4. ANÁLISE DO PLANO DA ILHA DE ITAPARICA A PARTIR DAS MATRIZES DISCURSIVAS
4.2. ANÁLISE DO CÓDIGO DO MEIO AMBIENTE
4.2.2. Matriz 2 A Cidade como Espaço da Qualidade de Vida
Tabela 11 - Matriz 2 (modelos, temas e indicadores) X Código do Meio Ambiente
Fonte: Henri Acselrad Fonte: Martins e Cândido Análise
MATRIZ MODELO TEMAS / INDICADORES Meio Ambiente
CÓDIGO
2.
ESPAÇ O DA “ Q U A LI DA DE DE VI DA ” 2.1. PUREZATEMA 11: Qualidade do ar.
INDICADORES: Concentração de poluentes na área urbana.
TEMA 12: Qualidade das águas.
INDICADORES: Aferição do cloro residual na água, Amostras de cloro residual dentro do padrão de qualidade, Aferição de turbidez na água, Amostras de turbidez dentro do padrão de qualidade, Aferição de coliformes totais na água e Amostras de coliformes totais dentro do padrão de qualidade.
TEMA 13: Implicações Sanitárias.INDICADORES: Óbito por doenças infecciosas e parasitárias, doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas, doenças do aparelho respiratório, doença do aparelho digestivo, doenças da pele e do tecido subcutâneo e doenças por malformações congênitas, deformidades e anomalias cromossômicas por para cada 1000 hab.
TEMA 14: Redução da contaminação de área.
INDICADORES: Sistema de abastecimento de água; Água tratada em ETA(s) em relação a água produzido; Sistema de esgotamento sanitário; Esgoto tratado em relação ao coletado; Unidades de processamento dos resíduos sólidos- tipo aterro sanitário; Sistema de coleta seletiva de resíduos sólidos; Serviços de limpeza urbana;Coleta diferenciada de pneus velhos, lâmpadas fluorescentes, resíduos de eletrônicos, pilhas e baterias; Monitoramento da qualidade do ar; e Infrações ambientais com multas.
2.
2. CIDADA
N
IA
TEMA 15: Participação eleitoral.
INDICADORES: Comparecimento na última eleição municipal e Mulheres
eleitas na última eleição municipal;
-
TEMA 16: Envolvimento e participação cívica.
INDICADORES: Projeto envolvendo a comunidade e org. militares, Plano Diretor participativo, Movimentos comunitários atuantes, Projetos encaminhados ao órgão legislativo por iniciativa popular e Projetos ambientais nos bairros.
TEMA 17: Organizações.
INDICADORES: Comissão de urbanização e legalização, Órgão ambiental (fiscalização e controle), Órgão ambiental (coordenadoria), ONG’s ambientalistas, Centrais de denúncia, Cooperativas de catadores e Cooperativas de produtores e vendedores de produtos orgânicos.
TEMA 18: Conselhos Municipais.
INDICADORES: Conselho municipal de transporte, de Política urbana, Desenvolvimento Urbano, da Cidade ou similar, de habitação, de meio ambiente.
2.3 PATRIMÔNIO
TEMA 19: Patrimônio Natural.
INDICADORES: Árvores centenárias e tombadas e Reservas naturais preservadas;
TEMA 20: Organizações.
INDICADORES: Parques e jardins catalogados como históricos,
Tombamento do Patrimônio histórico e cultural e Museu histórico e cultural.
TEMA 21: Integridade do Patrimônio.INDICADORES: Integridade do patrimônio histórico e cultural, Órgãos de fiscalização do patrimônio, Projetos para valorização do patrimônio e Recuperação da arquitetura histórica.
Fonte: Elaboração própria (2017) com base nas Matrizes Discursivas da Sustentabilidade Urbana de Acselrad (2009) e no ModeloO Código do Meio Ambiente apresenta uma abordagem bastante ampla em relação aos temas associados aos modelos de representação de cidade como Espaço de Qualidade de Vida. No que tange ao Modelo Pureza, ítem 2.1 (Tabela 11), o tema (11) Qualidade do ar, é abordado inicialmente no parágrafo único, do Art. 19, que versa sobre o Licenciamento Ambiental, e prevê que: “Não será concedida a Licença de Localização para atividades de exploração de argila ou pedra em local onde os ventos predominantes levem a fumaça para a Cidade ou em local de potencial turístico ou de importância paisagística ou ecológica. ”
Mais adiante, no Título II – Da Proteção e Qualidade dos Recursos Ambientais, estabelece no Capítulo V, Seção I, denominado Do Ar, sobre o Controle da Poluição Atmosférica, institui em cinco Art.s, do 93 ao 97, normas que versam sobre: localização de atividades potencialmente poluidoras, queima de materiais ao ar livre, adoção de sistemas de controle e/ou tratamento em casos de não existência de padrões de emissão estabelecidos, cuidados de emanação de material particulado nos casos de demolição e, por fim a emissão de substâncias odoríferas na atmosfera. A saber:
Art. 93. A direção predominante dos ventos é parâmetro importante a ser considerado para a localização de áreas industriais, de aterros sanitários e de estações de tratamento de esgoto, assim como de atividades geradoras de gases e emissões atmosféricas potencialmente poluidoras ou que causem incômodo às populações próximas.
Art. 94. É proibida a queima, ao ar livre, de resíduos sólidos, líquidos, pastosos ou gasosos, assim como de qualquer outro material combustível, podendo, entretanto, o Poder Executivo autorizar as queimas ao ar livre, em situações emergenciais ou se o caso concreto assim o recomendar.
Art. 95. Nos casos de fontes de poluição atmosférica para as quais não existam padrões de emissão estabelecidos, deverão ser adotados sistemas de controle e/ou tratamento que utilizem as tecnologias mais eficientes para o caso.
Art. 96. Nos casos de demolição, deverão ser tomadas medidas objetivando evitar ou restringir as emanações de material particulado.
Art. 97. É proibida a emissão de substâncias odoríferas na atmosfera, em quantidades que possam ser perceptíveis fora dos limites da área de propriedade da fonte emissora, a serem determinadas por decreto.
Nota-se que, apesar de tratar sobre os padrões de emissões de substâncias na atmosfera, o Código não faz referência aos parâmetros pré estabelecidos no Plano Diretor, tão pouco a Portaria Normativa nº 348/90 e da Resolusão CONAMA nº 003/90, onde o IBAMA estabelece os padrões nacionais de qualidade do ar. Tais consideranções somadas a falta de aprofundamento do tema, podem ser atribuidos a baixa ocorrência de acidentes dessa natureza
no ambiente analisado, porém não reduz a importância em ser abordado, uma vez que o risco existe e a poluição derivada de queimadas é uma prática ainda bastante comum. Diante do exposto, o Código foi considerado com efetividade média em relação ao tema supracitado.
O tema seguinte (12) Qualidade das águas também é tratado no Código em análise, no Título II – Da Proteção e Qualidade dos Recursos Ambientais, Capítulo IV, denominado “Da Água”, do Art. 90 ao 92, nos quais estão definidos normas relacionadas ao uso e proteção desse recurso natural através da abordagem dos seguintes aspectos: lançamento de efluentes e drenagem de águas pluviais e servidas; a utilização de águas subterrâneas; limitação ou proibição temporária do uso da água ou lançamento de efluentes nos cursos de água, como pode ser observado abaixo:
Art. 90. O lançamento de efluentes, direta ou indiretamente, bem como a drenagem de águas pluviais e servidas da sede municipal para os rios e barragens, deverá obedecer a padrões estabelecidos pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente.
§ 1o A montante de qualquer ponto de tomada d’água para abastecimento da cidade fica proibido qualquer tipo de exploração do leito arenoso como também a ocupação humana e instalação de unidades industriais.
§ 2o As águas subterrâneas e as águas superficiais deverão ser protegidas da disposição de resíduos sólidos de projeto de aterro sanitário.
§ 3o É proibido o lançamento de efluentes poluidores em vias públicas, galerias de águas pluviais ou valas precárias.
Art. 91. A aprovação de edificações e empreendimentos que utilizem águas subterrâneas fica vinculada à apresentação da autorização administrativa expedida pelo órgão competente.
Art. 92. No caso de situações emergenciais, o Poder Executivo poderá limitar ou proibir, temporariamente o uso da água ou o lançamento de efluentes nos cursos de água.
Parágrafo único. A proibição ou limitação prevista neste art. será sempre pelo tempo mínimo tecnicamente necessário à solução da situação emergencial.
Considerando as normas acima citadas e o macrozoneamento, atento ao posicionamento das bacias hidrográficas, é possivel atribuir ao Código o potencial de gerar uma pequena alteração nos indicadores, o que qualifica sua efetividade como média. Tal entendimento baseia-se na especificidade dos indicadores sugeridos da Tabela 11 (pág. 157), voltados exclusivamente para aferição de substâncias relacionadas ao padrão de qualidade da água, pertinentes ao processo de operação e gestão deste recurso. Ou seja, as normas existentes no Código, que abordam o tema “qualidade da água”, tratam de ações que versam sobre
proteção, aprovação e proibição e que, por conseguinte, impactam indiretamente nos indicadores sugeridos.
Importante ressaltar que o Código do Meio Ambiente dispõe apenas sobre águas interiores (bacias hidrográficas). Portanto, não trata das águas marítimas, cuja competência pertence a Legislação Federal, com ressalva somente à fauna deste ecossistema, sobre a qual são instituídas algumas normas relacionadas à pesca predatória.
Em relação ao tema 13) Implicações sanitárias os indicadores sugeridos na Tabela 11 são referentes as doenças causadas pela falta de saneamento básico urbano. No que tange ao Código do Meio Ambiente, buscou-se então identificar as normas que possam vir a impactar direta ou indiretamente nestes indicadores sugeridos. Inicialmente consta no Código, Art. 5º, sobre as diretrizes para a proteção e melhoria da qualidade ambiental, inciso IX que: “a garantia de níveis crescentes da saúde através do provimento de infra-estrutura sanitária e de condições de salubridade das edificações, vias e logradouros públicos”. Observa-se neste caso, como nos outros conteúdos dos textos das diretrizes, um discurso generalista sem mecanismos concretos ou meios que viabilizem esta intenção se tornar uma realidade.
No Título III, que trata do Comportamento Urbano, o Capítulo V, intitulado Da Vigilância à Saúde, dispõe na Seção I sobre o tema Vigilância Sanitária e constitui que:
Art. 142. Os assuntos pertinentes à saúde da população serão regidos pelas disposições contidas em lei específica e respectiva regulamentação, obedecendo, no que couber, à legislação federal e estadual.
Art. 143. Compete à vigilância sanitária e epidemiológica, a execução e a coordenação de medidas visando o controle de doenças, devendo a autoridade sanitária determinar, em caso confirmado ou de suspeita de doenças transmissíveis, as medidas de profilaxias a serem adotadas.
Art. 144. A Secretaria Municipal de Saúde promoverá a fiscalização, de conformidade com o que institui a legislação federal do exercício da medicina, da odontologia, da farmácia, da medicina veterinária, da enfermagem, e de outras profissões relacionadas e ainda:
I- da produção e do comércio de drogas e produtos terapêuticos;
II- de material cirúrgico, ortopédico e de uso nas profissões constantes deste art.;
III- da produção de desinfetantes, inseticidas, cosméticos e produtos de toucador; e
Art. 145. No desempenho da ação fiscalizadora, a autoridade sanitária licenciará e inspecionará os estabelecimentos em que sejam produzidos, manipulados e comercializados os produtos e substancias referidas no art. anterior, podendo colher amostras para análise, realizar sua apreensão ou inutilização.
Observa-se, portanto, em mais um trecho do Código, que o discurso relacionado ao tema é desvinculado de mecanismos concretos capazes de alterar a realidade local. Aborda apenas sobre competências municipais e/ou estaduais para as quais recaem os assuntos pertinentes a saúde da população. Sendo assim, sua fetividade foi classificado como baixa em relação as implicações sanitárias. Dessa ordem, importante ressalvar que, a tempo da contratação do Plano Diretor Municipal, também estava previsto a contratação separadamente do Plano de Saneamento Municipal como já foi dito anteriormente.
Por fim, o último tema no âmbito da Dimensão Pureza: (14) Redução da contaminação de área. Ao analisar os indicadores correlatos a este tema, sugeridos na Tabela 1, tem-se como exemplo: relação entre água tratada (ETA’s) e produzida, sistema de esgotamento sanitário, tratamento das águas coletadas, sistema de processamento de resíduos sólidos, sistemas de coleta seletiva; monitoramento da qualidade do ar e infrações ambientais com multas, é possivel identificar ao longo do Código do Meio Ambiente, que existem diversas normas vinculadas à estes conteúdos, porém com impactos distintos no que tange a capacidade de reduzir a contaminação de área da Ilha. Diante disto, serão transcritas a seguir àquelas consideradas mais relevantes.
Inicialmente o Código apresenta, no Art. 3º, como um dos princípios que a Política Municipal do Meio Ambiente atende, os seguintes incisos:
I- O Município tem competência legislativa em relação ao meio ambiente, à gestão ambiental, à criação de unidades de conservação, ao licenciamento e à imposição de penalidades a infrações ambientais de interesse local, observadas as competências da União e do Estado; [grifo nosso]
II- o poluidor e o degradador têm o dever de recuperar as áreas poluídas
ou degradadas ou idenizar a municipalidade, quando não possivel a
recuperação; [grifo nosso]
III- a existência de débito ambiental impedirá o licenciamento de novos empreendimentos e a concessão de incentivos fiscais, pelo Município. (Grifo nosso)
Observa-se nestes incisos um discurso com conteúdo disciplinador que evidencia consequências e penalidades decorrentes do desarcordo com as normas da Política Municipal do Meio Ambiente, além de determinar a competência municipal sobre a legislação
correspondente. Assim, apesar desses princípios serem desprovidos de mecanismos, pois no Art. 3º trata-se apenas de um discurso, ao longo do corpo da lei é possivel identificar as normas que possuem estes mecanimos, passíveis de intervir e modificar a realidade local, tornado-se portando o Código mais efetivo para a sustentabilidade no âmbito da Redução da contaminação de área como poderá ser visto adiante.
No Capítulo V, Seção III, o Art. 11 determina competencia à Secretaria Municipal do Meio Ambiente, dentre outras responsabilidades, os seguintes incisos abaixo descritos relacionados ao tema em questão:
XI- promover a responsabilização e a reparação dos danos por infrações ambientais;
XII- definir normas para coleta, transporte, tratamento e disposição de resíduos sólidos urbanos e industriais, em especial processos que envolvam sua reciclagem.
Importante resaltar que, a definição do orgão municipal sobre o qual recai a responsabilidade sobre as ações de ordem administrativa, voltadas para a redução da contaminação local é determinante, porém não suficiente, para que estas possam se concretizarem. Isto porque além de normas punitivas devem ser implementados também a educação ambiental, para que a população possa ter consciência da importancia de seu papel no processo de melhoria da sustentabilidade urbana, além de normas de incentivos para que esse processo se consolide também através de adesões.
Sobre incentivos o Código estabelece na Seção IX, no Art. 34 que: “O Poder Público poderá instituir, por lei específica, incentivos à produção e instalação de equipamentos contra a poluição e a criação ou absorção de tecnologias que promovam a recuperação, preservação, conservação e melhoria do meio ambiente, à proteção e recuperação do patrimônio cultural, incluindo as manifestações culturais, obedecida a legislação federal pertinente. ”
Ainda sobre Redução da contaminação de área, o capítulo VI - Dos Instrumentos da Política Municipal do Meio Ambiente, seção XII que versa sobre Fiscalização Ambiental, estabelece no Art. 45, inciso I, alínea b, que aos agentes no exercício de sua função de monitoramento e controle ambiental compete, dentre outras atribuições, atuar na “conscientização da população quanto à importância da conservação e preservação dos recursos hídricos”. Ademais, no Art. 47, confere ao Poder Executivo exigir, nos eventos e acidentes, do poluidor:
I – A instalação imediata e operação de equipamentos automáticos de medição, com registradores, nas fontes de poluição, para monitoramento das quantidades e qualidade dos poluentes emitidos;
II – A comprovação da quantidade e qualidade dos poluentes emitidos, através de realização de análises e amostragens que comprovem a quantidade e qualidade dos poluentes emitidos;
III – A adoção de medidas de segurança para evitar os riscos ou a efetiva poluição ou degradação das águas, do ar, do solo ou subsolo, assim como, outros efeitos indesejáveis ao bem-estar da comunidade; e
IV – A relocação de atividades poluidoras que, em razão de sua localização, processo produtivo ou fatores deles decorrentes, mesmo apos a adoção de sistemas de controle, não tenham condições de atender as normas e padrões legais.
Em seguida, no Capítulo III, o Código dispõe de duas Seções II e III que tratam respectivamente da Contaminação do Solo e Subsolo, e da Destinação de Resíduos. O primeiro trata da destinação e disposição do solo e subsolo, além de prevê custos e medidas mitigatórias aos responsáveis por algum tipo de poluição ambiental decorrente do derramamento, vazamento e disposição de forma irregular ou acidental. Sobre a Seção III estão previstos nos Art.s 70 ao 75 projetos e serviços de instalação, operação, coleta, armazenamento, transporte, tratamento, triagem, reciclagem e destinação de resíduos sólidos, assim como trata também das responsabilidades do gerador de resíduos. São eles:
Art. 70. Os projetos referentes à instalação, operação e encerramento dos sistemas de tratamento e/ou destinação de resíduos sólidos, inclusive da industrialização de granitos, obedecerão às normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e aos padrões estabelecidos pela legislação vigente.
Art. 71. O Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano definirá as áreas propícias para o tratamento e disposição dos resíduos líquidos.
Art. 72. Os serviços de coleta, armazenamento, transporte, tratamento, triagem, reciclagem e destinação de resíduos sólidos serão de responsabilidade do gerador e, em qualquer caso, deverão ser executados sob a responsabilidade de um técnico especializado.
Art. 73. O Poder Executivo somente poderá aceitar nos seus sistemas de tratamento e de destinação, os resíduos gerados no território municipal ou os que forem autorizados por convênio ou consórcio intermunicipal devidamente aprovado pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente.
Art. 74. O Poder Executivo poderá limitar o recebimento de resíduos não abrangidos pela coleta regular.
Art. 75. Os usuários dos sistemas de destinação e/ou tratamento de resíduos sólidos, públicos ou privados, deverão atender às normas e técnicas estabelecidas para a adequada disposição de seus resíduos.
§ 1º Nos sistemas de disposição ou tratamento de resíduos operados pelo Poder Executivo somente poderão ser aceitos resíduos identificados e caracterizados pelo gerador, não perigosos (classe II) e inertes (classe III). § 2º Não serão aceitos resíduos de processo com água livre nos sistemas de tratamento e/ou disposição de resíduos.
§ 3º Excetuam-se deste art. os resíduos (classe I) patogênicos e tóxicos apreendidos, que poderão ser destinados aos incineradores públicos.
Imperativo se atentar na análise desse tema para o ano de aprovação da lei em questão, 2004, para que se avalie adequadamente a solução apresentada para o destino de resíduos sólidos. Atualmente já está sendo revisto esse modelo que considera apenas o tratamento, reciclagem e destinação, pois trata parcialmente e de forma isolada o problema. Segundo Borja e Moraes (2015), há uma tendência mundial que aponta para modelos integrados e sustentáveis, que consideram primeiro a não geração do resíduo, depois a redução e reutilização, reciclagem, tratamento, e por fim, a disposição final ambientalmente adequada.
Em sequência, nos Art. 76 ao 80, são instituídas normas referentes ao aterro sanitário, anteriormente citadas, onde são regulados: condições para instalação de tratamento e/ou disposição de resíduos; recuperação das áreas de empréstimo cuja terra recobre diariamente os resíduos no aterro; responsabilidades do proprietário, do operador, do órgão publico ou privado e do gerenciador do sistema de tratamento e /ou destinação; destinação do líquido percolado resultante dos sistemas de tratamento e/ou destinação final de lixo; monitoramento dos efluentes gasosos emitidos; Incentivos a viabilidade de soluções que resultem em minimização, reciclagem e/ou aproveitamento racional de resíduos.
Art. 76. “Toda instalação de tratamento e/ou disposição de resíduos a ser implantada deverá ser provida de um cinturão verde através de plantio de espécies arbóreas de grande porte e rápido crescimento em solo natural.
§ 1º O cinturão verde deverá ter largura mínima entre 10 m (dez metros) a
25 m (vinte e cinco metros).
§ 2º No plano de encerramento dos aterros sanitários deverá estar previsto
projeto de recomposição da vegetação para futura implantação de parques ou outros usos compatíveis.
Art. 77. A área de empréstimo, onde se localizarem as jazidas de terra para recobrimento diário do resíduo no aterro sanitário, deverá ser recuperada pela empresa responsável pela operação do aterro, evitando a instalação de processos erosivos e de desestabilização dos taludes.
Art. 78. O proprietário, operador, órgão público ou privado, gerenciador do sistema de tratamento e/ou destinação serão responsáveis pelo monitoramento e mitigação de todos os impactos a curto, médio e longo prazo do empreendimento, mesmo após o seu encerramento.
Art. 79. O líquido percolado resultante dos sistemas de tratamento e/ou destinação final de lixo deverá possuir estação de tratamento para efluentes, não podendo estes ser lançados diretamente em correntes hídricas.
Art. 80. O efluente gasoso gerado nos sistemas de tratamento e/ou disposição de resíduos deverá ser devidamente monitorado, com o objetivo de se verificar se há presença de compostos, em níveis que representem risco para a população próxima.
No caso do não cumprimento das normas definidas no Código Municipal do Meio Ambiente se encontra previsto, no Título IV, das Infrações Ambientais, apresentando no