• Nenhum resultado encontrado

Lei n 8.842 de 4 de janeiro de 1994, regulamentada pelo Decreto 1

No documento Download/Open (páginas 123-126)

CAPÍTULO 3 O IDOSO RURAL E O IDOSO URBANO

3.3.6 Lei n 8.842 de 4 de janeiro de 1994, regulamentada pelo Decreto 1

Conselho Nacional do Idoso

Segundo dispõe a Cartilha do Idoso: Acessibilidade e Atendimento Prioritário à Pessoa Idosa,

A Política Nacional do Idoso (...) reconhece a questão da velhice como prioritária no contexto das políticas sociais e propõe criar condições para promover a longevidade com qualidade de vida, colocando em prática ações voltadas não apenas para os que estão velhos, mas também para aqueles que vão envelhecer. (...).

É notório, hoje, no Brasil, que como resposta às pressões provocadas pelas reivindicações dos movimentos sociais, as políticas públicas voltadas para a pessoa idosa vêm procurando harmonizar-se com um modelo de desenvolvimento que a reconheça e a valorize enquanto categoria social, possuidora de traços bastante peculiares e por isso mesmo, sujeita a uma legislação adequada aos seus reclamos.

No tocante à promulgação da lei em debate, (MENDONÇA, 1999, p.1) entende que

A percepção que se tem da velhice está mudando. Existe hoje no Brasil uma política para o idoso: é a Lei 8.842. Ela representa um passo inicial no sentido de reconhecer a importância desse segmento populacional. Esta política foi construída e alicerçada a partir de demandas da sociedade brasileira. Segundo especialistas, essa lei é reconhecida como uma das mais avançadas do mundo, e orienta-se pelos princípios da Constituição Federal de 1988 e também pelos princípios das Nações Unidas: independência, participação, assistência, auto-realização e dignidade. Sabe-se ainda que chegou, ela, com o objetivo de concretizar o plano governamental, regulamentando as diversificadas situações fáticas nas quais se encontra inserida a pessoa idosa. Para tanto, dispôs sobre a Política Nacional do Idoso e a criação do Conselho Nacional do Idoso, elegendo como postulados a independência, a integração e a participação efetiva na sociedade, regulamentada, dois anos depois, pelo Decreto n. 1.948/96, o qual entrou em vigor com o mesmo propósito de ampliar os direitos dos idosos.

Diante da preocupação que pairava sobre a necessidade da instituição de instrumentos jurídicos que lhe assegurassem os direitos sociais, bem como criassem condições para o seu exercício, fomentando a sua autonomia e a sua inserção

efetiva na sociedade, tornou-se imprescindível olhar o idoso como um novo ator social, cujas demandas, hoje, diferem, em muito, daquele de antanho. Portanto, não basta positivar-lhe os direitos; é preciso, sim, viabilizar-lhe o envelhecimento com qualidade (e condições) de vida, não se podendo perder de vista o velho rural, cuja realidade e meios de sobrevivência, ao contrário do que se pensa, distanciam-se cada vez mais do ideal almejado.

Feitas essas considerações, vislumbra-se o lado positivo da situação qual seja, a implementação de novas políticas a exemplo do Plano de Ação Governamental para Integração da Política Nacional do Idoso, envolvendo os Ministérios da Previdência e Assistência Social, da Educação, da Justiça, Cultura, do Trabalho e Emprego, da Saúde, do Esporte e Turismo, Transporte, Planejamento e Orçamento e Gestão, a fim de se criarem condições para a promoção da pretendida longevidade com qualidade de vida para os recentes e os futuros velhos.

Novamente, (MENDONÇA, 1999, p.1) corrobora tal perspectiva, ao afirmar que “A Política Nacional do Idoso X Políticas Públicas está sendo implementada; e as questões que acabamos de pontuar estão mudando em decorrência do esforço do Governo e da sociedade como um todo (...)”.

Percebe-se tal intenção na fixação de diretrizes que viabilizam a materialização dos princípios assentados e na organização no estabelecimento das ações e programas para isso necessários.

Acontece, porém, que, desde que se tem notícias, a implementação das políticas públicas enfrentam muitos impasses no sentido de sua efetivação, mais ainda quando se ocupam de tratar de direitos e interesses de grupos considerados minoritários, como é o caso da pessoa idosa. A lição de (MENDONÇA, 1999, p.1) patrocina esse entendimento, a dizer:

Na sociedade moderna as Políticas Públicas, destinadas à população idosa, encontram dificuldades para sua implementação e apontam duas atitudes: a primeira, negativa, é de desgaste, de enfraquecimento e de discriminação; a Segunda, positiva, é de maturação, de experiência e de acréscimo do conhecimento, sabedoria e sensibilidade. Estamos, portanto diante de uma contradição: a sociedade moderna privilegia valores como respeito à vida, singularidade pessoal e direito à cidadania e à felicidade, mas não os aplica aos idosos. Ao invés disso convida-os a ceder seus lugares aos mais jovens. A sociedade atual vem se conscientizando quanto ao papel que a pessoa idosa deve ocupar na sociedade, principalmente no que diz respeito à valorização, ao compromisso e à sua participação no processo de distribuição de riquezas, isto é, dos bens e serviços sociais básicos destinados ao segmento idoso.

Vê-se que o Brasil não difere das demais sociedades, enfrentando muito maiores obstáculos para levar a termo os objetivos traçados, principalmente em razão dos interesses conflitantes que transitam pelas decisões e pela indispensável vontade política.

Lembra-se, ainda, que, na prática, a aplicação das leis normalmente não se harmoniza com as disposições encontradas em seu texto, não sendo díspar a realidade da lei em tela. Isto posto, oportuno trazer a lume trecho de uma reportagem intitulada A Política Nacional do Idoso: um Brasil para todas as idades, p.1, do grupo de estudos ComCiência que compartilha o mesmo entendimento:

(...) essa legislação não tem sido eficientemente aplicada. Isto se deve a vários fatores, que vão desde contradições dos próprios textos legais até o desconhecimento de seu conteúdo. Na análise de muitos juristas, a dificuldade de funcionamento efetivo daquilo que está disposto na legislação está muito ligada à tradição centralizadora e segmentadora das políticas públicas no Brasil, que provoca a superposição desarticulada de programas e projetos voltados para um mesmo público.

Apura-se, aí, a impossibilidade de as políticas governamentais correspondentes permanecerem inertes, no patamar em que atualmente estão, quando as mudanças contextualizadas no processo de envelhecimento ocorrem em uma velocidade inversamente oposta, trazendo com elas novas e desconhecidas demandas que precisam de regulamentação e implementação.

Outrossim, abrindo um parêntese, não se poderia deixar passar em branco a constatação de que, como as demais, essa lei é nitidamente voltada para o idoso urbano, o que significa que o idoso rural permanece na invisibilidade aos olhos do governo e da sociedade civil, recrudescendo o já deficiente quadro das políticas públicas voltadas para o campo no País.

Apesar de ter disciplinado os princípios assecuratórios da dignidade na velhice, da dicção do artigo 3º, inciso V, emerge a única referência feita ao idoso rural, qual seja, a necessidade de observância pelo poder público e pela sociedade das diferenças socioeconômicas, regionais e, sobretudo, as percebidas entre o meio rural e o urbano.

Por derradeiro, não custa recordar através das palavras de (DE PAULO, 2004, p.91-96) que, embora a mencionada lei enumere minuciosamente o elenco das ações governamentais a serem desenvolvidas nas diversas áreas do contexto social, o caminho é íngreme e as ações e políticas devem orientar-se de molde a

propiciar à pessoa idosa, quer na zona rural ou urbana, as mesmas possibilidades, independentemente de privilégios de qualquer natureza, o que implica ter como legítimos e iguais os direitos e as necessidades de cada um para, se não erradicar, ao menos reduzir a discriminação e as diversidades sociais.

No documento Download/Open (páginas 123-126)