Os instrumentos baseados nas políticas de mercado também têm potencial significativo para contribuir para a sustentabilidade a curto prazo, proporcionando o tempo necessário para a maturação da consciência ambiental. E, considerando que a gestão integrada dos resíduos e mitigação da mudança climática requer ações de curto prazo de emergência, tais instrumentos se apresentam como potenciais alternativas positivas para aumentar a eficiência na administração ambiental.
Desse modo, uma maneira de melhorar o desempenho do mercado é garantir que os consumidores e produtores paguem os custos reais do dano ambiental que causam (ver experiências de Tributos Verdes no capítulo 3). Mercados funcionam melhor quando os preços refletem os custos de produção com a maior precisão possível. Não é suficiente cobrar uma taxa para aqueles que poluem ou fazer uso do recurso natural como o usuário- pagador e do poluidor-pagador. Também é importante alocar recursos para aqueles que voluntariamente asseguram a prestação de serviços ambientais. Este é o chamado princípio do protetor-recebedor. Instrumentos baseados no mercado incluem inovações institucionais que podem criar novos mercados, evitando o esgotamento dos recursos e reduzir a poluição. Eles também podem maximizar a concorrência na economia de recursos, tais como a conversão do custo dos impostos sobre, por exemplo, enxofre ou o preço comercial do carbono em lucros na venda e uso de tecnologias eficientes.
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Assim sendo, os instrumentos baseados no mercado estão cada vez mais ganhando força política como mecanismos para alcançar as metas de proteção ambiental. De acordo com Stavins (2001), tais regulamentos respondem aos sinais do mercado e não às indicações explícitas deníveis de controle de poluição ou métodos. Os instrumentos políticos, tais como licenças negociáveis e taxas, quando devidamente planejados e implementados, resultam no encorajamento dos indivíduos e empresas. Os instrumentos aprovados devem ser bem projetados, aplicáveis, eficientes, orientados pela problemática sustentável, para serem bem-sucedidos. Melhorar o controle da poluição deve ser do interesse de todos, os esforços devem ser incisivos e constantes para atingir um nível sustentável também baseado em objetivos políticos.
Quais são, porém, as características dos instrumentos baseados no mercado? Teoricamente, instrumentos baseados no mercado permitem menor custo para a sociedade por meio de incentivos. Os instrumentos baseados no mercado, além de fornecerem uma alocação custo-efetiva da carga de controle da poluição, tornam os resultados da política de controle de poluição mais eficientes a curto prazo. Hoje, as metas de controle de poluição estão previstas para os próximos 20 ou 30 anos. Isto significa que o governo deve ajustar suas políticas, considerando este período. Os instrumentos baseados no mercado também têm o potencial de oferecer às empresas incentivos poderosos para adotar tecnologias mais baratas e mais eficazes para controle da poluição. Isto porque com instrumentos baseados no mercado, impostos cobrados pela emissão de gases de efeito estufa ou de resíduos, por exemplo, permitem que as empresas possam limpar um pouco mais, especialmente se as suas emissões são acompanhadas por tecnologias de baixo custo.
Abordagens de comando e controle podem, teoricamente, também alcançar soluções de custo-benefício, mas isso exigiria que padrões diferentes fossem definidos para cada fonte de poluição e, consequentemente, que os políticos obtivessem informações detalhadas sobre os custos de cumprimento encarado por cada firma. Tal informação simplesmente não está disponível para o governo. Por outro lado, instrumentos baseados no mercado já fornecem uma alocação de custo-benefício da carga de controle de poluição entre as fontes, sem a necessidade de o governo ter esta informação.
Em contraste com as normas de comando e controle, instrumentos baseados no mercado têm o potencial de oferecer às empresas incentivos poderosos para adotar tecnologias melhores e mais baratas de controle da poluição. Isto porque com instrumentos baseados no mercado, os impostos, particularmente os de emissão, sempre pagam as empresas para limpar um pouco mais, se um método suficiente de baixo custo (tecnologia ou processo) de fazê-lo pode ser identificado e adotado (Downing e Branco, 1986; Malueg,
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1989; Millimane Prince, 1989; Jaffee Stavins, 1995; e Jung, Krutilla, e Boyd, 1996; Stavins, 2001).
As abordagens convencionais para regular o meio ambiente são em grande parte os regulamentos de comando e controle. Estes regulamentos permitem uma maior flexibilidade. Uma política de comando e controle como a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) no Brasil será eficiente quando combinada com medidas de políticas baseadas no mercado, como, por exemplo, a taxação. No entanto, não se pode generalizar e dizer que uma política de comando e controle não será eficiente. Mas o estabelecimento de uniformidade pode ser um risco, sabendo que cada empresa tem uma filial de atividades com variações específicas de custos no processo de produção e cada indivíduo um comportamento. Ao definir um "objetivo para todos" mediante o comando e controle político, existe alguma liberdade na forma como um objetivo é explorado. O governo não está controlando as características de cada empresa. O monitoramento do nível de poluição de cada empresa tem de ser feito com cuidado. "Seguir uma receita" para todas as empresas e para todos pode ser caro e contra producente. Os custos de controle de poluição podem variar muito de empresa para empresa e de pessoa para pessoa, por exemplo.
Instrumentos econômicos representam o incentivo para esta mudança de comportamento, visto que cada empresa ou indivíduo pode prover ganhos financeiros com a mudança de comportamento. Dessa maneira, o respeito e o alcance das metas de desenvolvimento sustentável são, no caso do instrumento econômico de gestão, obtidos não porque o indivíduo incorpora o ambientalismo em sua ética individual, mas porque este ator ganharia benefícios individuais com o alcance desses padrões, mesmo que a motivação para o desenvolvimento sustentável não estivesse presente na ética desse ator.
Assim sendo, o instrumento econômico apresenta impactos em ambos os tipos de atores. Entre aqueles atores que possuem o desenvolvimento sustentável em sua ética, estes instrumentos “premiariam” o comportamento ecologicamente correto e incentivariam que tais atores extrapolassem suas metas nas ações voltadas para a sustentabilidade. Para aqueles cujo desenvolvimento sustentável está incorporado, sobretudo, em nível de retórica e sua prática não atinge o mesmo grau de aplicação que o discurso, o instrumento econômico permite que este ator pratique ações e cumpra as metas de sustentabilidade, pois há incentivos individuais para a prática dessas ações. Os incentivos não dependem da ética do indivíduo, mas sim da busca pela maximização de interesses individuais.
Por outro lado, a implantação de instrumentos econômicos para a redução de emissões de GEE no Brasil, por exemplo, pode ser interessante, visto que o país ainda se encontra em processo de desenvolvimento. Há de se considerar que grande parte da
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população brasileira não alcançou um nível socioeconômico mínimo em que as pessoas, sobretudo as menos favorecidas, possam abrir mão de renda pela consciência de preservação ambiental.
Outro problema que pode ser apontado é que a rápida incorporação do discurso ambientalista pela sociedade brasileira não foi acompanhada, na mesma medida, por ações práticas, o que gera uma discrepância entre o discurso e a prática na questão ambiental. Essa discrepância fez com que os valores ambientalistas não fossem incorporados na ética dos indivíduos. Dessa forma, leis e normas relacionadas à sustentabilidade ambiental não são consideradas passíveis de aplicação e legitimas por parte da sociedade brasileira – especificamente por parcela de habitantes do bioma amazônico, condicionada pelo Estado desde o principio da colonização da região – a adotar valores e práticas exclusivamente desenvolvimentistas, em que o meio ambiente é visto como um entrave ao desenvolvimento.
Obviamente, o instrumento econômico a ser utilizado não dispensa que a ética da sustentabilidade seja incorporada pelos cidadãos. De fato, só uma mudança de valores pode garantir a sustentabilidade da ação humana a longo prazo. Contudo, a problemática ambiental apresenta um caráter emergencial e necessita de ações eficazes a curto prazo. Os instrumentos econômicos têm o potencial de serem mais eficazes e eficientes a curto prazo do que os instrumentos de comando e controle. A aplicação eficiente de instrumentos econômicos, tais como os pagamentos por serviços ambientais e o mercado de carbono, pode contribuir para reduzir emissões de GEE, visto que a mudança de uso da terra é o principal fator de contribuição no Brasil.