3 METODOLOGIA
3.1 Instrumentos e procedimentos
O projeto foi a aprovado Projeto pelo Comitê de Ética e Pesquisas com Seres Humanos da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), sob o parecer nº 875.811, conforme Anexo I.A coleta de dados empíricos foi realizada no período de agosto de 2014 a março de 2015.
O gênero de história oral escolhido para a pesquisa foi a história oral temática, uma vez que é usada como técnica que articula os diálogos ou narrativas com outros documentos. Nessa técnica, quanto mais informações o pesquisador possuir, mais interessantes e profundas podem ser as questões, uma vez que a história oral temática está comprometida com o esclarecimento ou a opinião do entrevistador sobre algum evento definido, tornando a objetividade direta. A história oral temática se diferencia da história oral
de vida na medida em que detalhes da história pessoal do narrador interessam apenas quando revelam aspectos úteis à informação temática central (MEIHY, 2005).
Uma vez definido o gênero de história oral, partimos para a aplicação de uma Entrevista Semiestruturada às ex-jogadoras, de forma a obter os dados necessários para a realização do trabalho. Segundo Minayo (2012), esse tipo de entrevista combina perguntas fechadas e abertas e o entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre o tema em questão sem se prender à indagação formulada. Já Richardson (2008, p. 208), define o termo entrevista como o “ato de perceber realizado entre duas pessoas” e chama de entrevista não estruturada o desejo de “obter do entrevistado o que ele considera os aspectos mais relevantes de determinado problema: as suas descrições de uma situação em estudo”.
Segundo Henriques (2014), a entrevista é uma ação realizada por um ou mais entrevistadores e pode ser feita em áudio, vídeo, papel ou através do formato eletrônico (formulário de internet ou e-mail). Pode ser feita em estúdio, ao ar livre ou na casa do entrevistado. No caso desse trabalho, optamos pela entrevista temática, ou seja, voltada para um determinado escopo de projeto e com o objetivo de auxiliar o trabalho de campo da pesquisa. Assim, a relação do entrevistado com o entrevistador obedeceu aos princípios fundamentais que garantem uma entrevista bem sucedida: houve um papel ativo do entrevistador na produção da narrativa ao preparar cada ambiente de forma adequada, deixando o entrevistado à vontade para eternizar a sua história. Para que isso acontecesse o entrevistador se mostrou curioso, atento, disponível e o roteiro de entrevistas serviu apenas como um estímulo, já que as melhores perguntas surgiram da própria história que estava sendo contada. Não houve julgamentos e as entrevistas adquiriram um ritmo próprio tornando cada momento solene, de forma que o entrevistado não se sentisse como uma mera fonte de informações, mas como uma pessoa que vivenciou parte daquela história.
O roteiro de entrevista (Apêndice A) foi proposto pelo pesquisador e sua orientadora, de acordo com os objetivos da pesquisa e validado pelos integrantes do grupo de estudos GEFSS – Grupo de Estudos em Gênero, Educação Física, Saúde e Sociedade. Este roteiro foi organizado em três seções: a primeira versou sobre a inserção das atletas no esporte, da mesma forma que serviu para criar uma aproximação das entrevistadas com o entrevistador, tendo em vista que as atletas precisaram buscar na memória fatos marcantes de suas infâncias; a segunda sobre a permanência na modalidade voleibol foi a mais longa das três seções, com quase vinte perguntas relacionadas ao período em atuaram; e a terceira e última seção sobre as questões referentes à aposentadoria, como lembranças do momento em que pararam, por que e os desdobramentos dessa decisão.
Este roteiro semiestruturado orientou a realização das entrevistas com as onze jogadoras de voleibol que atuaram na década de 1980, recorte temporal da pesquisa. Em todas as entrevistas, o pesquisador utilizou o gravador Sony (make. believe), modelo IC Recorder ICD-PX312. Antes das entrevistas, foi solicitado às entrevistadas o preenchimento do perfil de cada atleta, localizado no roteiro de entrevista, além da leitura e consequente assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), bem como da Carta de Cessão de Direitos Autorais Sobre Depoimentos Orais, do Centro de Memória do Esporte (CEME), da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, conforme parceria dos grupos de estudos da UFJF e UFRGS. Após as entrevistas, o pesquisador solicitou a retirada de fotografias e presenteou cada ex-atleta com um pequeno kit composto por doces mineiros e um chaveiro que fazia alusão à cidade de Juiz de Fora, como forma de marcar positivamente a UFJF que viabilizou a realização da pesquisa.
Após a coleta dos dados, o pesquisador se dedicou às transcrições. Transcrever significa passar o conteúdo oral para o texto escrito. Cada pergunta e resposta deve ser redigida a partir da escuta paciente da gravação. Nesse processo devem ser resolvidas dúvidas em relação aos nomes citados e as grafias das palavras, levando-se sempre em conta que se trata de um documento histórico e, como tal, deve-se preservar ao máximo a fala do entrevistado. Contudo, é necessário que haja revisão ortográfica para corrigir eventuais erros sem desvalorizar a originalidade das narrativas. A pontuação da transcrição deve respeitar o ritmo da fala do entrevistado, mas não pode agredir as regras básicas da língua formal e quando houver qualquer demonstração de emoção deve-se identificar colocando entre parênteses. Todas essas orientações visam socializar as histórias, ou seja, tornar o acervo produzido disponível para quem se interessar (HENRIQUES, 2014).
As transcrições desse trabalho seguiram essas orientações, apesar de terem sido inicialmente transcritas por três grupos diferentes: alunas do grupo de pesquisa GEFSS (Grupo de Estudos de Gênero, Educação Física, Saúde e Sociedade), da UFJF e do qual o pesquisador faz parte; alunos do CEME (Centro de Memória do Esporte), da UFRGS, parceiro do nosso grupo de pesquisa e pelo próprio pesquisador. No entanto, após reunir todas as entrevistas transcritas, o pesquisador revisou cada uma de forma a seguir as orientações propostas acima, visando uma uniformidade. Ao proceder dessa maneira, acreditamos estar alinhados com as orientações de Thompson (1992), ao falar que o historiador precisa ao passar a fala para a forma impressa “desenvolver uma espécie de habilidade literária que permita que seu texto escrito se mantenha tão fiel quanto possível, tanto ao caráter quanto ao significado original”.
A última entrevista, porém, da atleta Lenice Peluso, apesar de seguir a mesma linha de transcrição foi realizada, via Skype, devido a impossibilidade de agenda entre as partes interessadas. Esta entrevista aconteceu no dia 27/03/2015, às 10h30minh, durou cerca de uma hora e meia. Foi a única dentre todas as entrevistas realizadas que não aconteceu ao vivo, fato que não comprometeu o desenvolvimento da entrevista e, consequentemente, da pesquisa.