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Justiça versus vingança na justiça retributiva

4 A RELAÇÃO ENTRE AMOR ÁGAPE E JUSTIÇA

4.1 Justiça versus vingança na justiça retributiva

Aristóteles ensinou que justiça não se confunde com retaliação, pois essa seria obrigar alguém ao mesmo sofrimento que teria infligido a outrem. Justiça se relaciona com retribuição, que vale também para o bem e para a troca comercial.262

Do ensinamento de Aristóteles extrai-se que a justiça de um ponto de vista subjetivo diz respeito a uma relação de igualdade proporcional entre pelo menos duas pessoas, porquanto “‘injusto’ é o que viola o princípio da proporção”.

Esse é o sentido da justiça distributiva, que se dá de acordo com o mérito de cada pessoa envolvida.263 Portanto, não se trata de igualitarismo, mas de igualdade proporcional.

A concepção aristotélica da justiça como virtude de distribuição e comutação com base na igualdade proporcional está relacionada, sem dúvida, à retribuição. O estudo dos modelos retributivos, desde a conhecida Regra de Talião, está na mesma base da discussão sobre justiça, ou seja, retribuir tal e qual a ofensa, o valor um pelo outro. Significa dizer que a proporcionalidade é, neste sentido, um fator essencial nas discussões sobre a justiça.264

Na verdade, a proporcionalidade aponta para uma espécie de racionalização (ou, pelo menos, de certa razoabilidade de relações), cujo limite pode ser explicitado pela presença, às vezes simultânea, de emoções e de razões nos modelos retributivos.265

261 TELLES JUNIOR, Goffredo da Silva. Estudos. 2.ed. São Paulo: Saraiva, 2016, p.168.

262 ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução do grego de Antonio Castro Caeiro. São Paulo:

Atlas, 2009, p.112-113.

263 ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução do grego de Antonio Castro Caeiro. São Paulo:

Atlas, 2009, p.110.

264 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Justiça como retribuição da razão e da emoção na construção do conceito de Justiça. Original publicado na Revista Brasileira de Filosofia, v.XLIV, Fasc. 192 out.-nov.-dez. São Paulo, 1998. Disponível em:

http://www.terciosampaioferrazjr.com.br/?q=/publicacoes-cientificas/180. Acesso em: 04 nov. 2018.

265 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Justiça como retribuição da razão e da emoção na construção do conceito de Justiça. Original publicado na Revista Brasileira de Filosofia, v.XLIV,

As teorias retribucionistas da pena se fundamentam no pressuposto de que o mal, especialmente o que é tido como crime, é uma violação de uma norma de valor absoluto. A pena tem o fim de reparar esse desequilíbrio e recompor a ordem perturbada. A pena é entendida como compensação, e tem, portanto, uma justificação ética, tem valor em si mesma, independentemente de considerações do tipo utilitarista.266

Mas há males tão terríveis praticados no mundo que exasperam a pessoa mais pacífica e fazem brotar o desejo de retaliar, de vingar o ato cometido. Então, como lidar com o conceito de justiça como retribuição sem cair no desejo de vingança? O próprio conceito de retribuição contido no sentido da justiça não deixa de ter, mesmo na busca da proporcionalidade, uma conotação de vingança, especialmente no que tange à pena do direito criminal.

Quando se observa o clamor de parte da sociedade pela redução da maioridade penal não é disso que se trata? Da emoção provocada pelo mal cometido que não encontra a correta retribuição?

A tentativa de racionalizar o sentimento de vingança é a tentativa de colocar limites à retribuição. Num Estado Democrático de Direito, deve-se obedecer tanto as disposições legais quanto a necessidade de investigações, processo, recursos, tudo o que não se suporta no mundo das emoções fortes, do desejo de satisfação.

Para tratar do tema ‘justiça e vingança’, Tercio Sampaio Ferraz Junior apresenta um estudo utilizando as imagens das deusas gregas Têmis e Diké, revelando dois modelos de retribuição ligados à justiça, um vertical e outro horizontal: “um visa à equiparação de uma pretensão e de uma contra-pretensão. O outro fixa-se numa hierarquia a ser protegida”.267

O modelo horizontal que seria representado pela deusa grega Diké demonstra uma justiça retributiva comandada primariamente pela razão, uma vez Fasc. 192 out.-nov.-dez. São Paulo, 1998. Disponível em:

http://www.terciosampaioferrazjr.com.br/?q=/publicacoes-cientificas/180. Acesso em: 04 nov. 2018.

266 PATTO, Pedro Maria Godinho Vaz. O princípio da fraternidade no direito: instrumento de transformação social. In: (Org.) PIERRE, Luiz Antonio de Araújo [et al.] Fraternidade como categoria jurídica. Vargem Grande Paulista, SP: Cidade Nova, 2013, p.19.

267 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Justiça como retribuição da razão e da emoção na construção do conceito de Justiça. Original publicado na Revista Brasileira de Filosofia, v.XLIV, Fasc. 192 out.-nov.-dez. São Paulo, 1998. Disponível em:

http://www.terciosampaioferrazjr.com.br/?q=/publicacoes-cientificas/180. Acesso em: 04 nov. 2018, p.369-389.

que busca o equilíbrio para assuntos menos “sagrados”, ou seja, ligados ao âmbito civil. Já o modelo vertical, representado por Têmis, demonstra a necessidade de justiça para repor a dignidade ofendida, situação que envolve emoções mais profundas, típicas do âmbito criminal.268

Tanto a expressão ‘balança da justiça’ como ‘espada da justiça’ são comuns na cultura brasileira, conforme representa a imagem da deusa grega Diké que segura a balança com a mão esquerda e tem, na direita, uma espada. São dois modelos que se interpenetram e se implicam e por isso justificam a dificuldade na definição entre o que é justiça e o que é vingança e das penas aplicáveis a cada um.

Prova disso foi, por exemplo, a dificuldade de ser aceita no ordenamento jurídico brasileiro a indenização pecuniária do dano moral, já que o prejuízo se dá Nicômaco, V.8, 1132 b 23-30), de aceitar o princípio de Talião ("olho por olho, dente por dente") como uma forma de justiça. A equivocada imparcialidade e razoabilidade desta fórmula o impedia de nela ver uma espécie quer de justiça cumulativa quer de justiça distributiva.

No fundo, era um princípio sem limites, incapaz de mover corretamente a balança (axion, valor). Não era medida, não cabia no equilíbrio de peso e contrapeso, próprio do modelo horizontal da retribuição que lhe serve de base para a concepção de justiça particular.271

268 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Justiça como retribuição da razão e da emoção na construção do conceito de Justiça. Original publicado na Revista Brasileira de Filosofia, v.XLIV, Fasc. 192 out.-nov.-dez. São Paulo, 1998. Disponível em:

http://www.terciosampaioferrazjr.com.br/?q=/publicacoes-cientificas/180. Acesso em: 04 nov. 2018, p.369-389.

269 BRASIL. Constituição Federal (1988). Artigo 5º. “X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;”

270 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Justiça como retribuição da razão e da emoção na construção do conceito de Justiça. Original publicado na Revista Brasileira de Filosofia, v.XLIV, Fasc. 192 out.-nov.-dez. São Paulo, 1998. Disponível em:

http://www.terciosampaioferrazjr.com.br/?q=/publicacoes-cientificas/180. Acesso em: 04 nov. 2018, p.369-389.

271 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Justiça como retribuição da razão e da emoção na construção do conceito de Justiça. Original publicado na Revista Brasileira de Filosofia, v.XLIV, Fasc. 192 out.-nov.-dez. São Paulo, 1998. Disponível em:

São muitas as dificuldades da justiça na fixação da pena. Há dificuldade de mensuração. No cálculo se pensa não apenas na retribuição. Há o caráter pedagógico, o fator de desestímulo, ou seja, a pena deve ser sentida pelo apenado como retribuição pelo malfeito e ter o condão de desestimular a prática de novo mal.

A sensação de impunidade na sociedade aumenta o sentimento de injustiça e o apelo por vingança. Não se pode olvidar que a emoção é o primeiro impulso a mover o ser humano.

O sentimento de vingança, deste modo, está sempre rondando a justiça, como quando se busca dar um caráter “pedagógico” à indenização por dano moral arbitrando-se valores exorbitantes, além do limite da efetiva compensação pecuniária.

É verdade que na justiça há um caminho partindo da emoção provocada pelo mal praticado. Todavia, ela busca fixar valores, equivalências, sair da indeterminação para a determinação, para a medida, o limite.

Conforme observa Tercio Sampaio Ferraz Junior:

Em Aristóteles prepondera, sem dúvida, o modelo horizontal da retribuição na determinação do equilíbrio. A justiça tem, assim, ostensivamente, algo a ver com a "razão proporcional" (ratio, logos) e exige deliberação, escolha deliberada. Sente o filósofo, contudo, a dificuldade que surge no modo distributivo da justiça que pressupõe hierarquia e, portanto, o reconhecimento de dignidades diferentes entre os cidadãos. A ordem hierárquica traz para dentro da igualdade proporcional o modelo vertical da retribuição. Mais ligado à emoção, este modelo perturba o equilíbrio proporcionado pela retribuição horizontal. Proporciona, ao conceito de justiça, um quid de irracionalidade.272

Por isso, não se pode afirmar que a vingança desapareceu completamente da sociedade contemporânea:

A aceitação atual da agressão, repressão e violência como base da retribuição parece algo do passado, de sociedades primitivas Contudo, a agressividade, perceptível na expressão latina vindex, que aproxima o vingador do que reclama a justiça (donde o sentido ambíguo de vindicare que deu, em português, vindicar e vingar), e os http://www.terciosampaioferrazjr.com.br/?q=/publicacoes-cientificas/180. Acesso em: 04 nov. 2018, p.369-389.

272 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Justiça como retribuição da razão e da emoção na construção do conceito de Justiça. Original publicado na Revista Brasileira de Filosofia, v.XLIV, Fasc. 192 out.-nov.-dez. São Paulo, 1998. Disponível em:

http://www.terciosampaioferrazjr.com.br/?q=/publicacoes-cientificas/180. Acesso em: 04 nov. 2018, p.369-389.

vigentes princípios islâmicos da pena, vigentes apesar da indignação que provocam no Ocidente, parece não ter desaparecido totalmente e, nos adeptos da pena de morte, não deixa de encontrar uma sutil presença.273

Nota-se que, na estrutura da vingança o foco está no ofendido. O olhar se volta para a vítima e em como reparar o mal causado até sua satisfação. A preocupação aqui é a de restaurar a situação anterior ao crime em sua plenitude, ou seja, há busca de plena satisfação. Nessa linha, a retribuição praticamente não tem fim, a pena não tem fim, é cruel pois o intuito é satisfazer a dor que emergiu do mal praticado.

Não obstante o aspecto emocional, passional e irracional da vingança, é inegável a exigência de planejamento e cálculo para chegar a seu objetivo. Não à toa, popularmente, diz-se que a vingança é “um prato que se come frio”, ou seja, tem seu aspecto de racionalidade.

Assim, na estrutura da justiça, o foco é no ofensor, no ato ilícito ou criminoso. A preocupação é em não ser cruel. Busca-se o retorno ao equilíbrio da balança, as variações dentro de limites, pois o intuito é encontrar a estabilização e parar o processo.

A figura do Estado como terceiro que intervém nessa relação e evita a vingança é o traço forte. Mas este limite para o restabelecimento do equilíbrio seria capaz de oferecer a satisfação completa ao ofendido? Na perspectiva do ágape, como pode ser entendida a pena, que é um mal aplicado para combater o mal cometido?

Segundo Pedro Maria Godinho Vaz Patto, há três correntes que analisam a finalidade da pena criminal na perspectiva cristã.

Para a primeira delas, na qual se inclui o Papa Pio XII, Michel Villey e Francesco D´Agostino, o retribucionismo pode ser entendido como uma exigência da lei natural e da ética cristã por reestabelecer o equilíbrio violado, assim como há também uma justiça divina retributiva. Para estes há inclusive um caráter expiatório da sanção penal, como a penitência cristã. Contudo, a pena deve ser uma reação

273 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Justiça como retribuição da razão e da emoção na construção do conceito de Justiça. Original publicado na Revista Brasileira de Filosofia, v.XLIV, Fasc. 192 out.-nov.-dez. São Paulo,1998. Disponível em:

http://www.terciosampaioferrazjr.com.br/?q=/publicacoes-cientificas/180. Acesso em: 04 nov. 2018, p.369-389.

racional e proporcional que não deve se confundir com a passionalidade da vingança.274

Em contrapartida, há uma segunda corrente para quem a paga do mal com o mal acaba tendo características de vingança de qualquer modo, o que não corresponde à visão bíblica de apelo à conversão e reconciliação. No âmbito penal, seriam traduzidas por reintegração social ou ressocialização, como uma oferta de possibilidades de adesão do condenado a valores fundamentais de convivência social. Somente assim seria efetivamente tutelada a dignidade humana.275

A terceira corrente nasceu do pensamento cristão de tradição protestante anglo-saxônica e criou a concepção de justiça restaurativa para superar o mero retribucionismo.276

Não se trata de deixar o mal sem resposta, o que geraria um desequilíbrio social e a conivência com o mal, o que é pior. Tampouco se trata de obrigar a vítima a perdoar. Trata-se de dar oportunidade de diálogo, de reconhecimento do erro, assunção de responsabilidades e fazer com as próprias partes e representantes da sociedade encontrem a melhor solução na verdade e no bem, que repare o mal de forma a preservar a dignidade dos envolvidos.

A própria Igreja Católica aprofundando-se em sua doutrina sobre a pena de morte, tendo em vista as reflexões feitas desde João Paulo II, passando por Bento XVI até Francisco, manifestou-se afirmando que até mesmo um homicida não perde a dignidade de ser humano. Segundo a Igreja, a supressão de sua vida nos tempos atuais atenta contra ela, já que foram desenvolvidos outros meios de proteger a sociedade. O tema ganhou destaque na carta da Congregação para a Doutrina da Fé, encarregada da revisão do item 2267 do Catecismo da Igreja Católica:

Se, de fato, a situação política e social do passado tornava a pena de morte um instrumento aceitável para a proteção do bem comum, hoje a consciência cada vez maior de que a dignidade de uma pessoa não se perde nem mesmo depois de ter cometido crimes gravíssimos, a compreensão aprofundada do sentido das sanções

274 PATTO, Pedro Maria Godinho Vaz. O princípio da fraternidade no direito: instrumento de transformação social. In: (org.) PIERRE, Luiz Antonio de Araújo [et alii]. Fraternidade como categoria jurídica. Vargem Grande Paulista, SP: Cidade Nova, 2013, p.20.

275 PATTO, Pedro Maria Godinho Vaz. O princípio da fraternidade no direito: instrumento de transformação social. In: (org.) PIERRE, Luiz Antonio de Araújo [et alii]. Fraternidade como categoria jurídica. Vargem Grande Paulista, SP: Cidade Nova, 2013, p.21.

276 PATTO, Pedro Maria Godinho Vaz. O princípio da fraternidade no direito: instrumento de transformação social. In: (org.) PIERRE, Luiz Antonio de Araújo [et alii]. Fraternidade como categoria jurídica. Vargem Grande Paulista, SP: Cidade Nova, 2013, p.21.

penais aplicadas pelo Estado e o desenvolvimento dos sistemas de detenção mais eficazes que garantem a indispensável defesa dos cidadãos, contribuíram para uma nova compreensão que reconhece a sua inadmissibilidade e, portanto, apela à sua abolição.277

A Igreja chegou a aceitar que houvesse a aplicação da pena de morte não como retribuição pelo crime cometido, mas no caso de ser a única maneira de proteger vidas inocentes de um agressor injusto. Todavia, seus líderes vêm reconhecendo que as sociedades desenvolveram outras formas de proteger-se, não sendo necessário tolher a vida nem mesmo dos piores criminosos, deixando sempre aberta a possibilidade para ele de mudança de vida.278

A referida declaração eclesial se encerra instando ao reconhecimento pelas autoridades políticas da dignidade de toda vida humana:

A nova formulação do n. 2267 do Catecismo da Igreja Católica quer impulsionar um firme compromisso, também através de um diálogo respeitoso com as autoridades políticas, a fim que seja fomentada uma mentalidade que reconheça a dignidade de toda vida humana e sejam criadas as condições que permitam eliminar hoje o instituto jurídico da pena de morte, onde ainda está em vigor.279

Tudo isso para dizer que a justiça é primordial, pois onde nem justiça há, não se pode falar em amor. Entretanto, do ponto de vista do ágape, será executada com adequação, purificando-se dos sentimentos de vingança, reconhecendo o mal causado e apurando as responsabilidades, sem deixar de alargar o olhar para reconhecer soluções que não incluem o ódio e o banimento, mas deixam a porta aberta à reconciliação e ao perdão.

277 CONGREGAÇÃO para a Doutrina da Fé. Carta aos Bispos sobre a nova redação do n. 2267 do Catecismo da Igreja Católica sobre a pena de morte emitida em 1º de agosto de 2018. Disponível em:

http://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2018/08/02/0556/01210.html#letterapo Acesso em: 04 nov. 2018.

278 CONGREGAÇÃO para a Doutrina da Fé. Carta aos Bispos sobre a nova redação do n. 2267 do Catecismo da Igreja Católica sobre a pena de morte emitida em 1º de agosto de 2018. Disponível em:

http://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2018/08/02/0556/01210.html#letterapo Acesso em: 04 nov. 2018.

279 CONGREGAÇÃO para a Doutrina da Fé. Carta aos Bispos sobre a nova redação do n. 2267 do Catecismo da Igreja Católica sobre a pena de morte emitida em 1º de agosto de 2018. Disponível em:

http://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2018/08/02/0556/01210.html#letterapo Acesso em: 04 nov. 2018.