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Inovações Curriculares: necessidade ou conseqüência?

2.1 A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E A TECNOLOGIA

2.1.3 Inovações Curriculares: necessidade ou conseqüência?

Desde 1996, com a promulgação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB (Lei 9394/96) percebe-se uma ampla reflexão, em diferentes instâncias da sociedade, em torno do tema “Grade Currícular”. Este debate deve-se em muito a flexibilização curricular trazida pela nova LDB e o reconhecimento de que os desafios do mundo globalizado depen- dem de uma sólida educação geral que forneça as bases para que o estudante continue apren- dendo ao longo da vida, e também de uma competente educação profissional que prepare para o trabalho e para o exercício da cidadania. Ou seja, as escolas necessitam oferecer alternativas de formação profissional mais adequada às exigências do atual mercado de trabalho e que levem ao desenvolvimento da autonomia dos estudantes no processo de aprendizagem.

Hoje, questiona-se muito a finalidade da ação educativa desenvolvida e também o efetivo papel da educação na formação do estudante. Há, portanto, que se romper com os pa- radigmas tradicionais para que se atinjam os objetivos esperados para a educação geral e de modo bastante especial e peculiar para a educação profissional. Numa sociedade que continu- amente se reestrutura e que tem hoje o conhecimento como o principal fator da produção é preciso desenvolver meios para garantir ao estudante uma aprendizagem permanente e que permita uma formação continuada, tendo como objetivo a construção da cidadania.

É bem verdade que a visão fragmentada e tecnicista da educação e do ensino pro- fissionalizante, que ainda dominam as práticas pedagógicas vigentes na atualidade, está longe de ser superada. A escola de uma maneira geral ainda não conseguiu transpor o modelo que prioriza a fragmentação ou compartimentalização do conhecimento e que se preocupa dema- siadamente com as técnicas, para um modelo que busca resgatar a visão de totalidade, da sín- tese, da interdependência e da interconexão. Entretanto é necessário que as escolas reflitam

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A educação não-formal define-se como qualquer tentativa educacional organizada e sistemática que, normal- mente, se realiza fora do sistema formal de ensino. Pode ser de várias formas como, por exemplo, através dos meios de comunicação de massa (TV, internet), do mundo do trabalho, no lazer, na família, ou ainda a edu- cação científica realizada nos museus e centros de ciências, os cursos avulsos, as palestras e as conferências.

em relação as suas propostas pedagógicas a fim de não ficarem à margem dos avanços políti- cos, econômicos, sociais e tecnológicos que se apresentam na sociedade contemporânea.

Segundo Rocha (2004) “a escola, inserida num contexto social que tem uma di- nâmica de mudanças mais veloz, continua com práticas pedagógicas que resistem às exigên- cias de um novo cenário que surge, o qual estabelece relacionamentos entre atividades que antes não se comunicavam”.

“Para absorver essa nova linha de raciocínio que se apresenta, a escola, qualquer que seja sua modalidade, terá que ser menos formal e mais flexível, para não apenas transmitir conhecimentos técnicos e livrescos, mas para gerar conhecimentos a partir das reflexões sobre as práticas inseridas num mundo que age e se organiza diferen- temente dos esquemas tradicionais” (BASTOS 1996, p.2 apud ROCHA, 2004)

É preciso, pois, romper com a idéia de encarar o conhecimento escolar única e ex- clusivamente como transmissão de um conhecimento já pronto e acabado. Aqueles que hoje buscam o espaço formativo das instituições escolares trazem junto consigo uma bagagem de informações e conhecimentos que não podem ser desprezadas durante o seu processo de for- mação. Ou seja, não se pode desvincular do processo de aprendizagem o processo de partici- pação dos alunos.

O que se coloca então é uma prática pedagógica centrada na formação global dos alunos. Para tanto é preciso gerar mais e novas necessidades de aprendizagem e encarar os desafios que se apresentam. Desafios estes relacionados principalmente aos avanços tecnoló- gicos e às novas expectativas das empresas que passaram a enfrentar mercados globalizados e extremamente competitivos.

“Os desafios situam-se na busca de novos conceitos e práticas que irão reformular as dimensões da tecnologia, do papel social do técnico inserido numa sociedade em mutação e do perfil de docentes e alunos que irão atuar num mundo tecnologicamen- te diferente.” (BASTOS, 1996, p.1 apud ROCHA, 2004)

Dentre os vários desafios que se apresentam para a escola hoje, podemos admitir que o principal deles seja encontrar maneiras de reapropriação dessas novas tecnologias, in- corporando-as ao cotidiano escolar visando preparar o cidadão às novas necessidades de tra- balho.

“Sabemos que os problemas principais não são os tecnológicos, mas os decorrentes da brutal desigualdade de acesso, de oportunidades, de condições. Mesmo com essa desigualdade, a escola – como a sociedade, em geral - enfrenta mudanças estruturais profundas e terá uma configuração muito diferente da que conhecemos até agora.” (MORAN, 2006)

A formação da cidadania passa a ser palavra de ordem. Ou seja, mais do que uma competente formação técnica profissional é preciso proporcionar aos cidadãos condições para viver em sociedade. É preciso que a educação profissional forme um trabalhador pensante e flexível, no mundo das tecnologias avançadas.

Para tanto, há a necessidade de se traçar novas formas de organização curricular, comprometidas, com o novo significado do trabalho no contexto da sociedade contemporânea e também com a pessoa humana que apoderar-se-á desses conhecimentos para aperfeiçoar-se profissionalmente.

O ritmo acelerado de transformações, mediado pela tecnologia, exige hoje que to- dos, indistintamente, possuam competências em níveis aceitáveis para manipular os diferentes dados e informações com os quais precisarão interagir no seu cotidiano. Saber ler, escrever bem como a simples operação de números já não são mais o bastante. Além dessas competên- cias mínimas é necessário também um mínimo de capacidade para lidar com conceitos abstra- tos, para o trabalho em equipe e, acima de tudo, saber aplicar as potencialidades da tecnologia no desempenho de suas atividades cotidianas.

Nesse sentido a Lei nº 9.394/96 – LDB, abre novas perspectivas para a educação profissional que passa a ter como objetivos além da formação de técnicos de nível médio, a qualificação, a requalificação, a reprofissionalização de trabalhadores independente de escola- ridade, assim com atualização tecnológica permanente e a habilitação nos níveis médio e su- perior.