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Leitura sobre a competência

No documento HABEAS CORPUS (páginas 178-185)

8.2 RITOS, PROCESSOS E RECURSOS

8.2.2 Leitura sobre a competência

Análise bem-vinda se faz, também, sobre a competência, pois ainda “[...] que livre o

405 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Habeas corpus nº 110.118. Relator: Ministro Ricardo Lewandowski.

Relator para o acórdão: Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, DF, 22 nov. 2011. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=2500133>. Acesso em: 23 jul. 2018.

406 Idem. Recurso ordinário em habeas corpus nº 82.045-0. Relator: Ministro Sepúlveda Pertence. Brasília, DF, 25 jun. 2002. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=102827>. Acesso em: 23 jul. 2018.

407 Idem. Habeas corpus nº 82.968-6. Relator: Ministro Sepúlveda Pertence. Brasília, DF, 30 maio 2003.

Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=79208>. Acesso em:

23 jul. 2018.

408 Idem. Habeas corpus nº 83.346-2. Relator: Ministro Sepúlveda Pertence. Brasília, DF, 17 maio 2005.

Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=79329>. Acesso em:

23 jul. 2018.

409 Idem. Habeas corpus nº 77.858-0. Relator: Ministro Maurício Corrêa. Brasília, DF, 01 dez. 1998. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=77600>. Acesso em: 23 jul.

2018.

paciente pode o habeas corpus dirimir questões de competência.” (BRASIL

410

, 1974, p. 1006 apud TORON, 2017, p. 213); o “[...] habeas corpus é meio judicial apto a suscitar a incompetência absoluta do juiz. Embora o paciente não esteja preso, o procedimento criminal, pelo séquito de gravames que acarreta ao acusado, importa em restrição de sua liberdade de ir e vir.” (BRASIL

411

, 1979, p. 168 apud TORON, 2017, p. 65).

O pedido de reconhecimento de incompetência absoluta do Juízo processante afeta diretamente a defesa de um direito individual indisponível do paciente: o de ser julgado por um juiz competente, nos exatos termos do que dispõe o inciso LIII do artigo 5º da Constituição Federal. O Ministério Público, órgão de defesa de toda a Ordem Jurídica, é parte legítima para impetrar habeas corpus que vise ao reconhecimento da incompetência absoluta do juiz processante de ação penal (BRASIL412, 2007, p. 223 apud ASSIS; ARAÚJO, 2012, p. 45).

As exceções ao disposto pela legalidade devem ser encaradas com muito cuidado; num acidente ferroviário envolveu-se o interesse de um Estado federado e da União, ao mesmo tempo, mas a Polícia e Justiça Federal não absorveram a competência, pois a perícia já havia sido realizada pela Civil (BRASIL

413

, 2015 apud TORON, 2017, p. 221).

Acontece que esse descuido das autoridades poderia ter custado a cadeia de custódia probatória e consequentemente a culpabilização dos responsáveis, caso a arguição de incompetência tivesse sido entendida como válida.

A competência para o julgamento do habeas corpus é definida pelos envolvidos – paciente e impetrante. [...] Estando os integrante das turmas recursais dos juizados especiais submetidos, nos crimes comuns e nos de responsabilidade, à jurisdição do tribunal de justiça ou do tribunal regional federal, incumbe a cada qual, conforme o caso, julgar os habeas impetrados contra ato que tenham praticado. [...] Uma vez ocorrida a declinação da competência, cumpre preservar o quadro decisório decorrente do deferimento de medida acauteladora, ficando a manutenção, ou não, a critério do órgão competente. (BRASIL414, 2006, p. 242 apud ASSIS; ARAÚJO, 2012, p. 48-49).

410 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso em habeas corpus nº 52.699. Relator: Ministro Thompson Flores. Brasília, DF, 10 set. 1974. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=95038>. Acesso em: 23 jul. 2018.

411 Idem. Recurso em habeas corpus nº 56.873. Relator: Ministro Soares Munoz. Brasília, DF, 27 mar. 1979.

Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=97104>. Acesso em:

23 jul. 2018.

412 Idem. Habeas corpus nº 90.305-3. Relator: Ministro Carlos Britto. Brasília, DF, 20 mar. 2007. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=459650>. Acesso em: 03 jul.

2018.

413 Idem. Recurso extraordinário nº 883.746. Relator: Ministro Dias Toffoli. Brasília, DF, 31 ago. 2015.

Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28%2888374 6%2ENUM E%2E+OU+883746%2EDMS%2E%29%29+NAO+S%2EPRES%2E&base=baseMonocraticas

&url=http://tinyurl.com/y7yh4wnn>. Acesso em: 23 jul. 2018.

414 Idem. Habeas corpus nº 86.834-7. Relator: Ministro Marco Aurélio. Brasília, DF, 23 ago. 2006. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=409304>. Acesso em: 03 jul.

2018.

É possível encontrar mais julgados na mesma linha (BRASIL

415

, 2008 apud ASSIS;

ARAÚJO, 2012, p. 49). “É investido de competência o STF para julgar habeas corpus dirigido contra ato de Tribunal que não possua qualificação de superior.” (BRASIL

416

, 1996, p. 440 apud MOSSIN, 1997, p. 273).

A discussão acerca da correta fixação da competência, bem como da existência de conexão em razão da ligação do homicídio com o crime de tráfico internacional de drogas ou de outro delito apto a justificar a competência da Justiça Federal exige o exame aprofundado de fatos e provas, o que, em sede de habeas corpus, não se mostra possível, visto tratar-se de instrumento destinado à proteção de direito demonstrável de plano, que não admite dilação probatória. (BRASIL417, 2010, p. 78-79 apud ASSIS;

ARAÚJO, 2012, p. 78-79).

Outra questão interessante, como bem expõe Toron (2017, p. 221), é sobre o cancelamento da Súmula nº 394 do STF (BRASIL

418

, 1964 apud TORON, 2017, p. 221), que abriu margem para problemas de competência; é que a orientação nela era de que, se um acusado supostamente tivesse praticado o ato durante a vigência de sua prerrogativa de foro, a competência prorrogava-se, mesmo após o término do cargo ou mandato. Numa questão de ordem suscitada em inquérito policial, a súmula fora derrubada (BRASIL

419

, 1999 apud TORON, 2017, p. 221).

O problema é a contradição que se gera em julgados de leituras diversas, pois sem a fixidez, a competência, que nesse caso não é relativa, mas sim absoluta, é segurança jurídica por questão de ordem pública, contra juízo de exceção, resta maculada. O ex-deputado Ronaldo Cunha Lima renunciara o mandato e fora declarado sem foro privilegiado, todavia, sem caracterizar-se fraude processual, tendo seu processo sido remetido a instância competente (BRASIL

420

, 2007 apud TORON, 2017, p. 221).

Para o ex-deputado Natan Donadon o foro foi mantido, mesmo já não estando no

415 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Habeas corpus nº 85.240-8. Relator: Ministro Carlos Britto. Brasília, DF, 14 fev. 2008. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=548593>. Acesso em: 03 jul. 2018.

416 Idem. Habeas corpus nº 73.924-5. Relator: Ministro Marco Aurélio. Brasília, DF, 06 ago. 1996. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=74852>. Acesso em: 30 jul.

2018.

417 Idem. Habeas corpus nº 100.154. Relator: Ministro Ricardo Lewandowski. Brasília, DF, 16 nov. 2010.

Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=619391>. Acesso em:

03 jul. 2018.

418 Idem. Súmula nº 394. Brasília, DF, 03 abr. 1964. Disponível em:

<http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=394.NUME.%20NAO%20S.FLSV .&base=baseSumulas>. Acesso em: 23 jul. 2018.

419 Idem. Questão de ordem no inquérito nº 687-4. Relator: Ministro Sydney Sanches. Brasília, DF, 25 ago.

1999. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=80757>.

Acesso em: 23 jul. 2018.

420 Idem. Ação penal nº 333-2. Relator: Ministro Joaquim Barbosa. Revisor: Eros Grau. Brasília, DF, 05 dez.

2007. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=519979>.

Acesso em: 23 jul. 2018.

mandato (BRASIL

421

, 2010 apud TORON, 2017, p. 221); o STF entendeu que ele havia abusado do Direito e agido fraudulenta processualmente, por isso foi julgado e condenado ali mesmo. Já no caso do ex-Senador Eduardo Azeredo, que também renunciara ao mandato antes do julgamento da ação penal, o processo fora enviado a juízo de primeiro grau, contudo sem os mesmos óbices (BRASIL

422

, 2012 apud TORON, 2017, p. 221).

Ainda com relação a competência por foro especial, prevalece para algumas doutrinas a leitura de que aos crimes conexos e seus respectivos agentes, resta a absorção por continência e cumulação subjetiva; haja vista essencialidade na reunião dos feitos e oportunidade das questões, sem embargo de julgados divergentes entre STJ e STF nesse diapasão. É que para o Supremo, o complexo “[...] de atribuições jurisdicionais de extração essencialmente constitucional, não comporta a possibilidade de extensão, que extravasem os rígidos limites fixados em numerus clausus pelo rol exaustivo inscrito no art. 102, I, da Carta Política [...]”

(BRASIL

423

, 1995 apud TORON, 2017, p. 223).

A competência por foro é exceção, por Direito estrito; é o que diz a Constituição. “E uma lei processual não pode aditar a Carta, estendendo essa mesma competência.” (BRASIL

424

, 2008, p. 474 apud TORON, 2017, p. 223).

“A competência do Superior Tribunal de Justiça está delimitada na Constituição Federal, não sofrendo alteração considerados institutos processuais comuns – a conexão e a continência.”

(BRASIL

425

, 2008, p. 348 apud TORON, 2017, p. 223). A “[...] necessidade de evitar-se, mediante a reunião de ações penais, decisões conflitantes, não se sobrepõe à competência funcional estabelecida em normas de envergadura maior, de envergadura insuplantável como são as contidas na Lei Fundamental.” (BRASIL

426

, 2007, p. 554 apud TORON, 2017, p. 223).

421 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Ação penal nº 396. Relator: Ministra Cármen Lúcia. Revisor: Dias Toffoli. Brasília, DF, 28 out. 2010. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=622288>. Acesso em: 23 jul. 2018.

422 Idem. Ação penal nº 536. Relator: Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, DF, 19 nov. 2012. Disponível em:

<http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28%28536%2ENUME% E+OU+5 36%2EDMS%2E%29%29+NAO+S%2EPRES%2E&base=baseMonocraticas&url=http://tinyurl.com/j92leag>.

Acesso em: 23 jul. 2018.

423 Idem. Petição nº 1026. Relator: Ministro Celso de Mello. Brasília, DF, 1995.

424 Idem. Habeas corpus nº 89.056-3. Relator: Ministro Marco Aurélio. Brasília, DF, 12 ago. 2008. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=552059>. Acesso em: 23 jul.

2018.

425 Idem. Habeas corpus nº 89.083-1. Relator: Ministro Marco Aurélio. Brasília, DF, 19 ago. 2008. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=573709>. Acesso em: 23 jul.

2018.

426 Idem. Habeas corpus nº 91.273-7. Relator: Ministro Marco Aurélio. Brasília, DF, 15 out. 2007. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=506627>. Acesso em: 23 jul.

2018.

Outra questão pertinente é sobre a nulidade de interceptação telefônica e quebra de sigilo bancário ordenadas por juízo incompetente: devem ser desentranhadas dos autos (BRASIL

427

, 2000 apud TORON, 2017, p. 226). Quando houver mera menção de agente público, protegido por foro de prerrogativa, em investigação criminal, a ação poderá correr normalmente no primeiro grau (BRASIL, 2002

428

, 2003

429

, 2016

430

apud TORON, 2017, p. 230); inclusive quando ocorrer encontro fortuito de provas em escutas telefônicas (BRASIL, 2001

431

, 2004

432

, 2007

433

, 2010

434

, 2011

435

, 2012

436

, 2014

437

apud TORON, 2017, p. 230).

Cabe apenas ao Supremo Tribunal Federal, e não a qualquer outro juízo, decidir sobre a cisão de investigações envolvendo autoridade com prerrogativa de foro na Corte, promovendo, ele próprio, deliberação a respeito do cabimento e dos contornos do referido desmembramento. [...] No caso em exame, não tendo havido prévia decisão desta Corte sobre a cisão ou não da investigação ou da ação relativamente aos fatos indicados, envolvendo autoridades com prerrogativa de foro no Supremo Tribunal Federal, fica delineada, nesse juízo de cognição sumária, quando menos, a concreta probabilidade de violação da competência prevista no art. 102, I, b, da Constituição da República. (BRASIL438, 2016, p. 1 apud TORON, 2017, p. 231).

427 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso ordinário em habeas corpus nº 80.197-8. Relator: Ministro Néri da Silveira. Brasília, DF, 08 ago. 2000. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=102701>. Acesso em: 23 jul. 2018.

428 Idem. Agravo regimental na reclamação nº 2.101-7. Relator: Ministra Ellen Gracie. Brasília, DF, 01 jul.

2002. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=325968>. Acesso em: 23 jul. 2018.

429 Idem. Habeas corpus nº 82.647-4. Relator: Ministro Carlos Velloso. Brasília, DF, 18 mar. 2003. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=79108>. Acesso em: 23 jul.

2018.

430 Idem. Recurso ordinário em habeas corpus nº 135.683. Relator: Ministro Dias Toffoli. Brasília, DF, 25 out.

2016. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=12672473>.

Acesso em: 23 jul. 2018.

431 Idem. Habeas corpus nº 81.260-1. Relator: Ministro Sepúlveda Pertence. Brasília, DF, 14 nov. 2001.

Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=78672>. Acesso em:

23 jul. 2018.

432 Idem. Habeas corpus nº 83.515-5. Relator: Ministro Nelson Jobim. Brasília, DF, 16 set. 2004. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=79377>. Acesso em: 23 jul.

2018.

433 Idem. Habeas corpus nº 84.224-1. Relator: Ministro Gilmar Mendes. Relator para o acórdão: Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, DF, 27 fev. 2007. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=527309>. Acesso em: 23 jul. 2018.

434 Idem. Agravo regimental no agravo de instrumento nº 626.214. Relator: Ministro Joaquim Barbosa.

Brasília, DF, 21 set. 2010. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=615361>. Acesso em: 23 jul. 2018.

435 Idem. Habeas corpus nº 105.527. Relator: Ministra Ellen Gracie. Brasília, DF, 29 mar. 2011. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=1158841>. Acesso em: 23 jul. 2018.

436 Idem. Habeas corpus nº 106.225. Relator: Ministro Marco Aurélio. Relator para o acórdão: Ministro Luiz Fux. Brasília, DF, 07 fev. 2012. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=1836769>. Acesso em: 23 jul. 2018.

437 Idem. Recurso ordinário em habeas corpus nº 120.111. Relator: Ministro Dias Toffoli. Brasília, DF, 11 mar. 2014. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=5544715>.

Acesso em: 23 jul. 2018.

438 Idem. Medida cautelar na reclamação nº 23.457. Relator: Ministro Teori Zavascki. Brasília, DF, 22 mar.

2016. Disponível em:

<http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/visualizarEmenta.asp?s1=000255276&base=baseMono craticas>.

Acesso em: 23 jul. 2018.

No mesmo sentido alhures, há precedentes (BRASIL, 2014

439

, 2016

440

apud TORON, 2017, p. 231). Quando a questão for relevante, a “[...] usurpação da competência do STF traz como consequência a inviabilidade de tais elementos operarem sobre a esfera penal do denunciado. Precedentes [...]” (BRASIL

441

, 2013, p. 1 apud TORON, 2017, p. 230).

O Tribunal pode entender pelo não desmembramento e processar todos na instância própria ao que detém prerrogativa (BRASIL

442

, 2012 apud TORON, 2017, p. 232); ou desmembrá-lo e dar continuidade no processo só em face do agente. A “[...] declaração de imprestabilidade dos elementos de prova angariados em usurpação de competência criminal do Supremo Tribunal Federal não alcança necessariamente os acusados destituídos de foro por prerrogativa [...]” (BRASIL

443

, 2013 apud TORON, 2017, p. 232).

O STF entende a competência por prevenção sob a guarda do Art. 75 do CPP/41 (BRASIL, 1941), onde a decretação de medidas urgentes e, consequentemente, falta de distribuição normal e prévia, não a fixa de forma permanente (BRASIL

444

, 2003 apud CONSTANTINO, 2016, p. 75). A Súmula nº 704 do também Supremo Tribunal (BRASIL

445

, 2003 apud CONSTANTINO, 2016, p. 75) destaca que a atração do corréu por conexão e, ou continência, não viola a garantia do juiz natural, tampouco da ampla defesa e do due process of law.

Mas “[...] se o pedido de reunião dos processos não foi aduzido ao juízo processante, não há ato coator a sanar.” (BRASIL

446

, 2009, p. 243 apud ASSIS; ARAÚJO, 2012, p. 99). E mais: não basta pedir, é preciso fundamento e legalidade para suscitar competência diversa,

439 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Questão de ordem na ação penal nº 871. Relator: Ministro Teori Zavascki. Brasília, DF, 10 jun. 2014. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=7066383>. Acesso em: 23 jul. 2018.

440 Idem. Recurso ordinário em habeas corpus nº 135.683. Relator: Ministro Dias Toffoli. Brasília, DF, 25 out.

2016. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=12672473>.

Acesso em: 23 jul. 2018.

441 Idem. Inquérito nº 2.842. Relator: Ministro Ricardo Lewandowski. Brasília, DF, 02 maio 2013. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=5342808>. Acesso em: 23 jul.

2018.

442 Idem. Ação penal nº 470. Relator: Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, DF, 17 dez. 2012. Disponível em:

<ftp://ftp.stf.jus.br/ap470/InteiroTeor_AP470.pdf>. Acesso em: 23 jul. 2018.

443 Idem. Inquérito nº 2.842. Relator: Ministro Ricardo Lewandowski. Brasília, DF, 02 maio 2013. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=5342808>. Acesso em: 23 jul.

2018.

444 Idem. Habeas corpus nº 83.086-2. Relator: Ministro Carlos Velloso. Brasília, DF, 16 dez. 2003. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=79242>. Acesso em: 31 jul.

2018.

445 Idem. Súmula nº 704. Brasília, DF, 24 set. 2003. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/

listarJurisprudencia.asp?s1=704.NUME.%20NAO%20S.FLSV.&base=baseSumulas>. Acesso em: 31 jul.

2018.

446 Idem. Habeas corpus nº 83.428. Relator: Ministro Cezar Peluso. Brasília, DF, 06 out. 2009. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=606300>. Acesso em: 03 jul. 2018.

pois

É consabido que o habeas corpus tem previsão constitucional para aquele que sofre ou se acha ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder (art. 5º inc. LXVIII, CF). É inviável o habeas corpus, pois a impetração, tal como posta nos autos, tem a finalidade exclusiva de alterar o local qual deverá ser processado e julgado o paciente, o que demonstra, em última análise, os impetrantes não buscam afastar ou evitar qualquer ameaça ao direito de locomoção do paciente, mas, tão-somente, alterar o órgão jurisdicional para o seu processamento e julgamento. (BRASIL447, 2008, p. 544 apud ASSIS; ARAÚJO, 2012, p. 124-125).

“A decisão objeto do pedido de extensão foi proferida pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará. Nesse diapasão, a jurisprudência desta Corte Suprema já assentou que ‘competente para apreciar a extensão é o órgão jurisdicional que concedeu o benefício a co-réu’.”

(BRASIL

448

, 2009, p. 205 apud ASSIS; ARAÚJO, 2012, p. 96).

Noutro exemplo, cabe habeas corpus na área Militar para impedir processamento de civil cujo praticara crime contra a Polícia ou Brigada Militar do Estado (BRASIL

449

, 1994 apud CONSTANTINO, 2016, p. 128). “O Supremo Tribunal Federal não tem competência para conhecer e julgar pedido de habeas corpus cuja causa de pedir ainda não foi submetida ao crivo das Cortes ordinárias e do Superior Tribunal de Justiça, sob pena de supressão de instância.”

(BRASIL

450

, 2008 apud ASSIS; ARAÚJO, 2012, p. 102); nessa mesma direção (BRASIL, 2008

451 452

, 2009

453 454 455

, 2010

456

, 2011

457

apud ASSIS; ARAÚJO, 2012, p. 102-103).

447 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Agravo regimental no habeas corpus nº 94.224-5. Relator: Ministro Menezes Direito. Brasília, DF, 12 jun. 2008. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=547243>. Acesso em: 03 jul. 2018.

448 Idem. Habeas corpus nº 98.781. Relator: Ministra Ellen Gracie. Brasília, DF, 24 nov. 2009. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=607286>. Acesso em: 03 jul. 2018.

449 Idem. Habeas corpus nº 70.604-5. Relator: Ministro Celso de Mello. Brasília, DF, 10 maio 1994. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=72554>. Acesso em: 31 jul.

2018.

450 Idem. Habeas corpus nº 94.016. Relator: Ministro Celso de Mello. Brasília, DF, 16 set. 2008. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=382117>. Acesso em: 03 jul. 2018.

451 Idem. Habeas corpus nº 94.016-1. Relator: Ministro Celso de Mello. Brasília, DF, 16 set. 2008. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=578258>. Acesso em: 03 jul.

2018.

452 Idem. Habeas corpus nº 94.619-4. Relator: Ministra Ellen Gracie. Brasília, DF, 02 set. 2008. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=550515>. Acesso em: 03 jul. 2018.

453 Idem. Habeas corpus nº 93.173. Relator: Ministro Dias Toffoli. Brasília, DF, 10 nov. 2009. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=606520>. Acesso em: 03 jul. 2018.

454 Idem. Habeas corpus nº 93.500-1. Relator: Ministra Cármen Lúcia. Brasília, DF, 30 jun. 2009. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=600716>. Acesso em: 03 jul.

2018.

455 Idem. Habeas corpus nº 87.912-8. Relator: Ministro Marco Aurélio. Brasília, DF, 26 maio 2009. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=597168>. Acesso em: 03 jul.

2018.

456 Idem. Habeas corpus nº 101.377. Relator: Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, DF, 20 abr. 2010. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=613710>. Acesso em: 03 jul.

2018.

457 Idem. Embargos de declaração no habeas corpus nº 102.041. Relator: Ministro Celso de Mello. Brasília,

A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal não admite o conhecimento de habeas corpus, por entender incabível o exame de fundamentos ainda não apreciados definitivamente pelo órgão judiciário apontado como coator, mormente quando o objeto foi prejudicado pelo julgamento em definitivo do Habeas corpus impetrado no Superior Tribunal de Justiça. (BRASIL458, 2008, p. 557 apud ASSIS; ARAÚJO, 2012, p. 104).

Há julgado similar (BRASIL

459

, 2010 apud ASSIS; ARAÚJO, 2012, p. 104). “O Supremo Tribunal Federal não é competente para examinar, na via processualmente contida do habeas corpus, as provas até então colhidas na instrução criminal.” (BRASIL

460

, 2008 apud ASSIS; ARAÚJO, 2012, p. 105). De idêntica apreciação (BRASIL

461

, 2009 apud ASSIS;

ARAÚJO, 2012, p. 105).

Esses foram alguns exemplos jurisprudenciais em habeas corpus onde a competência é

indagada. Como se vê pela pluralidade de indagações ao juízo, é fértil o terreno.

No documento HABEAS CORPUS (páginas 178-185)