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RODRÍGUES, FELIPE: (1986) Respondido virtualmente em 24/04/2007.

a) Listar correntes e escolas técnicas que influenciaram a sua abordagem de escalas em velocidade em qualquer momento da sua carreira; o conteúdo específico destas (exemplo: o estudo de velocidade de Carlevaro).

- A principal influência na minha concepção de velocidade foi realmente a utilização de digitações alternativas e de três dedos.

b) Listar os professores que tiveram impacto no seu estudo instrumental (ao violão), e quais elementos que estes contribuíram à sua prática de velocidade escalar (favor colocar os anos que estudou com estes).

- Hélcio de Oliveira Fonseca (1997-1999): meu primeiro professor. Não tinha uma maior preocupação com trechos velozes, como a busca de digitações assimétricas ou digitações de três dedos, somente fatores simples como cruzamentos e a preferência do "i-m" ao "m-a". Nessa época acredito que meu toque livre era quase que equivalente, em relação à velocidade, ao com apoio, pois sempre estudava os dois tipos em escalas.

Turíbio Santos (masteclass em 2002): ouvia com espanto pela primeira vez que não devia fazer uma "concha" na mão esquerda (usava aquela posição da famosa foto do Tarrega) e que a pressão exercida pela mão esquerda surgia de um elemento braço gravidade, não do polegar, isso foi realmente importante pra minha técnica em todos os quesitos, inclusive velocidade.

Graça Alan (acho que foi 2003 não me lembro ao certo, mas foi por volta de somente um mês): aquele momento foi interessante pelo fato de apesar de estar num curso intermediário, tinha a possibilidade de estudar com uma professora do Bacharelado. Tive o meu primeiro contato com Carlevaro, e alguns elementos com os quais o meu primeiro orientador, talvez pelos seus 70 anos de idade, não conhecia. Também a contribuição para minha velocidade escalar foi no quesito cruzamentos, alguma consciência do posicionamento braço-pulso-antebraço-ombro, digitações alternativas de mão esquerda e dedos-guia (até então não tinha o hábito de usá-los).

Nicolas de Souza Barros (2005 até hoje): meu orientador na UNIRIO. A partir de sugestões deste, comecei a utilizar algumas digitações que empregam fórmulas de três dedos para executar passagens escalares, e em poucos meses pude obter resultados bastante eficientes, como por exemplo, na escala de fusas do Samba Bossa-Nova de Radamés Gnattalli (Brasilianas Nº13). Estudando separadamente a mão direita e sincronizando a mão esquerda depois, pude obter andamentos virtuosísticos em poucas semanas. Também a opção em alguns casos por digitações com campanelas me ajudou bastante na resolução de certos trechos de escalas. Por fim, um maior estudo dos saltos carlevarianos também ampliou minhas possibilidades escalares.

c) Listar obras centrais ao seu estudo de velocidade (exemplo: Estudo 7 de Villa- Lobos). Também listar digitações empregadas (exemplo: na sua execução do Estudo No. 12 de Villa-Lobos, “X” tocou as escalas da obra com a fórmula i-m, empregando apoio).

Estudo nº7:

Primeira escala: a-m-i-ligado-p-m-i-p-m-i-p-m-i-p-m-i-p-m-i

Segunda escala: m(acorde)-ligado-a-m-i-p-m-i-p-m-i-p-m-i-p-ligado-m-i-p

Terceira escala: pim (acorde, só toco nesse acorde as primas, pois a minha pestana não soa a quarta corda)-ligado-a-m-i-p-a-m-i-a (si solto)-p

Quarta escala: a-ligado-a-m-i-p-a-m-i-a (si solto)-p

Quinta escala: a-ligado-a-m-i-p-m-i-p-m-i-p-m-i-p-m-i-m (lá solto)-p

Escala final: a-m-i-a-p-m-i-p-m-i-p-m-i-p-m-i-p-m-i-i (este último ‘i’ é empregado como uma paleta, esse gesto comigo funciona bem).

Estudo nº12:

Escala da seção ‘A’:

m-i-p-i-m-i-a-i-a-i-m-i-a-i-a-i-m-i-m-i-m (na descida), e sempre a-m-i (na subida).

Brasiliana nº13 (R. Gnattali) – Na escala de fusas do movimento ”Samba Bossa-Nova" utilizo a seguinte digitação: p-ligado-a-m-i-p-a-m-i-p-a-m-i. Na passagem escalar veloz do movimento "Valsa": i-ligado-a-m-i-a-i-ligado-a-m-i-a-i.

d) Listar alguns procedimentos centrais ao seu ensino da velocidade nas suas aulas (com seus alunos), com exemplos práticos (digitações como no numero “3”).

- Atualmente só tenho alunos iniciantes. e) Colocar um pequeno currículo. FELIPE RODRIGUES

Iniciou seus estudos de música ao dez anos de idade, com o professor Hélcio Fonseca de Oliveira. Integrou até o ano de 2005 o Quinteto Sescontu de Violões, com o qual gravou faixas nos dois CD´s lançados pela Associação de Violão do Rio (AV-RIO) e apresentou-se em importantes espaços como Sala Cecília Meireles e o Teatro Municipal de Niterói. Gravou o CD Diálogos com o Coral Altivoz, tendo com este excursionado em turnê por diversos estados brasileiros, como Minas Gerais, Sergipe e Bahia. Participou de Máster Classes com Turíbio Santos e a alemã Nora Buschmann. Em 2005, em sua primeira participação em concursos, conquistou o 1º Prêmio na III Seleção de Jovens Talentos da Associação de Violão do Rio. Em 2006 conquistou a 1ª colocação no V Prêmio de Violão UNIRIO (setembro), e o 3º Lugar do XII Concurso Nacional de Violão Souza Lima (novembro).

É membro do Quarteto Carioca de Violões, tendo realizado mais de doze concertos em 2006 em séries como a Série Tim (Juiz de Fora-MG) e XII Rio Cello Encounter (Centro Cultural Justiça Federal), entre outros. Formou com a soprano Laila Oazem, em 2006, o Duo Oazem-Rodrigues, com o qual apresentou-se em diversas salas do Rio, como o Arte Sesc Flamengo, Museu de Ciências da Terra e o Teatro Carlos

Werneck. Conquistou recentemente o segundo Lugar no VIII Concurso Nacional Villa- Lobos, em Vitória-ES.

Atualmente cursa o Bacharelado em Violão na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, onde é orientado pelo professor Nicolas de Souza Barros, um dos maiores especialistas em cordas dedilhadas da América Latina.

f) Você acha que jovens brasileiros estão empregando maior número de digitações heterodoxas, nas suas resoluções de elementos escalares (digitações fugindo da alternação binária de i-m etc.)?

- Não. Acredito que nem todos têm a visão de que o uso de digitações alternativas possa ser mais eficiente. Acredito que existe uma questão de ego implícita nas tentativas de alguns em imitar a explosão digital do i-m de Rafael Rabello, ou sendo mais contemporâneo, Yamandu Costa... Acredito que isto seja possível com o estudo, mas digitações alternativas auxiliam na compreensão prática de escalas velozes, além de exigir muito menos tempo de estudo.

g) Em qual velocidade você executa os Estudos 2, 7 (escalas) e 12 (os dois andamentos) de H. Villa-Lobos? (Obviamente, se estas obras já foram executadas em público).

- Nas últimas vezes que eu toquei o Estudo 7, optei por não fazer um andamento linear. Começo lentamente e acelero bastante a partir do meio da escala, atingir no final algo em torno de 168. Linearmente, seria uma velocidade de 138. No Estudo 12 o andamento da seção ‘A’ é 126 BPM, e na mudança de andamento, 160.

RODRIGUES, NELIO (1946 - RJ)