1 INTRODUÇÃO 1.4 JUSTIFICATIVA, INEDITISMO E ORIGINALIDADE DA TESE Antes de focar nas questões deste tópico, torna-se necessário esclarecer que o ineditismo e a originalidade desta tese serão tratados mais especificamente na parte da metodologia da pesquisa. Aqui se optou por agrupar esses temas em conjunto para facilitar o entendimento da inter-relação que existe entre eles, destacando-se a justificativa para a sua realização. O conhecimento é um dos principais ativos das sociedades complexas e em transição como a que se está vivenciando nesta época. Essa assertiva encontra eco em Hislop, Bosua e Helms (2018) quando afirmam que nos dias atuais o conhecimento é considerado como o ativo mais significativo que as organizações detêm, pois provoca um crescimento de organizações intensivas do conhecimento e de colaboradores do conhecimento. A coprodução dos serviços públicos é uma estratégia em ação nesse tipo de sociedade, já que o seu foco principal é a rede que integra as diferentes organizações que prestam os serviços públicos. O cidadão e as comunidades representam um papel ativo nas atividades do governo, criando um ambiente mais complexo, com maior responsabilidade e solidariedade (LINDERS, 2012). Por se tratar de uma estratégia emergente para a produção de serviços públicos em sociedades em transição, há necessidade que se pesquise essa rede em seus diversos aspectos, fato que por si só justifica a realização deste trabalho. Embora existam trabalhos desenvolvidos sobre a temática da coprodução dos serviços públicos, alguns deles recentes, como os desenvolvidos por Weng e Zhang (2020), Williams e Caley (2020), Alonso et al.(2019), Garlatti et al. (2019) e Bremer e Meisch (2017) ; ainda há muito que pesquisar quando se trata da rede em si, principalmente sobre o seu desenvolvimento e como o ciclo do conhecimento favorece ao seu desenvolvimento; fato que reforça o ineditismo desta tese. Os autores Loeffler e Bovaird (2016) afirmam que existe, atualmente, uma carência de estudos sobre coprodução e que este é um momento propício para que sejam feitas pesquisas sobre o tema. Estas pesquisas, de acordo com os autores, podem facilitar a compreensão da relação entre o cidadão e o Estado. Também podem criar oportunidades para que o cidadão possa colaborar mais efetivamente com o seu conhecimento na produção do bem e dos serviços públicos. Jaspers e Steen (2018) comungam desta ideia ao afirmarem que a coprodução permite elevar a eficiência e qualidade dos serviços públicos por meio do uso de recursos, tais como conhecimento, principalmente quando advindos de agentes da sociedade. Dhirathiti (2018) observou, em suas pesquisas em comunidades da Tailândia, que a transferência do conhecimento entre redes dentro da comunidade garantiu a sustentabilidade da coprodução e a aquisição do conhecimento por parte dos agentes que participaram dessa estratégia de produção do bem e dos serviços públicos. Esses fatos oferecem sustentação para a continuidade deste trabalho e justificam a sua realização dentro da abrangência do ciclo do conhecimento. Para que a transferência do conhecimento ocorra, de acordo com Penny, Slay e Stephens (2012), é necessário envolver diversas redes, tanto internas quanto externas aos serviços. Os autores afirmam que alguns fatores críticos devem ser observados nas redes, tais como as condições que favorecem a transferência do conhecimento e o engajamento dos atores com redes locais para busca de novas habilidades e conhecimento. Os autores Loeffler e Bovaird (2016) seguem essa mesma linha de pensamento ao afirmar que o funcionamento da coprodução requer que os cidadãos e os profissionais experimentem situações em que essas contribuições possam ser feitas de maneira eficiente e eficaz. Dentre elas está o ciclo do conhecimento por meio da identificação, criação, armazenamento, compartilhamento e uso do conhecimento (atividades que compõem o ciclo do conhecimento). Como decorrência, existe a necessidade de se verificar e discutir como o ciclo do conhecimento contribui para o desenvolvimento das redes de coprodução. Essa constatação justifica a realização deste estudo, nela estando implícito também o seu ineditismo e a sua originalidade. Além destas justificativas, é importante ter presente os estudos realizados por Dhirathiti (2018) na Tailândia ao constatar que um dos principais fatores que contribui para a coprodução é o capital social. É necessário, portanto, identificar no âmbito deste estudo a justificativa para a sua realização a partir da contribuição do capital social na formação da rede de coprodução, principalmente se associada ao ciclo do conhecimento. Ao associar à coprodução ao ciclo do conhecimento e ao capital social, abre-se um vasto campo que justifica a realização deste trabalho, bem como identifica o seu ineditismo e a sua originalidade. Feitas essas observações, pode-se argumentar também que a organização burocrática pública, segundo indicam as pesquisas e trabalhos científicos, já não é mais suficiente para produzir os serviços públicos em sociedades complexas e do conhecimento em que cresce a demanda por esses serviços. Justifica-se, portanto, que outras estratégias para a produção dos serviços públicos em sociedades complexas e do conhecimento sejam identificadas e pesquisadas. Entre essas estratégias está a das redes de coprodução dos serviços públicos e a sua relação com o ciclo do conhecimento, considerado o capital social no território em que a rede se desenvolve. Esta é a questão que se põe para a realização deste trabalho, conferindo-lhe uma característica de ineditismo e originalidade, além de ser uma das justificativas para a sua realização. A coprodução dos serviços públicos em seus aspectos gerais tem lugar assegurado na literatura acadêmica que trata desse tipo de estratégia para a produção desses serviços. Não se pode afirmar o mesmo nas questões relacionadas com a contribuição do capital social para a formação da rede de coprodução dos serviços públicos, muito embora alguns estudos tenham sido realizados sobre essa temática (NEEDHAM; CARR, 2009; VERSCHUERE; BRANDSEN; PESTOFF, 2012; VAN EIJK; STEEN, 2014). Também, a prática da administração pública se ressente de informações sobre a contribuição do ciclo do conhecimento para o desenvolvimento da rede de coprodução, muito embora alguns estudos tenham focado nesse ciclo na administração pública, porém sempre a partir do enfoque burocrático da organização como órgão de governo (BATISTA, 2005) e, também, na GC envolvendo organizações públicas (MELLO e FOMBAD, 2018). Como já foi dito ao longo deste trabalho, a visão burocrática dessa questão não é o propósito deste trabalho, mas sim a visão da coprodução dos serviços públicos com a participação das organizações sociais e comunitárias voltadas para as questões ambientais. Ao focar nessas organizações como integrantes da rede em articulação com o ciclo do conhecimento, esse trabalho tem importante justificativa, além de caracterizar o seu ineditismo e originalidade. A coprodução pode ser analisada segundo alguns modelos que tomam por base a participação política da sociedade civil que se caracteriza, cada vez mais, como sociedade complexa e do conhecimento. Por via de consequência, a pesquisa voltada para a integração de redes de coprodução de serviços públicos necessita ser focada, também, a partir da participação política que ocorre em sociedades complexas direcionadas pelo conhecimento. Este fato caracteriza a atualidade, ineditismo e originalidade da pesquisa proposta e se constitui em justificativa para a sua realização. Por outro lado, este estudo também se justifica em face da relevância que se dá, nesse momento, à necessidade de se encontrar respostas novas para o velho problema de produtividade da administração pública burocrática, assim como, às frustrações a que levou a implementação da nova gestão pública (DENHARDT, 2012). Apesar da coprodução estar sendo mais utilizada para pesquisas nas áreas ambientais e de sustentabilidade (JAGANNATHAN et al. 2020); ainda há pouca densidade de estudos teóricos que tratam da associação entre ciclo do conhecimento e as redes de coprodução de que participam organizações sociais e comunitárias com foco no meio ambiente. A contribuição para a formulação teórica sobre essa associação é mais uma justificativa para a realização deste trabalho. Portanto, a relevância e a justificativa dessa pesquisa para a tese também está na discussão dos fundamentos teóricos aplicados ao tema em estudo, além das considerações pragmáticas associadas aos resultados da pesquisa, do seu ineditismo e de sua originalidade. Essa pesquisa se justifica, ainda, porque está no escopo da interdisciplinaridade que envolve o ciclo do conhecimento e a rede de coprodução dos serviços públicos. Não se pode perder de vista que o objetivo dessa pesquisa também associa o capital social ao ciclo do conhecimento e as redes de coprodução dos serviços públicos de que participam organizações sociais e comunitárias. A discussão da sinergia que essa interação sistêmica cria na rede de coprodução faz parte do objetivo da pesquisa e também caracteriza a multidisciplinaridade desse estudo. Não se pode perder de vista, por outro lado, que essa sinergia pode alterar, de alguma maneira, o capital social. Essas questões, por si sós, justificam a realização dessa pesquisa que integra esse trabalho de tese. Finalmente, a pesquisa também se justifica porque ela é inédita, original e se desenvolve no âmbito de estudos de doutorado em que se exige profundidade no debate epistemológico, como é o caso do presente estudo. No documento A CONTRIBUIÇÃO DO CICLO DO CONHECIMENTO PARA O DESENVOLVIMENTO DAS REDES DE COPRODUÇÃO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS EM MEIO AMBIENTE (páginas 33-36)