a) Listar correntes e escolas técnicas que influenciaram a sua abordagem de escalas em velocidade em qualquer momento da sua carreira; o conteúdo específico destas (exemplo: o estudo de velocidade de Carlevaro).
- Sempre tive dificuldade com velocidade nas escalas. Quando passei a ser orientado por Nicolas de Souza Barros, tive contato com a técnica de três dedos. Passei a pensar escalas de outras formas e consegui algumas velocidades antes impossíveis, ou que para tocar com a minha antiga técnica teria que estudar pelo menos cinco vezes mais.
b) Listar os professores que tiveram impacto no seu estudo instrumental (ao violão), e quais elementos que estes contribuíram à sua prática de velocidade escalar.
- Tive uma aula com Fabio Zanon em uma master-class em 2002, na qual ele indicou uma digitação diferente para uma escala da Bagatela 3 de William Walton. Aquele foi meu primeiro contato com o emprego de digitações alternativas na resolução escalar. Mas o primeiro professor a me apresentar novas idéias tanto de mão direita quanto de mão esquerda para a execução de escalas foi Souza Barros.
c) Listar obras centrais ao seu estudo de velocidade (exemplo: Estudo 7 de Villa- Lobos). Também listar digitações empregadas (exemplo: na sua execução do Estudo No. 12 de Villa-Lobos, “X” tocou as escalas da obra com a fórmula i-m, empregando apoio).
- Não tenho uma peça específica, em que trabalho focando a velocidade, mas poderia citar o Zapateado do Rodrigo. Tem duas escalas bem difíceis nesta peça e lembro que trabalhava as duas isoladamente. A digitação usada era uma mescla de fórmulas a-i-m e p-m-i.
d) Listar alguns procedimentos centrais ao seu ensino da velocidade nas suas aulas (com seus alunos), com exemplos práticos (digitações como no numero “3”).
- Quando iniciei meus estudos com Luis Carlos Barbieri ele trabalhava um exercício de mão direita que basicamente consistia em repetições entre i-m, i-a e m-a na mesma corda, começando em corda solta e depois fazendo desenhos cromáticos.
Com Nicolas de Souza Barros trabalhei escalas de diferentes formas. Com e sem apoio, com os dedos i-m, i-a, m-a e até três dedos (a-m-i, p-m-i e m-i-p). Trabalhei estas escalas em ritmos diferentes. Além dos exercícios de escalas, outros funcionavam como uma espécie de auxílio para a velocidade, como exercícios de
e) Colocar um pequeno currículo. ANDRÉ MARQUES PORTO
Instrumentista carioca, nascido no ano de 1983. Iniciou seus estudos de violão aos 11 anos de idade com Luis Carlos Barbieri. Em 2004 ingressou no curso de Bacharelado em Violão da UNIRIO, onde é orientado por Nicolas de Souza Barros. Teve aulas em seminários e festivais com os violonistas: Fabio Zanon (Brasil-Inglaterra), Hubert Käpell (Alemanha), Aniello Desidério (Itália), entre outros. Integra o Quarteto Carioca de Violões , participando também de um duo com o flautista Pauxy Gentil-Nunes (UFRJ).
Apresentou-se em algumas das mais importantes salas de concerto do eixo Rio - São Paulo e em vários outros estados brasileiros. Gravou programas em importantes emissoras de rádio e televisão, além de participar do segundo CD da AV-Rio e do CD Furnas Geração Musical. Obteve, entre outros prêmios, a primeira colocação no Concurso Nacional de Violão Souza Lima (SP) nos anos de 1998 e 2001; primeiro colocado na II Seleção de Novos Talentos da AV-Rio, finalista do II Concurso Nacional de Violão Fred Schneiter (2005) e do programa Furnas Geração Musical (2005).
f) Você acha que jovens brasileiros estão empregando maior número de digitações heterodoxas, nas suas resoluções de elementos escalares (digitações fugindo da alternação binária de i-m etc.)?
- Tenho visto um número bastante grande de jovens violonistas aplicando digitações alternativas fazendo uso de formas bem diferentes das usadas em abordagens mais ortodoxas. Alguns dos mais destacados violonistas do cenário nacional abordam escalas rápidas somente com digitações com três dedos.
g) Em qual velocidade você executa os Estudos 2, 7 (escalas) e 12 (os dois andamentos) de H. Villa-Lobos? (Obviamente, se estas obras já foram executadas em público).
PINTO, HENRIQUE (1941 - Faculdade Cantareira e Escola Municipal de Música de São Paulo)
Respondido virtualmente em 28/02/2007.
a) Listar correntes e escolas técnicas que influenciaram a sua abordagem de escalas em velocidade em qualquer momento da sua carreira; o conteúdo específico destas (exemplo: o estudo de velocidade de Carlevaro).
-
b) Listar os professores que tiveram impacto no seu estudo instrumental (ao violão), e quais elementos que estes contribuíram à sua prática de velocidade escalar (favor colocar os anos que estudou com estes).
- O primeiro professor que abordou o tema da prática escalar foi Manoel São Marcos. Ele passou a idéia da necessidade de se estudar este fundamento diariamente, dedicando várias horas a esta finalidade. Realmente, foi bastante interessante, até o momento que comecei a ter problemas musculares, a tal "fadiga por movimento repetitivo" pela prática de um exercício linear e a utilização desordenada das mãos. Foi quando passei a ter aulas com Carlevaro que comecei a entender todo o complexo postural da mão esquerda, o principio de relaxamento (ombro, braço, antebraço, mão e dedos) para se obter uma movimentação lógica e ordenada. Na mão direita tive que mudar a posição, também para um funcionamento mais livre e leve. Antes de Carlevaro, fui aluno de Isaias Sávio, que seguia religiosamente a "Escola de Tárrega", e sugeria a realização de exercícios até a exaustão, sem uma ordenação orgânica. Quero colocar um adendo; se por uma questão de hábito o violonista não sente a necessidade de fazer escalas, creio que o estudo incessante de escalas (várias horas diárias) pouco irá ajudar no desenvolvimento e fluência de qualquer obra. Sempre fiz as escalas usando na mão direita as mais variadas combinações: i-m, m-i, m-a, a-m, i- a, a-i, i-m-a, p-m, enfim, todas as possibilidades que fossem possíveis. Trabalhei com fórmulas rítmicas, acentuações diferenciadas, com dinâmicas diferentes.
c) Listar obras centrais ao seu estudo de velocidade (exemplo: Estudo 7 de Villa- Lobos). Também listar digitações empregadas (exemplo: na sua execução do Estudo No. 12 de Villa-Lobos, “X” tocou as escalas da obra com a fórmula i-m, empregando apoio).
- O Estudo No. 7 de Villa-Lobos é um exemplo bastante concreto sobre a necessidade ou não do estudo diário de escalas. Quando trabalhei esta obra, fiz as escalas com diferentes fórmulas rítmicas, em andamentos variados, observando a funcionalidade de ambas as mãos (postura e movimentação), e com acréscimo de alguns ligados. Todo este trabalho era realizado em cada uma das escalas deste estudo. Fiz a experiência de tocar com apoio e sem apoio. Enfim, usei de todas as possibilidades que eu entendia como fazendo parte da técnica instrumental naquele momento. No Estudo No. 12 de Villa-Lobos, as escalas foram realizadas sem apoio, porque assim a mão direita ficava mais relaxada.
d) Listar alguns procedimentos centrais ao seu ensino da velocidade nas suas aulas (com seus alunos), com exemplos práticos (digitações como no numero “3”).
- Por apresentar problemas de diversas naturezas, a resolução do Estudo 3 de H. Villa-Lobos pede a utilização de vários procedimentos específicos da técnica violonístico: 1) como emprega saltos em várias instâncias, requer um trabalho de deslocamento da mão esquerda; 2) a mão direita não segue uma fórmula recorrente (que se repete do início ao fim); 3) o uso do polegar na 3a corda, que possibilita maior
liberdade na mão direita.
e) Colocar um pequeno currículo. HENRIQUE PINTO
Como formação musical inicia com Sérgio Scarpiello, estudando sucessivamente com Manoel São Marcos, Isaias Sávio, Carlos Barbosa Lima, José Tomás (Santiago de Compostela-Espanha) e Abel Carlevaro (Uruguai); harmonia, contraponto, análise e interpretação com Guido Santórsola e Mario Ficarelli.
Sua trajetória como professor é bastante intensa, tendo ministrado aulas na: Fundação das Artes de São Caetano do Sul, Conservatório Musical Brooklim Paulista. Posteriormente recebe o título de "Notório Saber", expedido pelo MEC, por seu currículo como concertista e camerista; passando a lecionar em faculdades, como: Instituto Normal de Música, Faculdade Mozarteum de São Paulo e Faculdade São Judas Tadeu. Hoje leciona da FAAM-FMU, Faculdade Cantareira e Escola Municipal de Música.
É convidado a lecionar em cursos de férias, tais como: Porto Alegre, Montenegro, Vale Veneto e Caxias do Sul (RS): Londrina e Foz do Iguaçu (PR) Joinville, Brusque e Florianópolis (SC), Goiânia (GO); Brasília (DF); Campos de Jordão (SP), Salvador (BA), João Pessoa (PB); Campo Grande (MS); Pouso Alegre, Varginha e Juiz de Fora (MG); Belém (PA), Vitória (ES); Fortaleza (CE); Palmas (TO); Araraquara (SP); Ourinhos (SP), Natal (RN) Medellim (Colômbia); Cochabamba e La Paz (Bolívia); Santo Tirso e Aveiro (Portugal) e Koblenz (Alemanha).
Tem editado uma série de trabalhos didáticos pela Ricordi Brasileira. Seu "Ciranda das Seis Cordas" foi reeditado na Itália e é utilizado em escolas de música de vários paises da Europa. Como integrante do "Violão-Câmara-Trio", lançou em 1.989 um LP, que foi comentado pelo maestro Júlio Medaglia como “...um dos melhores discos de música instrumental do ano".
Coordenou cursos de técnica e interpretação violonística na Faculdade Mozarteum de São Paulo e Conservatório Musical Brooklim Paulista. Hoje é organizador dos Concursos e Seminários de Violão do Conservatório Souza Lima. Tem participado como membro-presidente de Bancas Examinadoras para seleção de docentes universitários-cadeira de violão. Organiza e coordena a série de recitais "Projeto- Violão no MASP". Foi articulista da revista Cover Guitarra (Brasil) e Guitarreando (Portugal) e atualmente escreve para Guitar Player do Brasil, Violão Intercâmbio e Revista Acústico.
É membro da Academia Paulista de Música, ocupando a cadeira que pertenceu ao professor Isaias Sávio. É integrante do "Violão-Câmara-Trio", juntamente com João Luiz Resende Lopes e Douglas Lora, e do duo "Violãocellando" com a cellista Gretchen Miller. Faz parte do Conselho da Academia de Violão da cidade de Koblenz (Alemanha). Foi júri de Concurso de Violão na Universidade de Tucson, Arizona, onde, ministrou master-class para os alunos de mestrado e doutorado.
f) Você acha que jovens brasileiros estão empregando maior número de digitações heterodoxas, nas suas resoluções de elementos escalares (digitações fugindo da alternação binária de i-m etc.)?
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g) Em qual velocidade você executa os Estudos 2, 7 (escalas) e 12 (os dois andamentos) de H. Villa-Lobos? (Obviamente, se estas obras já foram executadas em público).
Quanto aos andamentos dos estudos, posso sugerir metronomicamente: O de número 2: por volta de 88 a semínima.
O 7 : por volta de 100 a semínima. O 12 por volta de 108 a semínima.
Esses andamentos são relativos, dependendo do virtuosismo e entusiasmo do intérprete.
PORTO ALEGRE, PAULO (1953 - Escola Municipal de Música - São Paulo) Entrevistado pelo autor em dois contatos telefônicos: 27/02/2007 e 28/02/2007. a) Listar correntes e escolas técnicas que influenciaram a sua abordagem de escalas em velocidade em qualquer momento da sua carreira; o conteúdo específico destas (exemplo: o estudo de velocidade de Carlevaro).
Abel Carlevaro: 1976. Entre vários contatos com o mestre uruguaio, cita um curso administrado por ele no Conservatório Brooklyn de São Paulo (SP), com duração de uma semana. Carlevaro passou sete dias explicando a sua técnica, com duas horas diárias destinadas às bases teóricas da sua escola, e duas à exemplificação prática da mesma.
Sobre o dedo mínimo: Carlevaro sustentava a posição de que este dedo teria de ficar inteiramente livre, dizendo: ”é como que estivesse dançando um balé”, i.e., acompanhando naturalmente os movimentos do anular.
Porto Alegre empregou alguns meses somente os exercícios de velocidade de Carlevaro Carlevaro (Carlevaro b, 1967, 35-37), abandonando estes por pensar que não estavam tendo quaisquer efeitos sobre a sua técnica natural.
Citou também um princípio que pode ter sido deduzido de declarações que ouvira de Sergio Abreu:
a) ao comentar que o trêmolo de determinado colega era muito bom;
b) ao achar que determinado ornamento em peça clássica não servia para a sua técnica (a do próprio Abreu);
Dos quais deduziu que o indivíduo deve tentar buscar o seu próprio caminho, porque a mesma orientação pode surtir efeitos distintos em indivíduos distintos.
Porto Alegre desenvolveu a sua própria teoria sobre o estudo técnico: 1) Três níveis de desenvolvimento:
a) postura; b) mecânica;
c) nuances; que chama também de “técnica pequena”;
2) Pensa que o estudo destas últimas é mais importante do que o desenvolvimento de técnicas pesadas e pouco expressivas;
3) Um exemplo: articulação. Desenvolve um trabalho constante de articulação, na qual estuda escalas com as seguintes variantes: a) duração inteira (da nota); b) duração de ¼ e pausa de ¾; c) duração de ½ e pausa de ½ ; duração de ¾ e pausa de ¼;
b) Listar os professores que tiveram impacto no seu estudo instrumental (ao violão), e quais elementos que estes contribuíram à sua prática de velocidade escalar (favor colocar os anos que estudou com estes).
Isaias Sávio: 1o professor - 1971-1974. Com este professor estudava escalas e
fragmentos do método do mesmo (Savio, Isaias. Escola Moderna do Violão: A técnica do mecanismo. São Paulo: Ricordi Brasileira, 1947), com as técnicas de apoyando e tirando, em várias tonalidades. Cantou um fragmento: dó ré mi fá sol fá mi ré (semicolheias) dó mi sol mi dó (colcheias).
Henrique Pinto: 2o professor. 1975-1980. Este professor pediu (e conseguiu) que
fizesse uma reestruturação completa da sua técnica, seguindo a escola do uruguaio Abel Carlevaro. Comprou os 4 volumes de Carlevaro (Carlevaro, Abel. Cadernos 1 a 4 da Serie Didáctica para Guitarra. Buenos Aires: Ed. Barry, 1967). E passou dois meses trabalhando somente exercícios oriundos destes volumes.
Pinto frisava a necessidade de tocar sempre com a postura relaxada, sabendo como movimentar os dedos, e com uso sistemático do metrônomo. A velocidade era trabalhada através de elementos escalares oriundas das obras que tocava.
Porto Alegre considera que foi muito feliz a sua mudança para a técnica carlevariana, sendo esta mais propícia para seu mecanismo do que a de Sávio.
c) Listar obras centrais ao seu estudo de velocidade (exemplo: Estudo 7 de Villa- Lobos). Também listar digitações empregadas (exemplo: na sua execução do Estudo No. 12 de Villa-Lobos, “X” tocou as escalas da obra com a fórmula i-m, empregando apoio).
- 12 Estudos de Villa-Lobos: escalas dos Estudos 7 e 12; i-m sem apoio. - Ponce/Weiss: Giga – escalas sem apoio.
- Bach: Doublé da Suíte BWV 997 – sem apoio; - Bach: Gigue da suíte BWV 996 – sem apoio; - Bach: Prelúdio da Suíte BWV 995; sem apoio.
Citou também uma obra para quarteto de violões de Paulo Bellinatti, o “A Furiosa”, no qual o mesmo executava, ao cavaquinho, uma velocíssima escala ascendente cromática com palheta, e na qual PPA, na sua execução da mesma passagem, encontrou uma digitação favorável para a sua execução com a fórmula p-i-m. Este tipo de procedimento faz parte da pesquisa contínua que defende na prática instrumental. d) Listar alguns procedimentos centrais ao seu ensino da velocidade nas suas aulas (com seus alunos), com exemplos práticos (digitações como no numero “3”).
“Para mim, a escala é o final da história”. Antes o aluno deveria estudar saltos de mão esquerda, notas repetidas na mão direita, sincronia das mãos, e usar o metrônomo de forma sistemática.
e) Colocar um pequeno currículo. PAULO PORTO ALEGRE
Estudou com Henrique Pinto, Isaias Sávio e Abel Carlevaro entre outros. Foi o vencedor do V Concurso Internacional de Violão Palestrina (1979) e do III Concurso Internacional de Violão do Festival Villa-Lobos (1984), também recebendo a 1ª Menção Honrosa no XXIX Concurso Internacional de Composição da ORTF, Paris (1986). Como solista e camerista realizou concertos em todo o Brasil, EUA, Canadá, Alemanha, França e China. Atualmente é professor da Escola Municipal de Música e membro do Trio Opus 12 de violões e do Núcleo Hespérides: música das Américas.
RODRÍGUES, FELIPE: (1986)