Como forma de avaliar a atuação da FINEP na distribuição dos recursos do Governo Federal sob sua responsabilidade nas regiões, optou-se por segmentar a análise dividindo-a em dois períodos, em função das fontes de disponibilização dos dados: entre 1975 e 1994, a partir de informações contidas nos respectivos Relatórios de Atividades da FINEP; e de 1999 a 2006, com informações disponibilizadas no documento “Fundos Setoriais – Relatório de Execução Orçamentária e Financeira de 1999 a 2006”, realizado pela Secretaria Executiva do Ministério da Ciência e Tecnologia (BASIL, 2007)3 .
a) Investimentos realizados pela FINEP entre 1975 e 1994
Tendo por base a população residente, constata-se, a partir dos dados dos Gráicos 1 e 2, que o Sudeste obteve, para todos os anos analisados da série histórica de 1975 a 1994, valores de investimentos da FINEP com recursos do FNDCT/PADCT acima do indicador do Brasil, variando entre 132% (1975) e 205% (1979) e, em média, 176%, equivalentes a R$4,64/hab.ano. De forma contrária, o Nordeste obteve valores de investimentos abaixo do índice brasileiro em todos os anos analisados, variando entre 9% (1979) e 48% (1988) e, em média, 23% do Brasil, correspondente a R$0,60/hab.ano. Também o Sul, à exceção do ano de 1994 (107%), recebeu recursos do FNDCT abaixo do indicador nacional. Em média, essa região obteve valor idêntico ao Norte (R$1,31/hab.ano), correspondente a 50% do índice nacional. Para o Norte, os indicadores variaram entre 0% (1975) e 292% (1978). Já o Centro-Oeste obteve índices que variaram entre 5% (1980) e 587% (1975), tendo, em média, 113% do indicador nacional, ou R$2,98/hab.ano.
3 Para os anos de 1983, 1989 a 1992 e de 1995 a 1998, não se teve acesso aos dados das aplicações dos recursos do FNDCT pela FINEP de forma regionalizada.
Observa-se também, a partir do Gráico 1, que os investimentos per capita do Brasil tiveram tendência decrescente entre 1975 e 1994. Isto foi decorrente, em parte, da crise inanceira pela qual atravessou o País a partir da década de 1980.
Considerando o esforço concentrado dos investimentos do FNDCT e do PADCT pela FINEP no Sudeste nas décadas de 1970 e 1980, sem considerar outras fontes, indaga-se o quanto isto contribuiu para a estruturação e o fortalecimento das atividades de PD&I e formação de quadros humanos nessa região, em detrimento das demais. Para se ter uma ideia do volume de recursos envolvido, calcula-se que os investimentos do FNDCT e do PADCT juntos entre 1970 e 1989 corresponderam a cerca de R$ 8 bilhões4, a preços
de dezembro de 2007. Com base na média anual destinada para o Sudeste de 4 De acordo com a FINEP, os desembolsos do FNDCT de 1970 a 1989 corresponderam a NCz$ 25.903.719 mil e do PADCT a NCz$ 415.895 mil, a preços de dez.1989 (FINEP, 1990, p. 43). A atualização para dez.2007 foi realizada pelo IPCA (índice dez.1989 = 0,0032294; índice dez.2007 = 2.731,62). Para conversão das moedas dos dois períodos, utilizou-se o fator 2.750.000.
76,2%5 , estima-se que esta região tenha absorvido cerca de R$ 6,10 bilhões
desse montante, enquanto o Nordeste foi contemplado com recursos da ordem de R$ 0,52 bilhão (6,5%) e o Norte com apenas R$ 0,21 bilhão (2,7%). O Sul (R$ 0,60 bilhão – 7,5%) e o Centro-Oeste (R$ 0,57 bilhão – 7,1%) tiveram participações semelhantes entre si.
A partir destes dados, ica evidente que o Governo Federal adotou uma política de PD&I contrária à diminuição das disparidades inter-regionais nas décadas de 1970 e 1980, baseadas na premissa de que as atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação são fundamentais para fomentar o crescimento econômico, conforme aludido no referencial teórico (Tópico 2).
b) Investimentos realizados pela FINEP entre 1999 e 2006, com recursos dos Fundos Setoriais
5 Calculado através da média dos investimentos realizados em cada região de 1975 a 1988 (exceto 1983, por os dados não estarem disponíveis de forma regionalizada), obtidos nos Relatórios de Atividades da FINEP dos respectivos anos, atualizados pelo IGP para dez.1989 (FINEP, 1990, p. 43).
0 2 4 6 8 10 R $/ h a b i t a n t e Norte - 0,97 0,88 1, 21 0,99 2, 50 2,57 4,07 Nordes te - 1,70 1,87 1, 38 1,31 2, 20 2,13 2,89 Sudes te 0, 93 1, 41 3, 48 3, 63 6, 50 5, 04 6, 54 8, 45 Sul - 0,64 3,67 1, 93 2,78 4, 32 3,21 4,00 C.- Oes te - 1,06 3,58 4, 22 5,56 4, 50 7,00 7,82 Bras il 0, 40 1, 32 2, 86 2, 60 4, 01 3, 91 4, 55 5, 86 1999 2000 2001 2002 2003 2004 20052006
Gráfico 3 - Inve stime ntos per capitados Fundos
Se toriais nas re giõe s, de 1999 a 2006
Fonte : Elaboração própria a partir de dados do MCT e IBGE. N otas : 1) Aplicações dos Fundos Setoriais atualizadas para
dez.2007 pelo IPCA; 2) Foram desconsiderados os investimentos que não puderam ser reginalizados (Brasil = soma das regiões)
Re g i ãoÍnd. mé di os anuais Re g iãoÍnd. mé di os anuais (R$ / hab.)% B r (R$ / hab.)% B r Norte 1 ,6 5 5 2 S ul 2 ,5 7 8 1 Nordes te 1 ,6 9 5 3 C.-Oe s te 4 ,2 2 1 3 2 S ude s te 4 ,5 0 1 4 1 B ras i l 3 ,1 9 1 0 0 - 50 100 150 200 250 P r o p o r ç ã o d a m é d i a b r a s i le i r a ( B r a s i l = 1 0 0 ) Norte - 73 31 47 25 64 57 69 Nordeste - 129 65 53 33 56 47 49 Sudeste 234 107 122 139 162 129 144 144 Sul - 48 128 74 69 111 71 68 C.-Oeste - 80 125 162 139 115 154 133 19992000200120022003200420052006
Gráfico 4 - Proporção relativa à média do Brasil dos
investimentos per capita dos Fundos Setoriais nas
regiões, de 1999 a 2006
Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Gráfico 3. Os dados alusivos a este tópico referem-se ao total dos recursos dos Fundos Setoriais aplicados desde 1999, ano em que foi iniciada a sua operacionalização. A FINEP, apesar de ser a Secretaria Executiva dos Fundos Setoriais,
compartilha parte desses recursos com outras entidades (CNPq, Ministérios etc.) para que estas executem as suas ações na área de PD&I. Os dados aqui utilizados não se referem, portanto, aos investimentos exclusivos da FINEP, mas ao total dos recursos aplicados no âmbito dos Fundos Setoriais.
Considerando os investimentos per capita dos Fundos Setoriais, as regiões mais beneiciadas foram o Sudeste (141%), correspondendo, em média, a R$ 4,50/hab.ano e o Centro-Oeste (132%), equivalente a R$ 4,22/hab.ano. Em seguida, mas abaixo da média nacional, vem o Sul (81% – R$ 2,57/hab. ano) e praticamente empatados em último lugar o Nordeste (53% – R$ 1,69/ hab.ano) e o Norte (52% – R$ 1,65/hab.ano). Quanto à regularidade dos investimentos per capita dos Fundos Setoriais nos anos analisados, constata-se que todas as regiões apresentaram crescimento, lideradas pelo Centro-Oeste (Gráico 3). No Gráico 4, pode-se perceber de forma mais nítida, como proporção da média brasileira, a participação de cada uma das regiões, donde se constata a primazia do Sudeste, seguido do Centro-Oeste, nesta ótica de análise.
O montante de recursos dos Fundos Setoriais aplicados de 1999 a 2006 correspondeu a R$ 4.548,9 milhões, a preços de dez.2007, atualizados pelo IPCA. Deste total, R$ 2.735,4 milhões (60,1%) foram investidos no Sudeste, R$ 668,3 milhões (14,7%) no Nordeste, R$ 538,2 milhões (11,8%) no Sul, R$ 421,3 milhões (9,3%) no Centro-Oeste e R$ 185,7 milhões (4,1%) no Norte.
Os dados deste tópico revelam que houve uma relativa desconcentração na aplicação dos recursos administrados pela FINEP entre os dois períodos analisados: 1975-1994 e 1999-2006. Porém, ainda não foi suiciente para equiparar a participação das regiões menos favorecidas (Norte e Nordeste) à média brasileira dos investimentos per capita em PD&I.