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PARTE 3 – ABANDONO ESCOLAR PRECOCE E INSERÇÃO NA VIDA ACTIVA

2. Abandono escolar precoce em Portugal

2.3. Medidas de combate ao abandono escolar precoce

Os cenários propostos em “O Futuro da Educação em Portugal: Tendências e Oportunidades – um estudo de reflexão prospectiva” (Carneiro, 2000), apontam para a erradicação do abandono escolar durante o ensino obrigatório de nove anos, bem como para a diminuição do insucesso escolar.

“Os cenários delineados têm como pressuposto de base a eficácia esperada de um conjunto de medidas para o sucesso da educação básica, nomeadamente a atribuição à escola, aos professores e aos órgãos de coordenação pedagógica de

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Informações disponíveis em WWW: <URL:http://www.evora.net/vivernacidade/NOTICIA%abandono%20 escolar.htm> (consulta 29/06/04).

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Informações disponíveis em WWW: <URL:http://jornalpublico.pt/20004/06/17/Local/Minho.html> (consulta 29/06/04).

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Maria Sidalina Almeida in Diniz e Afonso, 2002, 2003, revista O Professor nº. 77. 28

uma maior autonomia e capacidade de decisão, quanto à organização e condução dos processos de ensino-aprendizagem, de forma a permitir uma melhor operacionalização da perspectiva integrada currículo/avaliação.

O reforço da autonomia da escola na gestão do currículo, dentro dos limites estabelecidos a nível nacional, a diversificação da aprendizagem, o estudo acompanhado e a promoção de instrumentos adequados de avaliação são medidas convergentes para a diminuição do insucesso escolar, a garantia do cumprimento da escolaridade básica e da melhoria da qualidade do ensino”. (Mª. Emília São Pedro, Mª. Fátima Santos, Mª. Rosário Baptista, Paula Correia in Carneiro, 2000, p. 190)

Figura 14 – Saída precoce29 por NUT III, 2001, em %

(Fonte: Ministério da Educação, 2003)

Quando comparamos os valores de Portugal com os de qualquer outro país da União Europeia dos 15 (Figura 15), estes apresentam-se, mais uma vez, como os mais baixos, razão mais do

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Taxa de saída precoce - total de indivíduos com 18-24 anos, no momento censitário, que não têm o secundário completo e não se encontram a frequentar a escola em relação ao total de indivíduos com 18-24 anos, no momento censitário.

Ao analisarmos os valores relativos à saída precoce (Figura 14), que mostra a % de jovens adultos que, em 2001, não estavam a estudar, a situação é semelhante àquela que se encontrou para a taxa de abandono escolar. Os piores resultados mantinham- se em algumas regiões do Norte, com valores superiores a 50% nas NUT III Tâmega (com um valor bastante superior a qualquer outro), Ave, Cavado e Entre Douro e Vouga. O Alentejo tinha valores entre 42 e 48%, tendo o Alentejo Litoral o pior resultado e o Alentejo Central o melhor.

Estes dados foram aqueles que levaram a Comissão Europeia a expor o elevado abandono escolar em Portugal, no relatório “A Situação Social na União Europeia”, apresentado em Fevereiro de 2004 e que aumentaram a polémica à volta deste fenómeno social em Portugal.

que suficiente para a necessidade de tomada de medidas que permitam combater o abandono escolar.

Figura 15 – Jovens de 15-24 anos escolarizados ou em formação (%)

(Fonte: Comission Européenne, 2002, p. 5)

Em Abril de 2004 foi apresentado um plano governamental que incide especificamente sobre o problema do abandono escolar. O PNAPAE é um relatório intitulado “Eu Não Desisto” com um excelente enquadramento conceptual que reúne as informações mais relevantes sobre abandono escolar, sobretudo na óptica do aumento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano (segundo a proposta para uma nova Lei de Bases do Sistema Educativo, vetada pelo Presidente da República e suspensa).

Contudo, o PNAPAE foi apenas um relatório que nunca foi concretizado num plano de acção a implementar, embora fosse noticiada a introdução, no ano lectivo de 2004/2005 de algumas das medidas enunciadas no Plano (o que não aconteceu).

Este plano, tal como outros programas do governo, surge na sequência de pressões internacionais: o PEPT 2000 surgiu de acordo com as recomendações da Conferência Mundial sobre Educação para Todos, o PNAPAE por causa da meta imposta pela União Europeia para 2010 de diminuir o abandono escolar para metade.

Apesar de nunca ter sido concretizado, o PNAPAE foi o primeiro plano nacional unicamente dedicado ao combate ao abandono escolar e propôs um modelo conceptual de intervenção sobre o abandono escolar (Figura 16), tendo em conta o ciclo de vida escolar dos alunos (atendendo aos 12 anos de escolaridade previstos na proposta da Lei de Base da Educação).

Uma série de medidas educativas e sociais (listadas no anexo 8) têm tentado aumentar o sucesso educativo em Portugal, desde a consagração da Lei de Bases da Educação em 1986.

Figura 16 – Modelo conceptual de intervenção sobre o abandono escolar

(Fonte: Ministério da Educação, MSST, 2004a, p. 38)

A perspectiva apresentada pelo PRODEP III, colocando maior ênfase nos problemas do ensino secundário, deixa de lado o abandono escolar que se verifica nos anos de escolaridade anterior, havendo apenas um objectivo específico para combater o fenómeno no ensino básico: “estruturar vias de diferenciação pedagógica e curricular – Percursos Alternativos – em regime diurno nas escolas do ensino básico para os jovens com insucesso escolar e/ou em risco de abandono, que não tenham concluído com sucesso a escolaridade obrigatória (Acção 1.2.). A meta física a atingir é de 15 000 formandos no período” 2000- 2006 (União Europeia, 2000a, p. 43).

É esperada como impacto, a “redução progressiva do abandono escolar sem qualificação profissional, nomeadamente o devido a motivos de natureza sócio-económica” (p. 39), mas não existem medidas concretas a este nível, pois é proposto apenas o EIXO 1 - Formação Inicial Qualificante de Jovens; Medida 1 - proporcionar aos jovens, através da diversificação das vias de formação/ qualificação profissional ao nível dos ensinos básico e secundário, uma

formação inicial qualificante prévia ao ingresso na vida activa (p. 35) – compreendendo as sub-medidas de Ano Qualificante Pós-Básico, Percursos Diferenciados no Ensino Básico, Ensino Profissional e Programa de Orientação (p. 37). Os Centros de Formação Profissional do IEFP disponibilizam várias modalidades de formação para jovens que não terminaram a escolaridade obrigatória e que dão equivalência escolar ao nível do 9º ano: Aprendizagem – Nível 2 (os cursos Orientação dão equivalência ao 6º ano), Qualificação Inicial – Nível 2, Educação e Formação (com vários níveis).

2.4. Conclusão

A média nacional de número de casos de abandono escolar varia entre 2 e 4 alunos, em cada 100 jovens do grupo etário 10-15 anos, que não concluíram o 3º ciclo e não se encontram a frequentar a escola. Os valores mais elevados encontram-se no Norte do país e os valores mais baixos no Centro e em Lisboa.

Os dados sobre a saída precoce do sistema de ensino demonstram a gravidade do problema do abandono escolar, sobretudo o que acontece após a escolaridade obrigatória, e que levam a uma baixa qualificação da população portuguesa. Evidenciam também, pela sua persistência, a falta de respostas políticas eficazes que permitam combater ou atenuar o problema. A publicação do PNAPAE em Abril de 2004 foi importante, mas não apresentou medidas que demonstrassem actuar de imediato caso tivesse sido concretizado, e parece existir alguma falta de coordenação entre as diversas medidas políticas que têm vindo a ser implementadas.