Essa ferramenta foi introduzida por Robert Krausz em 1998, tendo sido inspirada num dos supostos métodos de trade de W. D. Gann, um famoso e muito misterioso trader nascido no século XIX. O HiLo é um rastreador de tendência que trabalha com médias móveis e, por isso, funciona bem em mercados em tendência e de forma limitada em mercados congestionados. A principal utilidade dessa ferramenta é fornecer um stop móvel, mas muitos também o utilizam como ferramenta de entrada, sendo muito mais eficaz nesse sentido do que o SAR. Nesse caso, é importante que seja utilizado em conjunto e a favor de médias que possam indicar a tendência predominante para a periodicidade utilizada.
O HiLo funciona como uma média móvel das três últimas máximas e das três últimas mí- nimas, excluindo o candle vigente. Obviamente, a quantidade de três máximas ou mínimas é ajustável, mas esse é o padrão da ferramenta. A ferramenta, diferentemente do SAR, só é acio- nada com fechamentos. Quando o fechamento do candle vigente supera a média das máximas, o indicador demonstra que o mercado é comprador. Nesse caso, a média das mínimas começa a ser plotada no gráfico e serve como referencial de stop. Lembre-se: para cada novo candle, esse patamar já estará calculado, pois não depende do fechamento do candle atual, mas dos três an- teriores. O indicador continuará sendo plotado abaixo dos preços até que um fechamento ocorra abaixo do valor da média das mínimas. Quando isso ocorre, o indicador passa a ser plotado acima dos preços e funciona como stop móvel de uma hipotética posição vendida.
No exemplo acima, vemos a utilização do indicador. Percebemos a forma incomum de plota- gem, no formato de escada. Note como a ferramenta só vira com fechamentos. Outra caracte-
rística é que ela pode ser ajustada contra o movimento, ou seja, diferente do SAR, que apenas avança, essa ferramenta pode retroceder o patamar de stop, mas são raras as ocasiões em que isso ocorre. A grande vantagem desse indicador é que, devido a essa mesma característica, ele permite oscilações típicas de ruído de mercado sem indicar stop, diferentemente do SAR.
O trader que o utiliza tem como orientação permanecer comprado enquanto o indicador es- tiver abaixo dos preços, somente necessitando fechar posição comprada no momento em que o indicador passar para acima dos preços. Nesse momento, seria considerada a posição vendida como mais favorável. Teoricamente, se utilizado isoladamente, o trader estaria sempre dentro do mercado. Ora comprado, ora vendido. O melhor é evitar esse tipo de abordagem. O ideal é utilizar os sinais sempre para fechamento de posição, mas filtrando os sinais para abertura de posição através de uma média como a de 21 ou 9 períodos, ou seja, aceitando apenas sinais que estejam de acordo com a inclinação da média escolhida.
Aplicando os conhecimentos – Prática 11
Os indicadores que apresentamos neste capítulo são de importância marginal perante as de- mais ferramentas que já estudamos. Evite amontoar informações demais no mesmo gráfico, utilize esses indicadores somente em situações adequadas.
O OBV se torna útil quando existe patamar de resistência ou suporte nítido nos preços. Bus- camos no OBV o rompimento do suporte ou resistência correspondente para, quando ele de fato ocorrer nos preços, entrarmos com maior convicção.
O MACD é melhor na sua versão de histograma. Torna-se útil quando o mercado está em tendência e sinaliza divergências fortes, que estão em harmonia com o que o gráfico apresenta. Por exemplo, temos uma divergência baixista no indicador e percebemos o ativo perdendo uma LTA. Essa é uma situação em que o indicador vem a ajudar, pois corrobora o que os preços indi- cam. Não utilize o indicador para antecipar o gráfico.
O estocástico quase sempre perde para o IFR. Apenas às vezes, quando o papel está claramen- te lateral, o estocástico se mostra mais eficaz que o IFR. Mas, para que isso seja identificado, necessitamos de algum histórico de movimentação de preço e sensibilidade por parte do trader para perceber isso. Na dúvida, fique com o IFR.
Os indicadores para stop são bastante úteis, mas só devem ser utilizados quando o patamar que indicam para stop for melhor que o nosso stop inicial em termos de preço. Mas você tam- bém deve ter sensibilidade para saber quando não os utilizar. Por exemplo, quando uma posi- ção evoluiu lenta e consistentemente, esse é o cenário para esse tipo de indicador. Mas se, de repente, o papel acelera fortemente e extrapola as bandas de bollinger e faz candle de reversão, esse é o momento em que você deve ignorar a ferramenta e aceitar o sinal das bandas, pois uma correção é bastante provável, e aguardar pelo indicador de stop pode deixar desnecessariamente muito dinheiro na mesa. Temos preferência pelo Hi-Lo.
Capítulo 4 - Indicadores e Fibonacci
Fibonacci
O conhecimento das proporções de Fibonacci e sua aplicação é imprescindível ao trader que quiser se destacar da multidão, pois permite uma compreensão muito mais profunda sobre para onde o mercado está indo. Sem sombra de dúvida, esse conhecimento é um dos mais importantes para operar com precisão.
As ferramentas de Fibonacci são fruto das propriedades matemáticas extraídas de uma famosa sequência numérica conhecida como sequência de Fibonacci. Essa sequência foi trazida ao Ociden- te por um matemático italiano da Idade Média chamado Leonardo de Pisa ou Leonardo Pisano. Acredita-se que Leonardo tenha nascido em 1175 na cidade de Pisa e morrido por volta de 1250.
Apesar de nunca ter usado esse nome em vida, Leonardo de Pisa é mais conhecido moderna- mente como Leonardo Fibonacci. Essa denominação é uma abreviação de “Filius Bonacci”, ou “filho de Bonacci”. Seu pai foi Guglielmo Bonacci, um importante cônsul que exercia sua função no norte da África para a rica cidade de Pisa. Por força do trabalho de seu pai, Fibonacci cresceu no norte da África em meio a uma intensa atividade comercial. Sua criação fora da Europa e as cons- tantes viagens junto de seu pai ao redor do Mediterrâneo foram muito importantes para o desen- volvimento intelectual de Fibonacci, permitindo contato com outras culturas e conhecimentos.
Na infância, Fibonacci teve tutores mouros que, entre outros assuntos, lhe ensinaram o siste- ma numérico hindu-arábico, baseados nos dez dígitos (0 ao 9) e no ponto decimal. Isso em par- ticular foi importante, pois a Europa seguia o sistema romano de numerais. Esse sistema exótico aos olhos Europeus fascinou Fibonacci, instigando-lhe forte interesse pela matemática, para a qual acabou dedicando sua vida. Por ser um nobre, Fibonacci pôde viajar ao encontro dos gran- des matemáticos da época e tornou-se ele também um dos maiores matemáticos de seu tempo. Quando retornou à Pisa, publicou livros e foi o grande propagandista do novo sistema, sendo o responsável pelo início de sua utilização na Europa e em todo o mundo Ocidental.