x −2y = 0
z = 0
x +y = 0
Esse sistema possui somente a solu¸c˜ao trivial, e portanto KerT ={(0,0,0)} (⇒T ´e injetora).
Conclu´ımos ent˜ao que T ´e isomorfismo.
Agora, calculemos T−1. Sabemos que, sendo T isomorfismo, leva base em base. Em parti-cular, o conjunto
β ={T(1,0,0);T(0,1,0);T(0,0,1)}={(1,0,1); (−2,0,1); (0,1,0)}
proveniente da aplica¸c˜ao de T na base canˆonica de R3 ´e base de R3. Assim T−1◦T(1,0,0) = (1,0,0) ⇒ T−1(1,0,1) = (1,0,0), T−1◦T(0,1,0) = (0,1,0) ⇒ T−1(−2,0,1) = (0,1,0) e T−1◦T(0,0,1) = (0,0,1) ⇒ T−1(0,1,0) = (0,0,1).
Ora, T−1 est´a definida sobre a base β de R3, e T−1 est´a bem definida em todo R3. Dado (x, y, z)∈R3, vocˆe pode verificar que
(x, y, z) = x+ 2y
3 (1,0,1) + z−x
3 (−2,0,1) +y(0,1,0), donde segue que
T−1(x, y, z) =
x+ 2y
3 , z−x 3 , y
.
5.5 A matriz de uma transforma¸ c˜ ao linear
Recorde da Se¸c˜ao 5.3 que cada transforma¸c˜ao tem uma escrita na forma matricial. Para exemplificar, considere a transforma¸c˜ao linear T :R2 →R2 dada porT(x, y) = (x+y,2x), e a matriz
A=
1 1 2 0
.
CAP´ITULO 5. TRANSFORMAC¸ ˜OES LINEARES 69
Assim, a imagem de (x, y) porT coincide, interpretada como uma matriz coluna, com o produto AX. Isso nos motiva a associar transforma¸c˜oes lineares a matrizes.
Dada uma transforma¸c˜ao linear T :V →W e bases α ={v1, . . . , vn}, β ={w1, . . . , wk} de V e W, respectivamente, nosso objetivo ´e associar uma matriz `a transforma¸c˜ao T relativa `as bases α e β. ComoT(v1), . . . , T(vn)∈W, escrevemos
Teorema 5.4. Sejam V e W espa¸cos vetoriais, α base deV, β base de W e T :V →W uma transforma¸c˜ao linear. Ent˜ao
[T(v) ]β = [T ]αβ[v]α.
A matriz [T ]αβ ´e chamada matriz de T em rela¸c˜ao `as bases α e β.
α
V v
β
W T(v) T
Note que α´e a base de partida (do dom´ınio V) e β a base de chegada (do contradom´ınio W).
Ou seja, a ordem dos ´ındices coincide com `aquela da escrita de matrizes de mudan¸ca de base.
Como fizemos com matrizes de mudan¸ca de base, podemos ver [T ]αβ em colunas. Observe que as colunas de [T]αβ s˜ao os coeficientes das escritas das imagensT(v1), . . . , T(vn) na base β deW, isto ´e,
[T ]αβ =
| |
[T(v1) ]β · · · [T(vn) ]β
| |
.
Com isso, uma transforma¸c˜ao de V em W estar´a bem definida se dissermos sua matriz sobre bases de V e W. Observe tamb´em que se n= dimV e k = dimW ent˜ao uma matriz da transforma¸c˜ao T :V →W tem ordem k×n.
Volte `a se¸c˜ao de mudan¸ca de base e compare com as contas feitas aqui. Veja que a matriz de mudan¸ca de base ´e a matriz do operador linear identidade. Nesse sentido, a nota¸c˜ao usada mostra sua conveniˆencia: se T =IdV =I ´e o operador identidade sobre V, ent˜ao a express˜ao [T(v) ]β = [T ]αβ[v]α fica [v]β = [I]αβ[v]α, a mesma express˜ao obtida no estudo de matrizes de mudan¸ca de base.
Exemplo 5.15. Considere a transforma¸c˜ao linear T :R3 →R2 dada por T(x, y, z) = ( 2x−y+z , 3x+y−2z ).
a) A matriz de T, [T ]αβ, nas bases α ={(1,1,1); (0,1,1); (0,0,1)} deR3 e β ={(2,1); (5,3)}
deR2 ´e [T]αβ =
| | |
[T(1,1,1) ]β [T(0,1,1) ]β [T(0,0,1) ]β
| | |
=
| | |
[ (2,2) ]β [ (0,−1) ]β [ (1,−2) ]β
| | |
. Para encontrar essa matriz, temos que encontrar as escritas dos vetores (2,2),(0,−1) e (1,−2) na base β. Fazendo as contas, chegamos `a escrita do vetor (x, y) na base β:
[ (x, y) ]β =
3x−5y
−x+ 2y
. Assim,
[T ]αβ =
−4 5 13 2 −2 −5
.
CAP´ITULO 5. TRANSFORMAC¸ ˜OES LINEARES 71 Vocˆe pode fazer as contas e descobrir que
[ (3,−4,2) ]α= contradom´ınio). Assim, para obter a matriz deT que vai de α para a base β, basta mudar a base do contradom´ınio da can paraβ, atrav´es da multiplica¸c˜ao da matriz de mudan¸ca de base [I]canβ . W e U respectivamente. Ent˜ao a composta
S◦T :V →U
v →(S◦T)(v) = S(T(v))
´
e transforma¸c˜ao linear, e
[S◦T ]αγ = [S]βγ[T ]αβ
(o produto matricial deve ser feito na mesma ordem da composi¸c˜ao).
β W
α V U γ
T S
S◦T
Exemplo 5.16. Considere os operadores lineares T, S :R2 →R2 dados por T(x, y) = (2x,2y) e S(x, y) = (x+ 2y, y). Temos
[S◦T ]cancan = [S]cancan[T]cancan =
1 2 0 1
2 0 0 2
=
2 4 0 2
.
Exemplo 5.17. Sejam T :R2 →R3 e S :R3 →R2 definidas por
[T ]αβ =
1 0
1 −1
0 1
e [S]βγ =
0 1 −1
0 0 0
,
onde α = {(1,0); (0,2)} e γ = {(2,0); (1,1)} s˜ao bases de R2 e β ´e uma base de R3. Vamos encontrar S◦T(x, y). Ora,
[S◦T ]αγ = [S]βγ[T ]αβ =
1 −2
0 0
. E f´´ acil ver que
[ (x, y) ]α = x
y/2
. Assim,
[S◦T(x, y) ]γ = [S◦T ]αγ[ (x, y) ]α =
x−y 0
, ou seja,
S◦T(x, y) = (x−y)(2,0) + 0(1,1) = (2x−2y,0).
Corol´ario 5.2. Se T :V →W ´e um isomorfismo,α uma base deV eβ uma base deW, ent˜ao [T−1]βα =
[T]αβ−1
.
α V
β W T
T−1
Sabemos que matrizes quadradas possuem inversa se, e somente se, seu determinante ´e n˜ao nulo. Portanto, a mesma rela¸c˜ao vale entre isomorfismos (isto ´e, a existˆencia de T−1) e determinantes.
CAP´ITULO 5. TRANSFORMAC¸ ˜OES LINEARES 73 Corol´ario 5.3. Sejam V e W espa¸cos vetoriais de mesma dimens˜ao, T :V → W uma trans-forma¸c˜ao linear e α, β bases deV e W respectivamente. Ent˜ao T ´e isomorfismo se, e somente se det[T ]αβ 6= 0.
(o encadeamento da primeira para a ´ultima base se lˆe da direita para a esquerda no produto das matrizes – veja a figura abaixo).
α0 V
E importante ler e escrever a ordem dos ´ındices nas matrizes de forma correta. Note que as´ bases no produto [I]ββ0[T]αβ[I]αα0 “se cancelam”, restando a base de partida α0 e a de chegada β0.
Exemplo 5.19. Considere a transforma¸c˜ao do exemplo anterior, ou seja, T : R2 → R2 dada por
T(x, y) = ( 3x+ 4y , 2x+ 3y ).
Dadas as basesα0 ={(1,2); (−1,3)}eβ0 ={(1,1); (2,0)}, vamos calcular a matriz deT da base α0 para a base β0 utilizando o Corol´ario 5.4. Este resultado garante que
[T ]βα00 = [I]canα0 [T ]cancan[I]βcan0 .
Veja que as matrizes envolvendo a base canˆonica s˜ao f´aceis de calcular. Temos
[I]canα0 =
[T ]cancan = Assim, pela linearidade de T segue que
T(v) = T caso, dim KerT = p). Completando esse conjunto a uma base de V, obtemos uma base {v1, . . . , vp, vp+1, . . . , vn}deV formada, evidentemente, porn= dimV vetores. Vamos mostrar que os n−p vetores T(vp+1), . . . , T(vn) formam uma base de ImT. De fato, esses vetores s˜ao LI pois, pela linearidade deT, temos
ap+1T(vp+1) +· · ·+anT(vn) = T(ap+1vp+1+· · ·+anvn) =0 ⇒ ap+1vp+1+· · ·+anvn∈ KerT.
Da´ı, esta soma dos v’s pode ser escrita na base de KerT, isto ´e, ap+1vp+1+· · ·+anvn =b1v1+· · ·+bpvp, o que fornece
−b1v1− · · · −bpvp+ap+1vp+1+· · ·+anvn=0.
CAP´ITULO 5. TRANSFORMAC¸ ˜OES LINEARES 75 Ora, mas os vetores v1, . . . , vn s˜ao LI, e logo devemos ter ap+1 =· · ·=an= 0. Portanto
ap+1T(vp+1) +· · ·+anT(vn) = 0 ⇒ ap+1 =· · ·=an = 0, ou seja, T(vp+1), . . . , T(vn) s˜ao LI.
Agora, dado T(u)∈ ImT, escrevemos u∈V na base de V:
u=c1v1+· · ·+cpvp+cp+1vp+1+· · ·+cnvn. AplicandoT e usando linearidade obtemos
T(u) = c1T(v1) +· · ·+cpT(vp)
| {z }
=0poisv1,...,vp∈KerT
+T(cp+1vp+1+· · ·+anvn) = cp+1T(vp+1) +· · ·+cnT(vn).
Ou seja,{T(vp+1), . . . , T(vn)} gera ImT, e logo ´e uma base de ImT. Finalmente basta contar os elementos das bases de KerT e ImT para concluir que
dimV =n= (n−p) +p= dim ImT + dim KerT.
Demonstra¸c˜ao do Corol´ario 5.1. Seja T :V →W transforma¸c˜ao linear. Temos
T injetora ⇔ KerT ={0} (Teorema 5.2)
⇔dim KerT = 0
⇔dim ImT = dimV = dimW (Teorema 5.3 [do N´ucleo e da Imagem])
⇔ ImT =W (Atividade 4.8 de Espa¸cos Vetoriais)
⇔T sobrejetora (Defini¸c˜ao 5.5).
Demonstra¸c˜ao do Teorema 5.4. A demonstra¸c˜ao est´a no pr´oprio texto, antes do Teorema.
Demonstra¸c˜ao do Teorema 5.5. SejaRa MLRFE de [T ]αβ. Essa matriz n˜ao ´e necessariamente quadrada: tem ordem m×n, onde m = dimW e n = dimV. Consideremos o sistema ho-mogˆeneo Rv =0. Como R est´a na forma escada reduzida, suas linhas nulas aparecem todas abaixo das n˜ao nulas; portanto podemos desconsider´a-las no sistemaRv=0. Reordenando as colunas se necess´ario, podemos ent˜ao escrever o sistema Rv=0 de forma equivalente como
Ip N vI
vN
=0,
onde Ip ´e matriz identidade de ordem p = posto de [T ]αβ e N a matriz restante de ordem p×(p−n). Assim, vI e vN tˆem dimens˜oes p×1 e (n−p)×1, respectivamente. O sistema anterior pode ser escrito simplesmente como
vI =−Nvn.
Note que a escolha devN ´e livre, mas a devI n˜ao. Ademais, KerT ´e caracterizado pelo sistema homogˆeneo, e logo este subespa¸co ´e caracterizado pelas poss´ıveis escolhas para vN. Ora, h´a exatamente n−pescolhas para vN de modo a obter vetores LI, por exemplo, escolhendo para vN os vetores canˆonicos de Rn−p. Assim, uma base de KerT tem n−p vetores, e logo
dim KerT =n−p= nulidade de [T]αβ
(no caso extremo onde n−p= 0, a matriz N n˜ao aparece, o sistema homogˆeneo ´e equivalente
`
a vI =0 e ent˜ao, coerentemente, KerT ={0}).
A rela¸c˜ao envolvendo a imagem de T segue do Teorema do N´ucleo e da Imagem:
dim ImT = dimV −dim KerT =n−(n−p) = p= posto de [T]αβ. Isso finaliza a demonstra¸c˜ao.
Demonstra¸c˜ao do Teorema 5.6. Primeiro mostramos que a composta S◦T : V → U ´e linear.
Dados vetores v1, v2 ∈V e a∈R quaisquer, temos (S◦T)(v1+v2) =S(T(v1+v2))
=S(T(v1) +T(v2)) =S(T(v1)) +S(T(v2))
= (S◦T)(v1) + (S◦T)(v2).
Da mesma forma prova-se que (S◦T)(av1) =a(S◦T)(v1).
Vamos agora mostrar que a matriz de S◦T ´e o produto das matrizes de S e T. Usando o Teorema 5.4 temos, por um lado,
[S◦T(v) ]γ = [S◦T ]αγ[v]α, e, por outro lado,
[S◦T(v) ]γ = [S(T(v)) ]γ = [S]βγ[T(v) ]β =
[S]βγ[T ]αβ [v]α.
Como as duas express˜oes acima valem parav ∈V arbitr´ario, s´o pode ser [S◦T ]αγ = [S]βγ[T ]αβ, como quer´ıamos demonstrar.
Demonstra¸c˜ao do Corol´ario 5.2. Temos T−1◦T =IdV. Se α={v1, . . . , vn}´e base deV ent˜ao [IdV ]αα =
| |
[v1]α · · · [vn]α
| |
=In. Assim,
In= [IdV ]αα = [T−1◦T ]αα= [T−1]βα[T ]αβ, e da´ı [T−1]βα =
[T]αβ−1
.
CAP´ITULO 5. TRANSFORMAC¸ ˜OES LINEARES 77 Demonstra¸c˜ao do Corol´ario 5.3. Se T ´e isomorfismo, ent˜ao o Corol´ario 5.2 diz que [T ]αβ ´e invers´ıvel, e assim det[T ]αβ 6= 0. Reciprocamente, se det[T ]αβ 6= 0 ent˜ao [T ]αβ ´e invers´ıvel, isto
´
e, existe uma matriz quadradaB tal queB[T ]αβ =I. Defina ent˜ao a transforma¸c˜aoS :W →V pondo [S]βα =B. Temos
[IdV ]αα =I=B[T ]αβ = [S]βα[T]αβ = [S◦T ]αα, ou seja, S◦T =IdV. Assim, T ´e isomorfismo, comT−1 =S.
Demonstra¸c˜ao do Corol´ario 5.4. Basta observar que T =IdW ◦T ◦IdV implica [T]αβ00 = [IdW ◦T ◦IdV ]αβ00 = [I]ββ0[T ]αβ[I]αα0.
5.7 Exerc´ıcios
Transforma¸ c˜ oes Lineares
1. Determine quais das seguintes aplica¸c˜oes s˜ao lineares. Se n˜ao for, explique o porquˆe.
(a) T :R3 →R2 definida por T(x, y, z) = (x, z).
(b) T :R4 →R4 definida por T(x) =−x.
(c) T :R3 →R3 definida por T(x) =x+ (0,−1,0).
(d) T :R2 →R2 definida por T(x, y) = (2x+y, y).
(e) T :R2 →R2 definida por T(x, y) = (2x, y−x).
(f) T :R2 →R2 definida por T(x, y) = (y, x).
(g) T :R2 →R definida por T(x, y) =xy.
(h) T :R3 →R3 definida por T(x, y, z) = (x,2y,2z).
(i) T :R4 →R3 definida por T(x, y, z, w) = (x−w, y−w, x+z).
(j) T :M(2,2)→R definida por T
a b c d
= det
a b c d
=ad−bc.
(k) T :M(n, n)→Rn definida por T(A) = (a11, a22, . . . , ann).
(l) T : Pn → Pn onde a imagem de um polinˆomio p ∈ Pn ´e o polinˆomio definido por T(p)(t) =p(t+ 1) para todo t∈R.
(m) T :Pn →Rn definida por T(p) = p(1).
(n) T :P2 →R3 definida por T(p) = (p(−1), p(0), p(1)).
(o) T :R3 →R3 definida por T(x, y, z) = (x+y, y+z, x+z).
(p) T :R2 →R3 definida por T(x, y) = (x+y, y, x).
(q) T :M(n, n)→R definida por T(A) =trA=a11+a22+· · ·+ann. 2. Para cada uma das transforma¸c˜oes lineares do exerc´ıcio anterior, fa¸ca:
(a) Determine uma base da imagem de T, ImT, caso n˜ao se reduza a {0}.
(b) Determine uma base do n´ucleo de T, KerT, caso n˜ao se reduza a {0}.
(c) Diga seT ´e injetora, sobrejetora ou um isomorfismo, justificando sua resposta. Caso T for isomorfismo, calcule T−1.
3. Seja V um espa¸co vetorial real e sejam u, w ∈ V. A reta que passa por u e ´e paralela a w ´e definida pelo conjunto de todos os elementos u+tw com t ∈ R. O segmento de reta entre os pontos extremos u e u+w ´e definido pelo conjunto de todos os elementos u+tw com 0≤t ≤1. Seja L:V →U uma transforma¸c˜ao linear. Mostre que a imagem por L de um segmento de reta em V ´e um segmento de reta em U. Quais s˜ao os pontos extremos do segmento? Mostre que a imagem por L de uma reta ´e sempre uma reta ou um ponto.
4. SejaT :R2 →R2 uma transforma¸c˜ao linear. Em cada caso, determine T(x, y).
(a) T(3,1) = (1,2) e T(−1,0) = (1,1).
(b) T(4,1) = (1,1) e T(1,1) = (3,−2).
(c) T(1,1) = (2,1) e T(−1,1) = (6,3).
5. Existe um operador T : R3 → R3 tal que T(1,1,1) = (1,2,3), T(1,2,3) = (1,4,9) e T(2,3,4) = (1,8,25)? (dizemos que uma transforma¸c˜ao linear T ´e um operador se seus dom´ınio e contradom´ınio s˜ao os mesmos) Justifique sua resposta. Se for o caso, encontre T(x, y, z).
6. Diga cada senten¸ca ´e verdadeira ou falsa. Se for verdadeira, prove-a, e se for falsa, dˆe um contra-exemplo.
Seja dada uma transforma¸c˜ao linear T :V →W. (a) Se v ∈V ´e tal que T(v) = 0 ent˜aov =0.
(b) Se T(w) =T(u) +T(v) ent˜ao w=u+v.
(c) Sev´e combina¸c˜ao linear deu1, . . . , ument˜aoT(v) ´e combina¸c˜ao linear deT(u1), . . . , T(um).
Sejan = dimV ek = dimW.
(d) Se T ´e injetora ent˜ao dim ImT =n.
(e) Se T ´e sobrejetora ent˜ao dim KerT =n−k.
7. SejamV eW espa¸cos vetoriais. Se dimV < dimW, mostre que existem transforma¸c˜oes linearesT :V →W e S:W →V tais que T ´e injetora e S ´e sobrejetora.
8. Seja T : R2 → R2 dado por T(x, y) = (ax +by, cx +dy). Determine as constantes a, b, c, d∈R de modo queT(1,2) = (1,1) e T(3,4) = (2,2).
9. SejaT :V →W uma transforma¸c˜ao linear. Mostre que:
(a) Se os vetoresT(u1), . . . , T(um)∈W s˜ao LI ent˜ao s˜ao tamb´em LI os vetoresu1, . . . , um ∈ V.
(b) Se V =W e os vetoresT(u1), . . . , T(um) geramW, ent˜aou1, . . . , um geram V. 10. SejaG um conjunto de geradores do espa¸co vetorial V. Mostre que se as transforma¸c˜oes
lineares T, S : V → W s˜ao tais que T(u) = S(u) para todo u ∈ G, ent˜ao T(v) = S(v) para todov ∈V, isto ´e,T eS s˜ao iguais.
CAP´ITULO 5. TRANSFORMAC¸ ˜OES LINEARES 79 11. SejaT :V →V um operador linear e suponha que exista um operadorS :V →V tal que T ◦S =IdV, onde IdV ´e o operador identidade emV. Mostre queT ´e umautomorfismo, isto ´e, que T ´e um isomorfismo de V no pr´oprio V.
12. SejaT :V →W um isomorfismo. Se S :W →V ´e tal que T ◦S =IdW, mostre queS ´e transforma¸c˜ao linear.
13. Sejam T : V → W e S : W → U transforma¸c˜oes lineares tais que KerT = {0V} e KerS = {0W}, onde 0V e 0W s˜ao os vetores nulos de V e W, respectivamente. Mostre que Ker (S◦T) = {0V}.
14. Seja T : V → V um operador linear tal que T2 = T ◦ T = T. Mostre que V = KerT ⊕ ImT.
15. Um conjunto C se chama convexo se, para quaisquer x, y ∈C, tem-se (1−t)x+ty ∈C para todot ∈[0,1] (isto ´e, se o segmento que liga dois pontos quaisquer deC ainda est´a em C). Mostre que uma transforma¸c˜ao linear T : V → W transforma todo conjunto convexo C ⊂V num conjunto convexo T(C)⊂W.
16. (a) Sejam U e W espa¸cos vetoriais. Considere o conjunto U ×W de todos os pares ordenados (u, w) com u ∈ U e w ∈ W. Se (u1, w1),(u2, w2) ∈ U ×W e α ∈ R definimos a soma em U×W por
(u1, w1) + (u2, w2) = (u1+u2, w1+w2)
e a multiplica¸c˜ao por escalar por α(u1, w1) = (αu1, αw1). Mostre que com essas opera¸c˜oes, U ×W ´e espa¸co vetorial.
(b) Mostre que dim(U ×W) = dimU + dimW.
(c) Suponha queU eW sejam subespa¸cos deV, e considere a aplica¸c˜aoT :U×W →V dada porT(u, w) = u−w. Mostre queT ´e transforma¸c˜ao linear e use-a para mostrar que
dimU + dimW = dim(U +W) + dim(U ∩W).
17. SejaT :V →V um operador linear.
(a) Mostre que se T(v) ´e m´ultiplo de v para todo v ∈ V, ent˜aoT = αIdV para algum α∈R, ondeIdV ´e o operador identidade em V.
(b) Usando o item anterior, mostre que se T n˜ao ´e da forma αIdV ent˜ao existe w ∈ V tal que {w, T(w)}´e um conjunto LI.
(c) Mostre que se T comuta com qualquer operador sobre V, isto ´e, se T ◦S = S ◦T para qualquer operadorS :V →V, ent˜aoT =αIdV para algum α∈R.
Dica: SeT n˜ao ´e da formaαIdV, pelo item anterior existew∈V tal que{w, T(w)}´e LI. Complete esse conjunto a uma base de V, digamos {w, T(w), v3, . . . , vn}. Defina ent˜ao o operador P :V →V pondo P(w) =P(T(w)) =w e P(v3) =· · ·=P(vn) = 0. Mostre ent˜ao que P ◦T 6=T ◦P, e conclua o resultado.
Matrizes de Transforma¸ c˜ oes Lineares
1. Considere as tranforma¸c˜oes lineares abaixo
i) T1 :R3 →R2 definida por T1(x, y, z) = (x, z).
ii) T2 :R4 →R4 definida por T2(v) = −v.
iii) T3 :R2 →R2 definida por T3(x, y) = (2x+y, y).
(d) a partir do item anterior, diga se Ti ´e isomorfismo. Caso for, encontre uma matriz para Ti−1 em certas bases.
(e) calcule [T3◦T1]βα, [T6◦T2]canβ , [T1◦T6]γcan, [T5◦T3]αα, [T5◦T1◦T6]canα . (f) calcule [T5◦T4◦T3]canα e a partir da´ı encontre (T5◦T4◦T3)(x, y).
2. Para cada matriz A abaixo, encontre uma trasnforma¸c˜ao linear T : Rn → Rm tal que a matriz de T nas bases canˆonicas de Rn eRm seja A. n˜ao ´e isomorfismo.
5. Mostre que os espa¸cos vetoriaisR3 e TS(2) s˜ao isomorfos (TS(2) ´e o espa¸co das matrizes triangulares superiores de ordem 2). Mais geralmente, argumente que espa¸cos vetoriais de mesma dimens˜ao s˜ao isomorfos.
Cap´ıtulo 6
Autovalores e Autovetores
Considere a operador linearS :R2 →R2 sobreR2. Podemos nos perguntar o seguinte: para quais vetores v ∈R2, a imagem S(v)∈ R2 tem a mesma dire¸c˜ao de v? Isto ´e, queremos saber se para um dado v ∈R2, existe λ∈R tal que
S(v) =λv. (6.1)
Exemplo 6.1. Considere a reflex˜ao no plano ao redor da origem, F(x, y) = (−x,−y).
Como
F(x, y) = −1 (x, y),
e logo (6.1) ´e satisfeita para todo (x, y) e λ=−1.
Exemplo 6.2. Considere a reflex˜ao em torno do eixox, dada por Q(x, y) = (x,−y).
81
Os ´unicos vetores (x, y) que satisfazem (6.1) s˜ao da forma (x,0) ou (0, y). Veja que Q(x,0) = 1 (x,0) e Q(0, y) =−1 (0, y)
para x, y 6= 0, mas Q(x, y) 6= λ(x, y) para qualquer λ ∈ R quando y 6= 0 e x 6= 0. Geome-tricamente, os ´unicos vetores que permanecem inalterados por reflex˜ao ao redor do eixo x s˜ao aqueles na dire¸c˜ao do eixo x, enquanto que os vetores na dire¸c˜ao do eixo y mudam de sentido.
Exemplo 6.3. Considere a rota¸c˜ao ao redor da origem por um ˆanguloθno sentido anti-hor´ario, R(x, y) = ( xcosθ−ysenθ , ycosθ+xsenθ ).
Se θ = 2kπ para algum k ∈ Z (ˆangulo nulo + voltas completas), ent˜ao para todo (x, y) temos
R(x, y) = (x, y).
Se θ = π + 2kπ para algum k ∈ Z (ˆangulo 180o + voltas completas), ent˜ao para todo (x, y) temos
R(x, y) = −(x, y).
Seθ 6=kπ para todok ∈Z(0< θ < π + meias voltas) ent˜aoR n˜ao mant´em a dire¸c˜ao de vetor algum, isto ´e, ap´os rota¸c˜ao por um ˆangulos desses, os vetores mudam de dire¸c˜ao.
Atividade 6.1. Interprete geometricamente os trˆes itens do exemplo anterior fazendo figuras.
Podemos levar esta ideia para um espa¸co vetorial qualquer: dada um operador linear T : V →V, estamos interessados em determinar os pares (λ, v) para os quais
T(v) = λv. (6.2)
Neste caso, o escalar λ ´e chamado autovalor de T e v ´e chamado autovetor de T associado a λ. Podemos ainda dizer que (λ, v) ´eautopar deT.
Evidentemente, em qualquer caso,v =0satisfaz a equa¸c˜ao (6.2) para qualquerλ, e logo o caso interessante ´e quando v 6= 0. Com isso, determinamos a no¸c˜ao de autovalor/autovetor de um operador qualquer.
Defini¸c˜ao 6.1. Seja T : V → V um operador linear sobre V. Se existirem v ∈ V, v 6= 0, e λ ∈ R tais que T(v) = λv, ent˜ao dizemos que λ ´e autovalor de T e v ´e autovetor de T associado a λ.
CAP´ITULO 6. AUTOVALORES E AUTOVETORES 83 Note que a defini¸c˜ao exige que
T(v) = λv∈V.
Logo, a imagem T(v) deve ser elemento de V. Por isso s´o definimos autovalo-res/autovetores para transforma¸c˜oes entre um mesmo espa¸co vetorial V (operador sobreV).
Um fato ´e que sev 6=0´e autovetor deT associado ao autovalorλ, ent˜aoav,a6= 0 qualquer, tamb´em ´e autovetor deT associado ao mesmo autovalor λ. De fato, sendo T(v) =λv temos
T(av) =aT(v) =a(λv) =λ(av).
Em resumo:
Teorema 6.1. Se v 6= 0 ´e autovetor de T associado ao autovalor λ, ent˜ao av, a 6= 0, ´e autovetor de T associado a λ.
Dado um operador T : V → V, o Teorema 6.1 motiva considerarmos o conjunto dos autovetores v associados a um autovalor λ, definido como
Vλ ={v ∈V |T(v) =λv}.
Atividade 6.2. Mostre que Vλ ´e subespa¸co vetorial de V.
O subespa¸co Vλ deV ´e chamado de autoespa¸co associado ao autovalorλ.
Uma visualiza¸c˜ao geom´etrica interessante dos autoespa¸cos aparece um Geometria Anal´ıtica, da seguinte forma: dada uma cˆonica no plano rotacionada ao redor da origem (por exemplo, uma elipse rotacionada), os autoespa¸cos associados `a matriz dos termos de ordem 2 da cˆonica s˜ao as retas nas dire¸c˜oes dos eixos da cˆonica. Veja a se¸c˜ao 6.5 para detalhes. Analogamente, autoespa¸cos descrevem os eixos de qu´adricas rotacionadas no espa¸co.
6.1 Matrizes
Vimos anteriormente que podemos associar matrizes `a transforma¸c˜oes lineares. ´E natural, portanto, associar autovalores/autovetores `a matrizes. Pela afirma¸c˜ao acima, somente matri-zes quadradas s˜ao consideradas. Podemos pensar na matriz quadrada A n × n como a matriz de T : Rn → Rn nas bases canˆonicas. Logo, transitamos entre transforma¸c˜oes e matrizes de forma natural:
[T ]cancan =A
T :Rn →Rn ←→ A matriz n×n v ∈Rn ←→ v matriz coluna n×1
T(v) = λv ←→ Av=λv
Podemos ent˜ao falar em autovalores/autovetores de matrizes quadradas:
v6=0´e autovetor da matriz quadradaA associado ao autovalor λ se Av=λv.
Com isso, calculamos autovalores/autovetores de um operador olhando para sua matriz nas bases canˆonicas.
Exemplo 6.4. As matrizes nas bases canˆonicas associadas aos operadores lineares dos Exem-plos 6.1 e 6.2 s˜ao, respectivamente,
B= Exemplo 6.5. Considere a matriz
A=
2 2 0 1
, Seus autopares podem ser calculados resolvendo
2 2
Vocˆe pode verificar queAu = 2u.
CAP´ITULO 6. AUTOVALORES E AUTOVETORES 85