Quando as pinturas a executar forem feitas sobre superfícies já pintadas, deverão as pinturas existentes serem previamente raspadas, lavadas e raspadas, ou queimadas e raspadas, conforme o fixado pela Fiscalização.
Sendo unicamente raspadas, executar-se-á esta operação de forma a tirar toda a tinta que estiver estalada e separada dos parâmetros, mas sem se esfolarem as arestas ou perfis das molduras.
A lavagem das pinturas velhas, quando não for definido outro produto nas Cláusulas Especiais, será feita com o emprego de lixívia de potassa muito fraca, com um grau de concentração adequada ao trabalho a realizar, acabando-se de tirar a tinta velha, pela sua raspagem com a faca de betumar.
Arrancada a tinta, e depois das madeiras bem secas, serão estas passadas á lixa no sentido do correr das fibras de madeira.
Nas lavagens que tiverem apenas por fim limpar as pinturas e reanimar as cores das tintas, deverão então empregar-se lixívia de potassa muito fraca ou melhor, água de sabão que deverá ser sempre preferida na lavagem dos vernizes e pinturas finas.
Quando as pinturas primitivas tiverem que ser completamente tiradas, serão então queimadas com o emprego de um maçarico e raspadas com a faca de betumar, e depois passadas à lixa.
O que acima foi prescrito, tem inteira aplicação às pinturas existentes em superfícies estucadas e guarnecidas.
Tratando-se de peças de ferro, serão estas previamente picadas e raspadas para se tirar toda a ferrugem.
1.5.5 Sistemas de Pintura
Os sistemas de pintura deverão constar no mapa de acabamentos e nas Cláusulas Técnicas Especiais.
Quando nada conste na escolha dos sistemas de pintura a realizar, deverá atender-se às incompatibilidades, quer em pinturas de raiz quer em repinturas.
A espessura final dos filmes nunca poderá ser inferior a 125 microns, portanto, à resultante de 3 demãos.
1.5.6 Primários para Paredes e Tectos
Na pintura de paredes e tectos com tinta do tipo saponificável devem usar-se primários anti-alcalinos, também chamados isolantes porque estabelecem uma barreira entre os materiais alcalinos existentes nos rebocos e nos estuques e as restantes películas de pintura.
Se as superfícies são inofensivas, sob o ponto de vista de agressividade química, por serem velhas e estarem bem secas, ou, se os materiais de acabamento são resistentes aos álcalis, dispensa-se o recurso aos isolantes, mas pode ser aconselhável regularizar a absorção da base, antes de se proceder à pintura; adoptar-se-ão então selantes, isto é, primários sem função de protecção química, com as quais apenas se pretende tapar ou selar os poros da superfície, satisfazendo a sua absorção.
Terminada a aplicação do primário anti-alcalino, há que verificar se foi atingido o resultado pretendido, isto é, se foram isolados adequadamente os fundos e se foi eliminada a porosidade, para isso, deverá observar-se a superfície tratada segundo um ângulo razante e tanto quanto possível em contra-luz; um brilho angular uniforme indica que o isolamento foi
eficaz e se pode, sem receio, iniciar a pintura, se esta situação não se atingiu, deverá proceder- se à aplicação de demãos adicionais de primário.
A aplicação de primários anti-alcalinos fica interdita nos seguintes casos:
i. Em superfícies que mostrem nítida tendência para desenvolverem eflorescências;
ii. Em superfícies exageradamente húmidas, isto é, com teor de humidade superior a 5%.
De facto no primeiro caso, devido à alta impermeabilidade do primário, seria bastante provável que a eflorescência se formasse entre a parede e a tinta e não sobre esta, podendo resultar deste facto levantamento forçado de película, desagregação e descascamento em paredes contendo um teor de humidade superior ao admitido anteriormente, pode verificar-se efeito idêntico, não só por perda de adesão específica em estuques pouco porosos, mas ainda, e sobretudo, pela pressão exercida pelo vapor de água retido na parede sob o filme primário, pressão esta que pode atingir valores extremamente altos e forçar a película quando a temperatura exterior aumenta.
Os remendos efectuados em paredes e tectos deverão ser sempre isolados antes de se proceder ao isolamento geral.
A diluição e formas de aplicação dos isolantes anti-alcalinos fica sempre condicionada às recomendações do fabricante.
1.5.7 Tintas de Película Seca
APLICAÇÃO
A boa aplicação de uma tinta depende de vários factores relacionados com: • base de aplicação que deve ser seca, limpa, e convenientemente preparada; • condições atmosféricas (tempo seco, evitar a humidade, sol forte e o frio);
• tinta utilizada (perfeitamente homogénea, convenientemente formulada e adequada ao fim pretendido);
• aplicação (o tempo entre camadas deve ser o especificado e a técnica de aplicação a conveniente).
1.5.8 Pintura a Tintas Diluíveis em Água
As tintas diluíveis com água usadas na Construção Civil pertencem todas ao grupo das tintas ditas Plásticas ou de emulsão, sendo a resina que entra na sua composição um polímero ou copolímero disperso em água. Os tipos de resina mais usados são: Acetatos depolivinilo (PVA), copolímeros estireno-acrílicos ou copolímeros acrílicos.
As tintas a aplicarem no exterior deverá ser resistentes às intempéries e impermeabilizantes e no interior resistente à lavagem.
As tintas de água serão aplicadas seguindo-se rigorosamente as instruções fornecidas pelo seu fabricante.
As cores das tintas a aplicar, deverão ser sempre submetidas em amostras, à aprovação da Fiscalização.
Todas as superfícies a pintar com tinta de água e antes da sua aplicação, serão devida e convenientemente limpas, e todas as fendas existentes alegradas, e tomadas com massa de gesso e areia, com traço adequado à natureza dos seus revestimentos.
Uma vez preparada a superfície segue-se o seu isolamento com a aplicação de um primário anti-alcalino, de preferência tipo Plastron; a função desse primário é de estabelecer uma barreira entre os sais alcalinos contidos na parede e a tinta de acabamentos.
Se a aplicação do isolamento se fizer sobre estuques brunidos deve aplicar-se, uma demão de primário diluída com cerca de 20% de diluente; se for um estuque poroso recorre-se a duas demãos, sendo a 18 e diluída com cerca de 50% e a 28 demão, aplicada depois de seca a 18, diluída com 20 a 30%. A aplicação faz-se, no geral, à trincha.
Numa verificação em ângulo razante e em contra-luz, se a superfície apresentar um brilho uniforme, o isolamento ficou capaz, caso contrário terá de ser corrigida com demãos adicionais de primários.
Se após o isolamento se verifica que a parede não está bem planificada ou apresenta alguma fenda, betuma-se e dá-se, sobre esses remendos, nova demão de primário diluída com 20%; o betume fica entre as duas demãos de primário.