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O instrumento de pesquisa foi construído com base na revisão da literatura (Capítulo 2). Os itens do questionário foram elaborados com base no Modelo Teórico-analítico (Figura 16) e do Modelo de Análise da Pesquisa (Quadro 16) e são respaldados nas dimensões e indicadores do estudo. O questionário foi dividido em duas grandes partes: na primeira, foram feitas perguntas para caracterização dos respondentes (por exemplo: sexo, idade, tempo de empresa e escolaridade). Na caracterização das empresas foram feitas perguntas sobre quantidade de funcionários, tempo de existência da empresa, setor de atuação das empresas. Já quanto as características das TI, as perguntas foram sobre a existência de setor ou responsável pelas tecnologias da informação, a quantidade de equipamentos na empresa, a existência de Website e Perfil corporativo nas Redes Sociais e quais tecnologias da informação adotadas pela empresa. Nesta última, os respondentes poderiam marcar, em forma de múltipla escolha, quais tecnologias são adotadas pela empresa.

Na segunda parte do questionário, foram feitas as perguntas em formato de itens que refletem os indicadores do modelo de análise e resultaram em 38 itens em escala Likert de sete pontos entre 1- Discordo totalmente e 7- Concordo Totalmente. Esses itens refletem as dimensões do modelo e tiveram a seguinte distribuição: Processo Decisório com 10 itens, Tecnologia com 9 itens, Organização com 8 itens, Ambiente com 5 itens e Fatores Institucionais com 6 itens.

Considerando a busca por maior consistência do instrumento, Saccol (2009) afirma que se pode validar um instrumento a partir da sua avaliação por especialistas nos temas que são investigados. Nesse contexto, a autora afirma que é fundamental a compreensão de que todos os procedimentos metodológicos adotados durante uma determinada pesquisa devem ter sua descrição detalhada, para que possam ser verificados ou mesmo replicados por outros pesquisadores.

Para maior consistência do instrumento e para que tivesse a configuração final e distribuição de itens supracitada, o mesmo passou por três etapas de validação antes de ser levado a campo. Na primeira, o questionário, após elaborado em sua primeira versão, foi submetido a análise de 8 membros do grupo de pesquisa do Núcleo de Pós-Graduação em Administração da UFBA que tem como foco o estudo da Adoção de Tecnologias da Informação, sendo esses membros avaliadores mestres e doutores, pesquisadores da área de Sistemas de Informação. Durante quatro reuniões do grupo, as dimensões e itens foram apresentados e discutidos para verificação da consistência do instrumento, bem como do

alinhamento com os objetivos, questão e modelos da pesquisa. A partir desse processo, em que foram realizadas melhorias incrementais no instrumento durante as quatro reuniões, foi possível o refinamento do questionário, a partir de um melhor alinhamento com os objetivos e questão de pesquisa, bem como o aprimoramento quanto à clareza e organização das perguntas.

Após o refinamento junto ao grupo de pesquisa supracitado, foi iniciada a segunda etapa e o instrumento passou por um processo de validação junto a especialistas de outras instituições de pesquisa e empresariais. Nesse processo, o questionário foi enviado aos especialistas externos, que também receberam: os objetivos (Geral e Específicos da pesquisa), questão de pesquisa, o modelo teórico-analítico e o modelo de análise. Nesta etapa, o instrumento foi avaliado por 5 doutores e 2 mestres da área de Sistemas de Informação, 3 doutores da área de Métodos Quantitativos, além de 4 especialistas de mercado que trabalham com pesquisas junto a micro, pequenas e médias empresas. A partir das diversas contribuições dos especialistas externos, foi possível a construção da versão refinada do instrumento e da versão online do mesmo.

Vale destacar que as contribuições dos especialistas externos foram fundamentais para o refinamento do questionário e foram incorporadas melhorias a exemplo de: melhor clareza na redação de algumas questões, reestruturação dos tipos de tecnologia a serem respondidas pelos pesquisados (Questão 17 do instrumento), divisão de um indicador do modelo em mais de um item do questionário (itens O6a e O6b), uso de escala de razão em algumas questões de perfil, incorporação da escala Likert de 1 a 7 pontos, pois possibilita mais opções de respostas aos pesquisados e, consequentemente, aumenta a variabilidade das mesmas; incorporação da questão 5 que verifica a existência de área ou responsável pelas TI na empresa. Desse modo, foi possível a concretização da segunda etapa de validação do instrumento. Assim, as contribuições também auxiliaram na definição da amostra e das técnicas estatísticas a serem utilizadas para a análise a partir dos resultados gerados pela aplicação do questionário.

Na terceira etapa do processo de validação, o foco foi o instrumento online da pesquisa que foi construído na plataforma Typeform e o link foi disponibilizado, respondido e avaliado por 18 alunos de graduação e pós-graduação de instituições de ensino Superior. Nesta etapa, foi possível receber feedback sobre a versão online do questionário, bem como avaliar a plataforma em uso para a aplicação da pesquisa e já obter uma média de tempo de resposta do questionário que foi de 16:26 minutos, sendo que 72% responderam via smartphone e 28% por desktop ou notebook. Vale ressaltar que o questionário teve boa aceitação, apesar de alguns questionarem o tamanho do instrumento da pesquisa.

A partir das três etapas de validação descritas, foi possível concluir a validação de face e de conteúdo do instrumento e elaborar a versão final a ser levada à etapa de pré-teste. Destaca- se que os procedimentos descritos possibilitaram a validação de face que, segundo Hoppen, Lapointe e Moreau (1996), é o procedimento que possibilita ao instrumento de pesquisa ter forma e vocabulário alinhados ao propósito da mensuração. Em outras palavras, para Saccol (2009, p. 258) o “instrumento de coleta de dados deve ter um formato e um vocabulário adequados aos objetivos do que está sendo medido e ao perfil dos respondentes da pesquisa”. Já na validação de conteúdo, verifica-se o entendimento e os problemas enfrentados para responder as questões do instrumento (DOLCI, 2013). Após o processo de validação que ocorreu entre setembro e outubro de 2016, foi realizada a coleta de dados que será descrita a seguir, a partir da pesquisa Survey, em formato de pré-teste.