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3.2 PLATAFORMAS SOCIAIS

3.2.3 Mídia Social e o compartilhamento de conhecimento

De acordo com Zhang et al. (2015) a mídia social está trazendo grandes desafios e oportunidades para a aprendizagem organizacional. Com o apoio da mídia social, as organizações podem facilitar o processo de Gestão do Conhecimento dentro das empresas (por exemplo, o compartilhamento de conhecimento), para então encorajar os funcionários a promover comportamentos de aprendizagem colaborativa a partir de e-learning para a aprendizagem social (ZHANG et al., 2015).

Zhang et al. (2015) utilizaram análise de redes sociais para mapear publicações sobre gestão de conhecimento suportado por mídia social e identificaram tendências no seu desenvolvimento. Dentre os autores mais influentes em compartilhamento de conhecimento e mídia social, foram identificados Ikujiro Nonaka, Maryam Alavi, Robert Grant, Kathleen Eisenhardt e Étienne Wenger (ZHANG et al., 2015)

Ainda segundo Zhang et al. (2015), Granovetter (1973) em seu influente trabalho sobre a força dos laços fracos, sugeriu que a rede social é uma ferramenta capaz de fortalecer os laços fracos e Nonaka (1994), ao descobrir que para a organização que lida dinamicamente com um ambiente em constante mudança não

basta processar informações de forma eficiente, sugeriu que as redes sociais seriam uma boa ferramenta para uma organização criar conhecimentos. No entanto, Granovetter (1973) e Nonaka (1994), fizeram tais inferências mesmo antes da proliferação da internet e popularização da mídia social (ZHANG et al., 2015).

Segundo Razmerita, Kirchner e Nabeth (2014), ao usar a mídia social, as organizações podem explorar novas formas de interação, colaboração e compartilhamento de conhecimento, alavancando a dimensão social e colaborativa da mídia social. A tradicional abordagem top-down para gestão de conhecimento coletivo abre espaço para abordagens onde o conhecimento individual possa criar sinergia em contexto sócio-colaborativo (RAZMERITA; KIRCHNER; NABETH, 2014).

Para Leonardi (2014), a introdução da mídia social no contexto organizacional segue uma tendência antiga, de tornar a comunicação mais visível nas organizações. O aumento da visibilidade proporcionado pela mídia social pode moldar o compartilhamento de conhecimento no ambiente de trabalho, à medida que torna os usuários mais conscientes do que e quem os seus colegas conhecem (LEONARDI, 2014).

Segundo Vuori e Okkonen (2012), considerando o contexto de uma plataforma intra-organizacional de mídia social utilizada pelos empregados, as principais motivações para compartilhamento de conhecimento seriam o desejo de ajudar a organização a atingir os seus objetivos e o desejo de ajudar os colegas, enquanto recompensas financeiras e avanços na carreira seriam os fatores menos motivadores. Por outro lado, as principais barreiras para compartilhamento de conhecimento seriam o tempo/esforço requerido e a pouca percepção de valor adicionado, enquanto o receio de revelar pouco conhecimento e o receio de perder poder seriam os fatores menos dificultadores (VUORI; OKKONEN, 2012).

Vuori e Okkonen (2012) consideram que, uma vez que as maiores motivações para compartilhar conhecimento em mídia social são fatores intrínsecos, as pessoas acostumadas a compartilhar conhecimentos no dia a dia tendem continuar a fazê-lo nas plataformas de mídia social. Por outro lado, como fatores extrínsecos foram os menos citados, as pessoas que não costumam compartilhar conhecimento rotineiramente tendem a não compartilhar na plataforma de mídia social tampouco, mesmo se houvesse um incentivo para tal comportamento (VUORI; OKKONEN, 2012).

Um estudo na Coréia indicou que a comunicação e o compartilhamento de conhecimento afetam positivamente a utilidade percebida em software social, bem como a motivação intrínseca e a comunicação são determinantes para a facilidade de uso do software social (KIM, 2012).

De acordo com Ellison, Gibbs e Weber (2015), para avaliar o potencial das

sites de redes socias empresariais (ESNSs) em apoiar práticas de compartilhamento

do conhecimento dentro da organização, é importante entender as maneiras em que ESNSs diferem dos sites de redes sociais (SNSs). No comportamento do usuário, SNSs são influenciados por normas do site, que podem ser compreendidas de forma diferente entre os usuários, com certa flexibilidade, enquanto ESNSs são influenciados por um conjunto explícito de diretrizes para os usuários da empresa, ou por normas organizacionais ou mesmo por equipe informal (ELLISON; GIBBS; WEBER, 2015). A respeito do público de usuários, para SNSs usuário é qualquer indivíduo que cria uma conta e concorda com os termos de serviço e outras políticas, enquanto para ESNSs usuários são funcionários de uma organização, sendo que o uso pode ser opcional, incentivado, ou até mesmo mandatório (ibidem).

Quanto ao design, nas SNSs é geralmente definido por uma empresa-mãe, e projetado para incentivar a interação entre os usuários individuais, enquanto nas ESNSs geralmente é controlado por partes interessadas dentro da organização, e projetado para incentivar a interação entre indivíduos, equipes e unidades. Sobre a audiência, nas SNSs pode ser global, limitado a toda sua rede de amigos, ou direccionado para subconjuntos, enquanto nas ESNSs pode ser uma rede articulada configurada pelo usuário ou estrutura organizacional (equipe de trabalho, departamento e divisão). Quanto a objetivos de uso, SNSs são principalmente usados para objetivos sociais e interpessoais, como a construção de capital social, mantendo relacionamentos sociais e de entretenimento, enquanto ESNSs são principalmente usadas para accomplishwork-objetivos relacionados com o trabalho, tais como compartilhamento de conhecimentos e estabelecimento e manutenção de conexões com contatos profissionais (ELLISON; GIBBS; WEBER, 2015).

Grande parte da literatura sobre compartilhamento de conhecimento enfatiza as dimensões relacionadas com a tarefa, destacando o valor de uma abordagem integrada para o compartilhamento de conhecimento nas organizações modernas, que considera as dimensões sociais e de trabalho, especialmente em relação à papéis desempenhados pelas dinâmicas sociais de capital, informações de identidade e

formação de relacionamento, colapso de contexto e restrições em estruturas organizacionais em rede, permitindo e remodelando o compartilhamento de conhecimento dentro da organização (ELLISON; GIBBS; WEBER, 2015).

Müller e Stocker (2011) descrevem, a título de exemplo, as motivações, as experiências e as vantagens para uma organização na prestação de serviços de

microblogging internos. A literatura menciona que o tamanho limitado de postagens

de microblog pode minimizar a sobrecarga de informações individuais e encorajar uma maior participação. Os resultados de estudos sobre a implantação de microblogging na Siemens indicaram que: (i) 7,7% dos usuários registrados publica postagens de

microblog, ou seja, cerca de 1,3% de todos os empregados; (ii) a maioria dos usuários

com muitos seguidores ganha seus seguidores por seguir intensivamente outros usuários, e não por contribuir com postagens de microblog; (iii) os microbloggers mais ativos raramente criam referências de conhecimento e mensagens de fórum (MÜLLER; STOCKER, 2011).

Alberghini, Cricelli e Grimaldi (2014) discutem como medir a participação individual e o envolvimento com mídia social dentro das organizações, sugerindo o uso de fatores de participação individual, indicadores-chave de processo (KPIs) e de impacto da participação sobre gestão de conhecimento, segundo uma metodologia estruturada em quatro etapas principais: a definição dos objetivos estratégicos da organização, o processo de racionalização, a aplicação do controle da medição e a proposição de ações corretivas (ALBERGHINI; CRICELLI; GRIMALDI, 2014).

Embora os blogs fossem inicialmente mais utilizados para socialização, em contextos organizacionais eles tem têm sido mais usados para compartilhamento de conhecimento e reuso de informação, em função da rapidez, expressividade de conteúdo e desenvolvimento de comunidade (BAEHR; ALEX-BROWN, 2010). Além disso, enfatizam a disseminação eficiente de informação para um grande número de pessoas e servem como uma base de conhecimento comum (ibidem). Os resultados de um levantamento indicam que um blog departamental pode ajudar a melhorar as atividades de compartilhamento de conhecimento, promovendo maior conhecimento compartilhado entre a equipe, um sentimento de pertencimento ao grupo e de coesão, bem como favorecendo a criação de laços formais e informais entre os membros da equipe (ibidem).

Todo esse movimento das plataformas da Internet em direção ao social e ao compartilhamento começa a afetar também o desenvolvimento de software nas organizações.

3.3 O INTERESSE DAS ORGANIZAÇÕES PELO DESENVOLVIMENTO SOCIAL