a) Listar correntes e escolas técnicas que influenciaram a sua abordagem de escalas em velocidade em qualquer momento da sua carreira; o conteúdo específico destas (exemplo: o estudo de velocidade de Carlevaro).
- Como é respondido no item que segue, a minha formação não objetivou nunca o estudo da velocidade pela velocidade e, portanto, isso não foi tratado especialmente por mim ou pelos meus mestres.
b) Listar os professores que tiveram impacto no seu estudo instrumental (ao violão), e quais elementos que estes contribuíram à sua prática de velocidade escalar (favor colocar os anos que estudou com estes).
Alexandre Sapiensa (SP) em torno de 1965; Homero Alvarez (RJ), discípulo direto de Miguel Llobet, em torno dos anos 1970; Osmar Abreu, também nos anos 1970; César Guerra-Peixe, a partir dos anos 1970 e Guido Santorsola (nas década de 1970).
Todos esses professores se preocupavam especialmente com a música de forma conceitual. Embora os três primeiros tenham cuidado de minha formação técnica, os elementos foram os mais primários possíveis, ou seja, as escalas modelos de Andrés Segovia e os célebres arpejos de Mauro Giuliani.
c) Listar obras centrais ao seu estudo de velocidade (exemplo: Estudo 7 de Villa- Lobos). Também listar digitações empregadas (exemplo: na sua execução do Estudo No. 12 de Villa-Lobos, “X” tocou as escalas da obra com a fórmula i-m, empregando apoio).
- As obras que sempre estudei foram abordadas pelo seu conteúdo estilístico e estético, e as digitações por mim empregadas foram aquelas que melhor se adaptaram a cada situação / problema. Em particular, eu tenho o hábito ao violão - aliás, pouco comum - de tocar com os cinco dedos da mão direita e os mesmos foram aplicados em cada situação, com diferente possibilidade de combinação, de acordo com a situação proposta pela obra em questão.
d) Listar alguns procedimentos centrais ao seu ensino da velocidade nas suas aulas (com seus alunos), com exemplos práticos (digitações como no numero “3”).
- O único procedimento ao qual ao me atenho obstinadamente é de trabalhar para que o aluno desenvolva as possibilidades de cada dedo da forma mais equilibrada, para que consiga viajar pelos caminhos árduos do braço do violão. A preocupação maior é que estude o mais lentamente possível até que esteja seguro do percurso a ser percorrido e, nesse momento, a sua velocidade vai ser tão grande quanto a sua
e) Colocar um pequeno currículo. NÉLIO RODRIGUES
Violonista, concertista e professor em diversas instituições de ensino musical. Nasceu em 1946, em Niterói (RJ), e desde muito cedo dedicou-se ao estudo e ao ensino de violão. Em sua carreira realizou concertos por todo o Brasil, América do Sul, Europa e Estados Unidos. Teve uma atuação de destaque dentro da política profissional do músico, tendo dirigido, em substituição ao Maestro José Siqueira, a União dos Músicos do Brasil e a Orquestra de Câmara do Brasil, além de algumas Instituições musicais, como a Escola Villa-Lobos.
Depois de um recesso de sete anos em sua carreira, no qual reciclou a sua formação filosófica e musical e também deu continuidade a sua carreira de escritor. Em 2007, retorna às suas atividades musicais, iniciando o lançamento da obra completa de Cesar Guerra-Peixe para violão, além de outros autores brasileiros. Em 2008, fará uma série de turnês em outros países, também participando em variados festivais internacionais de violão.
f) Você acha que jovens brasileiros estão empregando maior número de digitações heterodoxas, nas suas resoluções de elementos escalares (digitações fugindo da alternação binária de i-m etc.)?
- Eu não poderia responder a esta questão por não está prioritariamente preocupado com este aspecto em relação aos artistas em questão. Mas, saliento, que o resultado estético musical a cada geração tem se aprimorado bastante.
g) Em qual velocidade você executa os Estudos 2, 7 (escalas) e 12 (os dois andamentos) de H. Villa-Lobos? (Obviamente, se estas obras já foram executadas em público).
- Essas obras foram executadas em público inúmeras vezes, no Brasil e no exterior, já que fazem parte do meu repertório. Embora a velocidade natural dessas execuções tenham sido satisfatórias para mim e para o público em questão, eu jamais usei o metrônomo de Maezel com a finalidade de velocímetro, para que depois de um somatório matemático eu pudesse saber a que velocidade por minuto eu tocava esta ou aquela escala, uma vez que não consigo enxergar escalas ou arpejos de extensão como parte desassociada do todo da obra. Por outro lado, não tenho e nunca tive um interesse por física ou matemática pura e aplicada no que concerne à arte da interpretação. Prefiro, no entanto, trazer como desafio para mim o estudo da teoria da interpretação de um ponto vista filosófico (a questão do muthos aristotélico e sua intriga, relida por Ricoeur na formulação da idéia de seu círculo hermenêutico). Neste sentido, a idéia de interpretação parte do pressuposto de que a obra não é capaz de ser realizada fora do mundo em que ela habita. Assim, é o mundo que nos dá todos os parâmetros (inclusive o da velocidade, ou seja, a interpretação de uma arqueologia da temporalidade) para que a partir desse entendimento do mundo se possa re-construir a obra como interpretação, que volta para o mundo e produz mutações. Assim, a interpretação faz parte do circulo de compreensão e da explicação. Explicar é antes de tudo compreender.
SIMÃO, ANDRÉ (1980 - Escola Municipal de Música em Taubaté) Respondido virtualmente em 07/04/2007.
a) Listar correntes e escolas técnicas que influenciaram a sua abordagem de escalas em velocidade em qualquer momento da sua carreira; o conteúdo específico destas (exemplo: o estudo de velocidade de Carlevaro).
- Cadernos de Técnica de Abel Carlevaro - Scott Tenant – Pumping Nylon
b) Listar os professores que tiveram impacto no seu estudo instrumental (ao violão), e quais elementos que estes contribuíram à sua prática de velocidade escalar (favor colocar os anos que estudou com estes).
Edelton Gloeden (1998 a 2003): entre os elementos estudados, relaxamento corporal, prática de escalas alterando o ritmo e com toque antecipado na mão direita. Dedilhado que favorece uma execução de escalas com maior economia de movimentos possível, evitando mudanças súbitas de posição ou cruzamento de dedos.
Fábio Zanon (a partir de 2003) – todos os elementos acima, incluindo dedilhados alternativos, como a-m-i, p-m-i ou p-m; por exemplo, para facilitar a execução de escalas em alta velocidade.
c) Listar obras centrais ao seu estudo de velocidade (exemplo: Estudo 7 de Villa- Lobos). Também listar digitações empregadas (exemplo: na sua execução do Estudo No. 12 de Villa-Lobos, “X” tocou as escalas da obra com a fórmula i-m, empregando apoio).
Villa-Lobos – Estudo no. 12, Concerto para violão e orquestra – uso de escalas sem apoio.
Rodrigo – Concierto de Aranjuez – escalas com ou sem apoio.
Giuliani – Rossiniana 6, opus 124, Concerto opus 30 – escalas sem apoio.
d) Listar alguns procedimentos centrais ao seu ensino da velocidade nas suas aulas (com seus alunos), com exemplos práticos (digitações como no numero “3”).
1) Primeiro passo: estudo lento da escala, com o propósito de assimilar um dedilhado coerente (com o menor número possível de mudanças de posição na mão esquerda e cruzamento de dedos na direita) e com cuidados especiais na sincronização das duas mãos.
2) Após este processo, estudo da escala com ritmos diversos, como, por exemplo, a configuração de colcheia pontuada + semicolcheia.
4) Estudo da escala procurando atingir o andamento ideal, sempre levando em conta o relaxamento corporal. Estudo fragmentado da escala, no andamento (2 primeiras notas, 3 primeiras notas... etc)
e) Colocar um pequeno currículo. ANDRÉ SIMÃO
Nascido em Taubaté-SP em 1980, vem obtendo destaque no cenário musical brasileiro após ter sido premiado em diversos concursos do país, destacando-se: 1o
lugar no VII Concurso Nacional Villa-Lobos (Vitória, 2004), 3º lugar no I Festival Jovens Intérpretes de Francisco Mignone (Rio de Janeiro, 2005 - único violonista premiado); 2º. Lugar do I Concurso Nacional de Violão Cantareira (São Paulo, 2006); 1º. Lugar na categoria música de câmara do X Concurso Nacional de Violão Souza Lima (São Paulo, 1998); prêmios de música erudita e popular no Projeto Nascente (Editora Abril e USP), 1º. Lugar no II Concurso Nacional de Intérpretes de Dilermando Reis (Guaratinguetá - SP, 2003); finalista do projeto Furnas Geração Musical (Rio, 2006), e; 2º lugar do IX Concurso Nacional de Violão Musicalis (São Paulo, 2005). Começou seus estudos de violão aos 9 anos de idade e, em seguida, iniciou sua formação musical na Escola Municipal de Música “Maestro Fêgo Camargo” Em 2003, graduou-se no curso de bacharelado em violão pelo Departamento de Música da Universidade de São Paulo (USP), onde foi orientado por Edelton Gloeden. Participou como bolsista e aluno em festivais de música no Brasil e no exterior, nos quais trabalhou sob orientação de renomados violonistas do cenário internacional. Foi bolsista em 2002 do curso internacional de música de Santiago de Compostela.
Seu primeiro recital-solo foi aos 16 anos de idade e desde então vem realizando recitais como solista e em grupos de música de câmara em todo Brasil, em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Vitória e diversas no interior. Em agosto de 2003, foi selecionado como solista participante da “I Semana de Jovens Intérpretes“ do Centro Cultural de São Paulo, interpretando obras de compositores brasileiros.
Atualmente, André Simão recebe orientação do violonista Fábio Zanon e, além de atuar como concertista, é professor de violão na Escola Municipal de Música em Taubaté e no Projeto Eduardo Marlièrie – Roche, na cidade de São Paulo. Desde 1998 é integrante do Quarteto de Violões Ibirá, grupo que lançou em 2004 seu primeiro CD, abrangendo obras de Bach, Haydn, Torroba e Gnattali.
07/04-2007: duas perguntas adicionais respondidas pela internet.
f) Você acha que jovens brasileiros estão empregando maior número de digitações heterodoxas, nas suas resoluções de elementos escalares (digitações fugindo da alternação binária de i-m etc.)?
- Acho que isso já é uma tendência internacional e conseqüentemente os jovens brasileiros que são bem orientados e informados irão procurar solucionar seus problemas técnicos usando digitações alternativas. Mas no Brasil não é ainda freqüente o emprego de tais digitações por violonistas da minha geração. Só constatei isto em casos bem específicos e principalmente em violonistas mais experientes e vencedores de concursos nacionais e internacionais, como Thiago Colombo e Gustavo
Costa. Mas eu vejo violonistas como o baiano João Carlos Victor, que aparentemente usa só i-m para escalas, e numa velocidade espetacular. Ele é um caso a parte, tendo grande facilidade na sua resolução escalar.
g) Em qual velocidade você executa os Estudos 2, 7 (escalas) e 12 (os dois andamentos) de H. Villa-Lobos? (Obviamente, se estas obras já foram executadas em público).
- No Estudo 12 de Villa-Lobos, para a escala da primeira parte que está escrita em semicolcheias [c. 22-29], eu executo com a semínima = 125. Na segunda parte, a seção das notas repetidas [c. 39-69], eu trabalho com o valor de semínima pontuada aproximadamente entre 150 a 160. Dos Doze Estudos do Villa-Lobos, os de números 2, 7 e 10 ainda não foram estudados “seriamente”.