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JUSTUS VON LIEBIG (1803-1873)

No documento Copyright 2015 by Basement Press (páginas 117-121)

Liebig nasceu em Darmstadt, na Alemanha, onde o pai, fabricante de produtos químicos, possuía uma loja e um laboratório, o qual era muito importante para seu jovem filho, já que o garoto ali podia fazer experiências. Além de ter causado uma explosão na escola, o jovem Liebig acabou provocando danos estruturais na própria casa.

Portanto, a decisão de seus pais de tornar o filho aprendiz de farmacêutico pode ter sido uma providência não só para incentivar a carreira do garoto, mas também para manter a casa de pé.

Liebig tornou-se professor da Universidade de Giessen quando tinha apenas 21 anos. Era um professor radical, insistindo em afirmar que a química deveria ser um campo de conhecimento independente, e não apenas parte do estudo da área farmacêutica.

Talvez porque se lembrasse bem dos próprios acidentes, incentivava também a prática de experiências de laboratório seguras e controladas. Seus métodos se tornaram modelos no mundo inteiro.

A L S : J -B D

No início do século XIX, a teoria da estrutura molecular dava conta de que todos os compostos químicos eram positivos ou negativos, e que combinações químicas entre eles resultavam da atração dos opostos. Essa teoria “dualista” foi defendida principalmente por Jöns Jacob Berzelius.

Mas o político e professor francês Jean-Baptiste Dumas (1800-84) descobriu que velas acesas, branqueadas com cloro em seu processo de fabricação, produziam fumaça impregnada de cloreto de hidrogênio e concluiu que, “durante o branqueamento, o hidrogênio presente no hidrocarboneto do óleo de terebintina era substituído por cloro”. Ele havia demonstrado que, em certas circunstâncias, era possível substituir os átomos de hidrogênio

(eletropositivos) por átomos de cloro ou oxigênio (eletronegativos) sem que ocorresse qualquer modificação estrutural substancial.

Berzelius e outros cientistas, incluindo Justus von Liebig (pág.

107), disputaram o crédito por tais descobertas com tanta veemência que Dumas desistiu de lutar pela honraria. Todavia, depois de muitos anos, sua teoria acabou suplantando a de Berzelius.

Menos polêmico foi seu trabalho de identificação dos elementos de compostos como o uretano e o metanol por um processo de destilação de madeira. Ademais, aperfeiçoou métodos de medição da densidade de vapores verificando a massa, a temperatura, o volume e a pressão de uma substância no estado de vapor. Isso levou direto ao conhecimento de pesos atômicos mais precisos para 30 elementos, metade do total conhecido na época.

Dumas foi pioneiro no estudo da química orgânica e, assim como Liebig, um dos primeiros professores a insistir na ideia de que laboratórios e experiências deveriam ser rigorosamente científicos.

Contudo, apesar de todos os seus feitos, não conseguiu evitar rebaixar-se da importância de seu cargo na Academia de Ciências e prejudicou a carreira de jovens químicos, temeroso de que ameaçassem sua reputação.

O B B : R W B

Embora o alemão Robert Wilhelm Bunsen (1811-99) tenha feito várias descobertas e invenções, ele é conhecido principalmente pela criação do queimador de gás que leva seu nome. Bunsen produziu o aparelho em 1855, baseando-se num modelo desenvolvido por Michael Faraday (pág. 79), e transformou a prática da ciência química.

Sua motivação e inspiração foram as condições precárias de seu laboratório mal-equipado, onde usava um gás potencialmente

tóxico. Bunsen precisava de um tipo de gás confiável, que lhe proporcionasse bastante luz e calor, e assim criou um queimador com entradas de ar na parte inferior, permitindo que o gás e o ar se misturassem antes da ignição e fosse capaz de produzir uma chama alta. Em seu invento, o fluxo de ar podia ser aumentado para gerar uma chama limpa, intensa e azul, apropriada para uso com tubos de ensaio.

Visto que a chama azul dos bicos de Bunsen não interferiam muito nas cores dos elementos em combustão, o instrumento contribuiu para a nascente ciência da espectroscopia, o estudo das cores ou do espectro da luz produzida pelas chamas de diferentes elementos em combustão. Bunsen e Gustav Kirchhoff (1824-87), usando esse instrumento de análise, acabaram identificando um novo metal alcalino: o césio.

O bico de Bunsen.

A T P : D M

A tabela periódica é o coração da química. Com todos os elementos conhecidos classificados de forma que apresentem suas propriedades básicas e os grupos a que pertencem, é um diagrama que pode ser facilmente consultado por químicos de qualquer parte do mundo.

O russo Dmitri Mendeleev não foi o primeiro a tentar catalogar os elementos químicos conhecidos. Outros, principalmente o químico inglês John Newlands (1837-98), notaram a existência de um padrão nas propriedades dos elementos. Newlands propôs então a

“lei das oitavas”, já que parecia que suas propriedades se

enquadravam em oito grupos diferentes, nos quais cada oitavo elemento iniciava uma nova linha na tabela.

A classificação periódica básica de Mendeleev é feita por ordem de número atômico — o número de prótons no núcleo do átomo. Ele acrescentou a variável de valência. Esta determina a capacidade de um átomo de combinar-se com outro e relaciona-se com o número de elétrons presentes em sua órbita e que, portanto, podem participar de combinações, correspondendo aquela, grosso modo, ao número atômico do elemento. Elementos com valências iguais figuram alinhados um embaixo do outro na tabela, num padrão periódico, formando agrupamentos verticais. Por exemplo, os gases nobres são agrupados numa coluna, tal como os halogênios.

Portanto, na tabela de Mendeleev, as séries ou períodos são as linhas horizontais, ao passo que as verticais (colunas) são formadas por grupos de elementos conhecidos que apresentam propriedades semelhantes. Mas é importante notar, conforme ele mesmo propôs de forma convincente — e acertadamente —, que sua tabela apresentava lacunas, simbolizando elementos ainda desconhecidos.

A tabela de Mendeleev funcionava, ainda que ninguém, na época, soubesse exatamente por quê. Na verdade, os padrões periódicos que observara então são explicados hoje pelo número de elétrons presentes na camada mais externa do átomo.

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