2.4 Tipologia da Inovação em Serviços e seu Inter-relacionamento
2.4.2 Inovação de Processo
2.4.2.2 Inovação em Sustentabilidade Ambiental
Neste tópico, será abordada a inovação em sustentabilidade, porém com foco ambiental, já que no entendimento dos especialistas e órgãos que apoiam as lavanderias, a preservação do meio ambiente pode ser um canal de diferenciação e ganho de competitividade.
Ao discutir se a inovação em sustentabilidade ambiental estaria inserida, com base na tipologia do Manual de Oslo (2005), como inovação de processo, Rennings (2000) refere que as inovações de produto e de processo no Manual de Oslo (2005) incluem tecnologias ambientais. Ao analisar a inovação sob a ótica do desenvolvimento sustentável, o autor cita que a literatura introduziu o termo inovação ambiental e definiu de forma ampla o termo "ecoinovação":
...todas as medidas de atores relevantes (empresas, políticos, uniões, associações, igrejas e domicílios particulares) que desenvolvem novas ideias, comportamentos, produtos e processos, e os aplicam ou introduzem para contribuir com a redução das cargas ambientais ou direcionam para objetivos ecológicos específicos (RENNINGS, 2000, p.322).
Rennings (2000) estudou ainda os determinantes da ecoinovação em três áreas (tecnológica, regulatória e de mercado), utilizando o que chamou de efeitos "empurrados" e "puxados" na economia da inovação, conforme mostram os dados da Figura 14. O autor afirma que a principal discussão na economia da inovação é saber se a inovação tecnológica vem sendo direcionada pelo desenvolvimento tecnológico (tecnologia "empurrada") ou fatores de demanda ("puxada" pelo mercado). O aspecto regulatório e, em especial, a política ambiental também tem um grande impacto na ecoinovação.
Tidd, Bessant e Pavitt (2008) ponderam que existem oportunidades para produtos e serviços inovadores com a crescente preocupação com a questão da sustentabilidade. No caso das lavanderias, parte das inovações em sustentabilidade ambiental está vinculada a seu processo produtivo (produtos, efluentes, uso de solventes de baixo impacto, entre outros).
Barbieri et al. (2010) estudaram a relação entre sustentabilidade e inovação, abrangendo as dimensões: social (impactos sociais dentro e fora da empresa), ambiental (impactos pela emissão de poluentes) e econômica (eficiência econômica ou lucro e competitividade). Ao abordar a "ecoinovação", os autores indicam que o termo refere-se à "ecoeficiência" ou à maneira de atuar na intersecção das dimensões econômica (lucro) e ambiental (planeta), por meio do desenvolvimento de serviços ou bens que atendam à sociedade com redução do impacto ambiental, conforme mostram os dados da Figura 15.
Figura 14: Determinantes da Ecoinovação
Quando se trata de inovação em sustentabilidade ambiental, o termo ecoinovação tem ganhado relevância nos trabalhos acadêmicos sobre o tema. Hellström (2007) define o termo como o processo de desenvolver novas ideias, comportamentos, produtos e processos que contribuam para uma redução no impacto ambiental ou para um objetivo sustentável ecologicamente especificado. O autor aborda a ecoinovação como a inovação em sustentabilidade do meio ambiente e refere que, a exemplo da maior parte das inovações, a ecoinovação é representada na maior parte das vezes por inovações incrementais, enfatizando que a inovação ambiental vem sendo fortemente influenciada pela inovação ecoeficiente, ou seja, a inovação nos processos produtivos que reduzam o impacto ambiental (ex.: limitando o uso de energia, reciclando materiais, entre outros).
As barreiras à ecoinovação foram estudadas por Del Río; Carrilho-Hermosilla e Könnölä (2010), que desenvolveram um diagrama com as políticas que auxiliam na minimização das barreiras à ecoinovação. Os autores exploram a abrangência da
Figura 15: Ecoinovação e as dimensões econômicas e sociais
ecoinovação em processos, produtos, serviços e a mudança organizacional, realizando uma distinção entre ecoinovações incrementais e radicais. Conforme os autores supracitados, no primeiro caso referem-se às mudanças menores nos processos e às últimas a mudanças substanciais (ex.: efluentes que se tornam matérias-primas para novos processos). As barreiras à ecoinovação são agrupadas em três categorias: aquelas relacionadas ao ambiente externo (falta de pressão para ecoinovação por consumidores, organizações não governamentais, entre outros); as relacionadas às condições externas (falta de recursos, baixa competência tecnológica para absorver ou desenvolver ecoinovações e baixa prioridade ao meio ambiente); as relacionadas às características tecnoeconômicas das ecoinovações (quando são muito caras ou incompatíveis com o processo existente).
Estudos sobre a relação entre a ecoinovação e pequenas e médias empresas (PMEs) vêm sendo apresentados por diversos autores:
a) Buttol et al (2012) ponderam que as pequenas e médias empresas representam um vetor chave para a introdução e difusão da ecoinovação, por sua relevância para o meio ambiente e para o produto interno bruto do continente europeu, onde representam 99% das empresas (cerca de 23 milhões) e 30% da força de trabalho do setor privado. Conforme os autores, como as PMEs estão direcionadas em inovação contínua e incremental de seus produtos, a otimização dos caminhos para a ecoinovação pode ser considerada relevante a seus negócios;
b) Na Alemanha, Klewitz; Zeyen e Hansen (2012) buscaram identificar as diretrizes e barreiras à ecoinovação em PMEs e mostram os efeitos induzidos pela colaboração entre PMEs, autoridades locais e consultorias. As características das PMEs, como a maneira informal de comunicação, flexibilidade e estrutura enxuta, levam a uma gestão menos burocrática nos assuntos relacionados ao meio ambiente. Para os autores, a inovação ecoeficiente pode ser aplicada a todos os tipos de inovação, tais como: inovação de processo (produção de serviços com menos energia e produção limpa), de produto (produtos mais eficientes) e organizacional (reorganização de estruturas ou implementação de novas ferramentas de gestão).
Desse modo, os referidos autores concluem que o acesso proativo de uma autoridade pública é fator essencial para acionar as ecoinovações em PMEs com baixa capacidade de absorção, por meio de diferentes tipos de suporte, que variam dos customizados aos mais livres, como por exemplo, redes de contato; e
c) Bos-Brouwers (2010, p.418) afirma que "existem diferenças significativas em processos de inovação entre grandes e pequenas/médias empresas. As políticas, teorias e instrumentos que servem para empresas maiores, não necessariamente leva a resultados positivos no ambiente de pequenas e médias empresas". O autor acrescenta que os dados sobre desempenho em sustentabilidade ambiental de pequenas e médias empresas são escassos, pois não existem relatórios formais nem estratégias para inovação. Parte das pequenas e médias empresas atua em mercados de nicho para manterem-se competitivas e a adoção da inovação é direcionada à inovação incremental e melhoria de processo com introdução de novas tecnologias.
Com relação à implementação de ecoinovações por empresas de serviços, Desmarchelier, Djellal e Gallouj (2012) avaliam a sensibilidade da ecoinovação dessas empresas às políticas publicas ambientais e comparam a efetividade de duas dessas políticas (a taxa ambiental e a informação ao consumidor) no incentivo à inovação.
Os autores supracitados concluem que, no contexto estudado, as politicas ambientais podem encorajar as empresas de serviços a introduzir ecoinovações e que a taxa ambiental (política pública de pagamento de taxa pela empresa de serviços poluidora) é mais efetiva do que a informação ao consumidor (programa de informação que influencia a decisão de compra do consumidor).