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Interação a partir do envio e recebimento de e-mails

1.5 OS RESULTADOS DA PESQUISA

1.5.2 Resultados obtidos a partir da monitoração com ferramentas de suporte e administração

1.5.2.1 Interação a partir do envio e recebimento de e-mails

A ferramenta webmail, como pode ser observado no gráfico 11 foi a mais acessa- da, isto talvez decorra do fato dos alunos já estarem familiarizados com os e-mails convencio- nais. Possivelmente o que levou a essa ferramenta ser a de uso mais freqüente advêm de seus

propósitos bastante abrangentes, tais como: discussão de dúvidas, comentários, avisos gerais, entre outros.

Ao analisarmos o fluxo semanal de mensagens enviadas pelos participantes per- cebe-se que da primeira para a segunda semana do curso houve um crescimento do número de mensagens enviadas, enquanto que a partir da segunda até a penúltima semana do curso ob- serva-se uma diminuição gradativa no número de mensagens enviadas, voltando a crescer na última semana.

É muito provável que a empolgação e a novidade levaram os participantes, no iní- cio, a enviar mensagens (muitas delas volumosas) em grande quantidade. A posterior diminu- ição no envio de mensagens se justifica na medida em que, com o passar do tempo e a experi- ência, estes fatores se abrandam e o volume de mensagens enviadas tende a diminuir.

Gráfico 11 – Distribuição total de mensagens (e-mails) enviadas por semana

No geral, foram enviadas, em média, 48 mensagens por semana, perfazendo uma média diária de 6,86. Desse total de mensagens, podemos apurar que 62% das mensagens foram enviadas pelos alunos e 38% delas pelo professor.

A partir das observações retiradas do gráfico 11 podemos verificar que, individu- almente, o professor é quem mais enviou mensagens, o que pode lhe estar conferindo certa função de organização, instrução e articulação entre as redes de relacionamento formadas no grupo de alunos. Isto também poderia ocorrer no presencial, mas a quantidade de intervenções

seria menor, pois todos os alunos estariam juntos num mesmo espaço físico e poderiam ser observados e atendidos num mesmo espaço de tempo.

Por outro lado, como a comunicação é essencialmente escrita, existe uma grande necessidade de redigir mensagens com bastante clareza e detalhamento. O aluno deve ser ca- paz de descrever claramente suas dúvidas e opiniões e o professor precisa explicitar também com bastante clareza, ou seja, é preciso ser claro nas suas exposições para não gerar dúvidas e nova troca de mensagens. Talvez esse grande volume de mensagens possa estar associado à falta de clareza nas exposições tanto por parte dos alunos quando expõe suas dúvidas ao pro- fessor, quanto por parte deste, quanto na tentativa de responder ao questionamento dos alunos. Para esclarecer uma dúvida de um aluno, é possível que várias mensagens tenham sido troca- das.

Do total de mensagens enviadas pelo professor pode-se apurar que, mais da meta- de (52,30%) ocorreram nas duas primeiras semanas do curso. Um dos motivos pode ter sido a ansiedade na comunicação. Os alunos ficam ansiosos para receber um retorno a cada nova mensagem enviada. E, o professor, acredita ser necessário responder a todos os alunos ime- diatamente para esclarecer qualquer dúvida.

Das mensagens enviadas pelos alunos, constatou-se que, em média, foram envia- das 29,84 mensagens por semana ou ainda 4,27 mensagens por dia. Embora tenhamos apura- do que todos os alunos em algum momento da realização do curso tenham participado envi- ando mensagens, constatamos que 2 (22%) escreveram 65% do total de mensagens (gráfico 11).

Este comportamento indica uma tendência natural dos fatos, que está em confor- midade com o comportamento “presencial” das pessoas, em quaisquer ambientes em que são instigadas a interagir, ou seja, está em conformidade com as características pessoais de cada aluno. A cultura do “presencial” esta ainda muito arraigada em cada um dos alunos. No ensi- no tradicional em sala de aula, independentemente do número de alunos, as interações entre aluno e professor são mínimas, ou seja, alguns poucos alunos dominam as interações e os de- mais permanecem relativamente passivos. Como essa libertação vai ocorrendo de forma gra- dual, o formato tradicional de ensino pode ter condicionado os alunos a serem passivos.

Identificamos, na análise do desenvolvimento do curso, um processo de evolução por parte dos alunos, no que diz respeito à utilização do ambiente virtual e suas ferramentas de interação e comunicação. Se, inicialmente, a quase totalidade das mensagens foi endereça- da ao professor, no seguimento da experiência observa-se, de forma gradativa, uma descentra- lização da figura do professor, o qual passa a ser visto como mais um participante do grupo, com uma função diferenciada, mas que não é o único detentor do conhecimento, nem das re- gras que definem o tipo de interação do grupo de alunos. As mensagens passam a ser endere- çadas a todo o grupo de alunos e, algumas delas, são endereçadas especialmente, em resposta a algum dos colegas em particular.

No seguimento da experiência, observa-se, além das variações no endereçamento das mensagens, uma maior amplitude do campo de discussão, através da abordagem de temas não previstos no plano original do curso (ainda que não previsto como tais estavam previstas pelo professor a possibilidade de inclusão de novos temas) e um gradativo crescimento no número de mensagens enviadas. Percebe-se ainda que ações de submeter-se a um plano pré- estabelecido, que aparece no início do trabalho em analogia ao comportamento dos alunos em salas de aula tradicionais (presencial), são negadas pelo grupo de alunos, havendo uma nego- ciação dentro do grupo quanto aos assuntos a serem priorizados nas discussões. Estabelecem- se novos contratos, nos quais os alunos assumem juntamente com o professor, responsabilida- des na condução do processo, no sentido de uma construção conjunta e coletiva.

Podemos perceber ainda que o grupo de alunos, com o passar do tempo, faz uma seleção priorizando as mensagens a serem respondidas, com base nas suas preferências em relação aos diferentes temas. Ao passo que no início do curso boa parte dos alunos considera- va ser necessário responder a todas as mensagens, e ainda, para alguns deles, as respostas pre- cisavam obedecer à ordem de recebimento das mesmas – do mesmo modo como se responde aos exercícios propostos em aula – no decorrer do curso a possibilidade de seleção se mani- festa de forma mais intensa e gradual dentro do grupo.

Durante o processo, o próprio grupo assume que é possível interagir mais sobre determinados temas, em detrimento de outros. Percebe-se, nesse caso, que ocorre uma relação entre vários sujeitos e o objeto. As descobertas realizadas por um aluno são socializadas ao grupo através do ambiente virtual e passam a ser objeto de estudo e novas descobertas, por parte dos demais colegas.

O próprio grupo atua no sentido de proporcionar informações e apresentar questi- onamentos, auxiliando no que se refere ao surgimento de lacunas ou falta de assimilações referentes ao objeto de estudo e provocando a necessidade de novos conhecimentos a partir das perturbações já vividas pelos sujeitos no processo de apropriação do saber.