Por Rosimary Parra
Na técnica do violão clássico, a posição básica da mão direita é perpendicular às cordas. O polegar se posiciona um pouco à frente do indicador. São utilizadas diversas combinações de dedilhados em fórmulas de arpejos com polegar, indicador, médio e anular, e em passagens mais escalísticas utiliza-se muito as combinações entre indicador/ médio e médio/anular, além das diversas fórmulas de trêmulos dentre outras. O uso da unha é praticamente definido como um elemento técnico para a projeção do som além de permitir sutilezas na variação de timbres. Ainda há a possibilidade do toque com apoio e sem apoio.
A técnica da mão direita utilizada na vihuela segue muito da técnica do alaúde renascentista: a mão posiciona-se lateralmente nas cordas, com certo apoio do dedo mínimo no tampo, e o polegar coloca-se para dentro da mão. Tal posicionamento é conhecido como “figueta”.
Nesta técnica trabalha-se basicamente com duas fórmulas de combinação dos dedos: uma de caráter binário, alternando polegar-indicador, e outra de caráter ternário, alternando polegar- indicador-polegar.
Para peças com uma só linha melódica como, por exemplo, música de dança ou aquelas com características mais
improvisatórias, estas fórmulas funcionarão como se estivéssemos tocando com um plectro (tipo de palheta), influenciando muita na articulação.
No decorrer do Renascimento as obras para alaúde e vihuela foram ganhando novas texturas na construção musical. O repertório deste período abordará peças com textura melódica, passando por obras que alternavam entre trechos mais melódicos e outros mais contrapontísticos e ainda obras totalmente contrapontísticas.
Isto implicará em algumas modificações na técnica da mão direita quanto ao posicionamento do polegar e às fórmulas descritas acima, em função do repertório que será tocado.
Quanto ao posicionamento do polegar, são conhecidos os termos: “figueta castellana” – o polegar se posiciona mais para fora da mão - e “figueta extrangera” - o polegar se posiciona para dentro da mão.
O repertório para vihuela tem como base a polifonia contrapontística ou seja, um entrelaçamento de linhas melódicas, sendo que cada uma delas tem expressão própria.
Mais especificamente, para tocar
esse repertório será necessária uma combinação da técnica básica do alaúde com outros elementos mais próximos à técnica usada para a família das guitarras (guitarra barroca, romântica e violão).
Nos livros de vihuela, para passagens melódicas são descritas as fórmulas “dos dedos”- que alternam indicador e médio - e “dedillo” - usando o dedo indicador como um plectro.
Normalmente, não é recomendado o uso das unhas para tocar instrumentos antigos com cordas duplas porque elas geram maior dificuldade para sentir as duas cordas e tocá-las simultaneamente com boa sonoridade. No entanto, é possível usar unhas curtas que possibilitem trabalhar bem em instrumentos de cordas duplas, desde que se ajuste o posicionamento da mão evitando o atrito da unha na corda e ouvindo com muita atenção o som resultante. Isto vale para quem queira trabalhar com os instrumentos antigos e com o violão.
Bibliografia
COELHO, V.A. Performance on lute, guitar and vihuela: Historical Practice and Modern Interpretation. New York: Cambridge University Press, 1997.
DAMIANI, Andrea. Metodo per liuto rinascimentale. Bologna: UT ORPHEUS EDIZIONI, 1998
história
Posição da mão para tocar notas simultâneas Posição da mão para uso do i-m
Esse belo instrumento é conhecido por representar a música tradicional grega e acompanhar bailes e canções, sem deixar de ter papel importantíssimo em execuções de caráter instrumental
Curiosamente, o bouzouki (do turco, buzuki: “quebrado” ou “modificado”) – associado ao momento glorioso do filme “Zorba, o Grego”, quando Anthony Quinn dança ao som da música tema –, não é um instrumento camponês. Mesmo tendo origem bastante antiga, seu ápice aconteceu nas cidades, entre meados do século XIX e princípio do século XX, com a música rebetika. Tal gênero musical se compara ao tango, ao fado, ao blues e ao cante jondo do flamenco, sendo seu berço o baixo mundo da boemia, nos prostíbulos e cárceres, onde o bouzouki, esse instrumento da noite, incitava as pessoas à dança e ao namoro no compasso de um bom vinho.
Na Antiguidade
Chamado panduris ou pandurión, o bouzouki é o primeiro instrumento de que se tem registro com trastes ou casas e o primeiro instrumento de corda temperado, precursor de uma das famílias do alaúde que existe até hoje. Também
Bouzouki
(μπουζούκι)
era conhecido como tricórdio, pois apresentava, originalmente, três cordas duplas, sendo a afinação mais comum Ré-Lá-Ré.
Há registros do bouzouki nos relevos de mármore (século IV a.C.) expostos no Museu Arqueológico Nacional de Atenas. Neles, o sátiro Marsias desafia Apolo para um embate musical e uma musa aparece tocando panduris. Durante o Império Bizantino (séculos V ao XV a.C.), o bouzouki recebeu
o nome de tamburas. O tambur turco moderno é igual ao panduris grego antigo.
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mundo
Giorgos Zampetas
Os bouzukis tetracordes surgiram posteriormente à Segunda Guerra Mundial. Não se sabe quem colocou o quarto par de cordas no instrumento, mas a história atribui a mudança ao compositor grego Manolo Chiotis (1920-1970), considerado um dos maiores solistas do instrumento.
Curiosidade
Existe, também, o bouzouki irlandês, menos oval na parte posterior se comparado ao grego, mas muito parecido com ele. Reza a lenda que a explosão do vulcão de Santorini arrasou a cultura da civilização minoica na ilha de Creta e espalhou cinzas que alcançaram a Irlanda. Será que, como Fênix, o bouzouki se juntou às cinzas do Santorini e ressurgiu na Irlanda, para brilhar na música celta com seu som característico
e, assim, se lançar ao mundo? Andreas Karantinis
Afinação
O bouzouki de quatro pares de cordas segue as notas Dó-Fá-Lá-Ré (sendo este continuação do Dó central). Recentemente, alguns intérpretes têm afinado seus bouzoukis um tom acima, na sequência Ré-Sol-Si-Mi, afinação mais comum para as primeiras quatro cordas do violão.
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