PARTE 5 – CONCLUSÃO
12. Medidas para combater problemas de emprego
Em 2000 podiam ser contabilizadas 83 medidas (Centeno, 2001, p. 152) para actuar nos problemas de emprego em Portugal (3 programas destinavam-se exclusivamente a colmatar a falta da frequência escolar). O facto de serem em grande número exigiria uma coordenação eficaz entre os diversos intervenientes no terreno, o que não parece ter acontecido. Por outro lado, seria necessário um mecanismo de detecção do abandono escolar precoce, que permitisse orientar os jovens “com prioridade para os cursos de aprendizagem ou de formação profissional, podendo por esta via adquirir os conhecimentos e certificados equivalentes ao da escolaridade obrigatória” (p. 170).
Algumas medidas ao nível do sistema educativo e do sistema de formação tentam colmatar a fraca qualificação escolar da população (como o ensino recorrente) ou cativar os jovens com insucesso escolar para cursos de âmbito mais prático (como os cursos de educação-formação):
• o ressurgimento do Ensino Profissional, em 1989, “procurou dar resposta às necessidades do país” (Ministério da Educação, MSST, 2004a, p. 79), e actualmente é um subsistema de ensino integrado no Ensino Secundário;
• o Sistema de Aprendizagem em alternância, criado em 1984, “assenta numa estrutura técnica, organizativa e financeira apoiada pelos serviços centrais e regionais do IEFP” (p. 80); este sistema registou um aumento do número de alunos no final dos anos 90, devido ao Plano Nacional de Emprego lançado em 1998;
• o Programa de Inserção de Jovens na Vida Activa, criado em 1997, pretendia intervir em três áreas: informação e orientação profissional, educação e formação profissional, apoio à inserção profissional e ao acesso ao emprego; uma das medidas implementadas foi a criação de “cursos de educação e formação, com duração de um ano lectivo, com o objectivo de aumentar a oferta de formação para jovens que não possuíam o 9º ano de escolaridade” (Ministério da Educação, MSST, 2004a, p. 86);
• em 1998 foi criado o PEETI (reformulado por resolução do Conselho de Ministros em 2004, actualmente PETI), que, para além do combate a situações de exploração do trabalho infantil ou a situações de crianças em risco, tem vindo a expandir a sua oferta ao nível de cursos PIEF – Programa Integrado de Educação e Formação, para promover a inserção social e educacional de crianças e jovens;
• PRODEP III 2000/2006 – Eixo 1 “Formação Inicial”, Medida 1 “Diversificação da formação inicial qualificante” (Ano qualificante, Percursos formativos, Ensino profissional, Orientação); Eixo 2 “Apoio à transição para a vida activa”, Medida 3 “Apoio à transição para a vida activa” (Programa de estágios nos cursos tecnológicos: estágios de 3 meses para os cursos tecnológicos do ensino secundário);
• Programa Operacional Emprego, Formação e Desenvolvimento – POEFDS 2000/2006 – Eixo 1 “Promoção da Formação Qualificante e da Transição para a Vida Activa de Jovens”, Medida 1.1. “Formação inicial com certificação profissional e escolar” (Formação em alternância, cursos de Educação-Formação para o 3º ciclo); Medida 1.2. “Formação Inicial para a qualificação profissional (para jovens à procura do 1º emprego, Qualificação, Formação-Emprego Nível 2, Especialização Tecnológica Nível 4);
• em 2001 foi criado o 10º ano profissionalizante, para conferir uma qualificação profissional aos jovens que tinham concluído o 9º ano;
• também em 2001 foi criado o Sistema Nacional de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, que tem vindo a ser concretizado com a implementação de Centros em todo o país;
• o Acordo sobre Política de Emprego, Mercado de Trabalho, Educação e Formação, de 2001, previa a introdução de uma Cláusula de Formação nos contratos de trabalho, para o cumprimento da escolaridade obrigatória;
• a revisão do Plano Nacional de Emprego, em 2003, incluiu uma Estratégia Nacional para a Aprendizagem ao Longo da Vida;
• Programas de formação em TIC - Tecnologias da Informação e da Comunicação (Programa “Um computador por professor”, Programa Geração Millennium, Introdução da disciplina de TIC no 9º e 10º ano de escolaridade);
• Programa de estágios curriculares;
• Programas de inserção desenvolvidos no quadro do RMG (desde 2003 RSI);
• Programa Vida-Emprego (reinserção de toxicodependentes), Programa Portugal Acolhe (acolhimento e inserção de imigrantes), Programa Escolhas (prevenção da delinquência juvenil, Lisboa, Porto e Setúbal), PNESST- Programa Nacional de Educação para a Segurança e Saúde no Trabalho (programa desenvolvido nas escolas, em colaboração com o IDICT- Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho, denominado Instituto para a Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho desde 2004, numa aproximação entre a escola e o mundo do trabalho); Programa Ciência Viva.
O PRODEP III é o terceiro programa de financiamento comunitário dedicado à educação (não existem avaliações de impacte dos programas anteriores) e herdou uma situação paradoxal: na década de 90 cresceu a taxa de participação dos jovens no sistema de ensino, mas não há evidências de ganhos significativos na participação e exercício da cidadania e é evidente que os “ganhos de produtividade da economia situaram-se muito aquém daquilo que seria expectável face à elevação das qualificações da população activa e da injecção de jovens qualificados no mercado de emprego” (Imaginário, 2003, p. 11). O programa teve uma execução total de 91% em 2003; nesse ano participaram em actividades de aprendizagem não formal jovens dos 15 aos 24 anos num total de 15,8%, o valor mais alto registado. A acção mais importante do Eixo 1 – Formação Inicial / Medida 1 – Diversificação na Formação, é a do Ensino Profissional, mas aquela que demonstrou ser mais eficaz foram os Percursos Formativos.
Os Percursos Diversificados no Ensino Básico são constituídos por: Currículos Alternativos, criados ao abrigo do Despacho 22/SEEI/96, de 19 de Junho; Programa 15-18, regulado pelo Despacho nº19 971/99, de 20 de Outubro; Cursos de Educação e Formação Profissional Inicial (CEFPI), regulados pelo Despacho Conjunto nº123/97, de 7 de Julho; outros cursos de natureza profissionalizante que conduzam à conclusão da escolaridade obrigatória e concedam certificação profissional de nível II. “O principal problema que se coloca a esta Acção e que tem que ser revisto é a sua tendência para descoincidir com os territórios de maior abandono escolar precoce, não estando, por isso, completamente potenciados os seus impactes” (Ibid., p. 39). Por outro lado, esta Acção só conseguiu abranger 1% dos alunos do ensino básico, mas com uma boa adesão e capacidade de inserir os alunos profissionalmente; relativamente à mobilização dos alunos para prosseguimento de estudos, a acção revelou-se razoável. Recomenda-se (Ibid., p. 40) a revisão das metas da acção para aumentar o seu contributo na diminuição do abandono escolar precoce, abrangendo as áreas onde o fenómeno ocorre com mais incidência.
As outras medidas do Eixo 1 são o Ano Qualificante (10º ano), com problemas de eficácia (atribuídos a atrasos do Ministério da Educação e à fraca adesão das escolas profissionais) e a Orientação e Informação Vocacional. As quatro medidas apresentam maior
número de formandos no ano 2002, como se verifica na Figura 34. 0% 20% 40% 60% 80% 100%
Acção 1.1 Acção 1.2 Acção 1.3 Acção 1.4 TOTAL
2003 2002 2001 2000
OBS: Não existem dados disponíveis relativos ao número de beneficiários abrangidos em 2000 pela Acção 1.4
Figura 34 – Repartição do número de formandos abrangidos por anos (2000-2003)
(União Europeia, 2000a, p. 41)
No segundo eixo deste programa, Eixo 2 – Apoio à Transição para a Vida Activa e Promoção da Empregabilidade (com uma taxa de execução de 90% em 2003 e uma execução acumulada de 53% até 2006), houve uma grande aceitação da medida 3.2. – Estágios no Ensino Superior, com uma execução de 225% em 2003, enquanto que a medida 3.1. – Estágios nos cursos tecnológicos, teve uma baixa adesão devido aos estágios não serem obrigatórios nem remunerados. No Relatório de Execução do PRODEP III88 é recomendado o reforço da medida 3 – Apoio à Transição para a Vida Activa, através do apoio a outras actividades para além de estágios: participação de empresas em projectos educativos, apoio a estudos de adequação curricular às necessidades do trabalho e apoio à alternância na componente vocacional de ensino.