2.2 ADOÇÃO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
2.3.8 Modelo Tecnologia, Organização e Ambiente (TOE)
O modelo Technology, Organization and Environment (TOE) identifica três aspectos no contexto organizacional que influenciam o processo pelo qual ocorre a adoção e implementação de uma inovação tecnológica, quais sejam: o contexto tecnológico, ou seja, aspectos internos e externos relacionados a tecnologias; contexto organizacional, refere-se a características como o escopo de atuação, tamanho e estrutura gerencial. Por fim, o contexto ambiental é analisado considerando a arena em que a empresa conduz o seu negócio, incluindo segmento de mercado, concorrentes e relações com o governo (BAKER, 2012).
O modelo Technology, Organization and Environment (TOE) foi proposto por Tornatzky e Fleischer (1990). Os autores buscam caracterizar o processo de inovação, especialmente a partir do estudo do desenvolvimento de inovações por empresários e engenheiros para adoção e implementação dessas inovações por usuários no contexto das organizações. Dessa forma, o modelo TOE envereda pelo estudo de como o contexto em que está inserida a organização influencia a adoção e implementação de inovações (BAKER, 2012). Vale destacar que o modelo TOE é um framework usado para análise no nível organizacional e busca explicar, a partir de três aspectos, o contexto que influencia a adoção de decisões pelas organizações, como pode ser visto na Figura 10, a seguir. Tais elementos são o contexto tecnológico, o contexto organizacional e o contexto ambiental, todos influenciando as decisões de inovação. O modelo TOE, inicialmente desenvolvido para o estudo de decisões de inovações, passou também a ser usado para estudo sobre Adoção de Tecnologias da Informação (BAKER, 2012). Segundo Arpaci et al. (2012), esse modelo tem sido usado com sucesso em estudos sobre adoção de TI em organizações.
Figura 10 - Modelo Technology, Organization and Environment - TOE
Fonte: adaptado de Tornatzky e Fleischer (1990).
Tornatzky and Fleischer (1990) esclarecem a Figura 10, pois, segundo eles, os três elementos (tecnologia, organização e ambiente) influenciam o processo pelo qual as organizações adotam e implementam inovações tecnológicas. Sendo o contexto organizacional tipicamente definido em termos dos seguintes aspectos descritivos: tamanho da organização; centralização, formalização e complexidade da estrutura gerencial; qualidade dos recursos humanos e recursos disponíveis internamente. Os autores também incluem aspectos como contatos informais entre funcionários e transações existentes entre eles, a exemplo de tomada de decisão e comunicação interna.
Quanto ao contexto tecnológico, segundo Tornatzky e Fleischer (1990), ele descreve tecnologias, tanto internas quanto externas, relevantes para a organização, isso inclui práticas e equipamentos em uso na organização e ao mesmo tempo o conjunto de tecnologias disponíveis para a firma externamente. Os autores consideram esse contexto separadamente do resto do ambiente com o intuito de focar a atenção em como as características tecnológicas, por elas mesmas, podem influenciar o processo de adoção e implementação.
O contexto ambiental, por sua vez, é descrito como sendo a arena na qual a organização conduz seus negócios; é o segmento da indústria, os competidores, o acesso aos recursos fornecidos por outros, além de diálogos com o governo. Todos esses elementos podem influenciar o grau com que a organização vê a necessidade, pesquisa e incorpora novas tecnologias. Nesse sentido, o ambiente apresenta tanto restrições quanto oportunidades para a
inovação tecnológica. De fato, membros da indústria, produtores de conhecimento, agências reguladoras, clientes e fornecedores podem prover inovações, relacionadas à informação e recursos humanos e financeiros. Por outro lado, os mesmos atores podem também atrapalhar as atividades de inovação, através de políticas governamentais e regulações, disponibilidade de capital, além de restrições a fluxos de informações. Desse modo, as conexões da organização com esse ambiente podem ser críticas para sua capacidade de funcionamento e para as decisões de adoção e implementação de inovações tecnológicas (TORNATZKY; FLEISCHER, 1990). Diversos estudos têm sido desenvolvidos com uso do modelo TOE, a exemplo da adoção de diversos tipos de tecnologias da informação, como: e-business, e-commerce, Enterprise Resource Planning, Electronic Data Interchange, Knowledge Management Systems, open systems, como pode ser visto no Quadro 8 que resume estudos feitos com esse modelo.
Quadro 8 - Estudos que usaram o modelo TOE
Autores Tema estudado
Ifinedo (2011) Internet/E-Business
Troshani et al. (2011) HRIS
Bose and Luo (2011) Green IT Initialization
Oliveira and Martins (2010) E-Business
Lee et al.(2009) KMS
Ramdani et al.(2009) Enterprise Systems
Doolin and Al Haj Ali (2008) Mobile Commerce
Lin and Lin(2008) E-Business
Pan and Jang(2008) ERP
Bellaaj et al.(2008) Web Site
Liu (2008); Sparling et al. (2007) E-Commerce
Zhang et al. (2007) IT
Chang et al. (2007) E-Signature
Hong and Zhu (2006); Teo et al. (2006) E-Commerce
Zhu et al. (2006) E-Business
Raymond et al. (2005); Zhu and Kraemer
(2005) E-Business
Xu et al. (2004) Internet
Zhu et al. (2004); Zhu et al. (2003) E-Business Lertwongsatien and Whongpinunwatana (2003) E-Commerce
Premkumar and Roberts (1999) IT
Chau and Tam (1997) Open System
O TOE tem sido usado não apenas isoladamente para estudo dos fenômenos de adoção de TI, mas também associado a outros modelos teóricos, como pode ser visto noQuadro 9, formulado por Arpaci et al. (2012), que revisaram a literatura sobre adoção de TI.
Quadro 9 - Estudos que combinam o modelo TOE com outros modelos teóricos
Modelo Autor(es) Tema estudado
TOE e DOI Wang et al. (2010) RFID
TOE e DOI Chong et al. (2009) Comércio colaborativo TOE, DOI e Teoria Institucional Li (2008) E-procurement
TOE e Teoria Institucional Soares-Aguiar e Palma-dos-Reis
(2008) E-procurement
TOE e DOI Zhu et al. (2006) E-business
DOI, TOE e Iacovou et al. (1995)
Model Hsu et al. (2006) E-business
TOE e DOI Zhu et al. (2006) E-business
TOE e DOI Vaidya e Nandy (2004) E-business
TOE e Teoria Institucional Gibbs e Kraemer (2004) E-commerce
TOE e Iacovou et al. (1995) Model Kuan e Chau (2001) EDI
TOE e DOI Thong (1999) Software Aplications
TOE e DOI Lee (1998) Internet-Based Financial EDI
TOE e DOI Higa et al. (1997) Telemedicine
Fonte: Arpaci et al. (2012).
Ao se investigar a realidade nacional dos últimos cinco anos, aparentemente o modelo TOE, apesar de ser utilizado em diversos estudos internacionais, ainda não recebe a devida atenção no Brasil, principalmente quando considerado o contexto de Adoção de Tecnologias da Informação, conforme Quadro 10. Em estudo bibliométrico dos últimos 5 anos de publicações em três dos principais eventos para a área de Gestão de Tecnologia da Informação do Brasil, Oliveira et al. (2016) identificou apenas três publicações que utilizaram o Modelo TOE como lente teórica para o estudo inerente a temática ADTI. Dois deles foram de natureza quantitativa e um qualitativo e todos investigaram a partir do nível organizacional, como já mencionado, adequado para o uso do modelo.
Quadro 10 - Estudos nacionais que usaram o modelo TOE (2011-2015)
Fonte: elaborado pelo autor.
Ao revisar a literatura, Arpaci et al. (2012) argumentam que o TOE pode ser combinado com outras teorias para melhor explicar a adoção de TI. Diffusion of Innovation se destaca entre as principais teorias associadas ao TOE. Thong (1999) apud Arpaci (2012) desenvolveu um modelo com tal integração entre DOI e TOE, sendo que esse modelo especificou variáveis contextuais como características da tomada de decisão, características do Sistema de Informação, características organizacionais e ambientais, como principais determinantes da adoção de sistemas de informação em pequenos negócios. Já Zhu et al. (2006) e Wang et al. (2010) apud Arpaci (2012), combinaram DOI e TOE para melhor entender as decisões de adoção de TI.
De acordo com Arpaci (2012), a Teoria Institucional é outra teoria que é combinada com o modelo TOE para explicar a adoção de TI em diferentes contextos. Conforme a Teoria Institucional, as decisões organizacionais devem levar em conta fatores culturais e sociais, sendo que, para sobreviver, as organizações atendem a regras e sistemas de crenças predominantes no ambiente (SCOTT, 2004 APUD ARPACI, 2012). Assim, a Teoria Institucional acrescenta ao contexto ambiental do modelo TOE pressões externas, incluindo pressão dos competidores e parceiros de negócio. Gibbs e Kraemer (2004) e Soares-Aguiar e Palma-Dos-Reis (2008), são exemplos de estudos que combinam Teoria Institucional com o modelo TOE.
Segundo Gibbs e Kraemer (2004), a adoção de tecnologias interativas, a exemplo da internet, para os negócios, pode ser influenciada pelo ambiente institucional no qual a organização está inserida. Tal ambiente é composto por fornecedores e demais parceiros, concorrentes, consumidores, além de agências reguladoras, a exemplo das governamentais que podem criar incentivos ou barreiras à adoção e uso de tecnologias da informação. Esses autores
Título do artigo Autores Nível de
análise Foco do estudo
Tipo de Estudo Abordagem de pesquisa Estratégia de Pesquisa Abordagem Metodológica Instrumento de coleta Modelo Teórico FATORES QUE IMPACTAM NA
ADOÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DO SPED NA AVALIAÇÃO DOS GESTORES DAS EMPRESAS
BRASILEIRAS Nasciment o et al. (2015) Org IMPLEMENTAÇÃO DO SPED Descritiva/ Explicativa Teórico e
empírico Survey Quantitativa Questionário Modelo
TOE
Fatores que Influenciam a Adoção de Ferramentas de Bioinformática na Gestão da P&D de Organizações Biofarmacêuticas: O Caso do INCA
Pitassi, Assis Jr., Gonçalves
(2012)
Org Bioinformática Exploratória /Descritiva
Teórico e empírico
Estudo de
Caso Qualitativa Entrevista
Modelo TOE
ANÁLISE DA ADOÇÃO DE TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO: UMA PROPOSTA DE ADAPTAÇÃO
DO MODELO TECHNOLOGY, ORGANIZATION AND ENVIRONMENT (TOE) SOB
INFLUÊNCIA DA TEORIA INSTITUCIONAL Oliveira e Santos (2015) Org Adoção de Tecnologia da Informação
Exploratória Teórico Ensaio Qualitativa _
Modelo TOE e Teoria Institucional
afirmam, ainda, que as decisões, ao invés de serem internas à organização, para adoção de e- commerce, por exemplo, são influenciadas por pressões isomórficas externas de competidores, parceiros de negócio, consumidores, ou mesmo o governo, que induzem a organização a adotar determinada tecnologia.
Ainda com relação aos consumidores, Hoti (2015) evidencia que os clientes podem tanto influenciar a adoção de determinada tecnologia da informação como podem também interferir para a não adoção. Além disso, o autor explica que é essencial que exista suporte da alta gerencia para as iniciativas de adoção de TI. Nesse sentido, destacam ainda que deve haver tempo gerencial dedicado ao planejamento e implementação das tecnologias da informação.
A partir do interesse do presente estudo em associar o modelo TOE à Teoria Institucional para análise da adoção de TI em micro, pequenas e médias empresas, a seguir serão apresentados alguns aspectos importantes sobre essa teoria.