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PARTE II – Uma rede pulsante

4. Aproximações dos objetos de estudo

4.3. Largo do Arouche

A escolha do Largo do Arouche se justifica por apresentar um desenho incomum, que articula três setores de uma forma descontínua e com uma situação precária de manutenção. Ainda assim, há uma apropriação intensa de moradores da região, de frequentadores dos restaurantes e do Mercado de Flores e do público gay.

4.3.a – Largo do Arouche

Segundo o site oficial da Prefeitura de São Paulo, em 1822 o local era chamado de Largo do Ouvidor, nome que foi substituído por Largo da Artilharia e, depois por Praça Alexandre Herculano, homenageando o historiador português. Depois, passou a se chamar Largo do Arouche, por causa de um marechal de campo chamado José Arouche de Toledo Rondon.

O igi al e teà de o i adasà á tilha ia ,à deà fo aà t ia gula à eà aà pa teàele adaàdoàte e o,àeà Legi o ,àdeàfo aà eta gula àeà aà eaà ai a,à as praças constituíam o núcleo central dos primeiros arruamentos da idadeà o a ,àdoàladoàes ue doàdoà aleàdoàá ha ga aú,àp o o idaàpelaà subdivisão da chácara do Marechal Arouche Ro do . à áLEX,à .àp.à O Largo já consta na Planta da Cidade de São Paulo de 1810, elaborada por Rufino Felizardo da Costa.

Nos mapas do final do século XIX, corno a Planta da Capital do Estado de 1890, de Jules Martin, a chácara Arouche Rondon já aparece subdividida em ruas e quadras em um traçado regular, onde o largo do Arouche, na convergência de várias ruas, configura um espaço aberto longilíneo de aproximadamente 420 m de extensão. O traçado do largo do Arouche é registrado na Planta Sara Brasil, Município de São Paulo, de 1930. Nesse mapa, podem-se distinguir duas praças: uma ajardinada, com caminhos curvilíneos de influência francesa, numa linguagem similar aos desenhos da Praça da República, Praça do Teatro Municipal (Ramos de Azevedo) e do parque do Anhangabaú; e a outra, apenas um grande vazio entre quarteirões. O Plano de Avenidas promovido por Prestes Maia nas décadas de 1930 e 1940 seccionou a praça ajardinada e reduziu o espaço aberto em uma série de "ilhas de tráfego". (ALEX, 2008. p. 234)

Segundo o site oficial da Prefeitura, o Mercado de Flores do Arouche ocupou o local em 1953, quando o prefeito Armando de Arruda Pereira remanejou os floristas da Praça da República. A partir de então, passouàaàse à o he idoàta à o oà Praça das Flores

4.3.b – Térreos com uso predominantemente comercial

4.3.c – Superiores com uso predominantemente residencial

4.3.d - Ocupação diária moderada, com predomínio de moradores locais

4.3.e - Ocupação intensa aos fins de semana e nos eventos, como no bloco do Fuxico

Praça descontínua

O Largo do Arouche é hoje dividido em três setores: o primeiro é o maior e encontra-se no final da Rua Vieira de Carvalho, o segundo setor é linear e configura-se mais como um ponto de contenção da via local para o trânsito intenso da avenida que chega da Amaral Gurgel e o terceiro setor é cruzado pelo tráfego intenso da interligação Amaral Gurgel com a Duque de Caxias.

4.3.f - Largo do Arouche em três setores

O primeiro setor era antes formado por dois blocos distintos e cruzado por uma rua interna. Um dos blocos é bastante arborizado, equipado com canteiros e bancos, mas era isolado por avenida larga de quatro pistas, com grande fluxo de veículos. O outro bloco é

mais linear, voltado para rua mais tranquila, de apenas duas pistas e inclui em seu núcleo um conjunto de floriculturas, chamado de Mercado das Flores. Os dois blocos foram integrados com a mudança de pavimentação da rua interna, configurando um pátio, atenuando o isolamento.

O primeiro setor é hoje bastante utilizado como local de permanência prolongada. Hoje o setor é bastante arborizado, oferece contato visual muito aprazível a todo entorno. Muito utilizada por moradores de todas as idades, famílias, clientes de bares e restaurantes t adi io aisà so etudoà Oàgatoà ueà i àeàoà LaàCasse ole àeào Mercado de Flores. Até há pouco tempo, jogos de vôlei eram constantes no pátio central e ainda hoje se observa a permanência prolongada de pessoas de todas as idades.

4.3.g – Rua incorporada ao Largo 4.3.h – Mercado das Flores

4.3.i – Vieira de Carvalho 4.3.j – Área de bancos

Três grandes ilhas ajardinadas adaptadas do jardim público do início do século XX, assim como a Rua Vieira de Carvalho, de inspiração parisiense, direcionam para esse primeiro setor. O entorno é cercado por edificações altas e continuas - calçadas largas e

arborizadas. A distribuição equivalente de asfalto e passeio público transmite urna sensação harmoniosa e aproxima a praça do entorno.

Possui ponto de ônibus na calçada da Avenida Vieira de Carvalho, três floriculturas, uma banca de revistas, posto policial eàdisp eàdeàesta io a e toàta ifadoàpo à a t oàazul à em toda a borda ou ainda por guardadores de carros nos horários em que não é cobrada a tarifa.

Há uma grande diversidade de pessoas, observando-se a facilidade de sociabilidade. Local de longa permanência, com variadas opções de uso e locais para sentar, com poucos bancos de madeira apoiados sobre estrutura de concreto.

O Largo oferece ainda uma área de brinquedos infantis. Com a insuficiência do número de bancos, os brinquedos são apropriados por adultos para permanência prolongada, servindo de bancos. Essa ocupação traz para a reflexão as observações sobre praças descritas por William Whyte em The Social Life in Small Public Spaces 21, trabalho em que vincula a qualidade de um ambiente urbano ao número de lugares confortáveis e convenientes para que os pedestres possam sentar.

O primeiro setor reflete um desenho clássico, com ruas hierarquizadas que atenuam o alto tráfego na medida em que se aproximam do interior da praça.

As arquiteturas são definidoras do espaço, com calçadas largas, arborizadas e continuas, tratadas como elemento de composição da rua, e caminhos internos largos e articulados às esquinas e ruas.

Ainda no primeiro setor, no canteiro em frente à Academia Paulista de Letras, entre outras esculturas e bustos, está Depois do banho (1932), de Victor Brecheret (1894- 1955).

4.3.k - Depois do banho, de Victor Brecheret 4.3.l - Progresso, de Nicolas Vlavianos

O segundo setor é um conjunto de rotatórias e canteiros, predominantemente utilizados como ponto intermediário da travessia até o comércio local. Sua configuração foi ainda mais afetada por receber uma grelha do metrô. I luià aà es ultu aà P og esso ,à deà Nicolas Vlavianos (1929-), criada em 1974 e transferida para o Largo em 1990,hoje completamente abandonada, cercada por moradores em situação de rua.

4.3.m – Rotatórias 4.3.n – Equipamentos de ginástica

O terceiro setor, mais residual, é estreito, mas tem uma recente apropriação, sobretudo de moradores mais idosos, após a Prefeitura ter instalado equipamentos de ginástica.

Acesso

O acesso ao Largo é facilitado pela proximidade da estação República, por grandes avenidas e por grande rede de ônibus.

Revelando o domínio do sistema viário sobre o espaço público, a situação atual do largo do Arouche mostra também um tratamento desigual da mesma praça. [...] O largo do Arouche é facilmente acessível por importantes eixos viários da área central, como Avenida Amaral Gurgel, avenida São João e avenida Duque de Caxias. Ligando o largo do Arouche à praça da República, a avenida Vieira de Carvalho, um bulevar com largas calçadas, forma com as praças um espaço público arborizado continuo, porém, a ligação com a praça Santa Cecilia é bastante prejudicada pelo sistema viário. à áLEX,à .àp.à

Com exceção do lado oeste da praça, os quarteirões em sua volta Possuem tamanhos similares com frentes de aproximadamente 100 m, formando, junto com o largo do Arouche, um tecido urbano de grande permeabilidade. Convergem para a praça numerosas ruas e avenidas, como Jaguaribe, Amaral Gurgel, Rego Freitas, Bento Freitas, do Arouche, Vieira de Carvalho, Aurora, Vitória, São João, Duque de Caxias, Frederico Steidel e Sebastião Pereira. [...] A pulverização do largo do Arouche em uma série de ilhas cercadas por ruas de larguras variadas e intensidades diversas de tráfegos de veículos, mostra que o trajeto de pedestres é tratado pelo poder público como apenas um subproduto da engenharia de tráfego. (op. cit., p. 235)

As ruas arborizadas, com dimensões compatíveis entre asfalto e passeio, integram o largo a seu entorno e o articulam aos espaços públicos próximos. [...] O segundo setor [...] da praça, por sinal, é sistematicamente ignorado pelas intervenções [...] como se deu, por exemplo, com a renovação do largo do Arouche, executada pela Emurb, em 1986; no projeto de revitalização urbana Eixo Sé-Arouche, promovido pela SMC e a AR-SÉ em 1990-1991; e no ajardinamento realizado pela AR-SE em 2001-

2002. (ALEX, 2008. p. 236)

Há vários estabelecimentos vagos nos térreos dos edifícios ao redor da praça, acentuando ainda mais o contraste entre os dois setores do largo.

A separação do largo do Arouche em dois setores distintos é reforçada por projetos paisagísticos, que, embora incorporem detalhes modernos no traçado, como bordas "ziguezague" nos canteiros e instalação de um playground, não apenas desconsideram a linguagem estética existente como também ignoram seu entorno. As calçadas, estreitas e descontinuas, não permitem realizar trajetos simples e diretos entre praças e lados opostos da rua. Apesar dos caminhos, canteiros e vegetação, há poucos lugares confortáveis pa aà pe a iaà eà o í io (op. cit., p. 249)

O contraste de aparência e uso entre os dois setores do largo do Arouche mostra não apenas diferenças de traçado, mas também, e especialme te,àdeà elaç oà o àoàe to o.

4.3.o – Vieira de Carvalho: influência francesa

4.3.p – Moradores em situação de rua ocupam o Largo

Muitoàusado,àoàseto àu do largo do Arouche guarda influências do urbanismo francês do inicio do século XX. Delimitado por ruas estreitas com calçadas largas e continuas, que se estendem até o interior das pracinhas, o setor um oferece numerosos e variados pontos de permanência e de convívio social nas áreas de borda e nos trajetos, isto é,

em locais de fácil acesso e contato próximo com a rua. Pouco usado, ignorado pelo poder público, mutilado pelo sistema viário e sem integração com o entorno por ruas largas com calçadas estreitas e descontinuas, o setor dois do largo do Arouche revela, mais que o domínio do urbanismo automobilístico" da segunda metade do século XX, também traços do paisagismo moderno, como ruptura estética com o existente e criação de lugares de isolamento. O desenho do playground é ilustrativo: voltado para dentro da praça e fechado, por vegetação e canteiro, para o lado mais populoso da vizinhança. Sem fechamento espacial definido, o setor dois é literalmente pulverizado em uma série de pequenas ilhas por intervenções viárias e de engenharia de tráfego. (ALEX, 2008. p. 235)

A apropriação gay22

Aos finais de semana a praça, sobretudo o primeiro setor, recebe uma intensa presença do público jovem. A ocupação é um contágio decorrente da grande presença de bares e casas noturnas voltadas ao público gay na Rua Vieira de Carvalho e imediações, que caracterizam, há décadas, uma região com grande afluxo de público gay.

22 Sem desprezo das legítimas especificidades para os segmentos que derivam das questões de sexo biológico, orientação sexual e identidade de gênero (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Transexuais, Intersexuais e “i patiza tes àadotoàa uiàoàa gli is oà ga àpa aà abranger e ressaltar um posicionamento político e de reação às normatividades. Como ilustra Alexey Dodsworth em artigo para Filosofia, Ciência e Vida (nº 70,de maio de 2012), aoà longo de DitosàeàEs itos,àFou aultàapo taà ueà se àga à oàseà esu i ia,àpo ta to,àaà atalha àpo àu aài serção no estadoà ige teàdasà oisas,àeàsi àu aàfo aàdeàalte a àesteàestadoà ige te.

4.3q – Vieira de Carvalho

A percepção inicial sobre essa ocupação implica um entendimento da relação de identidade que um grupo desenvolve com um território, esbarrando na caracterização de gueto.

O trabalho Doà gueto àaoà e ado 23 atualiza o artigo E àdefesaàdoàgueto 24, que trata da visibilidade pública alcançada pela homossexualidade, partindo da ideia de gueto:

Guetoà ho osse ual à efe e-se a espaços urbanos públicos ou comerciais [...] onde as pessoas que compartilham uma vivência homossexual podem se encontrar. No artigo original, argumentava-se que oà gueto à ài po ta teà aà edidaàe à ueàp opo io aàu àa ie teàdeà contatos no qual as pressões da estigmatização da homossexualidade são momentaneamente afastadas ou atenuadas. [...]

23 Trabalho de Júlio Assis Simões, Professor do Departamento de Antropologia, FFLCH-USP e Isadora Lins França Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, FFLCH- USP

Entende-se, assim, que o esforço de talhar e manter espaços parcialmente protegidos não apenas resulta em novas maneiras de organizar e gerenciar comportamentos e identidades sexuais, mas permite também pôr em questão as regulações dominantes de sexo e gênero. [...]

Essaà o epç oà deà gueto enfatiza mais sua dimensão política e ultu al,àdeà espaçoàpú li o , do que propriamente um território delimitado por uma forma específica de ocupação e utilização. [...]

É preciso notar também que empreendimentos comerciais e ocupações [...] específicas de regiões da cidade estabelecem diferentes guetos , frequentados por sujeitos agrupáveis não somente pela o ie taç oà se ual,à asà ta à po à se o,à pode à deà o su o,à estilo ,à modo pelo qual expressam suas preferências sexuais e assim por diante. Desse modo, catego iasà o oà a has àeà i uitos25, que procuram dar conta da lógica de implantação e utilização de aglomerados de estabelecimentos e serviços na paisagem urbana, em diálogo com concepções renovadas de territorialidades itinerantes e flexíveis26, parecem ser mais adequadas ao esforço de descrever e dar sentido ao fe e oà doà guetoà ho osse ual nas grandes cidades brasileiras. (SIMÕES e FRANÇA, 2005)

O artigo original foi escrito há trinta anos. Nesse período, um grande número de transformações alterou as formas de visibilidade e inserção social do público gay. De um lado, os imperativos das demandas de reação (violência, preconceitos e epidemia de HIV- AIDS), surtindo um bombardeio de informação, surgimento de estruturas de assistência e alguma organização da militância. De outro, a ampla difusão de imagens, criação de mídia específica e a apropriação do imaginário gay pelo mercado e pelo poder público.

Essas transformações afetaram também as relações territoriais, inclusive no

25 Jos à Guilhe eà C.à Mag a i,à Deà pe toà eà deà de t o:à otasà pa aà u aà et og afiaà u a a . Revista Brasileira de Ciências Sociais, n. 49. São Paulo: Anpocs, 2002, 2002.

26 Cf.à oà te toà deà N sto à Pe lo ghe ,à Te ito ialidadesà a gi ais ,à esteà olu e.à Ve ,à ta ,à á to ioà áugustoà Arantes, Paisagens paulistanas: transformações do espaço público. São Paulo: Imprensa Oficial, 2000.

aspecto social, nublado por matizes ideológicos.

áà egi oà e t alà a igaà algu sà dessesà pedaços à ouà a has 27

gays, com destaque para os bairros da Bela Vista, Santa Cecília e Vila Buarque, sendo que esse último sempre fez parte desse circuito, com oscilações de fluxos, mas desde a década de 1970, pelo menos28, gravitando em torno do Largo do Arouche.

Comparada a outras regiões também ocupadas pelo público gay (Pinheiros, Jardins, Cerqueira César, por exemplo), com públicos de maior poder aquisitivo, a região central, por receber um público de classes mais populares, alguns moradores da região, outros vindos de bairros distantes ou ainda de outros municípios da região metropolitana, recebe o reforço do estigma também entre o público gay:

Com frequência, esses rapazes são efe idosà o oà i hasà ua- u ,à i hasàpo -po ,à bichas um-real – te osàpejo ati os,à uaseà atego iasà deàa usaç o , que pretendem designar o jovem homossexual mais pobre e afeminado29, de comportamento espalhafatoso e menos sintonizado com li guage sà eà h itosà ode os de gosto, vestimenta e apresentação corporal. [...]

O Centro e os Jardi sà o figu a à u aà esp ieà deà oposiç oà

27 No sentido atribuído por Magnani (op. cit.), se doà Pedaço à u à te it io-código que estabelece referência de ide tifi aç oà deà ue à à eà ue à oà à doà pedaçoà eà Ma ha ,à como um aglomerado de estabelecimentos reconhecidos por seus frequentadores como similares do ponto de vista dos serviços que oferecem e da sociabilidade

ueàp opi ia ,àeà ueàap ese ta àu aà i pla taç oà aisàest elàta toà aàpaisage à o oà oài agi io

28 Não há registros de bares ou estabelecimentos comerciais exclusivos para uma clientela homossexual nas metrópoles brasileiras antes dos anos 1960. Isso não quer dizer, porém, que anteriormente a vida homossexual fosse invisível, nem que as pessoas com gostos homossexuais vivessem isoladas. Como mostrou James Green (Além do carnaval, São Paulo: Ed. da Unesp, 2000), manifestações públicas da homossexualidade expressavam-se em bailes carnavalescos, celebrações de rua, assim como adaptando o costume do footing à paisagem urbana e dividindo os espaços da vida noturna com outros tipos de frequentadores. No caso da cidade de São Paulo, baseando-se em fontes do Instituto de Criminologia, Green conseguiu localizar, já nas décadas de 1920 e 1930, pontos na região do Vale do Anhangabaú e Praça da República que seriam caracterizados pela presença de prostitutas e de homens em busca de contatos sexuais com outros homens.

29 Veja-se como a jornalista Erika Palomino, agitadora da porção mais sofisticada da cena de música eletrônica da cidade, emprega as gírias classificatórias quando narra um passeio por São Paulo com um famoso DJ internacional: ua doàpassa osàdeàà a oàe àf e teàaoàBu ge à&àBee ,à edutoà u à u à u à eioàpo eàdeà“ oàPaulo,àfaleià ueàalià estavam as bichas heap . Cf. Erika. Palomino, Babado forte: moda, música, noite. São Paulo: Mandarim, 1999, p. 173.

est utu al30 oà i uito homossexual paulistano, tendo em vista o

contraste geral entre apresentações corporais, estilos, linguagens e personagens, bem como nas qualidades dos serviços e equipamentos observados em cada uma. Mas não devemos exagerar na distinção e na identidadeà espe ífi aà deà adaà a ha à pois, como vimos também, há muita diversidade dentro de cada uma [...]

Se, de um lado, o Centro representa a região em que tradicionalmente se constituiu uma sociabilidade homossexual, pode-se o side a àaà a ha àPaulista-Jardins e seusàpo tosàouà postosàa a çados para outros bairros de classe média como fruto de uma recente expansão e diversificação do mercado dirigido a homossexuais. De um ângulo, o dese ol i e toàdaà eaà ode a dos Jardins e seus pontos avançados à parece apenas reforçar tendências detectadas desde os anos 1970, no sentido de entronizar a imagem do homossexual moderno como consumidor sofisticado, hedonista e individualista. 31 (SIMÕES e FRANÇA, 2005)

Mesmo na região central, caracterizada pela tendência às sociabilidades, as f o tei asàe t eà pedaços àde t oàdaà a ha àest oàe à o sta teàte s oàe t eàoà efo çoà e a diluição, dados pelo constante surgimento de novas segmentações estanques (ursos, coroas, etc.)

Nesse sentido, a principal característica da apropriação do público gay no Largo do Arouche é que não é articulada por forças políticas hierarquizadas, não tem caráter reivindicatório e não está atrelada diretamente ao consumo.

30 Para uma aplicação comparada dessa noção em referência às territorialidades urbanas homossexuais no Rio de Ja ei o,à e àFa ia oàGo tijo,à Ca io ui eàouà a io uidade:àe saioàet og fi oàdeài age sàide tit iasà a io as. àI :à Mirian Goldenberg (org.), Nu e vestido. Rio de Janeiro:, Record, 2002.

31 “o eàoà o po ta e toàdeà o su oàho osse ual ,à e àád ia aàNu a , Homossexualidade: do preconceito aos padrões de consumo. Rio de Janeiro: Caravansarai, 2003.

Síntese

Os constantes fluxos do Largo do Arouche despertam um questionamento sobre as razões da intensidade de fluxos e permanência em um espaço tão desigual e com condições tão precárias de manutenção.

Há uma série de fatores que podem ser arregimentados como hipótese para essa permanência: a facilidade de acesso, a proximidade de outros equipamentos de comércio e serviços, a diversidade de usos do entorno, que inclui a proximidade de moradia.

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