2.4. AS POLITICAS URBANAS PAULISTANAS
2.4.2. L EIS U RBANAS P AULISTANAS APLICADAS – 2002 A
Em 2002, foi instituído, o Plano Diretor Estratégico – PDE, pela Lei Municipal Nº 13.430 de 13 de Setembro de 2002, e em 2004, a nova Lei de Zoneamento, a Lei de Parcelamento Uso e Ocupação do Solo - LPUOS, Lei Nº 13.885 de 25 de Agosto de 2004.
O PDE 2002 tem por objetivos gerais estabelecido em seu artigo 7, à saber:
Art. 7º – Este Plano Diretor Estratégico rege-se pelos seguintes princípios: I - justiça social e redução das desigualdades sociais e regionais;
II - inclusão social, compreendida como garantia de acesso a bens, serviços e políticas sociais a todos os munícipes;
III - direito à Cidade para todos, compreendendo o direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infra-estrutura urbana, ao transporte, aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer;
IV - respeito às funções sociais da Cidade e à função social da propriedade; V - transferência para a coletividade de parte da valorização imobiliária inerente à urbanização;
VII - universalização da mobilidade e acessibilidade; VIII - prioridade ao transporte coletivo público; IX - preservação e recuperação do ambiente natural;
X - fortalecimento do setor público, recuperação e valorização das funções de planejamento, articulação e controle;
XI - descentralização da administração pública;
XII - participação da população nos processos de decisão, planejamento e gestão.
Segundo Bonduki (2003) foi o primeiro Plano Diretor a ser implementado após a divulgação do Estatuto da Cidade e a utilizar parâmetros relacionados aos estudos desenvolvidos pela Agenda 21 Local. A diferença deste plano esta relacionada a adoção de instrumentos previstos no Estatuto da Cidade, como a Função de Propriedade, estabelecido no capítulo IV e a Outorga Onerosa do Direito de Construir, instituido na seção Captulo III, seção IV. Outra mudança, foi o estabelecimento de leis especificas as Prefeituras Regionais, que determinavam, segundo necessidades locais, estimulos vinculados a alteração do coeficiente de aproveitamento diferentes dos determinados no PDE e LPUOS.
Mesmo com algumas as mudanças conceituais, o novo PDE 2002 manteve o mesmo modelo que gerou a morfologia urbana estabelecida pela LGZ 1972, ainda com estimulo ao mercado imobiliário (Nakano e Guatella (2016), resultando em segregação, congestionamentos, carencia de áreas verdes e de integração social, sobrecarregando a infraestrutura urbana, entre outros (Rolnik, 2017); em resumo, sem atender as premissas de sustentabilidade urbana.
Segundo Nakano e Guatella (2016), a fórmula de Adiron continuou a ser estabelecida, endossada pelo art. 166 do PDE 2002, onde é estipulado que coeficiente de aproveitamento básico pode ser acrescido de 1, sem considerar os critérios de outorga onerosa do direito de construir instituido no Estatuto da Cidade. A figura 25 adaptada por Nakano e Guatella (2016) demonstra os coeficientes de aproveitamento que foram instituido pelo LPUOS de 2002.
Figura 25 – Distribuição do Coeficiente de Aproveitamento – LPUOS 2004. Fonte Imagem: file:///C:/Users/user/Downloads/8640799-16769-1-PB%20(2).pdf (p.7)
O PDE 2002, em seu art. 147, dividiu a cidade em duas Macrozonas complementares: A Macrozona de Estruturação Urbana e a Macrozona de Proteção ambiental. A figura 26 demonstra em verde a Macrozona de Proteção Ambiental e em cinza a Macrozona de Estruturação Urbana.
Figura 26 – PDE 2002 - Macrozonas de Proteção Ambiental e Qualificação Urbana Fonte Imagem: www.urbanidades.arq.br
Cada Macrozonas tinham em sua composição três Macroáreas cada, que segundo Gestão Urbana (2017d), ”definiam a base territorial para o planejamento e a gestão urbana e ambiental do município de São Paulo e amparam os objetivos e estratégias orientadas por um projeto de cidade”. O quadro 8 expõe essa relação e especifica as zonas que competem a cada Macrozonas.
Quadro 8– Macrozonas, Macroáreas e Zonas do PDE 2002 MACRO ZONA MACROÁREAS ZONAS P R O TEÇ Ã O A M BI EN TA L Proteção Integral Uso Sustentável Conservação e Recuperação
ZEPAM Zonas Especiais de Preservação Ambiental ZEPAG Zona de Produção Agricola e Extração Mineral ZEPEC Zonas de Preservação Cultural
ZEIS* Zona de Interesse Social ZOE Zona de Ocupação Especial ZMp Zona Mista de Proteção Ambiental
ZPDS Zona de Proteção e Desenvolvimento Sustentavel ZEP Zona Especial de Preservação
ZLT Zona de Lazer e Turismo
ZERp Zona Exclusivamente Residencial de Proteção Ambiental
ZCPp Zona de Centralidade Polar de Preservação Ambiental
ZCLp Zona de Centralidade Linear de Preservação Ambiental E S TR U TU R A Ç Ã O E Q U A LI F IC A Ç Ã O U R B A N A Restruturação e Requalificação Urbana Urbanização Consolidada Urbanização em Consolidação
ZER Zona Exclusivamente Residenciais ZEIS* Zona de Interesse Social
ZPI Zonas Predominantemente Industriais ZM Zonas Mistas
ZCP Zona de Centralidade Polar ZCL Zona de Centralidade Linear ZER-ZT Zona de Transição
ZOE Zona de Ocupação Especial Fonte: Elaborado pela autora
Como descrito no PDE 2002, neste novo zoneamento, não há mais a distinção entre categoria e zonas de uso. A cidade ficou dividida em 19 zonas de uso distribuídas em função de sua especificidade nas Macrozonas correlatas, por exemplo: A ZEPAM esta contida na Macrozona de Proteção Ambiental. Já as ZER, ZPI estão na Macrozona de Estruturação e Qualificação Urbana. A única zona de uso que vigora entre as duas Macrozonas são as ZEIS, devido a consolidação dessas áreas nas duas Macrozonas. Ocorre também de haver zonas de uso especiais, relacionados a preservação ambiental em Macrozonas de Estruturação e Qualificação Urbana.
Em relação especifica as Macroáreas demonstrad8s no quadro 8, e vinculada a esta pesquisa, temos a Macroárea de Reestruturação e Requalificação Urbana. Conforme descrito
no artigo 155 do PDE 2002, esta área inclui “a orla ferroviária, antigos distritos industriais e áreas no entorno das marginais e de grandes equipamentos a serem desativados” que já cumpriram sua função de propriedade, mas que passam por processo de esvaziamento.
São áreas dotadas de infraestrutura e acessibilidade e por essa razão devem ser requalificadas. Como descrito no paragrafo 2º, nessas áreas devem ser promovidas: “I – reversão do esvaziamento populacional através do estimulo ao uso habitacional de interesse social e da intensificação da promoção imobiliária; II – Melhoria da qualidade dos espaços públicos e do meio ambiente; III – Estímulo de atividades de comercio e serviços [....]”.
Em junção com o PDE, foi instituido em 2004 a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo - Lei Municipal Nº 13.885/04. O LPUOS 2004 possuia um mapeamento geral do municipio com a divisão das zonas de uso, mas o mesmo só era fornecido se solicitado diretamente à Prefeitura do Municipio de São Paulo em sua sede principal, localizada no Edificio Martinelli.
O acesso aos dados urbanisticos eram efetuados por meio das Prefeituras Regionais, diretamente ou por meio de seu site, onde eram fornecidos os mapas, quadros com os índices
urbanisticos e outros quadros especificos, como o das vias de circulação, por exemplo. A figura 27 demonstra o Mapa de Uso e Ocupação do Solo relativo a Prefeitura Regional da
Mooca.
Figura 27 – Mapa de Uso e Ocupação do Solo – LPUOS 2004 - Regional Mooca Fonte Imagem: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/regionais/mooca/
Avaliando a figura 27, podemos observar que a tabela na lateral indica por cores o zoneamento a que faz parte cada trecho da Regional da Mooca.
Este mapa estava vinculado ao quadro 4, demonstrado na figura 28, de onde se extraia os índices urbanisticos, tais como taxa de ocupação, coeficiente de aproveitamento, gabarito de altura, recuos e taxa de permeabilidade, especificos a esta regional.
Figura 28 – Índices Urbanísticos – LPUOS 2004 – Regional da Mooca. Fonte Imagem: PMSP
As vias de circulação também eram extraídas da Prefeitura Regional, tendo por estabelecimento as relações das vias daquela região. O quadro 1 demonstrado pela figura 29 demonstra para este zoneamento (LPUOS 2004) com são classificadas as vias de circulação, mantendo a formatação base estabelecida no zoneamento de 1972.
Figura 29 – Quadro N. 1 - Vias de Circulação – LPUOS 2004 Fonte Imagem: PMSP