reduzir a quantia devida pela ré/

Ação rescisória - Art. 485, V, do Código de Processo Civil - Violação da literal disposição de lei - Não ocorrência - Ação de

improbidade - Interpretação controvertida - Improcedência do pedido

Ementa: Ação rescisória. Art. 485, V, do CPC. Violação a literal disposição de lei não constatada. Ação de impro-bidade. Interpretação controvertida. Improcedência do pedido.

- A ação rescisória objetiva romper ou desconstituir, em caráter excepcionalíssimo, sentença já sob o efeito da res judicata, instaurando outra relação jurídica processual diversa da que lhe deu origem, sendo que, não consta-tada a alegada violação a literal disposição de lei, mas a tentativa da parte de ver o texto interpretado de outra forma, a confirmação do acórdão é medida de rigor.

Pedido julgado improcedente.

AÇÃO RESCISÓRIA Nº 1.0000.13.067910-3/000 - Comarca de Bonfim - Autora: Geralda Terezinha Parreiras Marques Ribeiro - Réu: Ministério Público do Estado de Minas Gerais - Relatora: DES.ª TERESA CRISTINA DA CUNHA PEIXOTO

Acórdão

Vistos etc., acorda, em Turma, a 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos, à unanimidade de votos, em julgar improcedente o pedido.

Belo Horizonte, 4 de setembro de 2014. - Teresa Cristina da Cunha Peixoto - Relatora.

TJMG - Jurisprudência Cível Notas taquigráficas

DES.ª TERESA CRISTINA DA CUNHA PEIXOTO - Cuida-se de ação rescisória com pedido de anteci-pação de tutela proposta por Geralda Terezinha Parreiras Marques Ribeiro em face do Ministério Público Estadual, com fulcro no art. 485, V, do Estatuto Processual, visando a rescindir o acórdão proferido pela 2ª Câmara Cível deste eg. TJMG, no bojo do Processo nº 1.0081.07.007622-9/001, que deu provimento ao recurso principal, prejudi-cado o recurso voluntário, nos seguintes termos:

Com base no exposto, dou provimento ao recurso prin-cipal, para reconhecer a responsabilidade da ré por ato de improbidade administrativa (art. 10 da Lei nº 8.429/92) e condenar a requerida Geralda Terezinha Parreiras Marques Ribeiro a ressarcir ao erário do Município de Bonfim a quantia de R$13.052,76, que será corrigida monetariamente pelos índices da tabela da Corregedoria-Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais, a partir do efeito prejuízo (18.06.2007 - f. 44), com juros de mora de 1% ao mês, a partir da citação (art. 219 do CPC), até o efetivo pagamento.

Além disso, suspendo os direitos políticos da ré por cinco anos e condeno a requerida a pagar multa civil equivalente ao dano (R$13.052,76), bem assim proíbo-a de contratar com o Poder Público por cinco anos e receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário.

Consequentemente, dou por prejudicado o recurso do terceiro interessado (f. 297/298).

Alegou a autora, em apertada síntese, que a exclusão do Município de Bonfim, através de decisão interlocutória, e a inserção do Ministério Público na lide ofenderam o art. 267, II, III e VIII, do CPC, e seu

§ 1º, ocasionando indevida substituição processual, “com ofensa ao § 3º do art. 5º da Lei Federal nº 7.347/85 e ao art. 6º do CPC”, dizendo que a oitiva do engenheiro Márcio Antônio Figueiredo, como testemunha compro-missada, infringiu o art. 405, § 3º, III e IV, do CPC, acres-centando ter agido de boa-fé, inexistindo danos e prejuízo ao erário, restando igualmente violados os arts. 10 e 12, parágrafo único, da Lei de Improbidade.

Arguindo ter havido erro de fato na valoração da prova, requereu a procedência da ação para rescindir o respectivo julgado, deferindo-se a antecipação da tutela

“para suspender os efeitos da condenação [...] até provi-mento final”.

Às f. 398/403, foi indeferida a tutela anteci-pada, decisão mantida por ocasião do julgamento do agravo regimental nº 1.0000.13.067910-3/001, em 28.11.2013 (f. 406/411 e 426/429).

Contestação apresentada às f. 433/436.

Impugnação às f. 446/451, suscitando preliminar de intempestividade da resposta, que foi rejeitada à f. 457.

Dispensada a dilação probatória (f. 462), foram apresentadas alegações finais pelas partes (f. 465/467 e

470), manifestando-se o Parquet pela desnecessidade de apresentação de parecer recursal (f. 474).

Revelam os autos que o Município de Bonfim ajuizou ação civil de responsabilidade por ato de impro-bidade administrativa c/c indenização contra Geralda Terezinha Parreiras Marques Ribeiro, asseverando que a ex-prefeita, no exercício de seu mandato, de forma ilegal e por mais de uma ocasião, efetivou a contratação do Sr. Márcio Antônio de Figueiredo, ferindo princípios da Administração Pública e implicando ato de improbi-dade, pretendendo a restituição ao erário do montante de R$13.052,76 (f. 80/85).

No curso do processo, em vista da assunção de novo prefeito, marido da recorrida, a julgadora incluiu, no polo ativo da demanda, o Ministério Público Estadual, excluindo a Municipalidade da lide, conforme o art. 5º,

§ 3º, da Lei nº 7.347/85 (f. 52/59), tendo sido julgado improcedente o pedido inicial em primeiro grau de juris-dição (f. 321/315).

Não obstante, interpostos recursos de apelação (f. 318/323 e 329/342), este Tribunal de Justiça reformou a sentença através de acórdão prolatado em 21.05.213, reconhecendo a responsabilidade da ré por ato de impro-bidade administrativa, condenando-a, assim, a ressarcir ao erário aquele valor, com a fixação de outras pena-lidades, como o pagamento de multa (f. 297/298), pretendendo a requerente rescindir este julgado, ampa-rada no disposto pelo art. 485, inciso V, do Código de Processo Civil.

Nesse diapasão, registre-se que a ação rescisória objetiva romper ou desconstituir, em caráter excepciona-líssimo, sentença já sob o efeito da res judicata, instau-rando outra relação jurídica processual, diversa da que lhe deu origem. É que a ordem jurídica se esteia na intan-gibilidade das decisões judiciais com trânsito em julgado, as quais somente podem ser rescindidas em hipó-teses excepcionais.

A admissibilidade da ação rescisória se agasalha na prevalência do interesse público à realização da justiça, devendo-se, contudo, observar, com cautela, se se encontram presentes os requisitos previstos no Código de Processo Civil, em virtude de não se poder atribuir natu-reza recursal a esse meio jurídico, que também não obje-tiva a discussão acerca da adequação ou não do decisum originário, elucidando Sálvio Figueiredo Teixeira que se trata, “em última análise, de meio de impugnar-se deci-sões de mérito transitadas, desde que ocorrentes deter-minados requisitos. Destarte, não se confunde com o recurso que não obstante também objetive o reexame de uma decisão pressupõe a inocorrência da coisa julgada”

(RT 646/07).

Certo é que a sentença pode ser atacada por meios processuais distintos, quais sejam os recursos e a ação rescisória, sendo que a diferença basilar entre eles resulta da verificação do trânsito em julgado da sentença.

Assim, verificado vício ou nulidade em sentença sob efeito da res judicata, não há como privar o interessado do remédio jurídico passível de sanar o prejuízo sofrido, isto é, a ação rescisória, de modo a rescindir, romper ou cindir a decisão.

Para tanto, repita-se, deve estar configurada uma das hipóteses previstas pelo art. 485 da Lei Proces-sual, esclarecendo-se, a respeito da alegada violação a literal disposição de lei prevista no inciso V, que ocorre

“quando se decide em sentido diametralmente oposto ao que nela está expresso e claro” (RTJ 48/788), sendo que o Supremo Tribunal Federal assentou que, “para que o desvio ou erro na interpretação da lei possa autorizar o exercício da ação rescisória, é mister que seja tal vulto que corresponda à negativa da lei em sua literalidade”

(RT 452/218).

Acentua Pontes de Miranda que “a violação pode ser expressa, consciente, confessada, declarada ou inex-pressiva, inconsciente, dissimulada, ocultada, velada, disfarçada. Não importa como seja ela. O que é preciso, para que se componha o pressuposto da rescisão, é a violação em si, a negação do direito” (Comentários ao Código de Processo Civil, p. 307).

Dessa forma, somente se evidencia a violação do texto legal se a decisão se dirige em sentido contrário ao do ordenamento jurídico, negando a lei ou o direito, valendo registrar que toda e qualquer violação ao direito objetivo, consubstanciado em infração a “literal dispo-sição de lei”, necessariamente, há de negar o direito, nos exatos termos definidos em regras legislativas, deixando de reconhecer a norma no caso concreto, com evidente infringência à norma que, claramente, regule a hipótese, acarretando essa desídia atentado à ordem jurídica.

Sérgio Rizzi ensina que:

[...] há violação de literal disposição de lei quando a sentença:

a) nega validade a uma lei, evidentemente válida; b) dá vali-dade a uma lei que não vale; c) nega vigência a uma lei que ainda vige; d) admite a vigência de uma lei que ainda não vige ou que já não vige; e) nega aplicação a uma lei reguladora da espécie; f) aplica uma lei não reguladora da espécie; g) interpreta tão erroneamente a lei que, sob a cor de interpretar, é a lei tratada ainda no seu sentido literal (RIZZI, Sérgio. Ação rescisória. São Paulo: RT, p. 107).

Anota-se, por oportuno, que a rescisória não se presta a corrigir eventual injustiça do julgado, mostrando-se inviável uma nova análise da questão, imprimindo-se à lei a interpretação que lhe confere a parte, estipulando a Súmula nº 343 do STF, nesse sentido, que “não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais”, lecio-nando Ernane Fidélis dos Santos:

A rescisória não tem objetivo de corrigir amplamente a má aplicação do direito, pois, no interesse público, a coisa julgada fala mais alto. Daí restringir-se a motivação à literal

disposição de lei, ou seja, dispositivo legal escrito, não impor-tando, porém, sua forma e origem.

Também não serve a ação rescisória para imprimir novo rumo às decisões que estão em controvérsia com outras, na inter-pretação da lei. Não é ela instrumento de uniformização de jurisprudência. As sentenças podem ser controvertidas, sem que nenhuma delas viole disposição literal de lei, mesmo que haja até contrariedade à Súmula do Supremo Tribunal Federal ou de outros tribunais. [...]

Há violação literal de lei quando a sentença, erroneamente, nega vigência a dispositivo legal, ou deixa de aplicá-lo (SANTOS, Ernane Fidélis dos. Manual de direito processual civil. 11. ed. São Paulo: Saraiva, v. 1, p. 746-747).

Feitas essas considerações, no caso concreto, não assiste razão à autora, porquanto, como asseverado às f. 398/403, não se verifica que a decisão interlocutória de f. 52/54 (f. 96/98 dos autos originários) tenha negado vigência aos arts. 267 e 3º do CPC, sendo justificada a inclusão do Parquet no polo ativo do feito, no curso do procedimento, na aplicação analógica do art. 5º da Lei nº 7.347/85, bem como no disposto pelo art. 129, III, da Constituição da República, que estipulam:

Art. 5º Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: (Redação dada pela Lei nº 11.448, de 2007).

I - o Ministério Público; (Redação dada pela Lei nº 11.448, de 2007).

II - a Defensoria Pública; (Redação dada pela Lei nº 11.448, de 2007).

III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;

(Incluído pela Lei nº 11.448, de 2007).

IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista; (Incluído pela Lei nº 11.448, de 2007).

V - a associação que, concomitantemente: (Incluído pela Lei nº 11.448, de 2007). [...].

§ 1º O Ministério Público, se não intervier no processo como parte, atuará obrigatoriamente como fiscal da lei.

§ 2º Fica facultado ao Poder Público e a outras associações legitimadas nos termos deste artigo habilitar-se como litiscon-sortes de qualquer das partes.

§ 3° Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada, o Ministério Público ou outro legi-timado assumirá a titularidade ativa.

[...]

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:

[...]

III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos.

Estabelece o art. 17 da Lei nº 8.429/92:

Art. 17. A ação principal, que terá o rito ordinário, será proposta pelo Ministério Público ou pela pessoa jurí-dica interessada, dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar.

§ 1º É vedada a transação, acordo ou conciliação nas ações de que trata o caput.

§ 2º A Fazenda Pública, quando for o caso, promoverá as ações necessárias à complementação do ressarcimento do patrimônio público.

§ 3º No caso de a ação principal ter sido proposta pelo Minis-tério Público, aplica-se, no que couber, o disposto no § 3º do

TJMG - Jurisprudência Cível art. 6º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965. (Redação

dada pela Lei nº 9.366, de 1996).

§ 4º O Ministério Público, se não intervier no processo como parte, atuará obrigatoriamente, como fiscal da lei, sob pena de nulidade [...].

Nessa senda, evidente a possibilidade de subs-tituição processual no curso da ação civil, em vista da omissão da Municipalidade no prosseguimento do feito (f. 161), aparentemente por interesse pessoal de seu representante legal, resguardando-se o interesse público.

Outrossim, observa-se que o acórdão que se almeja ver rescindido não tratou da legitimidade do Ministério Público, revelando-se indevido o questiona-mento da decisão interlocutória proferida em 1º de junho de 2010 e publicada em 17.06.2010, até mesmo consi-derando-se o teor do art. 495 do CPC, segundo o qual “o direito de propor ação rescisória se extingue em 2 (dois) anos, contados do trânsito em julgado da decisão”.

Não se afere, igualmente, que a inquirição de Márcio Antônio de Figueiredo (f. 192), que nem sequer foi mencionada no acórdão impugnado, tenha infringido a norma do art. 405 do CPC, destacando-se que a contra-dita da testemunha, que a parte entende suspeita, deve ser realizada em audiência, consoante o art. 414, § 1º, desse diploma legal, antes de colhido o depoimento, sob pena de preclusão; além disso, o descontentamento quanto à valoração da prova não consubstancia hipótese que autoriza a rescisão do julgado.

Confira-se o posicionamento mais recente desta Corte de Justiça:

Ação rescisória. Violação a literal disposição de lei. Inocor-rência. Reexame de prova. Valoração. Improcedência. - A ação rescisória não tem o elastério dos recursos previstos na lei processual civil, nem é deles sucedâneo, apenas sendo admitida quando se verificar, concretamente, no julgado rescindendo, algum dos temas pontuais versados no art. 485 do CPC. - Versada no inciso V do referido art. 485 do CPC, não há como acolher o pedido que apenas discorda da valo-ração da prova feita pela sentença, sendo de ressaltar que o julgado somente ofende o direito expresso em lei quando dá ao texto aplicação inteiramente ao arrepio do que nele está enunciado, decidindo flagrantemente em contraposição ao que ele preceitua (Ação Rescisória 1.0000.13.062091-7/000 - Relator: Des. Luciano Pinto - 17ª Câmara Cível - j.

em 18.06.2014 - publ. da súmula em 03.07.2014).

Ação rescisória. Literal violação da lei. Impossibilidade de revolvimento dos fatos e provas. Questão de mérito da ação.

Erro de fato. Controvérsia e pronunciamento judicial quanto ao fato na ação originária. Descaracterização. Pretensão de rediscussão da causa. - Para que se caracterize literal violação a disposição de lei, é imprescindível que a cons-tatação da afronta de norma jurídica ocorra sem o revolvi-mento dos fatos e das provas produzidas na ação originária, sendo insuficiente mero inconformismo com a valoração das provas perpetrada. - A existência de controvérsia bem como de pronunciamento judicial quanto a fato no feito originário impedem a configuração de erro de fato, hipótese de rescin-dibilidade prevista na ação rescisória. - Se o que o autor da ação rescisória pretende, na verdade, é rediscutir o mérito

da causa, por não concordar com a sentença prolatada, e a hipótese não se enquadra em qualquer dos incisos do art. 485 do CPC, a improcedência do pedido inicial da ação rescisória se impõe (Ação Rescisória nº 1.0000.10.052515-3/000 - Relator: Des. Pedro Bernardes - 9ª Câmara Cível - j.

em 22.04.2014 - publ. da súmula em 28.04.2014).

Finalmente, entende a autora que sua conduta não se enquadra no conceito de improbidade, impe-dindo a penalidade aplicada com base no art. 12 da Lei nº 8.429/92, tendo argumentado que, “em nenhum momento, fora provada a má-fé da requerente ou demonstrado conluio com o engenheiro Márcio com o fito de lesar o patrimônio público. Ao revés, demons-trou-se a necessidade da prestação dos serviços” (f. 28).

Constou do acórdão de f. 371/380, todavia, que:

Em primeiro plano, observa-se, às f. 62 e seguintes, que é fato incontroverso a contratação, pelo Município, de enge-nheiro, sem certame público ou processo licitatório, sendo sequer ajustado o preço a ser cobrado, o que, por si só, desvirtua todo o espírito da Lei nº 8.666/93.

Nesse passo, o art. 3º da Lei nº 8.666/93 consagra o prin-cípio constitucional da isonomia, no sentido de que seja sele-cionada a proposta mais vantajosa para a Administração, sendo processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos [...].

Dos elementos de convicção, verifica-se que a apelada afrontou o princípio da legalidade, sendo certo que a conduta invadiu a órbita da improbidade administrativa.

Ademais, a Lei nº 8.666/93, quanto à ausência de forma escrita do pacto, na condição de fato incontroverso, só permite sua utilização para compras de pronto pagamento e, assim, não pode validar a contratação como tal engendrada pela apelada, consolidando sua atuação ilícita [...].

A esse respeito, confira-se a literalidade do art. 4º da Lei nº 8.429/92:

‘Art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos’.

Tenho, assim, por violados o art. 10, caput, VIII, c/c o art. 11, caput, I, II e IV, todos da Lei nº 8.429/92 [...].

Trata-se, pois, de improbidade formal, que não exige prova de dano ao erário, dependendo apenas da comprovação de dolo do agente.

Nesse particular, bem destacou o Ministério Público Estadual que:

[...] as alegações da ré de que teria agido de boa-fé, de inexistência de dano, de aplicação equivocada das sanções, de injustiça da decisão e de erro na valoração da prova, com a devida vênia, não autorizam a rescisão do acórdão, porquanto a ação rescisória fundada no art. 485, V, do CPC

[...] as alegações da ré de que teria agido de boa-fé, de inexistência de dano, de aplicação equivocada das sanções, de injustiça da decisão e de erro na valoração da prova, com a devida vênia, não autorizam a rescisão do acórdão, porquanto a ação rescisória fundada no art. 485, V, do CPC

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