3 ACOMPANHAMENTO DOCENTE NO INÍCIO DA
4.3 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS E PERSPECTIVAS
Como forma de escutar as experiências dos sujeitos para responder o problema de pesquisa, utilizo como instrumento de coleta de dados a entrevista semiestruturada (APÊNDICE C), como maneira para a obtenção de informação após o término do PADI, buscando compreender se o espaço reflexivo proporcionado pelo programa influenciou a prática pedagógica dos professores participantes.
Para Triviños (1987), a entrevista é uma das mais importantes fontes de informação para um estudo de caso. As entrevistas podem adotar diversas formas, como a entrevista espontânea ou totalmente desestruturada, a entrevista focal e a entrevista de grupo de enfoque e até mesmo entrevistas estruturadas ou semiestruturadas.
A técnica de coleta de informações escolhida para as entrevistas deste trabalho de pesquisa foi à entrevista semiestruturada. Triviños (1987) afirma que a entrevista semiestruturada, para alguns tipos de pesquisa qualitativa, é um dos princípios básicos disponíveis para que o pesquisador realize a coleta de dados. O autor salvaguarda a entrevista semiestruturada porque acredita que essa, ao mesmo tempo em que valoriza a presença do pesquisador, oportuniza ao entrevistado em todas as instâncias possíveis a liberdade e espontaneidade necessárias para enriquecer a investigação.
Triviños (1987) esclarece que a entrevista semiestruturada parte de certos questionamentos fundamentais, amparados em teorias e hipóteses (que interessam à pesquisa) e que, em seguida, oportunizam um campo amplo de interrogativas, frutos de novas hipóteses que vão nascendo à medida que se recebem as respostas do entrevistado.
Por este motivo, Triviños (1987) afirma que as perguntas que compõem, em parte, a entrevista semiestruturada, na abordagem qualitativa, não originam a priori, mas são resultados não apenas da teoria que sustenta a ação do pesquisador, como também de toda as informações e observações, já pelo pesquisador recolhidas, sobre o fenômeno social que interessa.
O autor ainda afirma que, que ao utilizar esse tipo de entrevista, o pesquisador garante um emaranhado de informações imprescindíveis por meio da flexibilidade. Ou seja, através do diálogo, o entrevistado fica mais à vontade, por não ser um momento muito diretivo, e assim, se o pesquisador/entrevistador acreditar que é apropriado realizar perguntas que não estão no roteiro, pode adicioná-las, desde que sejam relevantes ao estudo.
O processo de análise do material empírico das entrevistas foi desenvolvido a partir da análise de conteúdo. Este método de análise permitiu compreender os diferentes aspectos envolvidos no contexto das influências na prática pedagógica dos professores iniciantes participantes do PADI.
Para Bardin (1995, p. 21), a análise de conteúdo:
[...] é um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visado, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, obter indicadores quantitativos ou não, que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) das mensagens.
Essa definição do autor caracteriza a análise de conteúdo com três peculiaridades fundamentais. A primeira delas está voltada em estudar as “comunicações” entre os homens, colocando ênfase no conteúdo das “mensagens”, principalmente a escrita, porque estas são mais estáveis e compõem o material objetivo em que pode-se voltar todas as vezes que necessário. Outro elemento fundamental é a “inferência” que fornece as informações das mensagens, ou seja, a análise sobre o material falado ou escrito. Por fim, a última peculiaridade desse método é “o conjunto de técnicas”, que permite classificar e codificar conceitos por meio de categorização das unidades que apresentam significado nas mensagens.
Bardin (1995) assinala que existem três etapas básicas no trabalho com a análise de conteúdo: pré-análise, descrição analítica e interpretação inferencial. A pré-análise é categoricamente a organização do material da pesquisa. No caso desta dissertação, foi a organização analítica do material do campo. Já a descrição analítica compõe o estudo mais aprofundado que busca a codificação, a classificação e categorização das hipóteses interligados aos referenciais teóricos que balizam a pesquisa. Por fim, a fase de interpretação referencial, que nesta pesquisa se tratou da reflexão sobre os materiais empíricos, estabelecendo relações com as influências na prática pedagógica de professores iniciantes que participaram de um programa de acompanhamento.
Nesse movimento orgânico de análise de conteúdo foram buscadas as unidades de significados das entrevistas que possibilitaram a criação das categorias de análise que, interpretadas à luz do referencial teórico, sustentaram a pesquisa.
5 CAMINHOS DA FORMAÇÃO: OS PRIMEIROS PASSOS PARA A DOCÊNCIA
Tanto quanto a educação, a investigação que a ela serve, tem de ser uma operação simpática, no sentido etimológico da expressão. Isto é, tem de constituir-se na comunicação, no sentir comum uma realidade que não pode ser vista
mecanicistamente compartimentada,
simplistamente bem “comportada”, mas, na complexidade de seu permanente via a ser (FREIRE, 1987, p. 57).
Para a construção deste capítulo, parto da reflexão sobre os caminhos percorridos pelos professores e os elementos formativos desde sua formação inicial até a entrada na carreira docente. Estes caminhos e elementos formativos são apresentados em dois subcapítulos: no primeiro, busco conhecer o perfil pessoal e profissional dos professores participantes desta pesquisa entendendo quais foram os primeiros passos que nortearam a escolha pela carreira docente no campo da educação física, bem como compreender os saberes mobilizados no percurso da formação inicial até o ingresso na carreira docente; no segundo, abarco a discussão da entrada do professor no âmbito escolar e seus medos, enfrentamentos e desafios diante do trabalho docente.
5.1 CONHECENDO OS PROFESSORES PARTICIPANTES DA