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4.3 CONSUMO DE CICLO OTTO

4.3.1 Licenciamento e Frota

Nesta etapa, o primeiro passo foi criar uma equação para o licenciamento total de veículos leves no Brasil (nacional e importado), tendo como base os dados da ANFAVEA, e o segundo foi calcular a frota por tipo de veículo (Flex, Álcool e Gasolina), para isto foi considerada a curva de sucateamento apresentada no trabalho do Ministério da Ciência e Tecnologia (2006).

4.3.1.1 Licenciamento

Os dados estão em base mensal, o período de estimação é de março de 2002 a abril de 2008 e o licenciamento total foi colocado em função PIB mensal e da sazonalidade. Outras variáveis como a taxa CDI, a taxa de juros veículos e a renda familiar foram testadas, mas como nenhuma obteve resultado satisfatório, foram desconsideradas.

Foi na equação (2), exibida em seguida, que foram feitos os testes de raiz unitária e cointegração.

LICtott = C + 1JANt + 2FEVt + 3MARt+ 4ABRt +5MAIt +6JUNt +7JULt +8AGOt

+9SETt +10OUTt +11NOVt + 12Yt + t, onde: (2)

LICtott = licenciamento total de veículos leves (nacional e importado) mensal no período t. Fonte: ANFAVEA – Cartas da Anfavea

C = constante

JAN A NOVt = dummy mensal, onde esta é igual a 1 no mês em questão e 0 nos demais meses.

Yt = PIB Brasil mensal em R$ milhões de 2008 no período t. Fonte: Banco Central (PIB mensal em R$ Milhões – tabela 4380 do Sistema Gerenciador de Séries Temporais) e IBGE (IPCA – cálculo multiplicador para R$ de 2008)

Foram feitos os testes de raiz unitária para a série de dados das variáveis Licenciamento Total e PIB e em ambos os casos foi aceita a hipótese nula de raiz unitária. Posteriormente foi efetuado o teste de cointegração no resíduo da equação (2) e foi rejeitada a 5% a hipótese nula de que não há cointegração, conforme pode ser visto nas tabelas 5 e 6.

Augmented Dickey-Fuller test statistic -3,418673

Tabela 5 – Licenciamento Modelo Proposto: Teste Cointegração ADF

Nível de Significância 1% 5% 10% Valor Crítico -3,9 -3,34 -3,04

Tabela 6 – Licenciamento Modelo Proposto: v. críticos do teste de cointegração EG-ADF

Dado o exposto acima, como há cointegração, foi utilizado o modelo de correção de erros, conforme segue na equação (3), e o resultado da regressão se encontra na tabela 7.

LICtott =  + 1JANt + 2FEVt + 3MARt+ 4ABRt +5MAIt +6JUNt +7JULt +8AGOt

+9SETt +10OUTt +11NOVt + 15Yt + 1 (LICtott-1 – (C + 1JANt-1 + 2FEVt-1 + 3MAR

t-1+ 4ABRt-1 +5MAIt-1 +6JUNt-1 +7JULt-1 +8AGOt-1 +9SETt-1 +10OUTt-1 +11NOVt-1 +

12Yt-1)) + ut, onde  é a diferença do periodo t e o period t-1 (3)

Variável Coeficiente Erro Padrão Estatística-t Prob.

C 21287.92 4815.856 4.420382 0.0000 D(Y) 2.390104 0.370015 6.459487 0.0000 JAN -40400.1 6517.764 -6.19845 0.0000 FEV 4523.808 6788.925 0.666351 0.5077 MAR -21577.2 7904.106 -2.72987 0.0083 ABR -31461.7 6660.416 -4.72369 0.0000 MAI -37953.4 8234.267 -4.60921 0.0000 JUN -29079.5 6756.056 -4.30422 0.0001 JUL -6271.94 6449.73 -0.97244 0.3347 AGO -19285.4 7006.72 -2.75242 0.0078 SET -16724.9 6444.617 -2.59518 0.0119 OUT -31830.3 8231.035 -3.86711 0.0003 NOV -26023.2 6941.081 -3.74916 0.0004 RESID(-1) -0.32237 0.107829 -2.98963 0.0040 R2

0.729633 Média var dependente 2079.365

R2 ajustado 0.671053 D.P. var dependente 19462.33

Erro Padrão da Regressão

11162.4 AIC 21.64715

Soma quadrática resid

7.48E+09 SIC 22.08305

Estat Durbin-Watson 1.972217 Estatística-F 12.45542

Prob(Estatistica-F) 0.0000

Neste modelo todas as variáveis são significantes e o sinal positivo do PIB faz sentido, dado que quanto maior este for, maior será o licenciamento. O R2 ajustado baixo juntamente com um resíduo que não parece em sua totalidade um ruído branco, pode indicar que algo ainda poderia ser modelado, mas dos testes efetuados este foi o melhor modelo. Uma possibilidade poderia ser o preço do veículo, mas não foi possível obter a base histórica de preço de um veículo popular zero km. O resultado da previsão versus o do licenciamento observado segue na figura 4, em forma de gráfico (estimado – linha vermelha; real – linha azul) e na tabela 8, sendo o valor da previsão o utilizado para estimar a frota.

Figura 4- Licenciamento Modelo Proposto: gráfico previsão observado vs. estimado

Tabela 8 – Licenciamento Modelo Proposto: Resultado previsão vs. observado

120000 160000 200000 240000 280000 320000 2008M07 2008M10 2009M01 2009M04 LICENCIAMENTO_TOTAL Z2_FCAST_LIC52 Z2_FCAST_LIC52+2*Z2_FCAST_LIC52_SE Z2_FCAST_LIC52-2*Z2_FCAST_LIC52_SE

mês/ano Observado Anfavea Projeção Proj -Obs Erro2 Proj/Obs

mai-08 230 250 20 388 8.57% jun-08 243 236 -7 48 -2.84% jul-08 273 247 -26 651 -9.35% ago-08 231 249 18 331 7.88% set-08 254 221 -33 1,099 -13.05% out-08 225 269 44 1,980 19.80% nov-08 166 205 39 1,488 23.21% dez-08 184 156 -28 779 -15.19% jan-09 190 175 -14 205 -7.55% fev-09 191 181 -10 105 -5.36% mar-09 261 186 -75 5,596 -28.67% abr-09 224 266 42 1,760 18.70% Média 12m 223 220 -2 1,203 n/a

mai/08 a abr/09 Observado Anfavea Projeção Proj -Obs Proj/Obs 12 meses ac 2,672 2,642 -30 -1.12%

licenciamento em mil

4.3.1.2 Frota

Para o cálculo da frota foram utilizados os dados de licenciamento observado de veículos leves (nacional e importados), o licenciamento estimado no item anterior e a curva de sucateamento utilizada no trabalho do Ministério da Ciência e Tecnologia (2006), sendo esta demonstrada a seguir:

curva de sucateamento: 𝑌𝑡 = 𝑌0/(1 + 𝑒 𝑎× 𝑡−𝑡0 ) + 𝑌0/(1 + 𝑒 𝑎× 𝑡+𝑡0 ), onde Yt = percentual de veículos em circulação com t anos de idade

Y0 = 100% t = idade veículo

t0 = determina em quanto tempo o sucateamento alcançará 50%

a = determina o “S” da curva do sucateamento (quanto menor este coeficiente, maior o sucateamento no início)

Os valores atribuídos para a e t, tiveram como base o trabalho original e objetivo de alinhar a frota estimada com a frota divulgada no anuário estatístico da ANFAVEA (frota de veículos leves incluindo os movidos a diesel) respectivamente.

Tabela 9 – Frota Modelo Proposto: Cálculo veículos em circulação (curva sucateamento)

t0 a

16.7 0.19

calculo será feito na planilha "Frota Total (sem Diesel)".

Idade Veículo % Em circulação Idade Veículo % Em circulação 0 100.0 17 48.7 1 98.5 18 44.0 2 97.0 19 39.4 3 95.4 20 34.9 4 93.7 21 30.7 5 91.8 22 26.8 6 89.7 23 23.3 7 87.4 24 20.0 8 84.8 25 17.2 9 82.0 26 14.6 10 78.7 27 12.4 11 75.2 28 10.5 12 71.4 29 8.8 13 67.2 30 7.4 14 62.8 31 6.2 15 58.2 32 5.2 16 53.5 33 4.3

Inicialmente foi efetuado o cálculo da frota total de veículos leves incluindo os movidos a diesel a fim de averiguar se está próxima da frota divulgada pela ANFAVEA, que também é estimada, no anuário estatístico. Nesta etapa somente foram utilizados os dados de licenciamento real, pois o objetivo nesta não é a previsão e sim averiguar se os parâmetros escolhidos estão razoáveis. Na tabela 10 podem ser observadas a frota calculada e a frota divulgada pela ANFAVEA nos últimos quatro anos. A tabela completa com a frota calculada se encontra no apêndice B.

Tabela 10 – Frota Modelo Proposto: Frota estimada Anfavea vs Frota calculada

As demais frotas tiveram como base o licenciamento real até abril de 2008 e a curva de sucateamento. Para o período de maio de 2008 a abril de 2009 foi utilizado, além da curva de sucateamento, o licenciamento estimado no item anterior. A participação no licenciamento neste período de cada modalidade de veículo foi calculada tendo como base o percentual de participação da soma dos meses de janeiro a abril de 2008, sendo assim veículos movidos a gasolina representam 8% do total de licenciamento, veículos a álcool 0% e veículos Flex 87,6% (diesel representa 4,4%, mas este não será utilizado). A tabela com o cálculo completo de cada modalidade se encontra no apêndice C.

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