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Lei n 12.213 de 20 de janeiro de 2010 (FNI)

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CAPÍTULO 3 O IDOSO RURAL E O IDOSO URBANO

3.3.8 Lei n 12.213 de 20 de janeiro de 2010 (FNI)

Esta lei institui o Fundo Nacional do Idoso autorizando a dedução, do imposto de renda devido pelas pessoas físicas e jurídicas, das doações efetuadas aos Fundos Municipais, Estaduais e Nacional do Idoso, consoante se verifica em seu artigo inaugural. Altera, ainda, a Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995:

Art. 1o Fica instituído o Fundo Nacional do Idoso, destinado a financiar os programas e as ações relativas ao idoso com vistas em assegurar os seus

direitos sociais e criar condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade.

(...)

Ora, vem, de fato, positivar um desejo antigo da sociedade, que é poder proporcionar, juntamente com o poder público, condições para que o idoso possa realmente exercer com dignidade os direitos que lhe foram assegurados pela legislação constitucional e infraconstitucional, cuja concretização, desde sempre, esbarrou na questão econômica, mais que em qualquer outra.

Sobre seu alcance e importância, manifesta-se o citado senhor Natalino Cassaro, Secretário Geral de Terceira Idade da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) em entrevista publicada no Jornal Virtual da CONTAG:

“A criação desse fundo representa uma conquista, porque os idosos começam a ser reconhecidos pela sociedade e pelo Estado por tudo o que fazem para o País.” A partir de março, o Conselho Nacional dos Direitos do Idoso (sede) vai convocar reuniões para debater a regulamentação do Fundo. A Contag tem assento no Conselho e vai participar dessas discussões. “Temos de trabalhar para que o Fundo se torne realidade a partir de janeiro de 2011. (...)

3.4 - A Valorização do Trabalhador no Campo com Ênfase no Idoso

Conforme sugere o mencionado título, abordar-se-á, nesta fase, a valorização do trabalhador no campo, dando especial destaque ao idoso, em função dos objetivos para cujo alcance se dispôs a autora na presente investigação científica.

Não se poderá, todavia, passar ao cerne da discussão sem antes percorrer os meandros do trabalho rural propriamente dito, desde o seu surgimento.

Com este intuito, traz a lição de (OLIVEIRA, 2011, p.1) quando rememora que

As primeiras características das relações trabalhistas são sociedades envolvidas com a atividade rural. As passagens históricas mostram grupos que viviam com a sua economia ligada ao plantio nas margens do Rio Nilo, no Egito. Cada grupo demarcava a sua propriedade, produziam o necessário para a sobrevivência e permutas.

Todavia, precede, inevitavelmente, a qualquer argumentação dessa natureza, a conceituação de trabalho rural nos moldes em tem sido juridicamente compreendido, conforme preceitua tal autor:

Assim, em sua evolução, o trabalho rural é conhecido popularmente como sendo uma atividade econômica (...) de cultura agrícola, pecuária, reflorestamento e corte de madeira; nele se inclui o primeiro tratamento dos produtos agrários natura sem transformação de sua nqueatureza, tais como o beneficiamento, a primeira modificação e o preparo dos produtos agropecuários e hortifrutigranjeiros e das matérias-primas de origem animal ou vegetal para posterior venda ou industrialização (...) que desenvolve a subsistência e o fornecimento de alimentos para os grupos sociais próximos (...).

A discussão é ampla, como já dito, e passa por várias vertentes. Convergindo ao que interessa a este escrito, (MARQUES, 2011, p.184) registra que quem se propõe a investigar a assunto não poderá desvinculá-lo da formação territorial brasileira, a ser tratada em capítulo próprio, definitivamente interligados que se encontram, uma vez que, para explorar as terras recebidas, os sesmeiros se valiam da força de trabalho da classe dominada, cuja mão de obra era executada por terceiros, constituída por escravos, precedidos pelos indígenas.

Tais entendimentos encontram correspondência no aporte teórico de (OLIVEIRA, 2006, p.1):

Nesse sentido torna-se interessante resgatarmos, ainda que brevemente, a história do trabalho rural no Brasil (...). Nesse resgate voltamos ao período de nossa colonização, pois, como bem mostrou Caio Prado Junior, o tipo particular de colonização a que fomos sujeitos, muito diferente de outras colônias que se instalaram na América do Norte no século XVII, marcou profundamente as relações de trabalho no Brasil. Diferentemente destes, nossos colonizadores vieram com o objetivo primordial de enriquecimento rápido baseado na exploração dos recursos e do trabalho servil (indígena num primeiro momento e escravo de origem africana num segundo período (...)

Ademais, acompanhando a evolução do trabalho rural, aduz (MARQUES, 2011, p.185) que, malgrado as conhecidas barreiras socioeconômicas, culturais e, notadamente políticas, enfrentadas pelo trabalhador de antanho, “A evolução conceitual do trabalho rural foi-se dando a partir de concepções mais humanistas, calcadas na valorização do trabalhador, que, além de ter a liberdade de contratar, passou a receber salário”.

Conquistas à parte, é certo que o rurícola experimentou agruras de toda a natureza, tendo aviltada sua força de trabalho pela classe dominante o que - diga-se de passagem -, se perpetua de variadas formas até os dias hodiernos amenizado, não solucionado, o problema com o mencionado advento da Consolidação das Leis Trabalhistas (Decreto-Lei 5452, de 01 de maio de 1943) que se ocupou de preconizar-lhe alguns direitos.

Ainda assim, cumpre ratificar que a citada legislação, por infortúnio (ou conveniência) praticamente suprimiu do seu ângulo de normatização o empregado rural, deixando, com isso, de visualizar, efetivamente, a realidade do campo, não obstante ter a ele conferido os tais direitos como a percepção de um salário mínimo mensalmente, férias remuneradas, aviso prévio, etc.

Como consequência dessa política que culminou com a sua quase exclusão do pálio celetista, aqueles que exerciam suas atividades na zona rural ficaram à mercê de proteção, mas se viram, enfim, contemplados com a instituição do apontado Estatuto do Trabalhador Rural.

À luz da concepção de (MARQUES, 2011, p.188), o preceptivo “embute muitas conquistas em favor dos trabalhadores rurais”, contudo, não obstante seu intento, pecou pela generalidade, ao estender a proteção legal aos trabalhadores rurais, não aos empregados rurais, compreendendo a expressão, não somente o empregado, mas o empregador rural, situação que acarretou controvérsias de penosa pacificação.

Diante disso, não é demais pontuar - para esclarecer - que a partir de então, o diploma sofreu severas críticas e que, diante da celeuma instalada, tornou-se indispensável à distinção entre as referidas expressões, bem como a sua definição tal como figura na legislação pertinente, consoante prevê o artigo 2º da Lei nº 5.889/73, in verbis:

Art.2º - Empregado rural é toda a pessoa física que, em propriedade rural ou prédio rústico, presta serviços de natureza não eventual a empregador rural, sob a dependência deste e mediante salário.

Para efeito dessa distinção, apresenta-se o entendimento do Tribunal Federal de Recursos, a saber:

EMENTA:

Trabalhador rural. Acórdão. Fundamentação, Lei complementar. Conceito, trabalhador. Previdenciário. Contribuição social urbana. Trabalhador rural. L.C 16/73. Inaplicabilidade. Decadência. Inocorrência. Encontrando-se as atividades laborais intrinsecamente relacionadas com a atividade agrícola desenvolvida pelo empregador, cuida a hipótese, indiscutivelmente, de trabalho rural (...). (Original sem destaque)

Trabalhador rural é todo aquele que exerce atividades agropecuárias tais como plantio, colheita, em regime de parcerias arredamento, bóia fria, enfim, profissionais que trabalham para o empregador rural em propriedade rural ou prédio rústico. Empregado rural é todo aquele que trabalha de forma pessoal e subordinada, cuja natureza do serviço seja de necessidade não eventual, em prédio rústico ou propriedade rural, para empregador rural.

Sedimentando a questão conceitual (FALCAO, 1999, p. 448-459) denota a importância do estabelecimento de parâmetros definidores deste ator social, vez que “destinatário das normas de proteção encontradas na legislação e na doutrina”, “mui particularmente no campo do Direito do Trabalho” e do Direito Agrário, sendo o seu traço distintivo justamente o local onde se desenvolve sua atividade laboral. Além do que, completa o raciocínio, é da própria “(...) essência do Direito Agrário a proteção do homem que trabalha a terra, dela tirando o seu sustento.

Apura-se daí que, muito embora as concepções postas à apreciação apontem para a mesma direção, o trabalhador rural permanece ainda desguarnecido da adequada segurança e proteção legal minuciada.

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