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Os textos de Luce Irigaray lidam com am pla diversidade de assuntos, estendendo-se da psicanálise à linguística e daí à filosofia da ciência. Neste últim o cam po ela sustenta que

Todo conhecim ento é produzido por suj eitos em um dado contexto histórico. Mesm o que este conhecim ento se pretenda obj etivo, ainda que suas técnicas estej am planej adas para garantir obj etividade, a ciência sem pre apresenta certas escolhas, certas exclusões, que são particularm ente determ inadas pelo sexo dos eruditas envolvidos. (Irigaray 1987a, p. 219).

Na nossa opinião esta tese m erece um estudo profundo. Vej am os, no entanto, os exem plos que Irigaray oferece para ilustrar a tese nas ciências físicas:

Este suj eito [científico] tem hoj e enorm e interesse na aceleração que ultrapassa nossas possibilidades hum anas, na ausência de peso, ao cruzar o espaço e o tem po naturais, em dom inar os ritm os cósm icos e sua regulação. Ele está interessado tam bém na desintegração, na fissão, na explosão, em catástrofes etc. Esta realidade pode ser confirm ada a partir das ciências naturais e das ciências hum anas. (Irigaray 1987a, p. 219).

Esta lista das preocupações da ciência contem porânea é m uito arbitrária» e bastante vaga: qual é o sentido de “aceleração que ultrapassa nossas possibilidades hum anas”, “cruzar o espaço e o tem po naturais” ou “dom inar os ritm os cósm icos e sua regulação”? Mas o que se segue é ainda m ais estranho:

— Se a identidade do suj eito hum ano está definida na obra de Freud como Spaltung, esta tam bém é a palavra utilizada para a fissão nuclear. Nietzsche identificava igualm ente seu ego com um núcleo atôm ico am eaçado de explosão. Quanto a Einstein, a principal questão que ele levanta, na m inha opinião, é que, dado o seu interesse pelas acelerações sem reequilíbrios eletrom agnéticos, ele nos deixa com apenas um a esperança, seu Deus. É verdade que

Einstein tocava violino: a m úsica aj udou-o a preservar seu equilíbrio pessoal. O que a poderosa teoria da relatividade geral fez por nós, exceto instalar usinas de energia nuclear e pôr em dúvida nossa inércia corporal, esta condição vital necessária?

— No que tange aos astrônom os, Reaves, dando prosseguim ento à teoria am ericana do big-bang, descreve a origem do universo com o um a explosão. Por que esta interpretação atual tão coerente com o conj unto das outras descobertas científicas?

— René Thom , outro teórico que trabalha na interseção entre ciência e filosofia, fala m ais de catástrofes por conflitos que de gerações por abundância, crescim ento, atrações positivas, especialm ente na natureza.

— A m ecânica quântica se interessa pelo desaparecim ento do m undo.

— Os cientistas hoj e em dia trabalham com partículas cada vez m enores, que não podem ser percebidas, m as apenas definidas graças ao instrum ental técnico sofisticado e a feixes de energia (Irigaray 1987a, pp. 219-220).

Examinemos esses argumentos, um a um:

— Sobre o Spaltung, a “lógica” de Irigaray é verdadeiram ente fantasiosa. Será que ela acredita de verdade que esta coincidência linguística constitui um argum ento? Caso sej a assim , o que esta coincidência dem onstraria?

— Quanto a Nietzsche: o núcleo atôm ico foi descoberto em 1911, e a fissão nuclear em 1938; a possibilidade de um a reação nuclear em cadeia que leve a um a explosão foi estudada teoricam ente durante os últim os anos da década de 1930 e, infelizm ente, produzida experim entalm ente nos anos 40. É, por conseguinte, altam ente im provável que Nietzsche (1844-1900) possa ter considerado seu ego “com o um núcleo atôm ico am eaçado de explosão”. (É claro que isto não tem a m ais tênue im portância: ainda que a afirm ação de Irigaray sobre Nietzsche estivesse correta, o que isto significaria?)

— A expressão “acelerações sem reequilíbrios eletrom agnéticos” não tem sentido em física; é um a invenção de Irigaray. Isto sem dizer que Einstein não podia estar interessado neste assunto inexistente.

— A relatividade geral não guarda nenhum a relação com usinas de energia nuclear; Irigaray possivelm ente a confundiu com a teoria da relatividade restrita, que, esta sim , tem aplicação nas usinas de energia nuclear, bem com o em m uitas outras coisas (partículas elem entares, átom os, luz …). O conceito de inércia com certeza aparece na teoria da relatividade, tal com o na m ecânica de Newton; m as não tem nada a ver com a “inércia corporal” do ser hum ano, sej a o que for que

isto queira dizer.{138}

— Por que a teoria cosm ológica do big-bang e “tão coerente com o conj unto das outras descobertas científicas”? Que outras descobertas, ocorridas em que época? Irigaray não diz. O fundam ental é que a teoria do big-bang, que data do final dos anos 20, está hoj e confirm ada por num erosas observações astronôm icas.{139}

— É verdade que, em algum as interpretações (altam ente discutíveis) da m ecânica quântica, o conceito de realidade obj etiva em nível atôm ico é trazido à baila, m as isto nada tem a ver com o “desaparecim ento do m undo”. Quem sabe Irigaray estej a aludindo às teorias cosm ológicas sobre o fim do universo (o “big crunch”), porém a m ecânica quântica não desem penha papel central nessas teorias.{140}

— Irigaray observa corretam ente que a física subatôm ica estuda as partículas que são dem asiado pequenas para ser diretam ente observadas pelos nossos sentidos. Porém é difícil perceber com o isto tem relação com o sexo dos pesquisadores. Seria um a característica particularm ente m asculina a utilização de instrum entos que am pliam o raio de ação das percepções sensoriais hum anas? Marie Curie e Rosalind Franklin poderiam pedir licença para discordar.

Considerem os finalm ente outro argum ento apresentado por Irigaray :

É E =Mc2 um a equação sexuada? Talvez sej a Considerem os a hipótese afirm ativa, na m edida em que privilegia a velocidade da luz em com paração com outras velocidades que nos são vitalm ente necessárias.

O que parece indicar a possível natureza sexuada da equação não é precisam ente o seu uso em arm as nucleares, m as sim o fato de ter privilegiado o m ais rápido … (Irigaray, 1987b, p. 100).

Independentem ente do que se possa pensar sobre “outras velocidades que nos são vitalm ente necessárias”, fato é que a relação E =Mc2 entre energia (E) e m assa (M) está experim entalm ente com provada com alto grau de precisão, e não seria obviam ente válida se a velocidade da luz (c) fosse substituída por outra.

Em resum o, parece-nos que a influência de fatores culturais, ideológicos e sexuais sobre as escolhas científicas — os assuntos estudados, as teorias apresentadas — constitui im portante tem a de pesquisa na história da ciência e m erece rigorosa investigação. Mas, para contribuir com essa pesquisa, é necessário conhecer profundam ente as áreas científicas sob análise. Lam entavelm ente, as afirm ações de Irigaray dem onstram um a com preensão superficial dos assuntos tratados e consequentem ente nada contribuem para a discussão.

A mecânica dos fluidos

Alguns anos atrás, num ensaio intitulado “A ‘Mecânica’ dos Fluidos”, Irigaray j á havia elaborado sua crítica à física “m asculina”: ela parecia sustentar que a m ecânica dos fluidos é subdesenvolvida em relação à m ecânica dos sólidos porque a solidez está identificada (segundo ela) com o hom em e a fluidez com a m ulher. (Ora, Irigaray nasceu na Bélgica: ela não conhece o sím bolo da cidade de Bruxelas, o Manequinho Pish?) Um a das exegetas am ericanas da obra de Irigaray resum e assim seu argum ento:

Ela atribui à associação da fluidez com a fem inilidade a prevalência da m ecânica dos sólidos sobre a dos líquidos e, certam ente, a incapacidade total da ciência de lidar com os fluxos turbulentos. Enquanto o hom em possui órgão sexual que se proj eta e se torna rij o, a m ulher tem abertura que deixa sair o sangue m enstruai e os fluidos vaginais. Em bora no hom em tam bém haj a escoam ento de vez em quando — quando o sêm en é ej aculado, por exem plo —, esse aspecto de sua sexualidade não é realçado. É a rigidez do órgão m asculino que conta, não sua cum plicidade no fluxo do fluido. Essas idealizações estão reinscritas na m atem ática, que concebe fluidos com o planos lam inados e outras form as sólidas m odificadas. Da m esm a form a que a m ulher é suprim ida das teorias e da linguagem m achistas, existindo apenas com o não-hom em , os fluidos foram suprim idos das ciências, existindo som ente com o não-sólidos. Desta perspectiva, não é surpresa que a ciência não tenha sido capaz de chegar a um m odelo bem -sucedido para a turbulência. O problem a do fluxo turbulento não pode ser resolvido porque as concepções sobre fluidos (e sobre a m ulher) foram assim form uladas de m odo a deixar restos necessariam ente desarticulados. (Hay les 1992, p. 17).

Parece-nos que a exegese de Hay les das idéias de Irigaray é m uito m ais nítida que o original. Não obstante, em virtude da falta de clareza do texto de Irigaray, não podem os garantir que Hay les tenha explicado fielm ente o pensam ento dela. Hay les, por sua vez, rej eita o raciocínio de Irigaray porque está m uito distante dos fatos científicos, m as tenta chegar a conclusões sem elhantes por um a rota diferente. Na nossa opinião, a tentativa de Hay les não cam inha m uito m elhor que a de Irigaray, m as pelo m enos ela a expressa m ais claram ente.{141}

com eça assim :

Já se propaga — em que velocidade? Em que m eios? Malgrado que resistências? … — que elas se difundem de acordo com m odalidades pouco com patíveis com os quadros do sim bólico fazendo lei. O que não se dará sem causar algum as turbulências, ou m esm o alguns turbilhões, que conviria fossem reconfinados pelos sólidos m uros dos princípios, sob pena de não se estenderem ao infinito. Chegam m esm o a perturbar essa terceira instância, designada com o o real. Transgressão e confusão dos lim ites, os quais conviria devolver à sua boa ordem …

É necessário, assim , retornar à “ciência” com o fim de pôr-lhe algum as questões. [Nota de rodapé: Será preciso consultar alguns textos sobre m ecânica dos sólidos e m ecânica dos fluidos.{142} Questionar, por exem plo, o histórico atraso na elaboração de uma “teoria” dos fluidos, e a aporia resultante, até na form alização m atem ática. Um a análise postergada, que será im putada ao real. [Nota de rodapé: Cf. A significação do “real” nos Écrits e Séminaires de Jacques Lacan.]

Agora, se exam inarm os as propriedades dos fluidos, notam os que este “real” poderia bem incluir, e em larga m edida, uma realidade física que continua a resistir a um a sim bolização adequada e/ou significa a im potência da lógica de incorporar em seus textos todos os traços característicos da natureza. E será necessário, com frequência, reduzir certos traços da natureza para considerá-la/l os som ente à luz de um status ideal, para que ela/eles não travem o funcionam ento da m áquina teórica

Porém que divisão está sendo perpetuada aqui entre um a linguagem sem pre suj eita aos postulados da idealidade e um em pírico que perdeu toda a sim bolização? E com o podem os deixar de reconhecer que, com relação a essa cesura, essa cisão que realça a pureza da lógica, a linguagem perm anece necessariam ente m eta “algum a coisa”? Não sim plesm ente em sua articulação, em sua expressão verbal, aqui e agora, por um suj eito, m as porque esse “suj eito” j á repete, em virtude de sua estrutura, desconhecida para ele, “j ulgam entos” norm ativos sobre um a natureza resistente a tal transcrição.

E com o vam os im pedir o inconsciente m esm o (do) “suj eito” de ser prorrogado com o tal, ou m elhor, dim inuído em sua interpretação par um a sistem ática que rem arca [sic],

um a “desatenção” histórica aos fluidos?

Em outras palavras: que estruturação da/de linguagem não m antém um a cumplicidade de longa duração exclusivamente entre racionalidade e a mecânica só dos sólidos? (Irigaray 1977, pp. 105-106).

As afirm ações de Irigaray sobre a m ecânica dos sólidos e a m ecânica dos fluidos m erecem alguns com entários. Em prim eiro lugar, a m ecânica dos sólidos está longe de ser com pleta; existem m uitos problem as ainda não resolvidos, com o a descrição quantitativa das fraturas. Em segundo lugar, fluidos em equilíbrio ou em fluxo lam inar são relativam ente bem conhecidos. Adem ais, conhecem os as equações — as cham adas equações de Navier-Stores — que governam o com portam ento dos fluidos em grande núm ero de situações. O problem a principal é que essas equações às derivadas parciais e não-lineares são m uito difíceis de resolver, em particular no caso de fluidos turbulentos.{143} Porém essa dificuldade nada tem a ver com nenhum a “im potência da lógica” ou com o m alogro da “sim bolização adequada”, nem com a “estruturação de/da linguagem ”. Aqui Irigaray segue seu ex-professor Lacan, ao insistir dem asiadam ente no form alism o lógico à custa do conteúdo físico.

Irigaray prossegue com um a estranha m escla de fluidos, psicanálise e lógica m atem ática:

Certam ente a ênfase se deslocou cada vez m ais da definição dos term os para a análise da relação entre os term os (a teoria de Frege é um exem plo entre m uitos). O que leva até a adm itir um a semântica de seres incompletos: os sím bolos funcionais.

Mas além do fato de que a indeterm inação, assim adm itida na proposição, está suj eita a um a im plicação geral do tipo formal — a variável só o é dentro dos lim ites da identidade das form as da sintaxe —, um papel preponderante é atribuído ao símbolo da universalidade — ao quantificador universal —, cuj as modalidades de recurso à geom etria estão ainda por ser exam inadas.

Portanto, o “todo” — de x, m as tam bém do sistem a — terá j á prescrito o “não-todo” de cada relação particular, e esse “todo” só o é por um a definição da extensão que não pode passar de proj eção sobre um espaço-plano “dado” cuj o entre (s) será avaliado com base nos sistem as de referência do tipo pontual.{144}

O “lugar”, em consequência, terá rido de qualquer m odo planificado e pontuado com o fim de calcular cada “todo”, m as tam bém o “todo” do sistem a. A não ser que se perm ita

estendê-lo ao infinito, o que torna im possível de antem ão qualquer determ inação de valor ou das variáveis e suas relações.

Todavia, onde este lugar — do discurso — terá encontrado seu “maior que todo” para poder, desse m odo, se form (aliz)ar? Sistem atizar-se? E este m aior que “todo” não estaria voltando de sua denegação, de sua forclusão? — sob m odos ainda teológicos [sic]? Cuj a relação com o “nem - toda” resta por articular: Deus ou o gozo feminino.

Enquanto espera por estas divinas redescobertas, a am ulher [sic] (só) servirá de plano projetivo para garantir a totalidade do sistem a — o excedente do seu “m aior que todo” —, de suporte geométrico para avaliar o “todo” da extensão de cada um de seus “conceitos”, incluindo os ainda indeterm inados, de intervalos fixos e congelados entre suas definições na “linguagem ”, e de possibilidade de estabelecimento de relacionamento particular entre esses conceitos. (Irigaray 1977, pp. 106-107, grifo do original).

Irigaray volta um pouco m ais adiante à m ecânica dos fluidos:

O que foi deixado sem interpretação na econom ia dos fluidos — as resistências exercidas sobre os sólidos, por exem plo — é, afinal, atribuída a Deus. A falta de consideração das propriedades dos fluidos verdadeiros — atritos internos, pressões, m ovim entos e assim por diante, isto é, suas dinâmicas específicas — levará a entregar o real a Deus, só retom ando suas características idealizáveis na m atem atização dos fluidos.

Ou ainda: considerações de m atem ática pura tom am im possível a análise dos fluidos, salvo em termos de planos lam inados, m ovim entos selenoidais (de um a corrente privilegiando a relação com um eixo), pontos-fontes, pontos- poços, pontos-turbilhões, que têm apenas um a relação aproxim ada com a realidade. Deixando algum resto. Até o infinito: o centro destes “m ovim entos”, correspondendo a zero, pressupõe que eles tenham um a velocidade infinita, o que é fisicamente inadmissível. Estes fluidos “teóricos” certam ente farão progredir a tecnicidade da análise — tam bém m atem ática —, perdendo certa relação com a realidade dos corpos em processo.

Que consequências isto traz para a “ciência” e para a prática psicanalítícat (Irigaray 1977, pp. 107-108, grifo do original).

Nesta passagem , Irigaray dem onstra que não entendeu nada do papel das aproxim ações e idealizações na ciência. Antes de m ais nada, as equações de Navier-Stokes são aproxim ações válidas apenas em escala m acroscópica (ou pelo m enos supra-atôm ica), porque elas consideram o fluido com o um continuum e negligenciam sua estrutura m olecular. E, com o essas equações são m uito difíceis de resolver, os m atem áticos tentam estudá-las prim eiram ente em situações ideais ou por m eio de aproxim ações m ais ou m enos controladas. Mas o fato, por exem plo, de que a velocidade é infinita no centro de um vórtice significa som ente que a aproxim ação não deve ser tom ada a sério m uito perto desse parto — com o era evidente desde o com eço do raciocínio, um a vez que a abordagem é de qualquer form a válida som ente para escalas m uito grandes em relação ao tam anho das m oléculas. De qualquer form a, nada “é atribuído a Deus”; sim plesm ente restam problem as científicos para as gerações futuras.

Finalm ente, é difícil perceber que relação, afora a puram ente m etafórica, a m ecânica dos fluidos poderia ter com a psicanálise. Suponham os que am anhã alguém apareça com um a teoria satisfatória sobre a turbulência. Em que esta descoberta afetará nossas teorias sobre a psicologia hum ana?

Poderíam os continuar citando Irigaray, m as o leitor estará, nesta altura, provavelm ente perdido (e nós tam bém ). Ela conclui seu ensaio com algum as palavras de consolo:

E, se por acaso você tinha a im pressão de não ter ainda entendido tudo, então talvez devesse deixar seus ouvidos entreabertos para algo m uito próxim o e por isso capaz de confundir seu discernim ento. (Irigaray 1977, p. 116).

Em sum a, Irigaray não entende a natureza dos problem as físicos e m atem áticos presentes na m ecânica dos fluidos. Seu discurso está baseado som ente em vagas analogias que, além do m ais, confundem a teoria dos fluidos verdadeiros com o uso analógico feito na psicanálise. Irigaray parece estar atenta a este problem a, tanto que ela responde da seguinte m aneira:

E, se alguém obj eta que a questão assim posta se baseia dem ais em m etáforas, é fácil replicar que de fato a questão contesta o privilégio concedido à m etáfora (um quase- sólido) em detrim ento da m etoním ia (que é m uito m ais ligada aos fluidos). (Irigaray 1977, p. 108).

Ah, essa resposta faz-nos lem brar um a velha piada j udaica: “Por que um j udeu sem pre responde a um a pergunta com outra pergunta?” “Por que não haveria um j udeu de responder a um a pergunta com outra pergunta?”

A matemática e a lógica

Com o vim os, Irigaray tende a reduzir problem as do cam po das ciências físicas a j ogos de form alização m atem ática ou m esm o de linguagem . Infelizm ente, seus conhecim entos de lógica m atem ática são tão superficiais quanto seus conhecim entos de física. Um exem plo disto pode ser encontrado em seu fam oso ensaio “É o suj eito da ciência sexuado?”. Após um esboço bastante idiossincrático do m étodo científico, Irigaray prossegue:

Estas características revelam um isom orfism o no im aginário sexual do hom em , um isom orfism o que deve perm anecer rigorosam ente m ascarado. “Nossas experiências subj etivas e nossas crenças não podem j am ais j ustificar nenhum enunciado”, afirm a o epistem ólogo das ciências.

Deve-se acrescentar que todas essas descobertas necessitam ser expressas num a linguagem que sej a em escrita, equivalente a sensata, isto é:

— expressas em sím bolos ou letras, intercam biáveis com substantivos próprios, que se refiram som ente a um obj eto intrateórico, e portanto a nenhum personagem ou obj eto do real ou da realidade.

O sábio ingressa num universo ficcional que é incom preensível para aqueles que dele não participam . (Irigaray 1985b, p. 312).

Outra vez deparam os com os equívocos de Irigaray em relação ao papel do

No documento Imposturas Intelectuais - Alan Soka (páginas 82-95)