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O KMPI é um índice para avaliar o desempenho da Gestão do Conhecimento na organização em determinado momento no tempo. A premissa básica usada na proposição do KMPI é a de que o conhecimento pode ser visto sob uma perspectiva unificada; ele circula na organização criando recursos de conhecimento e influenciando o desempenho da organização. (LEE et al., 2005, p.470)

Nessa perspectiva unificada, o conhecimento pode ter características multifacetadas, tais como: estado da mente, objeto, acesso a informações ou o potencial para influenciar ações futuras.

O quadro 3, localizado no capítulo 2, apresenta essas características, suas perspectivas e implicações para GC.

A percepção unificada do conhecimento propiciou ambiente para a formulação dos pressupostos a seguir, que foram utilizados na concepção do KMPI (LEE et al., 2004, p.470):

• As atividades de GC resultam no processo de circulação do conhecimento, que é composto por 5 componentes: criação, acumulação, compartilhamento, utilização e internalização;

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• A gestão do conhecimento é definida taticamente por todos os tipos de atividades gerenciais que promovem o uso do KCP – Knowledge

Circulation Process (Processo de Circulação do Conhecimento), que será

detalhado adiante;

• Uma empresa aumenta sua flexibilidade e adaptabilidade às rápidas mudanças no ambiente de negócios focando a eficiência das atividades de GC;

• Com a adoção de gestão do conhecimento pela organização, o KMPI vai aumentar gradualmente.

Os componentes do Processo de Circulação do Conhecimento (KCP –

Knowledge Circulation Process) , segundo Lee et al. (2004, p.472), são:

• Criação do conhecimento – é o componente que aborda tanto o conhecimento tácito quanto o conhecimento explícito, e é potencializado por encorajar inter-relações cooperativas entre indivíduos de diversas formações;

• Acumulação do conhecimento – é o componente que aborda o acesso de todo indivíduo de uma empresa à base de conhecimentos para obter o conhecimento relevante para ajudá-lo em seu trabalho ou na tomada de decisão. Segundo Walsh (apud LEE et al., p.472), “o conhecimento acumulado nas organizações pode desempenhar importante papel na eliminação de obstáculos e ineficiências, e ao mesmo tempo, no aprimoramento do desempenho da gerência”.

• Compartilhamento do conhecimento – é o componente que promove a difusão do conhecimento e que contribui, também, para tornar o processo de trabalho eficaz e intensivo em conhecimento. Se os trabalhadores do conhecimento puderem encontrar o conhecimento necessário em fontes geridas pelas suas organizações, eles poderão aplicá-lo para completar suas tarefas.

• Utilização do conhecimento – é o componente que aborda o uso do conhecimento, que pode ocorrer em todos os níveis gerenciais das organizações e tem como forma habitual a adoção de melhores práticas de organizações líderes nos seus setores;

• Internalização do conhecimento – ocorre quando os trabalhadores individualmente descobrem conhecimento relevante e fazem uso dele. A internalização pode fazer surgir novos conhecimentos.

46 Para Lee et al. (2005, p.472), a eficácia do KCP é influenciada pela cultura organizacional, que abrange: relações humanas, harmonia entre entidades tomadoras de decisão, qualidade dos processos de trabalho, alianças estratégicas com parceiros, confiança dos clientes, eficácia da gestão estratégica, caráter e visão do CEO8, etc.

Na validação do KMPI foram adotadas as seguintes hipóteses:

1. Se o KMPI é maior, então o stock price (preço das ações) é significativamente melhor;

2. Se o KMPI é maior, então o PER – Price Earnings Ratio (taxa de lucratividade) é significativamente melhor;

3. Se o KMPI é maior, então o R&D expenditure (investimento em pesquisa e desenvolvimento) é significativamente melhor.

Para apuração do KMPI é usado um questionário composto por 33 (trinta e três) questões, agrupadas em 05 (cinco) seções, cada uma relativa a um dos componentes do KCP. Em cada uma das seções do questionário, aspectos específicos do componente do KCP são abordados.

Na seção “criação do conhecimento” são dois os aspectos abordados: o entendimento das tarefas e o entendimento das informações.

Na seção “acumulação do conhecimento”, são três: a utilização das bases de dados, a gestão sistemática de tarefas do conhecimento e a capacidade individual de acumulação.

Na seção “compartilhamento do conhecimento”, abordam-se o compartilhamento de conhecimento essencial e o compartilhamento de conhecimento geral.

Na seção “utilização do conhecimento”, abordam-se o grau de utilização do conhecimento na organização e a cultura de utilização do conhecimento.

Na seção “internalização do conhecimento”, abordam-se a capacidade de internalizar conhecimento relacionado à tarefa, oportunidades de qualificação e nível de aprendizado organizacional.

As respostas ao questionário são fornecidas em escala Likert de 7 (sete) níveis: iniciando em 1 (um), discordo totalmente, passando por 4 (quatro), neutro; e chegando a 7 (sete), concordo totalmente.

47 Para o teste empírico do KMPI, segundo Lee et al. (2004, p.477), foram convidadas a responder o questionário 250 (duzentas e cinqüenta) empresas corretoras de seguros participantes do mercado KOSDAQ na Korea. O KOSDAQ é um mercado de ações da Korea do Sul comparável à BOVESPA – Bolsa de Valores do Estado de São Paulo.

As empresas participantes da pesquisa deveriam atender a uma das três condições: 1) ser membro do mercado acionário KOSDAQ; 2) serem contemporâneas em tempo de operações no KOSDAQ; 3) apresentarem seus relatórios anuais com base em padrões contábeis do KOSDAQ.

Das empresas convidadas, 101 (cento e uma) responderam espontaneamente ao questionário, propiciando uma taxa de retorno de 40,4% (LEE et al., 2005, p.477).

Os dados decorrentes das respostas aos questionários passaram por análise fatorial exploratória, o que garantiu a consistência interna de cada um dos componentes do KCP e forneceu os elementos necessários ao cálculo do KMPI, conforme o modelo proposto (LEE et al., 2005, p.474)

Os resultados da apuração do KMPI das empresas pesquisadas são apresentados na Tabela 1.

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Tabela 1 – Apuração do KMPI nas empresas do mercado KOSDAQ.

49 Segundo Lee et al. (2004, p.479), os estudos do KMPI permitiram concluir que o KMPI aumenta quando a eficiência dos cinco componentes do KCP aumenta.

Outra conclusão a que se pôde chegar foi a de que o KMPI pode representar o desempenho financeiro da empresa, uma vez que as hipóteses anteriormente formuladas foram comprovadas, conforme resultados apresentados na Tabela 2, que apresenta a correlação do KMPI com índices financeiros9 consagrados.

Tabela 2 - Correlação entre o KMPI e três índices financeiros.

Fonte: Lee et al. (2005, p.479)

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