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5 A TEORIA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

7.2 INSTRUMENTO E PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS

Os dados foram coletados por meio de uma técnica de entrevista qualitativa denominada de Grupos Focais (focus group) (Kreuger & Casey, 2000; Gaskell, 2002; Morgan, 1997). O grupo focal tem sido utilizado, mais recentemente, como método de coleta de dados em pesquisas no campo das representações sociais (Veiga & Gondim, 2001).

O grupo focal possibilita uma interação mais autêntica do que a entrevista em profundidade, método mais utilizado em pesquisas de cunho qualitativo, pois permite que as pessoas falem sobre as suas opiniões e pontos de vista e reajam àquilo que outras pessoas dizem (Gaskell, 2002; Kreuger & Casey, 2000; Morgan, 1997).

O grupo focal permite visualizar a construção do conhecimento de forma compartilhada, ou seja, dá ao pesquisador, em um ambiente controlado, o contato com a elaboração das representações sociais, entendendo-se a elaboração como um processo dinâmico de consenso e dissenso sobre um determinado assunto.

Para que se alcancem os objetivos esperados em uma pesquisa que tem como método de coleta de dados o grupo focal é necessário um adequado planejamento. É preciso realizar o planejamento em termos de quantidade de grupos focais, número de participantes por grupo, local da realização e o roteiro de discussão do grupo focal (Kreuger & Casey, 2000; Gondim, 2002; Morgan, 1997).

Optou-se por realizar 6 grupos focais como explicitado acima. A quantidade de grupos focais realizados deve ser de 6 a 8 encontros, uma vez que um número maior do que 8 torna a tarefa do pesquisador no tratamento dos dados muito difícil (Gaskell, 2002).

A literatura indica que cada grupo focal deve ter de 6 a 8 pessoas (Gaskell, 2002; Kreuger & Casey, 2000) ou de 6 a 12 pessoas (Morgan, 1997; Stewart & Shamdasani, 1990); entretanto, há a possibilidade de realização de grupos focais com o número máximo de 20 pessoas e o número mínimo de 3 pessoas (Morgan, 1997). A desvantagem de um grupo com um número maior de pessoas é a possibilidade de alguém não encontrar espaço para falar, o que modifica a dinâmica do grupo. Nesse caso, pode haver conversas paralelas durante o grupo, uma vez que alguém pode, na tentativa de expor a sua experiência, conversar com a pessoa ao seu lado. No caso de grupos menores, também chamados mini- focus group, a desvantagem está em obter um número limitado de experiências. Um número menor de pessoas, contudo, pode deixar os participantes mais à vontade para expor com mais detalhes as suas experiências (Kreuger & Casey, 2000).

 Grupo MC (mulheres casadas): 5 participantes  Grupo MS (mulheres separadas): 6 participantes  Grupo MR (mulheres recasadas): 5 participantes  Grupo HC (homens casados): 7 participantes  Grupo HS (homens separados): 3 participantes  Grupo HR (homens recasados): 4 participantes

O número pequeno de participantes no Grupo HS deveu-se à dificuldade em encontrar pessoas disponíveis para a participação da pesquisa. A realização desse grupo focal foi remarcada duas vezes, com a expectativa de um aumento no número de participantes. Optou-se por fazer o minigrupo focal, e, caso fosse necessário, seria realizado um outro grupo focal para complementação dos dados. Como Kreuger e Casey (2000) indicam, a realização do grupo permitiu explorar com mais intensidade as experiências de cada participante, por se sentirem eles mais à vontade para falar e também por haver mais tempo para cada um contar a sua história. Devido à riqueza dos dados coletados nesse grupo, decidiu-se por não realizar outro grupo focal com homens separados.

As entrevistas com os grupos focais ocorreram em uma faculdade particular em Vitória (ES), que contava com sala de espelho duplo e aparelhagem de som para realização de grupos nesse formato.

O roteiro para a realização do grupo focal2 foi planejado para responder ao problema de pesquisa. O roteiro abrangeu os seguintes temas: (1) amor; (2) amor no relacionamento conjugal; (3) decisão pelo casamento; (4) estratégias de manutenção do relacionamento conjugal; (5) filhos; (6) papel feminino/ masculino

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O roteiro de discussão do grupo focal encontra-se no Apêndice I. A ordem dos tópicos do roteiro de entrevista foi adequada para cada um dos 3 grupos. O tópico do início do roteiro estava de acordo com a situação vivida no momento pelos participantes (casados, separados, recasados)

no relacionamento; (7) separação/ divórcio; (8) vida sem o cônjuge, e; (9) recasamento/novo relacionamento.

Além dos cuidados com o planejamento dos itens mencionados acima, é importante que o entrevistador tenha habilidade para conduzir o grupo focal. Foram escolhidos dois entrevistadores, um homem e uma mulher, com experiência em pesquisas de cunho qualitativo, que tinham como método de coleta de dados tanto a entrevista em profundidade quanto grupos focais. Para o auxilio dos entrevistadores durante os grupos focais, também foram selecionados dois assistentes, um do sexo masculino e um do sexo feminino.

Teve-se o cuidado em escolher uma equipe de moderadores (entrevistador e assistente) (Kreuger & Casey, 2000) que tivesse o mesmo sexo dos participantes, para evitar que o sexo dos entrevistadores interferisse nas respostas dos participantes (Stewart & Shamdasani, 1990).

Os participantes foram selecionados de acordo com as características estabelecidas para cada grupo e seguindo o critério da acessibilidade (Alves- Mazzotti & Gewandsznajder, 1998; Stewart & Shamdasani, 1990). Foi feito primeiramente um contato telefônico para verificar a disponibilidade das pessoas e, posteriormente, foi marcada uma data para a realização do grupo focal com aquelas que aceitaram participar.

Antes do início do grupo focal foram entregues aos participantes o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e um formulário3 para que eles preenchessem questões como idade, estado civil, nível de escolaridade, profissão e renda familiar.

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O tempo médio de duração dos grupos focais foi de 1h43min. Para a mudança dos temas discutidos e o encerramento do grupo focal foi observado o ponto de saturação do sentido (Bauer & Aarts, 2002; Gakell, 2002), ou seja, quando os assuntos discutidos começavam a se repetir, não surgindo outras formas de compreensão da realidade, o entrevistador encerrava a discussão sobre o tópico em questão.

Ao final do grupo focal foi servido um lanche para os participantes da pesquisa.

Todo o conteúdo do grupo focal foi gravado em áudio com a anuência dos participantes.