Q UALIDADE DE VIDA NO TRABALHO NA E UROPA D ISTRIBUIÇÃO E TENDÊNCIAS
5.7 Integração do trabalho com a vida familiar
As consequências que o desempenho de uma actividade profissional pode acarretar para a vida privada dos trabalhadores têm sido bem evidenciadas pela literatura, assim como a noção essencial de que a relação entre o trabalho pago e as outras esferas da vida comporta interferências mútuas (den Dulk et al., 2011: 25). De um modo geral, os efeitos positivos que o trabalho tem sobre a vida pessoal e familiar, assentes no aumento do capital social dos trabalhadores e das famílias e na garantia de um meio de rendimento, ultrapassam as suas
20 30 40 50 60 70 80 90 1995 2000 2005 2010
Poder escolher a ordem das tarefas Poder escolher os métodos de trabalho Poder escolher a cadência ou velocidade do trabalho Poder fazer uma pausa quando desejar Ter tempo suficiente para fazer o trabalho Velocidade de trabalho elevada Trabalhar em função de prazos rígidos
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consequências negativas, mas os danos que o trabalho pode exercer, nomeadamente quando longas horas de trabalho excluem os trabalhadores de uma participação mais activa noutros domínios da vida, afectam um vasto número de trabalhadores, constituindo uma dimensão central da análise da qualidade de vida (Prag et al., 2011: 87-89). Segundo o EQLS de 2011, 22% dos trabalhadores europeus afirmava ter problemas na conciliação do trabalho com a vida pessoal e familiar (Eurofound, 2012d: 63), um valor superior ao registado em 2010, que se situava nos 18% (Eurofound, 2012a: 90). Como se verá no ponto 5.10, poder conciliar o trabalho com a vida pessoal é um dos aspectos mais valorizados pelos trabalhadores europeus, situando-se geralmente em segundo lugar, logo a seguir à segurança do emprego.
Tal como noutras dimensões de qualidade do trabalho, a integração da vida profissional, pessoal e familiar deve ser entendida como um aspecto dinâmico, cujas implicações na vida dos indivíduos se fazem sentir de forma diferenciada ao longo do tempo, à medida que se avança na idade ou que se altera a situação familiar (Eurofound, 2012a: 89). É esta relação dinâmica entre trabalho e vida pessoal, com as diferentes necessidades ou recompensas ao longo do tempo, que motiva abordagens mais integradas que apelam à “integração” das várias esferas da vida, por oposição à procura de um “equilíbrio” difícil de alcançar quando, em determinadas fases da vida, as solicitações nos diversos domínios não se fazem a um nível equilibrado (Rapoport et al., 2002).
Embora todas as dimensões de qualidade do trabalho se relacionem entre si, a integração do trabalho e da vida pessoal e familiar está directamente associada à organização do trabalho, concretamente ao nível dos tempos e horários praticados, e com as políticas estatais de apoio à família. Longos tempos de trabalho e políticas públicas restritas constituirão, à partida, obstáculos a uma boa conciliação do trabalho com a vida pessoal, a que acrescem os efeitos da idade, sexo, ocupação ou situação familiar.
A redução dos tempos de trabalho como consequência da crise e o forte aumento do desemprego vieram reconfigurar as relações entre as esferas do trabalho e da vida pessoal, nomeadamente quanto à composição dos agregados familiares e respectivas rotinas. Sabe-se que independentemente da sua situação no mercado de trabalho, as mulheres continuam a exercer mais trabalho não pago do que os homens (Eurofound, 2012a: 94), o que se complementa com o menor número de horas de trabalho pago das mulheres, já referido no ponto anterior. Os dados mais recentes do ESS demonstram um aumento significativo no número de agregados familiares onde apenas a mulher trabalha. No caso português, de 2004 para 2010, esta percentagem passou de 2% para 16,5% (Wall e Aboim, 2012; Torres, Coelho e Carvalho, 2012). Sendo expressão da forma como o desemprego tem afectado os homens,
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esta transformação teve reflexo na distribuição do trabalho não pago, nomeadamente doméstico. Nos agregados onde o trabalho feminino é a única fonte de rendimento, o número de horas de trabalho doméstico dos homens tende a aumentar e o das mulheres a reduzir pesem embora algumas especificidades nacionais que contrariam esta tendência, das quais Portugal é um exemplo (Wall e Aboim, 2012; Torres, Coelho e Carvalho, 2012).
A redução da despesa com prestações sociais tem também vindo a agravar a forma como os trabalhadores articulam o trabalho com a vida pessoal nalguns países. Por exemplo, menor suporte institucional ao cuidado de dependentes gera maior interferência da vida familiar no trabalho, designadamente ao nível da gestão do tempo e do cansaço. Do mesmo modo, cortes salariais e relações de emprego mais inseguras têm impacto directo no bem-estar quotidiano das famílias.
5.7.1 Adequação dos tempos de trabalho aos compromissos sociais e familiares
Com o aumento da esperança média de vida e adiamento da parentalidade, a questão da idade revela-se particularmente importante na análise da integração da vida profissional, pessoal e familiar, sobretudo quando é cada vez mais comum que os trabalhadores mais velhos acumulem, em determinada fase da vida, a responsabilidade de cuidado dos filhos, com a de outros adultos dependentes (Beham, Etherington e Rodrigues, 2011: 127).
Também as assimetrias de género são especialmente relevantes na análise desta dimensão, uma vez que, sobretudo na esfera familiar, a maior ou menor satisfação e contribuição positiva que se pode retirar da articulação das diferentes esferas da vida tem uma relação directa com o papel que homens e mulheres desempenham no interior das unidades familiares e dos contextos de emprego e com os diferentes compromissos que homens e mulheres assumem perante o trabalho não pago.
Dados do EWCS confirmam também a distribuição desigual entre homens e mulheres quanto ao tipo de trabalho não pago realizado. As mulheres estão mais envolvidas na realização de tarefas domésticas e de cuidado com as crianças e/ou adultos dependentes do que os homens (figura 5.7.1.1), e os homens, por sua vez, dedicam mais do seu tempo fora do trabalho pago a trabalho voluntário, associativismo e actividades desportivas, culturais ou de lazer (figura 5.7.1.2). Portugal é um dos países onde as disparidades de género são mais notórias quanto aos usos do tempo, uma tendência que já tem sido demonstrada com dados anteriores e de outras fontes (Perista e Guerreiro, 2001; Perista, 2002; Perista, 2010). As figuras 5.7.1.1 e 5.7.1.2 ilustram como Portugal se distancia do total de países incluídos no inquérito e, mais particularmente, da Suécia (ver também anexo B, quadro 20). Não só as
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mulheres portuguesas se dedicam às tarefas domésticas e de cuidado com mais frequência do que a média dos países europeus, como a diferença no tempo afectado a estas actividades é consideravelmente superior em Portugal entre homens e mulheres. Os homens portugueses dedicam mais tempo a actividades não domésticas, como a trabalho voluntário e a desporto, cultura ou lazer, mas também a actividades de educação e formação, um domínio onde as mulheres tendem a ocupar mais tempo do que os homens na generalidade dos países europeus.
Dados do EQLS, de 2011, confirmam a persistência desta diferença de género no uso do tempo. Em Portugal, as mulheres ocupam em média 22 horas por semana no cuidado dos filhos, 15 horas semanais em trabalho doméstico e a cozinhar, e 11 horas a cuidar de idosos ou adultos dependentes. Respectivamente, os homens dedicam 15, 8 e 8 horas semanais nestas tarefas (Eurofound, 2012d: 58).
Figura 5.7.1.1 Usos do tempo fora do trabalho pago em Portugal, Suécia e no total de países europeus no
inquérito, por sexo e actividades domésticas e de cuidado, 2010 (%)
Fonte: EWCS, 2010. Inquiridos que declaram ocupar pelo menos uma hora diária, todos os dias, na realização destas tarefas.
Figura 5.7.1.2 Usos do tempo fora do trabalho pago em Portugal, Suécia e no total de países europeus no
inquérito, por sexo e actividades não domésticas ou de cuidado, 2010 (%)
Fonte: EWCS, 2010. Inquiridos que declaram ocupar pelo menos uma hora diária, todos os dias, na realização destas tarefas. 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 H M H M H M
Cuidado de crianças Cozinhar e tarefas domésticas Cuidado adultos/dependentes
PT SE Total 0 1 2 3 4 5 6 7 H M H M H M H M
Trabalho voluntário Associativismo Formação/educação Desporto/cultura/lazer
PT SE Total
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Se este desequilíbrio é originador de tensões nas mulheres empregadas, levando a um menor investimento na carreira ou à adopção de horários de trabalho menos exigentes para apoiar a vida familiar e doméstica, as pressões fazem-se também sentir nos homens que, sobretudo a meio das suas carreiras profissionais, entre os 35 e os 49 anos de idade, reportam mais conflitos na articulação trabalho-família do que as mulheres; 23% dos homens nesta faixa etária afirmam que os tempos de trabalho não se adequam aos seus compromissos sociais ou familiares (Eurofound, 2012a: 90). É também nesta faixa etária, que muitas vezes corresponde à entrada na parentalidade e/ou ao cuidado dos filhos pequenos, que mais mulheres afirmam ter problemas na relação entre a actividade profissional e a vida pessoal e familiar (Eurofound, 2012a: 90). A partir dos 50 anos de idade, e apesar de muitos trabalhadores terem de conjugar o cuidado dos filhos com o de outros dependentes adultos, os níveis de má adequação entre os tempos de trabalho e os compromissos sociais e familiares decrescem, o que se pode dever a condições de trabalho assentes em menos horas, ou a uma situação de maior estabilidade do emprego, associada a esta faixa etária (Eurofound, 2012a: 90), como se viu no ponto 5.3. É também a partir dos 50 anos de idade que os níveis de satisfação com esta esfera da vida aumentam (Beham, Etherington e Rodrigues, 2011: 128). Quando se olha para a composição familiar, ter filhos aumenta sempre a dificuldade de adequação entre os tempos de trabalho e os compromissos sociais e familiares, sobretudo nas
famílias onde os dois membros do casal trabalham.52 Nas famílias com filhos onde apenas o
homem trabalha, ou onde a mulher trabalha parcialmente, as mulheres não apresentam tanta dificuldade de adequação, embora os valores sejam bastante elevados para os homens (Eurofound, 2012a: 90).
O ponto 5.6 demonstrou como se tem evoluído, no contexto europeu, no sentido da redução dos tempos semanais de trabalho. De facto, na relação entre o trabalho e a vida pessoal, o tempo passado a trabalhar revela ser uma variável estruturadora da qualidade de vida no geral. Dados do EWCS demonstram que os trabalhadores em regime de tempo parcial são os que apresentam menores conflitos na adequação entre o trabalho e a família, ao contrário dos que trabalham mais horas, que afirmam ser difícil adequar os tempos de trabalho aos compromissos familiares e sociais (Eurofound, 2012a: 91). No entanto, esta relação varia quando se acrescentam outros tipos de variáveis. Por exemplo, a necessidade de
52 Na EWCS de 2010, esta foi a composição do agregado familiar predominante, seguida pelos agregados
compostos por casais onde o homem trabalha a tempo inteiro e a mulher em regime de tempo parcial (Eurofound, 2012a: 25).
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reduzir os períodos de trabalho surge com mais evidência nos trabalhadores com crianças a cargo (Eurofound, 2012a: 94).
Quando se analisam os grupos ocupacionais no total dos países europeus, verifica-se que são os operadores de instalações e máquinas e os trabalhadores de montagem, os quadros superiores e o pessoal dos serviços e vendedores os que têm mais dificuldade na adequação dos tempos de trabalho aos compromissos sociais e familiares (figura 5.7.1.3). Se no caso dos quadros superiores e do pessoal dos serviços há uma relação directa com o número de horas trabalhadas, comparativamente elevadas nos dois grupos, nos operadores a dificuldade parece residir mais na natureza do trabalho e na forma como o trabalho é organizado, por exemplo, pela elevada incidência de trabalho por turnos, já que as horas de trabalho nesta ocupação não são das mais elevadas, como se viu no ponto anterior. A questão dos tempos de trabalho e da sua relação com a integração de diferentes esferas da vida desenvolve-se, assim, também em torno da organização do trabalho e não apenas das horas de trabalho em si.
Como já foi referido, é crescente o número de organizações que oferecem modalidades flexíveis de gestão dos tempos de trabalho aos seus trabalhadores. A questão da flexibilidade não deixa, contudo, de ser controversa. Se é verdade que pode facilitar a vida dos trabalhadores, também é certo que nalguns casos é preferível que os horários de trabalho sejam previsíveis, para que estes possam responder a solicitações de outras organizações ou instituições, como escolas ou organismos públicos, cujos horários são, habitualmente, regulares (Eiken, 2008). Nesse sentido, há também indicadores de que quanto menos regulares forem os horários de trabalho, mais conflitos de conciliação sentem os trabalhadores (Eurofound, 2012a: 89, 91).
Verificam-se também diferenças de género no interior das profissões, com os homens a apresentar sempre níveis de adequação mais difíceis do que as mulheres, com a excepção dos trabalhadores das forças armadas, onde o sentido se inverte (figura 5.7.1.3).
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Figura 5.7.1.3 Adequação difícil entre os tempos de trabalho e os compromissos sociais e familiares, por sexo e
ocupação, Europa, 2010 (%)
Fonte: EWCS, 2010. Respostas “Não muito bem” e “Nada bem” à questão “De um modo geral, o seu horário de trabalho adapta-se aos seus compromissos familiares ou sociais fora do seu trabalho muito bem, bem, não muito bem ou nada bem?”
É sobretudo nos países europeus fora da UE que se registam os níveis mais difíceis de adequação, com a excepção da Grécia, onde, em 2010, 34,5% da população afirmava não conseguir adequar os tempos de trabalho aos compromissos sociais e familiares (anexo B, quadro 21). Em Portugal este indicador situa-se nos 19,1% no total do país, sendo mais elevado no pessoal dos serviços vendedores e nos quadros superiores. Apesar de as mulheres quadros superiores portuguesas serem das que mais horas trabalham na Europa, são as operárias a sentir mais dificuldades de acordo com dados do EWCS de 2010, logo seguidas das trabalhadoras dos serviços e vendedores e das técnicas e profissionais de nível intermédio. Este é um dado que se pode dever a opções diferenciadas no que diz respeito à vida familiar, nomeadamente de adiamento da maternidade no caso das profissionais mais qualificadas e no recurso mais generalizado a apoios domésticos profissionalizados. Os homens portugueses, à semelhança da generalidade dos europeus, dizem sentir mais dificuldades do que as mulheres, sendo estas especialmente visíveis no grupo dos quadros superiores (anexo B, quadro 21). Ao encontro dos resultados de outras pesquisas (Guerreiro e Carvalho, 2007: 160-161; Guerreiro e Rodrigues, 2009: 96-97; Szucs et al., 2011: 106-107), países com menos horas médias de trabalho semanal, são aqueles onde menos trabalhadores dizem sentir dificuldades na adequação dos tempos nas várias esferas da vida, sendo disso exemplo a Dinamarca, Noruega, Holanda, Suécia ou Finlândia, (anexo B, quadro 21).
Em 2011, dados do EQLS demonstravam também que 49% dos trabalhadores portugueses afirmavam chegar a casa demasiado cansados para realizar tarefas domésticas, 27% consideravam ter dificuldades em responder às responsabilidades familiares devido ao tempo passado no trabalho e 17% declaravam ter dificuldades de concentração no trabalho
0 5 10 15 20 25 30 35 Quadros superiores da AP, dirigentes e quadros superiores de empresa Especialistas das profissões intelectuais e científicas Técnicos e profissionais de nível intermédio Pessoal administrativo e similares Pessoal dos serviços e vendedores Agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura e pescas Operários, artífices e trabalhadores similares Operadores de instalações e máquinas e trabalhadores de montagem Trabalhadores não qualificados
Forças Armadas Total
Total Homens Mulheres
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devido às responsabilidades familiares, estando este último indicador acima da média europeia (Eurofound, 2012d: 61).
Se, acompanhando a tendência global de diminuição das horas de trabalho, menos trabalhadores europeus reportam uma adequação difícil dos tempos de trabalho, esta tendência é variável entre países. No caso português, por exemplo, entre 2000 e 2010, houve um aumento, ainda que ligeiro, no número de trabalhadores que tem dificuldades em ajustar os tempos nas diferentes esferas, tal como na Hungria, na Alemanha ou em França. Pelo contrário, na maior parte dos restantes países, a tendência foi contrária (figura 5.7.1.4).
Figura 5.7.1.4 Adequação difícil entre os tempos de trabalho e os compromissos sociais e familiares por país,
2000-2010 (%)
Fonte: EWCS, 2000, 2005, 2010. Respostas “Não muito bem” e “Nada bem” à questão “De um modo geral, o seu horário de trabalho adapta-se aos seus compromissos familiares ou sociais fora do seu trabalho muito bem, bem, não muito bem ou nada bem?”
No total de países europeus em estudo, 65% dos trabalhadores afirma não ser difícil tirar tempo livre do trabalho para resolver uma emergência na vida privada. Estes dados diferem, contudo, com o sector de actividade, sendo mais difícil no sector dos transportes, na saúde e a educação (Eurofound, 2012a: 62). Dos 35% que afirmam ser difícil, são também os operadores de instalações e máquinas que declaram mais dificuldade em tirar tempo do trabalho para responder a uma emergência da vida pessoal, seguindo-se o pessoal dos serviços e vendedores e os especialistas das profissões intelectuais e científicas (figura 5.7.1.5). As mulheres especialistas das profissões intelectuais e científicas apresentam, contudo, valores muito elevados no que diz respeito à dificuldade de tirar tempo livre em caso de emergência. Portanto, se é entre os quadros superiores que a adequação dos tempos de trabalho é mais difícil, estes parecem conseguir mais facilmente responder a emergências familiares, o que se pode dever aos níveis mais elevados de autonomia no trabalho. Confirma-se assim que a autonomia é uma dimensão essencial na estruturação das várias dimensões da vida profissional. Esta é uma tendência muito sentida em Portugal, e menos verificada em países
5 10 15 20 25 30 35 40 45 BE BG CZ DK DE EE EL ES FR IE IT CY LV LT LU HU MT NL AT PL PT RO SI SK FI SE UK UE27 2000 2005 2010
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como a Suécia, onde não só o número de trabalhadores que considera difícil tirar tempo para resolver uma emergência é mais reduzido (15%), como as mulheres com mais dificuldade estão no pessoal dos serviços e vendedores (anexo B, quadro 22).
Figura 5.7.1.5 Dificuldade em tirar tempo do trabalho para resolver uma emergência pessoal por sexo e
ocupação, Europa, 2010 (%) Fonte: EWCS, 2010
Respostas “Algo difícil” e “Muito difícil” à questão “Diria que, para si, conseguir tirar uma ou duas horas durante o seu horário de trabalho para tratar de assuntos pessoais ou familiares é nada difícil, não muito difícil, algo difícil ou muito difícil?”
Um em cada três trabalhadores europeus tem de trabalhar no seu tempo livre, uma ou duas vezes por mês, para cumprir as suas obrigações laborais (Eurofound, 2012a: 93). Perto de 5%, contudo, afirma fazê-lo numa base diária (figura 5.7.1.6). Os agricultores, os especialistas das profissões intelectuais e científicas e os quadros superiores são os grupos ocupacionais onde mais trabalhadores o declaram (figura 5.7.1.6). Portugal aproxima-se da média dos países europeus em análise, registando no entanto valores mais elevados no que diz respeito aos quadros superiores. No contexto português, os quadros superiores, logo seguidos dos especialistas das profissões intelectuais e científicas, reportam ter de trabalhar no tempo livre mais frequentemente do que os outros grupos ocupacionais (anexo B, quadro 23). Nesta profissão, a proporção de mulheres portuguesas que trabalha frequentemente durante o tempo livre é, tal como na Roménia, a mais elevada dos países em análise (anexo B, quadro 23). As mulheres portuguesas dirigentes e que integram os quadros superiores das organizações enfrentam assim um conjunto de exigências acrescidas quando comparadas com as profissionais de outros países.
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 Quadros superiores da AP, dirigentes e quadros superiores de empresa Especialistas das profissões intelectuais e científicas Técnicos e profissionais de nível intermédio Pessoal administrativo e similares Pessoal dos serviços e vendedores Agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura e pescas Operários, artífices e trabalhadores similares Operadores de instalações e máquinas e trabalhadores de montagem Trabalhadores não qualificados
Forças Armadas Total
Total Homens Mulheres
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Figura 5.7.1.6 Trabalho frequente durante o tempo livre por sexo e ocupação, Europa, 2010 (%)
Fonte: EWCS, 2010
Respostas “quase todos os dias” à questão “Nos últimos 12 meses, com que frequência lhe aconteceu trabalhar durante o seu tempo livre para dar resposta a exigências do seu trabalho ?”
O tempo despendido em deslocações de e para o trabalho é também um factor essencial na consideração do bem-estar dos trabalhadores. Esta é uma dimensão que retrata bem a multidimensionalidade do conceito de qualidade de vida, já que, nos efeitos que as distâncias entre casa e trabalho podem implicar, estão incluídas as infraestruturas de apoio locais ou a política territorial de apoio aos trabalhadores, nomeadamente quanto aos transportes. As especificidades de cada contexto de trabalho ajudam assim a explicar melhor este tipo de interferência. Portugal, por exemplo, é um dos países onde a população mais considera que os transportes públicos são de difícil acesso, ao contrário da Suécia onde as avaliações da rede pública de transportes são geralmente positivas (Eurofound, 2012e).
Ainda assim, é possível verificar que na Macedónia, Roménia, Hungria, Irlanda ou Estónia, mas também o Reino Unido, mais de 10% dos trabalhadores demora mais de 1h30