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Intervenientes que participam no processo avaliativo.

X) Tempo: ocupar grande parte do tempo na realização de tarefas, isto é, implicar maximamente os alunos na realização de actividades

2- No âmbito do disposto no número anterior, o professor: a) Assume-se como um profissional de educação, com a função específica de ensinar,

1.2.2. Intervenientes que participam no processo avaliativo.

No que diz respeito aos agentes que devem intervir na avaliação, Pérez-Goméz (1992, cit. por Nunes, 2000 p.6), começa por salientar a importância da reflexão, como essência de todo o processo, porque “implica a imersão consciente do homem no mundo da sua experiência, num mundo carregado de conotações, valores, intercâmbios simbólicos, correspondências afectivas, interesses sociais e cenários políticos”. Porém, e como complementa Jorge Nunes (2000, p.9),”nenhuma reflexão é válida se for apenas auto construída de forma solitária pelo actor”. Assim, o professor apesar de ser, julgo eu, por princípio, consciente, responsável, honesto, dedicado e

preocupado com a apreciação e melhoria contínua e global do seu desempenho e por mais rico que seja o seu universo pessoal, académico e profissional, toda a reflexão deve ser interna e complementada com observações e pareceres externos, só assim é integral e relativamente objectiva. Joaquim Azevedo (2001), corrobora esta posição realçando que a autoavaliação, por si só, é insuficiente e pode ser um factor de descrédito para os docentes, que insistem na rejeição de apreciações do seu desempenho por elementos exteriores à classe. Nos antípodas deste ponto de vista temos, Elliott, (1978, cit. por Day, 1999) que contrapõe da seguinte forma:

“Qualquer processo genuíno de responsabilização pressupõe que os sujeitos são capazes de agir de forma responsável e autónoma. A imposição de restrições e controlos diversos, através de uma supervisão externa, não é coerente com um processo genuíno de responsabilização (…) A associação entre supervisão externa e responsabilização é uma tentativa para legitimar o controlo social sobre a profissão docente e para influenciar através de processos de poder coercivos, e não de processos racionais.”

Este autor britânico surge na linha de pensamento referida na parte inicial deste capítulo, em que se considera a avaliação um acto de observação descritiva com intuitos indicativo e formativo. Porém, vai mais longe, ao defender que esse procedimento não exige, antes prescinde, da intervenção de elementos externos. Uma autoavaliação, reflexiva, consciente, responsável e feita com base em grelhas predefinidas, é suficiente para o professor detectar as suas lacunas e procurar isoladamente ou, voluntariamente, em conjunto com outras entidades, as soluções alternativas para dar resposta às situações concretas que se lhe deparam no seu quotidiano educativo.

Em resumo, se a opção for a primeira, ou seja, não restringir a avaliação ao avaliado, através de uma autoavaliação reflexiva isolada, deve-se procurar os melhores participantes externos no processo de avaliação, de forma a garantir a sua viabilidade e validade. Como refere a propósito Angelina Carvalho (2001, p.46), “ o avaliador ganha um poder enorme, sejam quais forem os critérios, pois estes podem ser interpretados de maneiras díspares e sempre aceitáveis.” E prossegue mais adiante sublinhando “ (…) é necessário

deontologia que assegure isenção, imparcialidade, clareza no método e transparência na apresentação dos resultados.”

Neste âmbito, e pela sua preponderância, seleccionei, segundo alguns estudos de especialistas na matéria e experiências educativas concretas, os seguintes intervenientes que podem participar e intervir directamente na avaliação formativa e sumativa do professor:

a) Um colega de profissão por ele escolhido, habitualmente denominado o «amigo crítico» que acompanha a actividade docente do professor e sobre a qual presta um conjunto de serviços, tais como observação e análise de aulas e respectiva planificação com as intrínsecas experiências de aprendizagem, recursos utilizados e instrumentos de avaliação, assim como nas actividades extracurriculares (Day, 1999);

b) O órgão de gestão das escolas, conforme vários modelos europeus, incluindo o português, que inicialmente delega, numa comissão de professores, a análise do relatório crítico elaborado pelo professor avaliado, sobre o qual é dado um parecer que é confirmado ou rejeitado pelo órgão de gestão, conforme a legislação em vigor;

c) Um grupo de colegas do mesmo grupo docente que segue de perto o desempenho do professor, seguindo o modelo da formação inicial e também uma prática recente de observação e análise conjunta de aulas, denominado «Estudos de Aula» muito em voga no Japão (Cardoso, Jornal a Página da Educação, nº161; 2006, p. 21);

d) Um agente determinado pela tutela central ou local da educação, preferencialmente com formação especializada em supervisão pedagógica, que faz visitas periódicas aos estabelecimentos de ensino, elaborando relatórios detalhados da vida da escola e da actividade lectiva e não lectiva do corpo docente. Ou seja, a base da avaliação do trabalho desenvolvido pelo professor é a inspecção regular da sua actividade pelos órgãos responsáveis pela política educativa, sejam eles locais ou centrais;

e) Ou ainda, uma conjugação de elementos que pode congregar vários dos agentes acima referidos, permitindo um manancial de informações mais

aprofundado e abrangente e, por isso mesmo, uma avaliação mais rica, detalhada, mais participada e menos falível.

Todavia, e como sublinha João Barroso (1990, cit. por Simões, 2000), seja qual for a opção, estamos perante uma avaliação estratificadora que estará sempre ferida pela impossibilidade real da uniformização de critérios em contextos sempre tão diversos. Adiciono a esta impossibilidade técnica e prática, o facto da educação ser uma acção que se realiza conjugando valores, saberes, ideais e opções, que a própria lei prevê particulares e específicos ao meio em que se inserem ao criar os Projectos Educativos de Escola; Projectos Curriculares de Escola e subsequentes Projectos Curriculares de Turma. Tudo isto parece contraditório, mas desde sempre, as dimensões políticas e ideológicas da educação foram tidas como consubstanciais à acção pedagógica, para o melhor e para o pior. Será possível avaliar fora destas dimensões? O que sustenta realmente o discurso da “medição” dos professores? Daqui resultam outro conjunto de questões para reflexão. Neste âmbito, em que a sociedade pretende uma maior participação em todo o processo educativo, incluindo a avaliação docente, Manuela Teixeira (1995, p. 87), expõe em tom irónico: “O professor tem um mandato da sociedade para educar, instruir e preparar as novas gerações atribuindo-lhe um papel análogo ao do missionário e ao do sacerdote”. Ou seja, é a sociedade que elabora os critérios, que constrói os instrumentos e que atribui o papel que o professor deve ter no sistema, é ela que tem, nesta situação de crescente intervencionismo, o direito quase exclusivo de determinar como deve ser a avaliação do desempenho docente. A autora prossegue (idem, p.88) apontando a sociedade (através do Estado Central, pais, Gestão profissional escolar e Autarquias) como condicionadora activa da acção e desempenho do professor, e por isso mesmo, também definidora da melhor forma de o avaliar. O professor deverá ficar de fora do processo enquanto auto-avaliador e passa a ser apenas mero objecto da avaliação. Este tipo de avaliação é, tal como outras, discutível, mas começa a ganhar um número considerável de adeptos.

Como é de calcular, e sem surpresas, alguns deles exteriores à classe docente.

Recordo a propósito da participação no processo de avaliação, as palavras de Licínio Lima (1992 p. 45):

“Qualquer tipo de participação acarreta inconvenientes e não só vantagens. Nenhuma forma de participação é completamente satisfatória e isenta de desvantagens: não se podem menosprezar as dificuldades inerentes. A participação não garante necessariamente uma gestão mais eficaz e competente. Contudo a participação deve ser entendida como um valor, expressivo, irredutível, defensável do ponto de vista ético e moral porque a participação visa objectivos mais vastos que a eficácia.”

Complemento esta síntese lapidar, afirmando que a participação, apesar de não ser a solução para todos os problemas, deve ser promovida, amplificada, aprofundada e alargada ao maior número de agentes possível, é uma forma de responsabilização da comunidade e um contributo para a eficiência do sistema de avaliação. Mas nunca se poderá cair na tentação de excluir o próprio sujeito da avaliação – o professor – ou subalternizar a sua opinião e capacidade reflexiva e regeneradora. Licínio Lima (1988, p.22) reforça essa ideia lembrando que “o conceito de participação surge geralmente associado ao conceito de democracia”.