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CAPÍTULO 2 DA PROVA TESTEMUNHAL

2.3 OITIVA DAS TESTEMUNHAS

2.3.1 Inquirição e procedimento

jurisprudência:

STF: "É competente o foro do delito para o processo de crime por falso testemunho praticado no juízo deprecado" (RT 245/586)

Não se pune a testemunha que, antes da sentença, no processo em que ocorreu o ilícito, retratar-se ou discorrer sobre a veracidade dos fatos.

Entende a jurisprudência:

TJRJ: "A extinção da punibilidade, em virtude de retratação do acusado do delito de falso testemunho, se cometido este, no juízo penal, deve ser decidida conjuntamente com o processo onde ele se deu, dada a conexidade das causas" (RT 398/361)

Assim, extingue-se a punibilidade pela retratação do acusado de falso testemunho.

2.3 OITIVA DAS TESTEMUNHAS

A testemunha tem o dever de depor, comparecendo em juízo intimada pelo oficial de justiça, por condução coercitiva na qual é determinada pelo juiz ou poderá manifestar-se espontaneamente.

Ensina Mirabete69:

Não pode o Juiz dispensar a oitiva de testemunha tempestivamente arrolada sem a desistência da parte interessada; ocorre na hipótese nulidade por cerceamento da acusação ou defesa. Trata-se, aliás, de nulidade que não precisa ser argüida.

A oitiva das testemunhas dar-se-á pela sua inquirição e procedimento.

2.3.1 Inquirição e procedimento

A inquirição das testemunhas será feita individualmente, onde nenhuma terá ciência nem escutará o depoimento da outra.

É do magistério de Mirabete70:

As testemunhas serão ouvidas separadamente das outras, a fim de que não se influenciem com os depoimentos anteriores. A falta de incomunicabilidade entre elas, porém, é mera irregularidade. Dever da testemunha é o de prestar um depoimento verdadeiro.

A incomunicabilidade das testemunhas está prevista na lei 11.690/08, em seu artigo 210 parágrafo único do CPP

Art. 210. Parágrafo único. “Antes do início da audiência e

durante a sua realização, serão reservados espaços separados para a garantia da incomunicabilidade das testemunhas.” (NR)

Inicialmente serão ouvidas as testemunhas de acusação e por último as testemunhas de defesa. Há, entretanto, uma exceção, prevista no artigo 225 do CPP, quando será colhido antecipadamente o depoimento de certa testemunha, que será visto em momento posterior.

A convocação da testemunha militar deverá ser requisitada á autoridade superior, como preceitua o parágrafo 2o do artigo 221 do Código de Processo Penal.

Entende Aquino71: "a autoridade superior não pode obstaculizar a apresentação da testemunha, pois não tem o direito político de discutir a determinação dada".

O procedimento para a convocação da testemunha que exercer cargo de funcionário público é o de que seu superior deverá ser informado imediatamente e a citação ou intimação se fará por mandado

Como ensina Aquino72:

70 MIRABETE, Júlio Fabbrini, Código de processo penal interpretado, p.495.

71 AQUINO, José Carlos Xavier de. A prova testemunhal no processo penal brasileiro, p.

À testemunha funcionário público, aplica-se o disposto no artigo 218 do estatuto processual, isto é, deve ser tratada como cidadão comum. Porém, o chefe da repartição onde ele trabalha deve ser comunicado imediatamente do dia e hora em que o funcionário deve ausentar-se para prestar o seu munus.

O funcionário público tem sua responsabilidade no serviço prestado, não podendo ausentar-se sem prévia comunicação, podendo prejudicar assim o serviço geral da repartição, por este motivo é que deverá passar pelo seu superior a convocação de seu depoimento.

Têm-se algumas exceções ao dever de comparecer, conforme prevê o artigo 220 do CPP:

Art. 220. As pessoas impossibilitadas, por enfermidade, ou por

velhice, de comparecer para depor serão inquiridas onde estiverem.

Está isenta do dever de comparecimento perante a autoridade que estiver presidindo ao processo a testemunha que morar fora da jurisdição. Com base legal no artigo 222 do CPP:

Art. 222. Quando a testemunha residir fora da comarca em que

estiver presidindo o processo, caberá ao juiz da residência da testemunha colher seu depoimento.

A inquirição das testemunhas que desempenham importante função no contexto político-jurídico do Brasil serão inquiridas em local, dia e hora combinadas entre o magistrado e eles, conforme o caput do artigo 221 do código de processo penal, no qual preceitua:

Art. 221. O Presidente e o Vice-Presidente da República, os

senadores e deputados federais, os ministros de Estado, os governadores de Estados e Territórios, os secretários de Estado,Os prefeitos do Distrito Federal e dos Municípios, os deputados das Assembléias Legislativas Estaduais, os membros do Poder Judiciário, os ministros e juízes dos Tribunais de Contas da União, dos Estados, do Distrito Federal, bem como os do Tribunal Marítimo serão inquiridos em local, dia e hora previamente ajustados entre eles e o juiz.

72 AQUINO, José Carlos Xavier de. A prova testemunhal no processo penal brasileiro,

No caso do parágrafo 1o do artigo citado acima, o Presidente e Vice-Presidente da República, os presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal poderão optar pela prestação do depoimento por escrito, caso em que as perguntas, formuladas pelas partes e deferidas pelo juiz, lhes serão transmitidas por oficio.

Entende Tourinho Filho73:

A norma contida no parágrafo 1o do art. 221 do CPP, ao que nos parece, violenta, o princípio do contraditório, uma vez que, ante uma resposta, bem poderá qualquer das partes formular uma pergunta.

A prestação do depoimento por escrito não é de grande valia para as partes devido às mesmas não poderem formular perguntas.

Quanto ao procedimento adotado para o depoimento da testemunha e a mesma comparecendo, deverá ser identificada, logo após prestar compromisso em dizer a verdade. Antes do depoimento a testemunha será advertida sobre o falso testemunho.

As partes poderão contraditá-la, e caberá ao magistrado decidir se aceita ou não a contradita.

As partes poderão perguntar diretamente para testemunha, conforme determina o novo artigo 212 da lei 11.690/08 do CPP.

Assim descreve o artigo 212 do CPP e da lei 11.690/08

Art. 212. As perguntas serão formuladas pelas partes

diretamente à testemunha, não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já respondida.

Parágrafo único. “Sobre os pontos não esclarecidos, o juiz poderá complementar a inquirição.” (NR)

Quando a testemunha negar-se a prestar o depoimento, responderá por crime de desobediência, previsto no artigo 330 do Código Penal.

Ensina a jurisprudência

TACRSP: "Comete crime previsto no artigo 330 do Código penal quem, figurando como testemunha em processo-crime, deixar de comparecer as audiências marcadas sem justo motivo, quando para estas foi intimado pessoalmente." (RJDTACRIM 12/78).

Conforme preceitua o artigo 212 do CPP, cabe ao juiz indeferir a pergunta, nos casos em que já havia sido feita a indagação e no caso em que não tiver relação alguma com o processo e quando a pergunta vier induzir a resposta.

Quanto ao momento processual para inquirir as testemunhas ensina Tourinho Filho74:

O órgão do Ministério Público, na ação penal pública, ou o ofendido ou seu representante legal, na ação penal privada ou subsidiária da publica, somente poderá arrolar testemunhas quando do oferecimento da denuncia ou queixa (artigo 41, in fín. CPP)

O mesmo autor diz75 "Quanto à Defesa, suas testemunhas só poderão ser indicadas quando da resposta à acusação.

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