• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO 2. FUNDAMENTAÇÃO CONCEITUAL

2.3 INSTRUMENTOS PARA A PROMOÇAO DA SUSTENTABILIDADE

Nos instrumentos de comando e controle, também conhecidos como instrumentos regulatórios, o poder público estabelece os padrões e monitora a qualidade ambiental, regulando as atividades e aplicando sanções e penalidades, via legislação e normas (PEREIRA, 1999 apud LEAL, 1997). Os instrumentos de comando-controle são considerados os padrões, licenças e ordenamento territorial:

a) Padrões: o agente que provoca a poluição é obrigado a reduzir as externalidades negativas (alteração adversa da qualidade ambiental) para padrões determinados pelo poder público e que correspondam à quantidade aceitável do ponto de vista social. Os padrões são quantidades toleráveis de poluição. Neste caso, a companhia mineradora, ou qualquer outro tipo de empreendimento ou atividade, que causar qualquer espécie de poluição deve reduzir as externalidades negativas para padrões definidos pelo governo como aceitáveis do ponto de vista social (JACQUES e POULIN, 2001).

41

b) Licenças: o governo emite permissões para o desenvolvimento de empreendimentos, condicionadas à algumas obrigações. O licenciamento ambiental é um processo para obtenção de licença para operar que reúne instrumentos preditivos de proteção socioambiental. O processo é constituídos por análises e estudos dos impactos ambientais, econômicos, sociais e culturais de um dado empreendimento.

c) Ordenamento territorial: segundo Magno (1998) o conceito aborda a distribuição territorial das atividades econômicas e o uso e ocupação da terra a partir da vocação da mesma. Desta forma, no ordenamento territorial há a organização da ocupação, uso e transformação do território por meio da conjugação de ações de governo com o mercado e com a sociedade civil para que exista a capacidade de implementação e administração dos processos decisórios incorporados nas políticas territoriais (SINTONI, 2001).

Para PEREIRA (1999) os instrumentos regulatórios se revelaram insuficientes, em alguns momentos, para interromper a degradação crescente da natureza, havendo a necessidade de complementar o enfoque normativo com o emprego de instrumentos econômicos (apud TARQÜÍNIO, 1994). Estes instrumentos de complementam e interagem para a promoção da performance sustentável.

Por sua vez, os instrumentos econômicos associam mecanismos de correção econômica (tributação corretiva) com medidas de controle administrativas e sistemas de decisão pactuada entre os diversos atores da sociedade civil. Este tipo de instrumento tem o objetivo de reduzir a regulamentação, dar maior flexibilidade aos agentes envolvidos perante alternativas, reduzir os custos de controle dos problemas ambientais e estimular o desenvolvimento de tecnologias mais limpas (PHILIPPI JR. et all. 2005 e VARELA, 2008).

Para Motta et al (1996) os instrumentos econômicos no âmbito socioambiental podem ser representados em:

 subsídios creditícios para atividades realizadas de forma ambientalmente amena;  isenção fiscal ou tarifária para atividades que cumprem as normas ambientais;  taxas sobre resíduos emitidos para desincentivar o despejo ao ambiente;  taxas vinculadas ao uso de recursos naturais visando evitar a exaustão;  impostos ambientais vinculados à taxação convencional;

 certificados de emissão ou direitos de uso comercializáveis;

42

 instrumentos de responsabilização legal ou securitização por danos.

Segundo Pereira (1999, p. 20) os instrumentos econômicos complementam os instrumentos de comando-controle:

“(...) sua essência reside no funcionamento do mercado, permitindo simultaneamente a flexibilidade de resposta por parte dos agentes poluidores. Em contrapartida, sob políticas de comando e controle, do tipo prescrição tecnológica, o poluidor não tem alternativas, a não ser a adoção da tecnologia prescrita. Sob a ação de instrumentos econômicos, um custo pela poluição é imposto ao poluidor, que pode escolher a maneira mais eficiente de responder a este custo. Desta forma, seria incentivada o atendimento a padrões ambientais mediante a busca da eficiência econômica interna”.

A teoria econômica neoclássica explica que o surgimento dos instrumentos econômicos surgiram com a reflexão a cerca dos efeitos nocivos dos processos produtivos que resultam em custos não integralizados nos preços dos produtos, os quais são repasssados à sociedade, denominados de externalidades. Estes custos sociais, não refletidos nos custos de produção, desencadeiam danos ao meio ambiente e à sociedade. Os instrumentos de comando-controle ao definir a responsabilidade legal, explicitam que tais custos podem ser internalizados a partir de diretrizes de políticas públicas e privadas, contudo demandam de um pesado aparelho administrativo e de capacidade de monitoração (MAY, 2005).

O uso de instrumentos econômicos nas políticas socioambientais complementam os esforços dos mecanismos de comando e controle. Para HADDA (2006) os instrumentos econômicos mais relevantes para a formulação e a execução das políticas de desenvolvimento sustentável, podem ser definidos e classificados de diferentes formas. Estes instrumentos pretendem estimular comportamentos de produção, de consumo e de investimento, no sentido da sustentabilidade ambiental, por meio de:

43

alteração direta dos níveis de preços e de custos: quando impostos diferenciados e taxas (de efluentes do usuário, de produto) são aplicados diretamente a produtos e aos processos que geram estes produtos, assim como quando sistemas de depósitos restituíveis são operacionalizados;

alteração indireta de preços e custos através de medidas fiscais ou financeiras: quando ocorrem subsídios diretos, financiamentos facilitados ou incentivos fiscais (de imposto de renda, de depreciação acelerada, etc.); bônus de desempenho ou aplicação de multas também podem ser incluídos neste item;

criação de mercados ou apoio a mercados: na criação de mercados, há instrumentos formulados a partir de legislação modificada ou de regulação (emissões de títulos negociáveis, esquemas de seguro para atender ao passivo ambiental, etc.); no apoio a mercados, há situações em que as autoridades públicas se responsabilizam pela estabilização de preços ou pela organização de determinados mercados (materiais secundários de reciclagem, estruturação de ecomercados, por exemplo).

Destacam-se os seguintes instrumentos econômicos: tributação ambiental, cotas transferíveis, subsídios à produção menos poluente, cauções e seguros ambientais, impostos e subsídios a equipamentos, processos, insumos e produtos, dentre outros.

Os instrumentos sociais notadamente elegem a participação popular como diretriz dentro de um sistema de gestão democrática proposto, com previsão Constitucional (CF/1988) no artigo 1°, parágrafo único, que disciplina a democracia representativa e participativa. Para a promoção deste instrumentos, são utilizados canais de participação das partes interessadas como, por exemplo, a audiência pública, projetos de comunicação social, projetos para a compensação de impactos socioambientais, projetos de educação ambiental, dentre outros, todavia destaca-se a relevância da audiência pública como instrumento de viabilização da “licença social" para operar por meio de um espaço de negociações com argumentações técnicas e de, notadamente, cunho socioeconômico e ambiental.

44

A licença social para operar fundamenta-se em três princípios (PWC, 2012a):

1. Legitimidade: baseada em normas estabelecidas, as normas da comunidade, que pode ser

legais, sociais e culturais e formais e informais de natureza;

2. Credibilidade: a capacidade de ser credível, fornecer informações verdadeiras e claras e

cumprindo com todos e quaisquer compromissos assumidos com a comunidade;

3. Confiança: verdadeira confiança vem de experiências compartilhadas com a comunidade, como consequência da legitimidade e credibilidade.