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O pulso do espaço público na região central de São Paulo: crises e inflexões

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Academic year: 2017

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(1)

UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

EDISON BATISTA RIBEIRO

O PULSO DO ESPAÇO PÚBLICO NA

REGIÃO CENTRAL DE SÃO PAULO:

CRISES E INFLEXÕES

(2)

EDISON BATISTA RIBEIRO

O PULSO DO ESPAÇO PÚBLICO NA

REGIÃO CENTRAL DE SÃO PAULO:

CRISES E INFLEXÕES

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre.

Orientadora:

Prof. Drª. Maria Isabel Villac

(3)

R484p Ribeiro, Edison Batista

O pulso do espaço público na região central de São Paulo: crises e inflexões. / Edison Batista Ribeiro 2013.

148 f. : il. ; 30 cm.

Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2013. Bibliografia: f. 144-148.

1. Arquitetura. 2. Espaço público. 3. Cidade de São Paulo. 4. Sociologia urbana I. Título.

(4)

EDISON BATISTA RIBEIRO

O PULSO DO ESPAÇO PÚBLICO NA

REGIÃO CENTRAL DE SÃO PAULO:

CRISES E INFLEXÕES

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre.

Aprovado em 19 / 03 / 2013

BANCA EXAMINADORA

Prof.ª Drª Maria Isabel Villac Universidade Presbiteriana Mackenzie

Prof.ª Drª Lizete Maria Rubano Universidade Presbiteriana Mackenzie

(5)

À cidade de São Paulo, que em sua

(6)

GRUPO DE PESQUISA

Este trabalho está vinculado aoàp ojetoàdeàpes uisaà Cultura e sociedade: o projeto: significado e valor ,à oo de adoà pelaà P ofesso aà Douto aà Ma iaà Isa elà Villa ,à fi a iadoà

(7)

AGRADECIMENTOS

Ao encontro que a vida promoveu entre a alegria e a generosidade de meu pai e a fortaleza e profundidade de minha mãe. Em um tempo-espaço em que esse arco se faz mais tenso em seus limites, saúdo a beleza dessa possível eà ealà promessa de felicidade .

À orientadora Maria Isabel Villac, pela disposição responsável e generosa de novos caminhos para a construção do saber.

(8)
(9)

RESUMO

A primeira parte apresenta os conceitos fundamentais que explicam o tema do trabalho e servem de base para manejar a pesquisa: pulso, crises e inflexões. Como são transbordos multidisciplinares de campos suplementares à arquitetura, serão evocados autores de outras áreas para dar suporte a esses conceitos.

A segunda parte toma por estudo de caso quatro espaços públicos da região central de São Paulo: Largo do Paiçandu, Largo do Arouche, Praça Dom José Gaspar e Praça Roosevelt.

Com uma aproximação histórica, arquitetônica e social, essa tomada de pulso confronta a estrutura arquitetônica e as apropriações ocorridas nesses espaços. Desse contraponto vêm à tona as condições de crise do espaço público, mas também as potencialidades para inflexões.

A terceira parte consolida os aprendizados dos espaços públicos estudados, agora com ênfase na análise de fatores contemporâneos que podem ser equacionados em uma forma de repensar a articulação entre arquitetura e cidade: micropolítica, sociabilidade, fruição do tempo e gesto artístico-cultural.

A última parte extrai o aprendizado dos objetos e conceitos estudados, sintetizados em uma reflexão crítica que aponte caminhos possíveis para uma articulação entre arquitetura e cidade a partir do projeto para seus espaços públicos.

(10)

ABSTRACT

The first part presents the fundamental concepts that make up the theme and provide the basis for managing the research: pulse, crisis and inflections. Since they are additional transfers from multidisciplinary fields of architecture, we will evoke authors from other areas to support these concepts.

The second part takes a case study of four public spaces in Sao Paulo downton: Paiçandu Square, Arouche Square, Dom Jose Gaspar Square and Roosevelt Square.

With historical, architectural and social approach, this pulse-taking confronts the architectural structure and appropriations occurred in these spaces. Come to the fore this counterpoint the crisis conditions of public space, but also the potential for inflections.

The third part consolidates the lesson from these public spaces, now with an emphasis on contemporary analysis of factors that can be addressed in a way to rethink the relationship between architecture and city: politics, sociability, enjoyment and time-cultural artistic gesture.

The last part draws the learning objects and concepts studied, synthesized in a critical point to possible paths for a connection between architecture and city from the project to its public spaces.

(11)

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Segue abaixo a relação sequencial dos elementos ilustrativos, na mesma ordem em que constam no trabalho, seguida do título, da fonte e da página onde se encontram.

Título Fonte Pg.

1.a Pulsar http://www.turbosquid.com 19

1.b Poe aà OàPulsa E a teàdeà Vel à 21

1.c A região central e suas artérias Desenho do autor 23

2.a Hannah Arendt http://filosofia.uol.com.br 25

2.b Ideog a aà hi sà ise http://hubporto.blogspot.com.br 25

2.c Plano de avenidas http://usp.com.br 30

2.d Região central na década de 1950 http://elfikurten.com.br 30

2.e Operação urbana centro http://www.forumpatrimonio.com.br 32

2.f Operação Nova Luz http://www.psicoterapia.blogspot.com 32

3.a Radial Leste Google 34

3.b Ocupação por dependentes de crack Google 34

3.c Ponto de encontro Foto do autor 35

3.d Ponto de encontro Foto do autor 35

4.a Mapa da cidade com região central Desenho do autor 38

4.b Mapa da região central: cheio x vazio Google Earth 39

4.c Mapa da região central com fluxos Desenho do autor 40

4.d Mapa da região central com praças Desenho do autor 41

4.1.a Largo do Paiçandu Google Earth 43

4.1.b São João em 1887 Militão 44

4.1.c Paiçandu no século XIX http://blogdocirco.wordpress.com/ 45

4.1.d Largo do Paiçandu: usos dos térreos Foto do autor 46

4.1.e Largo do Paiçandu: usos dos superiores Foto do autor 46

4.1.f Largo do Paiçandu: ocupação diária Foto do autor 46

4.1.g Largo do Paiçandu: ocupação eventual Foto do autor 46

4.1.h Largo do Rosário Gaensly 48

4.1.i Igreja do Paiçandu em 2013 Foto do autor 50

4.1.j Monumento à Mãe Preta Foto do autor 51

4.1.k Detalhe do monumento Foto do autor 51

4.1.l Oà i o ,àdeàLi aàBoàBa di http://blogdocirco.wordpress.com/ 52

4.1.m Piolim com Oswald de Andrade http://blogdocirco.wordpress.com/ 52

4.1.n UFA-Palácio http://saudadesampa.nafoto.net 53

4.1.o Art Palácio Foto do autor 53

4.1.p Cinemas Foto do autor 54

4.1.q Ponto Chic Foto do autor 54

4.1.r Terminais de ônibus Foto do autor 54

4.1.s O abandono do Largo Foto do autor 54

4.1.t Edifício invadido Foto do autor 55

4.1.u Edifício invadido Foto do autor 55

4.1.v Praça das Artes Foto do autor 56

4.1.w Galeria Olido Foto do autor 56

4.1.x Galeria do Rock: claraboia Foto do autor 57

4.1.y Galeria do Rock: piso Foto do autor 57

4.1.z Galeria do Rock Foto do autor 58

(12)

4.1.bb Galeria do Rock Montagem com fotos do autor 59

4.2.a Praça Dom José Gaspar Google Earth 61

4.2.b Praça Dom José Gaspar: usos dos térreos

Foto do autor 62

4.2.c Praça Dom José Gaspar: usos dos superiores

Foto do autor 62

4.2.d Praça Dom José Gaspar: ocupação diária

Foto do autor 62

4.2.e Praça Dom José Gaspar: ocupação eventual

Foto do autor 62

4.2.f Inauguração da Galeria Metrópole Aflalo e Gasperini 64

4.2.g Galeria Metrópole em 1960 Aflalo e Gasperini 64

4.2.h Rua Marconi Foto do autor 65

4.2.i Caminho linear Foto do autor 65

4.2.j Biblioteca com grades Foto do autor 66

4.2.k Salão nobre da biblioteca Foto do autor 66

4.2.l Cervantes Foto do autor 66

4.2.m Galeria Sete de Abril Foto do autor 66

4.2.n Biblioteca Foto do autor 67

4.2.o Galeria Metrópole: vista interna Foto do autor 68

4.2.p Galeria Metrópole: circulação vertical Foto do autor 68

4.2.q Galeria Metrópole: Basílio da Gama Foto do autor 68

4.2.r Galeria Metrópole: vista da esquina Foto do autor 69

4.2.s Galeria Metrópole: entrada principal Foto do autor 69

4.2.t Galeria Metrópole: vista panorâmica Foto do autor 69

4.2.u Galeria Metrópole: vista do terraço Foto do autor 70

4.2.v Galeria Metrópole: sobreloja Foto do autor 70

4.2.w Ocupação dos restaurantes Foto do autor 70

4.2.x Vendedor de flores Foto do autor 70

4.2.y Show Ângela Ro Ro Foto do autor 71

4.2.z Chorinho Foto do autor 71

4.2.aa Gambiarra Montagem com fotos do autor 72

4.2.bb Show Naná Vasconcelos Foto do autor 73

4.3.a Largo do Arouche Google Earth 75

4.3.b Largo do Arouche: usos dos térreos Foto do autor 76

4.3.c Largo do Arouche: usos dos superiores Foto do autor 76

4.3.d Largo do Arouche: ocupação diária Foto do autor 77

4.3.e Largo do Arouche: ocupação eventual Foto do autor 77

4.3.f Largo do Arouche: setorização Desenho do autor 77

4.3.g Largo do Arouche: rua incorporada ao largo

Foto do autor 78

4.3.h Largo do Arouche: Mercado de flores Foto do autor 78

4.3.i Largo do Arouche: Vieira de Carvalho Foto do autor 78

4.3.j Largo do Arouche: Área de bancos Foto do autor 78

4.3.k Largo do Arouche: Depois do banho Foto do autor 80

4.3.l Largo do Arouche: Progresso Foto do autor 80

4.3.m Largo do Arouche: rotatórias Foto do autor 80

4.3.n Largo do Arouche: equipamentos de ginástica

Foto do autor 80

4.3.o Vieira de Carvalho: influência parisiense

Foto do autor 82

4.3.p Largo do Arouche: moradores em situação de rua

Foto do autor 82

(13)

4.4.a Praça Roosevelt Google Earth 89

4.4.b Praça Roosevelt: ocupação dos térreos Desenho do autor 90

4.4.c Praça Roosevelt: ocupação dos superiores

Desenho do autor 90

4.4.d Praça Roosevelt: ocupação diária Desenho do autor 90

4.4.e Praça Roosevelt: ocupação eventual Desenho do autor 90

4.4.f Praça Roosevelt: visão serial a partir do Elevado

Fotos do autor 91

4.4.g Praça Roosevelt: visão serial a partir da Avanhandava

Fotos do autor 91

4.4.h Praça Roosevelt: visão serial a partir da Augusta

Fotos do autor 91

4.4.i Praça Roosevelt: concepção inicial Revista Acrópole 92

4.4.j Praça Roosevelt: vista aérea praça antes da reforma

Site Prefeitura 93

4.4.k Praça Roosevelt: proposta Eduardo Longo 96

4.4.l Praça Roosevelt: detalhes Fotos do autor 98

4.4.m Praça Roosevelt: atividades de entorno Fotos do autor 103

4.4.n Praça Roosevelt: feira livre Foto do autor 106

4.4.o Praça Roosevelt: Você vai se quiser Foto do autor 106

4.4.p Praça Roosevelt: projeto novo EMURB 106

4.4.q Praça Roosevelt: demolição Foto do autor 107

4.4.r Praça Roosevelt: nova praça Foto do autor 108

4.4.s Praça Roosevelt: nova praça Foto do autor 111

4.4.t Praça Roosevelt: pontos ameaçados Foto do autor 113

5.a Pilares cobertos com grafite Foto do autor 117

5.b G afiteà OsàG eos Foto do autor 117

5.c Artista de rua Foto do autor 117

5.d Performance Virada Cultural Foto do autor 117

5.e Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta Foto do autor 118

5.f Passeata contra aumento de ônibus Foto do autor 118

5.g Skate na Roosevelt Foto do autor 120

5.h Cartas no Paiçandu Foto do autor 120

6.a Satyros Foto do autor 123

6.b Parlapatões Foto do autor 123

7.a Conectividade Foto do autor 130

7.b Flâneur Foto do autor 130

8.a Festival da Record, 1967 Google 131

8.b Teatro Oficina Google 131

8.c Hygiene http://www.grupoxixdeteatro.ato.br/ 133

8.d BR-3 http://www.teatrodavertigem.com.br/site/index2.php 133

8.e Poesia Maloqueirista http://www.poesiamaloqueirista.blogspot.com 134

8.f Dolores Bocaberta Mecatrônica de

Artes

http://doloresbocaaberta.blogspot.com/ 134

8.g Baixo Centro http://baixocentro.org/ 137

(14)

SUMÁRIO

PARTE I – Pulso, crises e inflexões

1. Pulso 15

2. Crises 24

2.1. Crise da vida pública 26

2.2. Crise do espaço público 28

3. Inflexões 34

PARTE II – Uma rede pulsante

4. Aproximações dos objetos de estudo 38

4.1. Largo do Paiçandu 43

4.2. Praça Dom José Gaspar 61

4.3. Largo do Arouche 75

4.4. Praça Roosevelt 89

PARTE III Lições do espaço

5. O silencioso gesto político 115

6. Novas sociabilidades 121

7. Tempo com tempo 128

8. Arte transformadora 131

PARTE IV Considerações

Considerações finais 140

(15)

PARTE I Pulso, crises e inflexões

(16)

1. Pulso

A rosa dos tempos desabrocha, desabrocha, desabrocha, novamente. Eu quero simplesmente, a vida semente, a mente que vibra,

vi a as fi as da idade, ue vi a ova e te.

(Presente, de José Miguel Wisnik)

A cidade pulsa. Este trabalho é um gesto de aproximação e entendimento da força que lhe faz vibrar as fibras.

Para que possa subsistir sem aspas, nomear e gerar novos sentidos ao trabalho que trata de vitalidade do espaço público, a ideia de pulso vem de outros campos do saber, como um transbordo multidisciplinar essencial à pesquisa.

Nessa aproximação inicial, a pesquisa alinhava conceitos de pulsaç o àfisiol gi a,à pulsão da psicanálise, pulsa es à daà ast o o ia,àaté chegar à poesia, e à Pulsa ,à deà Augusto de Campos eà Oàpulso ,àdeàá aldoàá tu es.

Pulso em fisiologia

Em fisiologia, segundo o dicionário Houaiss, pulso à ati e toà i te ite teà deà

uma artéria superficial, resultante da passagem de onda sanguínea, que pode ser percebida peloà dedoà aà a t iaà adial,à ouà e à out asà a t ias à eà de i aà doà lati à pulsus,us ,à o à oà sentido de 'abalo, abano, movimento convulso, agitação; embate, choque, pancada; pulsação das veias'; do latim, pulsus ("pulsação cardíaca").

(17)

Pulsão em psicanálise

Em ,à e à Puls esà eà Desti osàdasàPuls es ,à“ig u dà F eudà 1835-1930) expõe sistematicamente sua primeira teoria das pulsões T ie ). Situa a pulsão o oà u à

conceito de f o tei aàe t eàoàpsí ui oàeàoàso ti o à FREUD, p. 85).

Essa fronteira implica uma estimulação que vem do somático e atinge o psíquico. Quatro conceitos auxiliares servem para caracterizar o primeiro conceito freudiano de

pulsão: fonte, pressão, alvo e objeto.

áàfo teà Quelle àdaàpulsão é o processo somático que lhe dá origem.àOàal oà Ziel ,à finalidade, fim, objetivo ou meta) é a suspensão da estimulação na fonte ou as etapas intermediárias que possam levar a esse alvo último. Existe, portanto, uma satisfação da

pulsão Triebbefriedigung ,àai da que parcial, a qual Freud define como a suspensão do estado de estimulação na fonte somática. O objeto da pulsão é a uiloà ju toà aà ue,à ouà através de que, a pulsão pode atingir seu alvo .àO objeto é variável, não está originalmente ligadoà à puls oà eà à coordenado à pulsão em consequência de sua aptidão para tornar possível a satisfaç o à FREUD, 1915, p. 86). Ele é, portanto, contingente, mas esta contingência não significa indeterminação, pois o objeto será determinado, exatamente, po à suaàaptid o ealàouàfa tasiosa à ato a àpossí elàaàsatisfaç o .

Segundo Freud, pulsão é um impulso traduzido em desejo. A pulsão torna dialéticos o sujeito e ambiente, constituição e experiência subjetiva. A necessidade no humano não e isteàsi ples e te.àElaàte àse p eàu à esto,àu à pa aàal à ueà àdaào de àdo prazer (Eros). Esta a diferença fundamental entre instinto e pulsão.

O corte epistemológico freudiano transforma (ultrapassa uma forma) o corpo biológico em corpo erógeno. Onde era instinto (puramente biológico) surge a pulsão (no limite biológico - psíquico). O instinto é sempre inscrito em um determinismo que antecede o indivíduo, é da espécie.

(18)

sexualidade coincide com o aparecimento do fantasma, por estar essencialmente à experiência do prazer. O prazer tem a ver com a economia libidinal, não precisando de um objeto específico. A inespecificidade do objeto o coloca na ordem do fantasma, ou seja, do a soluta e teàsu jeti o.àF eudàafi aà aàpuls oàsexual não tem um objeto determinado, podendo ser qualquer um. Caso o tivesse não teríamos todas as complexas questões

elati asà àes olhaàdoào jeto .à

A teoria das pulsões segue a evolução estrutural da teoria freudiana, dividindo-se em dois tempos. Até 191 à I t oduç oàaoàNa isis o ,àF eudà o side a aàasàpulsões: 1 -

Pulsões de conservação e 2 - Pulsões sexuais. A partir e 1920, ( Pa aàál àdoàp i ípioàdoà P aze ), passa a defini-las em: 1 - Pulsões de vida e 2 - Pulsões de morte ( Eros e Tanatos").

Em oà Oà Mal-Esta à daà Ci ilizaç o à à F eudà ap ese taà u à a tago is oà intransponível entre as exigências da pulsão e as da civilização.

ágo a,à pe soà eu,à oà sig ifi adoà daà e oluç oà daà i ilizaç oà oà aisà nos é obscuro. Ele deve representar a luta entre Eros e a Morte, entre o instinto de vida e o instinto de destruição, tal como ela se elabora na vida humana. Nessa luta consiste essencialmente toda a vida e, portanto, a evolução da civilização pode ser simplesmente descrita como a luta da espécie humana pela vida. E é essa batalha de gigantes que nossas babás te ta à apazigua à o à suaà a tigaà deà i a à so eà oà C u. à F‘EUD,à , p.126)

Pulsar em astronomia

(19)

Com isso as linhas ficam mais densas e esse processo intensifica seu campo magnético, o que, junto com a alta velocidade de rotação, passa a produzir fortes correntes elétricas na superfície da estrela de nêutrons.

Quando se têm estrelas de nêutrons muito pequenas e muito densas, com imenso campo gravitacional (até um bilhão de vezes o da terra) e com desalinhamento entre os eixos eletromagnético e de rotação, pode-se considerar um pulsar, sendo que a radiação emitida pela estrela recebe o nome de pulso.

1.a - Pulsar

Pulsar em poesia

O sentido astronômico de pulsar serve ainda de título ao poema de Augusto de Ca posà “teleg a as ,à1975-1978):

(20)

Marcelo Tápia faz um interessante estudo do poema em Pulsaç esàdeàse tidoàe à Oàpulsa :àu aàpossí elàleitu a à :

Incluído no volume Viva vaia – Poesia 1949-1979 , o poema foi produzido utilizando-se de um recurso ao qual o poeta costumava lançar mão à época: a Let aset, sistema de letras transferíveis por decalque e que dispunha,àp i ipal e teàe àsuaàli haà Let ag aph, deàtiposà fa tasia, ou seja, letras com desenhos originais que visavam à diferenciação e ao ineditismo, com o objetivo de serem utilizadas em trabalhos especiais com acentuado teor gráfico ou plástico.

Mas esses elementos pouco habituais ao repertório popular: notações científicas, cadenciadas por uma métrica concreta e uma sofisticação gráfica característica da poesia concreta, estão a serviço de uma canção endereçada a aproxima de uma canção popular tradicional.

Oàpoe aài luiàaàe p ess oà a osàluz ,àe o aàsejaàe p ess oàligadaà ao repertório técnico da física contemporânea a o-luz à àaà u idadeà ueà corresponde à distância percorrida pelaàluzà oà uo,àdu a teàu àa o1, é bastante utilizada na fala informal, possibilitando que o texto mantenha certo teor de coloquialidade que o aproxima, inclusive, de uma letra de música popular.

O próprio Augusto de Campos sugeriu, certa vez, que o primeiro verso de seu poema poderia integrar uma canção de Lupicínio Rodrigues; isso seria, diga-se, perfeitamente cabível considerando-se, inclusive, sua compatibilidade com o que poderia ser uma canção cujo tema se ligasse à ideia de encontro e desencontro entre um homem e uma mulher, à distância entre amantes, à desilusão amorosa etc. (TÁPIA, 2008, p. 02)

1 Note-seà ue,à oà e soàdeàá.àdeàCa pos,àapa e eà a osàluz àeà oà a os-luz ,àfo aàespe adaàdeàg afiaàdaàe p ess o.à

(21)

O poema de Augusto de Campos foi musicado por Caetano Veloso e incluído no álbum Velô (1984), em cujo encarte aparece o poema, com sua sofisticada apresentação gráfica original (1975).

A entoação dessa gravação vincula uma nota distinta a cada vogal, reforçando o estranhamento e a tensão crescente na articulação entre palavra, significado, som, fonema e imagem.

1.b - Poe aà OàPulsa ,à o àp ojetoàg fi o

Pulso

Há, entretanto, uma canção que popularizou entre as gerações mais jovens, a partir da década de 1980, outro sentido para a palavra pulso, em poema escrito por Arnaldo Antunes com música de Marcelo Fromer e Tony Bellotto para o álbum Õ Blésq Blom (1989),

p p ioàse tidoàdeà dist ia à ueàaàe p ess oàe ol e,àe fatizaàsuaàauto o ia,àpe iti doàaàleitu aàdaàpala aà luz ,à

(22)

da banda Titãs. Esse sentido interessa de forma especial ao trabalho.

A canção discorre, em um compasso que remete à tomada de pulso corporal, alguns nomes de doenças:

O pulso ainda pulsa O pulso ainda pulsa

Peste bubônica câncer pneumonia Raiva rubéola tuberculose anemia Rancor cisticercose caxumba difteria Encefalite faringite gripe leucemia O pulso ainda pulsa

O pulso ainda pulsa

Hepatite escarlatina estupidez paralisia Toxoplasmose sarampo esquizofrenia Úlcera trombose coqueluche hipocondria Sífilis ciúmes asma cleptomania

O corpo ainda é pouco O corpo ainda é pouco

Reumatismo raquitismo cistite disritmia Hérnia pediculose tétano hipocrisia

Brucelose febre tifoide arteriosclerose miopia Catapora culpa cárie cãibra lepra afasia O pulso ainda pulsa

O corpo ainda é pouco (ANTUNES, 1989)

Em meio às doenças fisiológicas e degenerativas, maioria do poema e para as quais já há remédio conhecido, emergem sorrateiramente diluídos outros sentimentos característicos das relações humanas, mas não tomados usualmente como doenças: o rancor, a estupidez, o ciúme, a hipocrisia e a culpa.

(23)

Pulso da cidade

Batimento arterial intermitente, impulso traduzido em desejo, campo gravitacional com desalinhamento entre eixos ou a açoàdeàa os-luz , a palavra pulso assume para o trabalho o sentido comum a todos esses transbordos: intermitência ou oscilação de intensidade de um organismo, seja humano, estelar ou urbano.

O trabalho inicia com uma tomada de pulso dos espaços públicos da região central de São Paulo, da vida citadina pontuada por ruas, praças e edifícios e segue em busca de suas inflexões, pautado justamente pelo brado reativo e desesperado do último poema-canção, buscando onde e como oàpulsoàai daàpulsa .

(24)

2. Crises

O interesse inicial da pesquisa é a observação do pulso do espaço público da região central de São Paulo, buscando equacionar os fatores que caracterizam um momento de crise e a detecção de suas possíveis inflexões.

Antes, é preciso partir de uma reflexão sobre o ponto da oscilação ou intermitência em que o pulso estabelece uma situação de crise.

Por ocasião do recente aniversário de 459 anos da cidade de São Paulo, comemorados em 25 de janeiro de 2013, a arquiteta Raquel Rolnik publicou artigo2 sobre as contradições entre o discurso da pujança, poder e diversidade e o mal-estar generalizado em relação à sua condição urbanística. O foco do artigo é o histórico de ações das políticas públicas que culminaram com o atual sistema de fluxos e moradia como sinais mais evidentes da crise, desde os primeiros projetos de remodelação viária na década de 1920, até o Plano de Avenidas adiope i et al de Prestes Maia, que gerou a expansão da cidade dispersa em direção à periferia. Assim terminou o seu artigo:

Oà ueà te osà pa aà ele a à esteà a i e s ioà ,à po à i í elà ueà pareça, a crise! Só um mal estar como o que atualmente vivemos nesta cidade, aliado à imensa capacidade econômica, técnica e cultural presentes em São Paulo, é capaz de abrir espaços para a ruptura e superação de seu

odoàdeàfaze à idade.

Antes de adotar o conceito de crise, porém, é importante desnaturalizar o sentido negativo que lhe é atribuído. Para isso, a noção de crise evoca conceituação amparada por autores.

No grego, krisis significa escolha, seleção, critério, decisão, mudança no curso de um processo, provocando conflitos ou profundo estado de desequilíbrio.

Ha ahà á e dtà [,.,]à osà ost aà ueà iseà oà de eà se à e te didaà o oà algo,à po à sià es o,à egati o à á e dt,à .à “e examinarmos a

(25)

etimologia da palavra crise, compreenderemos que, nas suas origens gregas, ela não denotava um sentido negativo, mas sim uma tomada de posição, um julgamento ou decisão capaz de separar o verdadeiro do falso. No grego, krisis, eo¯s é tanto a faculdade de distinguir, separar, quanto debate, disputa; o verbo do qual essa palavra deriva é krínó e denota a própria ação de julgar (para decidir melhor). A forma latina crìsis,is passou a significar o momento de decisão cujo objetivo é a execução de uma mudança súbita no curso de um acontecimento, de uma ação, de uma doença etc. As palavras derivadas de crise como crítica, critério, endócrino não têm sentidos negativos; ao contrário, evocam até mesmo algu aàp oduti idade.àCo oàe pli ouàBo hei à ,àp.à ,à issoàtudoà não parece haver um rastro de negatividade ao contrário: há a força de escolher, julgar, discernir, debater; são palavras ligadas à força do pensamento e, po ta to,à à iaç oà daà filosofia,à daà i ia .à ássi ,à pa aà Arendt, as crises, os momentos críticos, nos proporcionam a oportunidade de refletir, de modo a agir para tentarmos mudar o rumo dos acontecimentos; assim, a crise tem, em si mesma, uma positividade que

oàde e osàdespe diça . à VEIGá-NETO, 2008, p.143)

2.a - Hannah Arendt 2.b- Ideog a aà hi sàpa aà ise :

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Para o psicoterapeuta Paulo Gaudêncio, crise é sinal de vida, a evidência do descompasso entre a ideia que caminha e uma estrutura que não lhe serve mais apontando a necessidade de uma desestruturação e reestruturação:

N oà d à p aà o etiza à u aà ideiaà se à u aà est utu aà ueà lheà d à base. [...] Se eu aprendo, a ideia caminha. Chega uma hora que eu tenho uma ideia que não pode se concretizar porque não tem estrutura que lhe dê base. Isto é crise. A crise se dá entre a ideia que caminhou e a estrutura que permaneceu. Essa crise pode ser estrutural. [...] Como é que vai se resolver isso? Uma desestruturação, uma reestruturação e chegamos a um período de paz. Até a gente aprende e a ideia caminha. No que a ideia caminha, a gente vai ter uma nova crise. Crise é eterna, crise é sinal de que aà oisaàest à i a.à“ à oàte à iseàoà ueàest à o to.àC iseà àsi alàdeà ida. 3

Mas em que sentido esses conceitos podem ser aplicados ao espaço público central de São Paulo? Efetivamente há crise no espaço público? Ela é ampla e extensão natural de certo retraimento da vida pública? Ou há uma crise específica decorrente da ação de uma força reconhecível? Passo a seguir a cogitar as duas hipóteses.

Crise da vida pública

A primeira hipótese é a de que a crise do espaço público seja indício ou rastro do acanhamento da vida pública, uma tendência da sociedade contemporânea, sobretudo nas grandes metrópoles. A principal característica desse retraimento é a redução das disposições para o enfrentamento social, o rebaixamento da dimensão política pautada pelo diálogo, pela alteridade. O encontro com o diferente é encarado com indiferença, medo e desconfiança, o que faz perder a beleza de se viver e encarar o sentimento inquietante e desestabilizador do questionamento, do estranhamento natural que a presença do outro sempre causa quando efetivamente se olha para ele.

No fundo, parece tratar-se de um medo do diferente, do aberto indeterminado, à

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experimentação e falta de imaginação (ORTEGA, 2000, p. 6).

Zygmunt Bauman (2004) at i uiàessaà eduç oàdasàso ia ilidadesàaàu aà fluidezàdeà entradas e saídas na rede de relacionamentos, a facilidade da interrupção a qualquer momento devido à falta de compromisso e desengajamento. [...] a fragilidade de vínculos humanos faz com que existam desejos conflitantes nos sujeitos diante da precariedade nos relacionamentos, seja para o esforço em se relacionar e estreitar os laços, seja em mantê-losàf ou os. (BAUMAN, 2004) Na opi i oàdoàauto ,à aàdifi uldadeàdeàesta ele e à í ulosà vindouros nos tempos atuais se deve a expansão da velocidade com que surgem e desapa e e àasà elaç es . (op. cit.)

Nesse sentido, o espaço público no cenário contemporâneo vem se tornando mero espaçoàdeà o su o ,àu àluga à ueà oàe o ajaàaài te aç o,àge a doàe o t osà e esàeà superficiais.

É através da crença na aproximação entre as pessoas como um bem moral atrelado, o desejo de estabilidade e o estranhamento do espaço público que faz com que exista uma fuga para os domínios privados da vida e encontrando, principalmente na família, algum princípio de ordem na personalidade. Na medida em que a família se torna refúgio contra os terrores da sociedade, também se torna gradativamente parâmetro moral para se medir o domínio público. Não é a toa que a procura pelo laço fraterno entre um grupo restrito de pessoas motivadas pelas sensações de duração e segurança.

Traduzem-se, assim, as formas de sociabilidade em metáforas familiares - pautadas nas ideias de proximidade, intimidade, fraternidade - buscando pela segurança e conforto, ante um mundo inóspito e estranho.

A disseminação da ideia de privacidade se torna um fator que não privilegia conhecer o outro e por isso é como se esse outro não existisse. Na medida em que aumenta o contato íntimo, diminui-se a sociabilidade.

Para Sennet (1999), essaà ti a iaàdaài ti idade àp o o eàaà us aàdeàu àa ie teà uniforme, íntimo e seguro, rejeitando o estrangeiro e produzindo o que o autor chama de

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O embrião desse retraimento foi tratado extensamente pelo autor e à OàDe lí ioà doàHo e àPú li o à :

Esseà et ai e toàdoàho e àpa aàaà idaàp i adaàfoiàdefi i doàduasà estratégias identitárias possíveis: ou a total reclusa no domínio privado, ou a personalização no domínio público, mais especificamente, na política. Issoà foià dese ol e doà u aà ultu aà deà espet ulo ,à oà ho e à pú li oà agora tinha de ser um excelente orador, mas antes de tudo, uma visual personalidade, um virtuoso ator, portador da essência do espetáculo. Frente a tal espetáculo, cabia ao cidadão comparado ao espectador observar o político silenciosamente, como se ele possuísse uma aura mística que o tornasse superior ao restante das pessoas. O importante não era o conteúdo do discurso ou as propostas desse homem público, valia mais a personalidade que ele apresentava, como se ele fosse passível de detecção de caráter através de seus traços pessoais. Eis a grande modificação entre o antigo regime para o século passado: enquanto o teatro do século XVIII era um lócus da algazarra, de interação, de debate e de discussão, o do século XIX era o local do silêncio entre a personalidade do espetáculo (o ator) e o resto das pessoas que se consideravam carentes de tal personalidade, que assistiam caladas justamente em busca dessa personalidade que acreditavam não possuir. O silêncio era outra forma de defesa contra a possibilidade de encontrar um estranho, de se manter uma nova relação social, era uma forma de se manter alheio à sociedade, as pessoas passaram a estar em público e ao mes oà te poà sozi has,à aà

elaç oàe t eàpal oàeà uaàesta aàago aài e tida à “ENNETT,à ,àp.à

Crise do espaço público

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processos espaciais, para a compreensão dos processos envolvidos no seu desenvolvimento recente, sobretudo na esfera politica.

Como ocorre em outras metrópoles, o espaço público urbano em São Paulo recebe o impacto de um complexo emaranhado, quase sempre resultante da equação de forças sociais, nem sempre convergentes.

Os sinais resultantes desse complexo emaranhado podem ser percebidos na cultura da cidade e no espaço físico em que ela transcorre.

O espaço urbano capitalista fragmentado, articulado, reflexo, condicionante social, cheio de símbolos e campo de lutas é um produto social, resultado de ações acumuladas através do tempo, e engendradas po àage tesà ueàp oduze àeà o so e àespaço. à CO‘‘ÊA, 1989, p. 10)

Tal equação está protagonizada pela dinâmica de diferentes agentes no modo de produção e de organização do espaço, com estratégias e ações concretas que fazem e refazem a cidade. Esses agentes estão corporificados, na maioria das vezes, como proprietários dos meios de produção, proprietários fundiários, promotores imobiliários, o Estado e grupos sociais.

A atuação desses agentes reflete interesses e reveste-se, em muitos casos, de uma retórica ambígua para a transgressão oportuna em favor de suas prioridades circunstanciais.

É através de uma série de processos sociais que ocorrem nessa modulação de discursos que são gerados processos sociais e formas espaciais, como objetivação de programas e atividades que escrevem a organização espacial urbana.

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espaciais, responsáveis imediatos pela organização espacial desigual e mutável da cidade capitalista. Acrescentar-se-ia que os processos espaciais são as forças através das quais o movimento de transformação da estrutura social, o processo, se efetiva espacialmente, refazendo a espacialidade da sociedade. Neste sentido, os processos espaciais são de natureza social,

u hadosà aàp p iaàso iedade. à(CORRÊA, 1989, p. 36)

O processo social conhecido por centralização, tendo como resultado a forma espa ialàdaà e t alidade ,à aisàdoà ueào de aç oàdo espaço geográfico, envolve medidas que imprimem marcas de segregação, uniformização de usos e dispersão da cidade, e que foram decisivas para o esvaziamento da região central.

No fim do século XIX e começo do século XX, vários instrumentos legais ou políticos foram decisivos para essa configuração: o C digo de Postu asà doà Mu i ípio (publicado em 1875 e retificado em 1886), que tratava de salubridade das moradias,à oà Pad oà Mu i ipalàpa aàHa itaç o (publicado em 1889), oà Pla oàdeàá e idas à(1929) de Prestes Maia e Ulhôa Cintra, que adotava a configu aç oà adialà eà oà Pla oà deà Melho a e tos à (1949) desenvolvido por Robert Moses, a convite do Prefeito Linneu Prestes.

2.c - Plano de Avenidas (1929) 2.d – São Paulo na década de 1950

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O resultado é que temos a população mais rica ocupando bairros predominantemente residenciais, criando bolsões autossuficientes de serviços alheios ao centro. A população mais pobre, inicialmente alojada em cortiços nos casarões deixados por essas populações mais ricas, passa a ser forçada, pela valorização imobiliária da região central, a buscar a periferia, desprovida de infraestrutura.

Lo geàdeà ep ese ta àaus iaàdeàpla eja e to,àoàpad oàpe if i oà responde a uma estratégia de máxima acumulação capitalista. [...] o modelo amplia as possibilidades de especulação imobiliária e de rendimento eleitoral através de uma política clientelista, que barganha apoio nas urnas por algumas melhorias urbanas, ainda que modestas, em

ai osàdispe sos 4

Com isso, o centro, com intenso processo de verticalização, um adensamento dado pelo alto tráfego de automóveis, passa a se configurar de uso predominantemente comercial e de serviços.

Esse deslocamento de centralidade é um manejo de sucessivas intervenções, sempre tendo como pano de fundo a valorização imobiliária. Tem inicio no começo do século XX deixando a região da Sé e atravessando o Anhangabaú, depois nos anos 1950 e 1960 rumo à Região da Avenida Paulista e nos anos 1980 rumo à região da Faria Lima e Berrini e mais uma vez na primeira década do Século XXI, até atingir uma escala metropolitana, com famílias ricas migrando para cidades vizinhas.

Oà e t oà t adi io al,à e ua toà foià e t oà daà i o iaà – das burguesias –, era o centro da cidade. Hoje, ele é o centro da maioria popula .àJusta e teàago aà ueàoà e t oà elho à àoà e t oàdaà idadeà– pois agora ele é o centro da maioria –, a ideologia dominante declara que a cidade tem um novo centro. É curioso. O centro novo, segundo a ideologia dominante, passa a ser o centro da minoria. É o processo de u i e salizaç oàdoàpa ti ula àpo àpa teàdaà lasseàdo i a te.àOà seu à e t oà

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deve ser sempre o centro da idade. 5

A noção de centro velho fica então atrelada ao resíduo problemático, com deterioração de imóveis, desvalorização, insegurança e abandono.

Ainda assim, a região do centro histórico está longe de ser um lugar preterido e, mesmo com todos os problemas, segue como referência simbólica e de pertencimento para o cidadão da metrópole.

O enfrentamento dos problemas da região central pelo poder público é mais retórico do que efetivo, com planos como a Operação Urbana Centro (1997), que recuperou o Vale do Anhangabaú, e outros mais recentes, como a Operação Nova Luz à (2011).

2.e - Operação Urbana Centro 2.f - Operação Nova Luz

Em ambos, há um reforço da caracterização da região como polo de comércio e serviços e redução da diversidade de usos, com perdas significativas para o setor da moradia.

áà ei teg aç oàdeàposseàe igeàaàsaídaàda uelesà ueà i de ida e te à ocuparam o Centro, durante os anos em que a elite estava mais interessada osà o osà ai osà e lusi osà doà seto à sudoesteà daà idade (ANDRADE, 2001, p. 22)

Intervenções pontuais, com a pretensão de dinamizadoras de recuperação,

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mostraram-se inócuas, pois ainda são pautadas pelo ideal do embelezamento e da valorização imobiliária, muitas vezes em parceria com interesses privados (instrumentos de propaganda, valendo-se, ainda, das leis de incentivo à cultura.) pois ainda atendem à elite, senão aàu àidealà et i oàdoàPode àpú li o,à o àaà ha elaàdeà poloà ultu al .

Oà g a deà is oà desseà e fo ueà dasà oisasà à ueà aà ge teà podeà descambar para a estética urbana, não é isso? E para a cosmética urbana, que é a grande moda atual. E para o divertimento das pessoas. E, com isso, se desvia também a direção política. Você não enfrenta os problemas: oferece, istalizados,àosà o osàespaços .6

Em síntese, assumindo crise como momento crítico, de atenção e definição de critérios, considerando uma predominância de retraimento da vida pública no sentido amplo, agravada pelo reforço de uma ordem ativa que encolhe e esvazia o espaço público em particular, temos uma crise, que evoca uma escolha criteriosa de caminhos, de mudança ou inflexão de rumos. É essa a fresta desafiadora que me interessa neste trabalho.

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3. Inflexões

Uma aproximação física do espaço público em uma caminhada na região central mostra queàasà uasàest oà heias,àouà i igadas àpelaàp ese çaàhumana.

Mas a mera constatação quantitativa dessa presença corpórea não pode ser tomada como garantia de que haja uma vitalidade reativa interessante em relação à citada crise do espaço público. Prova dessa insuficiência é a superlotação de equipamentos urbanos desconfortáveis ou mesmo as chocantes aglomerações em torno do consumo de entorpecentes na região central, sobre as quais a cidade se prostra impotente.

3.a – Radial Leste 3.b – Ocupação por dependentes do crack

Porém, verificam-se outras expressões da vontade de estar no espaço público, que superam medos e inseguranças e revertem a tendência do retraimento, expandindo possíveis novas sociabilidades. Talvez o sintoma de crise prolongada tenha aguçado em nós uma disposição para inventar frestas, novas formas de viver na cidade. Serão essas as expressões tomadas neste trabalho como inflexões.

Elas ocorrem tanto em eventos programados quanto nas ocupações espontâneas cotidianas observadas na vida citadina, precisamente em relação ao espaço público, nos seus pontos de encontro, que demandam um entendimento de um espaço que é menos arquitetônico do que social, econômico, político e cultural.

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identifica determinada cidade, — parece-nos inegável que o espírito citadino poderá ser melhor reconhecido naqueles pontos da estrutura urbana que acolheram os ações coletivas de seu povo: geralmente as ruas e asàp aças.àáàp o u aàdoà o aç oàdaà idade àjustifi a-se portanto quando se deseja chegar ao núcleo que fixou em espaço urbano o caráter de uma cidade. Mais importante ainda é perceber os mecanismos de adaptação desses pontos de encontro, palcos que são duma vida em constante

uda ça. à WILHEIM,à

Aprofundando a investigação, interessam-me os aprendizados dessa percepção, que podem trazer o questionamento para a área do projeto. De que forma o espaço público, por suas características morfológicas intrínsecas ou pelo favorecimento à ocorrência dessas inflexões, pode propiciar a eclosão de um ambiente livremente disposto aos encontros, trocas e relações espontâneas, dinâmicas e intensas?

Pa aàá e dt,à[...]àoàespaçoàpú li oàseàap ese taàse p eàso eàu aà multiplicidade de aspectos, o qual só com o triunfo das determinações biológicas ou dos processos econômicos aparece como singular. Ou seja, o fim do mundo compartilhado, do espaço dos assuntos humanos, aparece no momento em que ele é visto sob um aspecto particular e não na sua

ultipli idade. à O‘TEGá,à ,àpg.à

3.c – Ponto de encontro 3.d – Ponto de encontro

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Oà ueà aà esfe aà pú li aà o side aà i ele a teà podeà te à u à e a toà tão extraordinário e contagiante que todo um povo pode adotá-lo como modo de vida, sem com isso alterar-lhe o caráter essencialmente privado. [...] O termo público significa o próprio mundo, na medida em que é comum a todos nós e diferente do lugar que nos cabe dentro dele. [...] Conviver no mundo significa essencialmente ter um mundo de coisas interposto entre os que nele habitam em comum, como uma mesa se interpõe entre os que se assentam ao seu redor; pois, como todo intermediário, o mundo ao mesmo tempo separa e estabelece uma relação entre os homens. [...] A esfera pública, enquanto mundo comum, reúne-nos na companhia uns dos outros e, contudo, evita que reúne-nos colidamos uns com os outros, por assim dizer. O que torna tão difícil suportar a sociedade de massas não é o número de pessoas que ela abrange, ou pelo menos não é este o fator fundamental; antes, é o fato de que o mundo entre elas perdeu a força de mantê-las juntas, de relacioná-las umas às outras e de separá-las. à á‘ENDT,à ,àpg.à

Uma efetiva requalificação da região central e de seus espaços públicos não pode prescindir de considerar sua complexidade e diversidade funcional, que promova ocupação em tempo integral e para diversos públicos.

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PARTE II

Uma rede pulsante

A segunda parte toma por estudo de caso quatro espaços públicos da região central de São Paulo: Largo do Paiçandu, Largo do Arouche, Praça Dom José Gaspar e Praça Roosevelt.

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4. Aproximações dos objetos de estudo

Para a escolha dos objetos de estudo na região central de São Paulo, foi definido um quadrilátero e ol e doàosàp i ipaisàespaçosàpú li osàdoà Ce t oàVelho ,àonde se pode observar um pulso intenso, dado pela presença humana.

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4.c – A região central: fluxos (sem escala)

Em um novo recorte, foram destacados quatro espaços em que se observa reação à crise, locais em que o contraste fica explícito no contraponto entre a estrutura arquitetônica, dado pela própria configuração do espaço público e pela proximidade com equipamentos, edifícios ou condensadores de articulação com a cidade, e também onde se verifica a ocorrência de outras formas de apropriação que não exatamente arquitetônicas.

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4.d – As praças escolhidas (sem escala)

Sem eleger modelos e evitando a reverência desmedida, ao olhar para os objetos, o trabalho busca o pulso oscilatório ou intermitente que evidencia a situação de crise, como momento crítico ou de impasse entre a estrutura arquitetônica (predominantemente do ideário moderno) e outras prováveis formas de ocupação que surgiram, ecoando o conceito de crise dado por Paulo Gaudêncio: o descompasso entre a estrutura que permaneceu e a ideia que caminhou.

Foram definidos os quatro espaços públicos para estudo: Largo do Paiçandu, Praça Dom José Gaspar, Largo do Arouche e Praça Roosevelt.

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arquitetônica e social.

Aproximação histórica: de forma descritiva, a localização, origens do nome, formação, intervenções e projeções futuras.

Aproximação arquitetônica: informa aspectos físicos do espaço, tipologia ou morfologia dos espaços ou edifícios, com dados dos quais se possam depreender sua formulação, incluindo entorno, acessibilidade, equipamentos, iluminação, segurança, soluções arquitetônicas, materiais utilizados.

Aproximação social: suplemento social, antropológico ou cultural, dado pela ocupação, pela presença humana que pode ou não atualizar as duas primeiras, incluindo outras formas de apropriação que ultrapassam as da arquitetura. Inclui programa, dinâmicas ocorridas, conotação simbólica das apropriações.

Essas três formas de aproximação dos objetos de estudo foram escolhidas como instrumental metodológico porque podem ajudar a evidenciar os fatores de crises e inflexões, entre a estrutura arquitetônica e as forças que a vitalizam, dadas pela atividade humana, pelas dinâmicas sociais.

A escolha está amparada pelos instrumentais manejados por Richard Foqué, em seu apítuloà à deà Building Knowledge in Architecture à ,à e à ueà defe de, essencialmente, que as formulações teóricas podem ser mais precisamente observadas a partir dos estudos de caso e com três formas de aproximação: sintática, semântica e pragmática

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4.1. Largo do Paiçandu

A escolha do Largo do Paiçandu se justifica pela importância histórica de ter abrigado um potente centro cinematográfico e boêmio, por passar hoje por um sintomático e agudo momento de abandono da arquitetura da praça e pelo seu contraste com as formas de apropriação do entorno.

4.1.a - Largo do Paiçandu

Yacuba, Zunega e Paysandú

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4.1.b – Rua São João em 1887

Segundo Manoel Vitor7, o nome original do largo era Praça das Alagoas em alusão às diversas nascentes e lagoas formadoras do riacho Yacuba:

O nome original do local era Praça das Alagoas em alusão às diversas nascentes e lagoas formadoras do riacho Yacuba, ali existente. A lagoa mais volumosa era a conhecida a partir de 1870 como Tanque do Zunega8, nome pelo qual passou a ser denominado o local, em detrimento de Praça das Alagoas. Com a drenagem da área e canalização do rio Anhangabaú, o nome foi modificado para Largo do Paissandu em homenagem à cidade de Paysandú tomada no Uruguai em 1865. Atualmente a grafia utilizada é Paiçandu, por se tratar de palavra indígena, Ypaúçando.

O o eà Paissa du, segundo alguns historiadores, vem da cultura dos índios guaranis da junção das palavras pai= senhor, mbai= estrangeiro, arandú= sábio:

7 “ oàPauloàdeàá tiga e te ,à “a paá t ,à oàsiteàofi ialàdaàP efeitu aàMu i ipal.

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A presença dessa influência guarani na razão do nome dado à praça localizada no Centro de São Paulo pode estar no fato das investidas do Brasil na Guerra do Paraguai. Oà o eà La goà doà Paissa du ,à nomenclatura definitiva recebida por proposta do vereador Malaquias Rogério de Salles Guerra, em 28 de novembro de 1865, refere-se à Batalha de Paissandu, iniciada em 1864, com o lançamento de um pelotão do Exército, comandado pelo General Menna Barreto, em direção a Paysandú, no Uruguai, contra as tropas paraguaias, ataque que antecedeu a Guerra do Paraguai. O cerco durou quase um ano, terminando com a vitória de brasileiros e uruguaios, quando as tropas abriram o caminho que desejavam até Montevideo. Como o nome Paissandu ficara célebre naquela fase preparatória da Campanha do Paraguai, ao término da luta foi esse nome dado ao Largo.

4.1.c – Largo do Paiçandu, fim do século XIX

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Paulo.

“o e teà e à eadosà doà s uloà XIXà à ueà aà ea,à po à o de à doà governo provincial, foi dessecada e terraplenada. Mesmo assim, permaneceu pouco valorizada, contando com reduzida ocupação e mantendo seu caráter periférico.9

4.1.d – Térreos com uso predominantemente comercial

4.1.e – Superiores com uso predominantemente corporativo

4.1.f - Ocupação diária moderada, com predomínio de passageiros de ônibus

4.1.g - Ocupação pontual intensa nos fins de semana, como na Galeria do Rock

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

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A capela era um ponto de encontro de negros, àquela época proibidos de entrar em outras igrejas. Além de cerimônias religiosas, o local abrigava também o cemitério dos negros e, em seu subsolo, um quilombo. à LOPE“,à ,àp. 27)

A Irmandade se muda para um novo templo, que teve construção autorizada em 1725 e foi concluído, provavelmente, em 1737, próximo à atual Rua Quinze de Novembro, em local que antes já abrigava os cultos dos negros eàago aà o se a aàasàt adiç esàdaà cultura africana, por meio de autos populares dos congos e cacumbis, tendo dese pe hadoàai daài po ta teàpapelà oàp o essoàdeàa oliç oàdaàes a atu a 10 (Rolnik,

apud LOPES, 2002)

Em 1872, o àaàdesap op iaç oàdeàpe ue os prédios e do terreno do cemitério aí e iste te 11, era autorizada a abertura de um largo em frente à igreja, que viria a se

chamar Largo do Rosário. O largo passa a sediar comércios de luxo e a presença do comércio informal dos negros passa a ser vista como fator de desvalorização do lugar.

Assim, a Igreja dos Homens Pretos, o Largo do Rosário, seus ambulantes e as manifestações culturais populares de origem afro e indígena deveriam representar um desafeto à elite e ao poder público, por estarem localizados num dos pontos que mais se europeizavam o

T i guloàCe t al 12

J àe à ,àso àaà ideologia13 de modernização e higienização da

cidade, a própria igreja tinha seu destino traçado: a remoção para outra área, novamente periférica à Cidade.

9 La goàdoàPaissa duà- i te e ç oà o ài lus o ,àt a alhoàdeàg aduaç oàpa aàaàFáU-USP de Ana Carolina Louback Lopes e Anita R. Tan De Domenico. 2º sem / 2002. Orientador: Prof. João Sette Whitaker Ferreira.

10 Segundo Rolnik, as irmandades de negros, além de comprarem alforrias, atuavam como sedes ocultas de redes de suporte aos movimentos abolicionistas (ROLNIK, 1997).

11 PORTO, Antônio Rodrigues. História Urbanística da Cidade de São Paulo (1554 a 1988), pg. 53. 12 SANTOS, Carlos José Ferreira dos. Nem Tudo Era Italiano – São Paulo e Pobreza (1890-1915), pg.125.

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A partir de 1903 inicia-se a demolição de imóveis para ampliação do Largo do Rosário, incluída sua igreja. Desaparecera a igreja. Era uma vez o Largo do Rosário... Os pretos não mais enfeariam o pátio com suas festanças, reis, rainhas, rústicos... A cidade fi a aàli eàdeà ostu esà a os .14

4.1.h – Largo do Rosário

O remanejamento constante da sede da Irmandade é representativo da estratégia higienista oficial, mal camuflada pela retórica que a justifica:

áà uda çaà daà Ig ejaà doà ‘os ioà e e plifi aà aà i te ç oà doà pode à pú li oà deà e eleza à eà eo ga iza à aà idadeà segu doà osà i te essesà daà classe dominante, promovendo, sobretudo, uma limpeza social. Este processo envolvia a expulsão das camadas populares para a periferia, demonstrando desprezo no combate à pobreza e preocupação em somente afastá-laàdoà o í ioàso ial. à LOPE“.à ,àp.à

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... àaàp o u aàpelaà e odelaç oàa uitet i aàdeà“ oàPauloàeste eà relacionada à formulação de uma nova percepção do que deveria ser a cidade e seus lugares, à tentativa de eliminação de tradições i o e ie tesàeà à a gi alizaç oàdosài desej eis 15

A igreja foi reconstruída no Largo do Paiçandu, sendo inaugurada em 22 de abril de 1908. Ao longo do século XX, a igreja enfrentaria outras dificuldades e ameaças de demolição como, por exemplo, o desenvolvimento da Cinelândia Paulistana, a partir da década de 1930, ou o plano urbanístico da gestão de Prestes Maia que, em 1940, já queria substituir a igreja por um monumento a Duque de Caxias.

Com todas as dificuldades, a Irmandade resiste até hoje no Largo do Paiçandu. Artigo de Maristela Orlowski16 relata o estado deteriorado de conservação da igreja, com estrutura, mobiliário e acervo deteriorados, paredes rachadas, infiltrações, vitrais quebrados e presença de cupins.

Ainda assim, a Irmandade conserva tradições significativas. Neste local, ocorrem as comemorações pela Libertação dos Escravos, no dia 13 de maio, e, mais recentemente, também pelo Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro. Nas duas ocasiões, são realizadas missa-afro, com música, cânticos, danças e indumentárias africanas.

A igreja tem uma implantação não ortogonal em relação à quadra, com o portal principal voltada para a face sul, aberta à chegada do cruzamento da Rua Conselheiro Crispiniano com a Avenida São João. Essa implantação é definidora do pulso desigual do Largo.

15 SANTOS, Carlos José Ferreira dos. Nem Tudo Era Italiano – São Paulo e Pobreza (1890-1915), pg.126. 16

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4.1.i - Igreja em 2013

A face oeste é voltada para um setor ajardinado, com canteiros de percurso induzido e árvores de grande porte gerando sombra. Essa esquina verte para uma confluência de ruas mais estreitas, rebaixadas e que se conectam com a Praça do Correio.

A face leste, voltada para a Avenida São João, embora com movimento mais intenso de carros e pontos de parada de ônibus, e, por isso, mais movimentada, é mais aberta e convidativa à permanência prolongada em seu pátio.

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4.1.j - Monumento à Mãe Preta 4.1.k – Detalhe do monumento

Retratando uma Mãe Preta, amamentando uma criança, possivelmente branca, remontando à época da escravidão em que escravas negras, que haviam dado à luz seus filhos, eram amas de leite de filhos de suas senhoras.

A estátua ganhou posição quase de uma entidade religiosa pela população, reunindo em torno de si rituais católicos e ligados à matriz africana. É possível ver transeuntes depositando a seus pés velas e oferendas como flores, bebidas, comidas e pedidos em pedaços de papel.

Boemia e Cinelândia

O Largo do Paiçandu também guarda a memória de um eixo muito pulsante, iniciado com o alargamento da então Ladeira São João (projeto de Joseph Bouvard, 1913 a 1918).

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Vale resgatar que os Modernistas, sobretudo Oswald e Mario de Andrade promoveram uma interessante aproximação de outras formas menos elitizadas de expressão artística e Piolin pode ser considerado emblema dessa aproximação. Segundo o site oficial da p efeitu a:à E à ,à oà diaà doà seuà a i e s io,à osà ode istasà homenagearam Piolin com um almoço que chamaram de Festim Antropofágico. Considerando que os antropófagos comiam o inimigo para adquirir suas qualidades, o ato si li oàdeà o e àPioli à o stituiu-seà u aà e dadei aà o sag aç oàaoàpalhaço.

4.1.l - Reprodução de aquarela sobre papel Oà i o à

(32,5 x 50 cm), da arquiteta Lina Bo Bardi

4.1.m - Piolin cercado de amigos, incluindo seu empresário, Sr. Jacob Bianchi e Oswald de Andrade

A vida cultural dos cinemas tinha rebatimentos na vida boêmia, baseada no "Bar Rostov" e do famoso Po toàChi ,à aàdécada de 1930.

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4.1.n - UFA-Palácio, na década de 1940 4.1.o - Art-Palácio, em 2013

U à o o,à pode osoà ei oà a aà aà idadeà deà “ oà Paulo,à gi a do,à centrípeto. Esticada, recta, entre duas montanhas symbólicas de nossa grandeza – o Jaraguá, a montanha histórica que Deus fez; e o Martinelli, a montanha moderna que os homens fizeram – a Avenida São João, centralizadora, attrahente, magnética, vae chamando a si a vida urbana, que a ella se gruda e com ella roda empolhada toda de arranha-céus, apinhada de altos e trams, inchada de pencas de gente, borbulhada de cachos de luz. (...) E synthese da vida de hoje, índice infalível do progresso desses tempos – o cinema também para alli converge, es a a a doà asà suasà po tasà eà i a à pa aà aà d ilà li alhaà hu a a . (ALMEIDA, 1938, p. 40)

Na década de 1940 amplia-se a rede de salas, com inauguração de mais de vinte salas17, mas a década seguinte registra os primeiros sinais de desinteresse do público, a partir do surgimento de outras formas de diversão, como a construção do Estádio do Pacaembu, as radionovelas e, posteriormente, a televisão. Ainda assim, a Cinelândia consegue se manter e salas importantes são construídas nesse período: Olido, República,

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Rivoli e Paissandu.

Na década de 1960, com a migração da centralidade para a Região da Avenida Paulista, o polo de cinemas deixa de atrair espectadores e passa a exibir filmes eróticos. Ao longo da década de 1980, esses cinemas tiveram uma transição de usos muito parecida, entre bingos ou igrejas evangélicas. Hoje, alguns resistem exibindo files eróticos ou foram transformados em estacionamentos.

4.1.p - Cinemas de exibição de filmes eróticos 4.1.q - O Ponto Chic e o pernil grego

A praça tem um fluxo intenso de pedestres, sobretudo por ser terminal de X linhas de ônibus e ponto de parada de outras 57 (?) linhas. Porém, está em péssimo estado de manutenção e sem previsão de reversão desse estado. Há muitas atividades durante o dia e raríssimas à noite, tornando o local perigoso.

4.1.r - Terminais de ônibus 4.1.s - O abandono do largo

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abandonados, sobretudo na Avenida São João, entre o Largo e a Avenida Ipiranga, são invadidos por movimentos de reivindicação à moradia, ainda que a infraestrutura da região central não atenda completamente à demanda.

O distrito da República conta com apenas duas escolas de educação infantil (ambas públicas), atendendo apenas 29% da demanda; duas estaduais de ensino fundamental, apresentando taxa de atendimento de 29,3%; e apenas uma, particular, voltada ao ensino médio, não dispondo de nenhuma creche ou centro de juventude. No campo da saúde, há apenas três postos de atendimento médico. A oferta de equipamentos esportivos é também bastante precária. 18

4.1.t - Edifícios invadidos 4.1.u - Edifícios invadidos

As únicas propostas oficiais de requalificação da Praça são do Programa Municipal P‘OCENT‘O 19 e a inauguração da Escola de Circo no Beco do Piolin, prometidas desde

2009 pela Prefeitura, mas ainda sem previsão de início.

Com projeto de Marcos Cartum, Sandra Llovet e Claudio Libeskind, o projeto prevê desapropriação de estacionamentos e um antigo cinema. Estrutura deverá incluir, além do circo, a escola com cursos gratuitos, estrutura de apoio, auditório e sede do Centro de

18 Dados obtidos através de uma comparação de duas publicações da SEMPLA: BDP – AR-Sé, de 1993 e São Paulo em Números, de 2000-2001. Vale ressaltar que a oferta dos equipamentos de educação e saúde não se alterou nesse intervalo de tempo.

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Memória do Circo, que desde 2009 funciona na Galeria Olido. 20

Galeria do Rock, Missa Afro e Paço das Artes

Ainda que o Largo esteja em franca deterioração, algumas formas de apropriação do entorno são pulsantes e podem, se observadas, contagiar a praça, seja pelas mãos da cultura afro-brasileira, com a presença da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, pelos intensos movimentos de reivindicação à moradia em seu entorno, ou pelo lento renascimento a partir da presença de equipamentos culturais: o Teatro Municipal, o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, a Galeria Olido, a Praça Municipal das Artes e a Galeria do Rock.

4.1.v – Praça das Artes 4.1.w – Galeria Olido

Uma das mais conhecidas e visitadas construções do Largo do Paiçandu é o Shopping Center Grandes Galerias, popularmente conhecido como Galeria do Rock, que possui lojas com artigos relacionadas ao gênero, além de lojas com artigos de hip hop no subsolo.

A Galeria do Rock é um edifício de uso múltiplo, de autoria de Ermanno Siffredi & Mario Bardelli, com desenho de piso de Bramante Buffanni, entre a Rua Vinte e Quatro de Maio e o Largo do Paiçandu.

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4.1.x – Galeria do Rock: claraboia 4.1.y – Galeria do Rock: piso

Implantado em um lote estreito e alongado (19,0 x 190,0 m), o edifício faz conexão entre a Rua Vinte e quatro de maio e o Largo do Paiçandu, com pisos conectados por um lance de escadas rolantes para cada acesso e uma escada em arco no centro do edifício, com acesso aos quatro pisos superiores.

Os pisos são integrados visualmente pelo interesse compositivo da perspectiva dos mezaninos elípticos não idênticos, aliada às variações do piso de Bramante Buffanni.

Nesse edifício percebe-se uma tipologia clássica. É um espaço fechado, de circulação linear, com percurso e domínio induzidos e corredores estreitos, com largura que chega a se estrangular em até 2,0 m entre a fachada das lojas e o guarda-corpo que protege a circulação dos vãos.

A Galeria possui características morfológicas muito singulares, mas que ganham novos significados pelo programa de usos.

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4.1.z – Galeria do Rock 4.1.aa – Galeria do Rock

Os vazios são providenciais para a integração visual entre o térreo e os pisos superiores onde essas aberturas e a largura dos corredores deixam que os visitantes sejam momentaneamente convertidos em observadores, gerando um vazio potente, campo fértil que pode possibilitar o inesperado das relações e trocas espontâneas e a articulação das possibilidades de contágio de forças.

A Galeria do Rock conecta dois pontos em um acesso quase natural, mas com um caminho estreito, com visão direcionada às lojas. O grande interesse da circulação encerra-se na própria Galeria, com alguma frustração e anticlímax no momento da chegada ao Largo do Paiçandu ou à Rua Vinte e Quatro de Maio.

Tais condições arquitetônicas foram potencializadas pelo programa da Galeria, com lojas destinadas aos interessados em música alternativa, comércio de produtos para estamparia e artigos de esportes radicais, além de serviços de estética para públicos espe ífi osà pe teadoà af o ,àtatuage àouàpiercing).

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Edifício de articulação potente com o espaço público, também é possível perceber sinais de uma apropriação pautada pela privatização, como a necessidade de contratação de seguranças, instalação de portões delimitando passagens e horários específicos e até mesmo no gesto emblemático de adotar decoração de Natal, hábito característico dos grandes shoppings, em princípio dirigido a um público muito distinto dos frequentadores da Galeria.

Síntese

Herdeiro de um processo cíclico que intercalou a formação apartada da cidade, uma efervescência caracterizada pela constituição de equipamentos culturais potentes e o abandono de sua arquitetura formal, o Largo do Paiçandu vive um momento em que o pulso de seu entorno se intensifica pelas apropriações.

De uma forma orgânica, essas dinâmicas podem ser sintetizadas nas micropolíticas de ocupação nas imediações, sobretudo ligadas aos equipamentos de transporte, aos serviços dos equipamentos culturais, aos estabelecimentos de serviço popular nos setores de alimentação e lazer, observados nas imediações e em função da Galeria do Rock. Vale também observar o contágio que se dará a partir da inauguração do Paço das Artes.

De uma forma mais sistemática, os movimentos de que reivindicam moradia têm ocupado imóveis nas faixas entre o Largo e a Avenida Ipiranga, e entre o Largo e o Vale do o Anhangabaú, em frente ao mesmo Paço das Artes, caracterizando a Avenida São João como um possível vetor de transformação do Largo.

Referências

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