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Instrumentos e procedimentos de coleta de dados

No documento ANA PAULA DE MATOS OLIVEIRA (páginas 167-171)

CAPÍTULO 3: TRAJETÓRIA METODOLÓGICA DA PESQUISA

3.5 Instrumentos e procedimentos de coleta de dados

Para definir os procedimentos metodológicos que forneceriam informações significativas sob o objeto pesquisado, levamos em conta o método fenomenológico- hermenêutico e a abordagem qualitativa selecionados para a pesquisa, como ressaltado anteriormente.

Quando elegemos a SEE/DF como lócus de investigação, partimos do pressuposto que cabe aos gestores e equipes da Secretaria implementar as políticas e ações que contribuam para a eficiência de sua rede, bem como monitorar, coordenar e controlar o trabalho desenvolvido nas instituições de ensino. Desta forma, para investigarmos em que medida os dados da Prova Brasil são utilizados pela SEE/DF para regular a rede de ensino, utilizamos como procedimentos metodológicos: análise documental e entrevistas semi-estruturadas.

Entendemos que os documentos elaborados por determinado órgão ou instituição “constituem um fonte rica e estável de dados” (RAMPAZZO, 2002, p. 52). Dessa forma, a análise documental teve como propósito levantar informações nos documentos oficiais, disponíveis para consulta, que nos permitiram conhecer:

portarias, Projeto Básico da avaliação e relatórios publicados pelo Inep e MEC;

ii) na SEE/DF: o regimento interno da Secretaria, relatórios de gestão, portarias, leis e decretos que apresentem elementos relacionados à avaliação externa;

iii) no âmbito das unidades escolares: os projetos político-pedagógicos das duas instituições pesquisadas, o Regimento escolar, diretrizes de avaliação do processo de ensino- aprendizagem e relatórios com os resultados das avaliações externas (Prova Brasil e Siade).

Os dados levantados a partir da análise documental deveriam ser cruzados com a percepção dos atores da SEE/DF, pois a nossa intenção era compreender o processo de regulação da rede de ensino do DF via resultados da Prova Brasil, a partir da ótica de seus profissionais. Sendo assim, para conhecer o que os três níveis desse órgão fazem e pensam no que tange a avaliação nacional, elegemos a entrevista semi-estruturada.

Nossa opção por essa técnica de coleta de dados se justifica porque ela permite o levantamento de questões sobre os principais tópicos estudados e, ao mesmo tempo, o aprofundamento de outros elementos que surgem nas falas dos entrevistados. Na opinião de Lüdke e André (1986), a entrevista não é um instrumento com destino já fechado, ao contrário, ela ganha vida com o diálogo entre o entrevistador e o entrevistado, pois o potencial da pergunta não se encerra em seu limite.

A entrevista semi-estruturada foi norteada por um roteiro de entrevista, organizados em três eixos, variando de 14 a 16 perguntas que deram cobertura às questões da pesquisa. Para os atores de cada nível da SEE/DF elaboramos um tipo de roteiro, a saber: i) roteiro nível central (Apêndice C); ii) roteiro nível intermediário (Apêndice D); iii) roteiro nível local grupo 1, destinado à direção e coordenação pedagógica (Apêndice E); e iv) roteiro nível local grupo 2, destinado aos professores (Apêndice F).

De acordo com Triviños (1990), as questões selecionadas para compor o roteiro da entrevista semi-estruturada são resultantes de todas as informações coletadas sobre o fenômeno estudado.

Para solicitarmos o agendamento e autorização das entrevistas, entregamos nos setores selecionados, carta de apresentação, contendo em anexo, seus respectivos roteiro(s), tal como mencionamos no tópico 3.3.2. Antes do início de cada entrevista os participantes foram informados do objetivo do estudo, tempo médio de duração e organização do roteiro de entrevista. Também solicitamos e registramos a autorização dos sujeitos pesquisados, para a gravação da entrevista. De um conjunto de dezessete atores participantes, apenas três não

tiveram a entrevista gravada, os motivos disso e as estratégias adotadas foram: (i) indisponibilidade de tempo na agenda para conceder a entrevista presencial, o que levou dois sujeitos a optarem por responder, individualmente, o roteiro de entrevista entregue anexado à carta de apresentação e marcar um dia para sua entrega; (ii) constrangimento de um participante em ter sua declaração registrada, sendo preciso digitar sua declaração, o que demandou maior tempo na entrevista.

As questões foram apresentadas em uma ordem, forma e profundidade que dependiam do conhecimento, disposição e qualidade das respostas do entrevistado, além de considerar as circunstâncias de realização da pesquisa (DUARTE, 2009).

Todos os depoimentos gravados foram transcritos integralmente e enviadas para o endereço eletrônico disponibilizado pelos participantes, no intuito de possibilitar correção ou aprofundamento de algum relato. Todavia, das quatorze transcrições enviadas, recebemos o retorno apenas de um participante, que não realizou alterações. O entrevistado que teve a declaração digitada por nós a recebeu impressa para revisão e posterior assinatura da declaração de consentimento (Apêndice G). Os dois roteiros respondidos, individualmente, foram entregues da seguinte forma: um foi impresso e entregue pela secretária do entrevistado e o outro foi encaminhado via correio eletrônico.

A seguir, o Quadro 7 apresenta as informações sobre as entrevistas.

Código Entrevistado entrevista Tempo gravação Tempo Nº páginas transcritas Autorização Observação

GESTOR 1-NC ... ... 3 ... Roteiro preenchido GESTOR 2-NC ... ... 2 Escrita Roteiro preenchido GESTOR 3-NC 50 min. 27 min. 9 Gravada ...

GESTOR 1-NI 1h 25 min. 10 Gravada ... COORDENADOR 1-NI 1h40 47 min. 12 Gravada ... COORDENADOR 2-NI 1h20 46 min. 11 Gravada ... DIRETOR E1 1h 38 min. 12 Gravada ... PEDAGÓGICO E1 1h30 41 min. 11 Gravada ... PROFESSOR 1-E1 40 min. 24 min. 9 Gravada ... PROFESSOR 2-E1 50 min. 25 min. 8 Gravada ... PROFESSOR 3-E1 40 min. 23 min. 7 Gravada ... PROFESSOR 4-E1 1h30 40 min. 11 Gravada ... DIRETOR E26 1h30 32 min. 11 Gravada ... PEDAGÓGICO E26 2h 49 min. 13 Gravada ... PROFESSOR 1-E26 1h30 28 min. 10 Gravada ... PROFESSOR 2-E26 3h20 ... 7 Escrita ... PROFESSOR 3-E26 1h40 53 min. 16 Gravada ...

TOTAL 21h 8h30 162 ... ...

A seguir no capítulo 4 analisamos as possíveis interfaces da política de avaliação Prova Brasil nacional no âmbito da gestão empreendida pela SEE/DF e seus possíveis reflexos no trabalho das escolas.

CAPÍTULO 4: A PROVA BRASIL COMO INSTRUMENTO DE

No documento ANA PAULA DE MATOS OLIVEIRA (páginas 167-171)