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2. REVISÃO DA LITERATURA

2.1. GESTÃO DO CONHECIMENTO

2.1.7. Maturidade e diagnóstico de gestão do conhecimento

Muitos autores defendem que ainda é cedo, tendo como base o atual domínio da disciplina, indicar um método completo e aderente à avaliação da gestão do conhecimento. Para Ehms e Langen (2002) trata-se de um processo que despertou, prematuramente, uma expectativa de quantificação de um procedimento que não pode ser facilmente quantificado.

Helou (2015, p. 104), adiciona, para os modelos de avaliação da maturidade, requisitos aos de Ehms e Langen (2002) e os apresenta conforme a seguir:

 Permitam uma avaliação holística das atividades de GC de uma organização, cobrindo as áreas-chave da GC;

 Derivem de medidas adequadas ao desenvolvimento do estado atual da GC, e, portanto, demonstrem o ponto de partida mais adequado antes de um projeto de GC ter início;

 Suportem o desenvolvimento da organização a partir dos projetos de GC;  Deve prover resultados qualitativos e quantitativos, levando em conta as

diferentes visões dos participantes dos projetos de GC;

 Possa ser aplicado em qualquer organização clássica ou virtual e, ainda, em unidades ou sistemas de GC;

 Deve ser estruturado e sistematizado para assegurar transparência e confiabilidade no procedimento;

 Deve ter uma estrutura subjacente e compreensível e, ainda, permitir referências a conceitos de gestão ou modelos comprovados.

Gonçalo (2010) indica que os modelos de maturidade surgiram como resposta à necessidade de identificar a relação da GC com os resultados da organização. Para o autor mesmo com a existência de vários modelos, as métricas são similares, pois, possuem a base fundamentada na ótica tradicional de gestão do conhecimento, que foi abordada nas seções anteriores dessa pesquisa.

Jia et al. (2011) sustentam que esses modelos são fundamentais para se ter conhecimento e obter acesso as capacidades organizacionais, implicando futuramente em mudanças.

Organizações são compostas por pessoas, sendo assim são únicas e particulares. Por toda sua complexidade e subjetividade, é possível definir guias para verificação da maturidade e diagnosticar tendências, assim como avaliar ferramentas e práticas, porém, no presente, ainda é impossível medir quantitativamente, diretamente e precisamente o conhecimento de uma organização ou de um indivíduo. Bukowitz e Willians (2002, p. 29), sustentam essa lacuna quando indicam que um diagnóstico da gestão do conhecimento “é um instrumento de avaliação qualitativa e subjetiva”.

Para Wibowo e Waluyo (2015), o conceito de maturidade pode ser usado para definir o estado de eficácia de uma organização ou o estado de sua capacidade e competência na gestão dos processos, programas ou projetos de forma eficaz. Para gestão do conhecimento eles indicam que a maturidade pode referir-se ao estado de eficácia da organização em relação à capacidade de alavancar seus ativos de conhecimento, realizando o efetivo controle dos processos de gestão do conhecimento.

Para Camões (2010), essa análise inicial é importante pois atua na identificação do modo de compartilhamento do conhecimento, sua proteção, acesso e utilização no ambiente organizacional. Isso permite um melhor direcionamento das ações e estratégias da organização.

Sobre métodos qualitativos e subjetivos de análise, essa pesquisa será direcionada ao método Organizational Knowledge Assessement (OKA). O método foi desenvolvido pelo World Bank Institute (WBI) do Banco Mundial para que as organizações possam compreender melhor seus desafios e desenvolver capacidades de gestão de conhecimento.

A metodologia possui três elementos básicos: pessoas, processos e sistemas. Elementos sustentados nas seções anteriores. Para Fonseca (2006) esses elementos, indicados na Figura 18, formam a base da gestão do conhecimento e, por isso, devem ser diagnosticados.

2.

Figura 18 – Elementos e dimensões do método OKA Fonte: Adaptado e traduzido de Fonseca (2006)

Os Quadros 06, 07 e 08, a seguir, apresentam a descrição de cada uma das dimensões listadas na Figura 18 assim como fornecessem esclarecimento quanto ao que é medido.

Elemento Pessoas

Dimensão Descrição

Cultura e Incentivos

Os aspectos culturais implícitos e explícitos, crenças e incentivos que existem dentro das organizações para formatar, criar e dar suporte ao uso dos ativos intelectuais (incluindo conhecimento) para atingir suas metas.

Identificação e Criação de Conhecimento

A capacidade das organizações e seus stakeholders em identificar e criar conhecimento (e outros ativos intelectuais), especialmente aqueles que contribuem para os objetivos da organização.

Compartilhamento de conhecimento

A capacidade das organizações e seus stakeholders em compartilhar ativos intelectuais de maneira a permitir que a empresa atinja suas metas.

Comunidades de Pratica e Times de

Conhecimento

A existência, natureza e uso de grupos de pessoas que possam ser efetivamente mobilizados para resolver problemas e permitir que a organização atinja suas metas.

Conhecimento e Aprendizagem

A capacidade da organização no desenvolvimento de seu capital humano através de treinamentos e outras estruturas ou atividades formalmente dirigidas ao desenvolvimento do conhecimento.

Quadro 06 – Método OKA – Descrição da dimensão de pessoas Fonte: Fonseca (2006, p. 19-24)

Elemento Processos

Dimensão Descrição

Liderança e Estratégias A utilização das técnicas de GC como modelo de gestão dos líderes e gerentes da organização

Fluxo de Conhecimento

A natureza e a capacidade do fluxo de conhecimento e outros ativos intelectuais dentro da organização. Inclui captura, armazenamento, disseminação e outros aspectos de distribuição do conhecimento.

Operacionalização do Conhecimento

A capacidade da organização em integrar e aplicar conhecimento dentro de seu negócio e processos operacionais (incluindo desenvolvimento de novos produtos, marketing e outros). Representa o ciclo interativo de conhecimento dentro dos processos críticos da organização, e consequentemente de seus resultados.

Alinhamento O grau no qual o objetivo do Programa de GC e seu resultado tenta satisfazer ou realizar os objetivos e metas da organização.

Métricas e Monitoração

A capacidade da organização para medir a si mesma com respeito a gestão de seus ativos intelectuais e a monitorar e identificar melhores práticas, informação externa e aprendizado que pode desenvolver os diversos segmentos da empresa e gerar valor. Quadro 07 – Método OKA – Descrição da dimensão de processos

Elemento Sistemas

Dimensão Descrição

Infraestrutura Tecnológica para a GC

A capacidade e existência de infraestrutura tecnológica que permita a gestão do conhecimento e o compartilhamento de melhores práticas.

Infraestrutura de acesso ao conhecimento

A capacidade e a infraestrutura existente permitindo o acesso e interação dos “stakeholders” com os “ativos intelectuais” da empresa (sejam eles sistemas ou outras pessoas)

Gestão de conteúdo O tipo de conteúdo e as ferramentas de gerência da informação que a organização produz e gerencia.

Infraestrutura do ambiente da GC

A natureza, desenho e capacidade do Programa de GC, como construído dentro da organização, em envolver pessoas, unidades, grupos, etc.

Quadro 08 – Método OKA – Descrição da dimensão de sistemas Fonte: Fonseca (2006, p. 19-24)

Os elementos indicados nos quadros acima são subdividos em 14 dimensões do conhecimento, que por sua vez são compostos por um conjunto de métricas, apresentadas nos quadros a seguir. Essas métricas fornecem a orientação do que está sendo avaliado nas perguntas constantes no Anexo I, conforme preconizado por Fonseca (2006).

O Quadro 09 apresenta o número de métricas por dimensão do conhecimento.

Elemento Dimensão do Conhecimento Número de Métricas

Pessoas

Incentivos Culturais 19

Identificação e Criação do

Conhecimento 12

Compartilhamento do Conhecimento 13 Comunidades de Pratica e Equipes de

Conhecimento 15 15 Aprendizado 12 Processos Liderança e Estratégia 16 Fluxos do Conhecimento 12 Operacionalização do Conhecimento 14 Alinhamento 13 Métricas e Monitoramento 13 Sistemas Tecnologia 13 Infraestrutura de Acesso ao Conhecimento 11 Conteúdo do Conhecimento 11 Programa de Gestão do Conhecimento 14

Quadro 09 – Método OKA – Número de métricas do método OKA Fonte: Fonseca (2006)

Segundo Moraes (2011), algumas perguntas constantes do questionário são avaliadas por mais de uma métrica que pode ser, inclusive, de outra dimensão e de outro elemento. Segundo a autora, essa integração entre os elementos do método é importante pois garante mais integridade no diagnóstico.

Os dados levantados são pontuados seguindo a orientação de Fonseca (2006, p. 25-73). Depois disso, as métricas indicadas são associadas às suas respectivas dimensões, gerando um gráfico similar ao indicado na Figura 19. Para essa etapa foi desenvolvido, por pesquisadores da Universidade Católica de Brasília, um software denominado SysOKA, que oferece agilidade ao processo.

Por fim a pontuação é avaliada e pode ser usada para tomada de ações dentro da empresa pois oferece os limites entre as pontes e as oportunidades de melhoria.

3.

Figura 19 – Modelo de diagrama gerado através do método OKA Fonte: Fonseca (2006, p. 11)