E LINHAS DE AÇÕES PARA O SUPORTE DE DESIGN
4. Tecnologia – 1 Pesquisa e Desenvolvimento: desenvolvimento experimental e
5.3 SETOR PROFISSIONAL DE DESIGN
5.3.1 Mercado de Design Gráfico
O profissional de design gráfico da cidade de Vitória oferece uma cartela de serviços bastante diversificada. As atividades principais reúnem trabalhos de realização de diagnósticos de marca, desenvolvimento de estratégias de linguagens e identidade de marca, além de produtos físicos e digitais de comunicação. Os serviços oferecidos pelas empresas capixabas foram organizados em seis tópicos, comentados a seguir:
1. Realização de diagnósticos de marca – pesquisas e levantamento de informações junto ao público alvo da empresa para compreender a relação que ela estabelece com a empresa;
2. Desenvolvimento de estratégias de marca – serviço que auxilia empresários na condução do seu negócio, estabelecendo critérios de posicionamento, diferenciação, essência, vantagem competitiva e arquitetura da marca;
3. Gestão e monitoramento de marca – acompanhamento da interação da marca da empresa com os seus clientes através de diferentes métodos e processos;
4. Desenvolvimento de linguagem e Identidade de marca – projeto de comunicação visual que inclui a elaboração dos seguintes itens: naming, logo, identidade visual, identidade verbal e identidade sensorial;
5. Produtos físicos de comunicação e informação – papelaria, catálogos, revistas, livros, folders, panfletos, embalagens; e outros materiais de grandes formatos como projetos de sinalização, ponto de venda, vitrines, outdoor, ambientação e mobiliário corporativo e projetos gráficos para exposições e eventos;
6. Produtos digitais de comunicação e informação – sites, gestão de mídias sociais, e outras interfaces digitais.
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Os freelancers, escritórios e estúdios de design gráfico apresentam também um perfil de cliente bastante abrangente, incluindo micro, pequenas, médias e grandes empresas dos mais diversos segmentos, pessoas físicas e profissionais liberais. Além disso, alguns escritórios mencionaram também atender a esfera pública por meio de licitações.
Os entrevistados afirmaram que a maioria dos clientes estão localizados na Região Metropolitana da Grande Vitória, no entanto, alguns relatarem que, ocasionalmente, atendem empresas de outros estados e, inclusive, de outros países.
De maneira geral, os clientes chegam até os escritórios de design gráfico por indicação e, segundo Felipe Gama, diretor do escritório de design Balaio, costumam não saber como solicitar o serviço. Felipe relata que, então, é realizado um projeto pontual e, somente após a empresa conhecer os processos de design, é oferecido uma proposta maior (GAMA, 2015).
Igor Franzotti, diretor da LifeBrand, conta que também ocorre com frequência dos clientes chegarem ao escritório após terem tido experiências ruins em agências de publicidade – mal sucedidas ou mesmo mal executadas (FRANZOTTI, 2015). Juliana Colli confirma uma experiência semelhante em sua empresa, OPARQUE:
A maioria dos clientes dOPARQUE já tiveram outras experiências com agências de publicidade e não estavam satisfeitos com a dinâmica de prestação de serviços dessas empresas e, por vezes, com o produto final entregue. Agências de publicidade e propaganda costuma entregar sempre a mesma coisa, produtos de comunicação nos mesmos formatos – outdoor, folder (COLLI, 2015).
Na cidade de Vitória, existem ainda profissionais de design gráfico que prospectam clientes por conta da sua tradição no mercado e que assumem, assim, uma produção de design gráfico com um valor simbólico e estético que transborda à própria prática projetual. Este é o caso de Flávia Carvalhinho, que acumula mais de 20 anos de mercado a frente da empresa InDesign. Flávia conta que muitos clientes lhe solicitam projetos de identidade visual por conta do status que um projeto desenvolvido por ela recebe na região (CARVALHINHO, 2016).
As entrevistas reveleram, também, que no mercado de design gráfico existe uma ansiedade por partes das empresas e dos próprios designers a respeito dos impactos do projeto. Felipe Gama conta que os clientes sempre esperam resultados a curto prazo e que normalmente o processo de transformação na comunicação da empresa leva bastante tempo, por conta da necessidade de investimento, que muitas vezes as empresas não podem financiar ou mesmo pelo tempo de maturação junto ao público alvo do projeto (GAMA, 2015).
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Felipe relata também que, muitas das vezes, o retorno não chega porque existem outros ativos na empresa que precisam ser corrigidos cujas deficiências são confundidas com problemas de design (GAMA, 2015).
Igor Franzotti revela que com a experiência de mais de 10 anos de mercado, consegue calcular melhor o tempo de investimento necessário para as empresas perceberem um resultado do uso do design nos seus negócios e que, de modo, geral, são sempre percebidos a longo prazo (FRANZOTTI, 2015).
Julliana Colli, por sua vez, avalia que esse tempo de retorno varia bastante. A designer comenta que já teve clientes que ligaram, um dia após a implementação de um projeto, comentando sobre o retorno imediato nos negócios (COLLI, 2015).
Outras empresas de design gráfico passaram, inclusive, a adotar medidas para negociar esse tópico com os seus clientes. Tayana Dantas, diretora da Vibe, escritório de gestão de marcas, relata o seguinte:
A Vibe estabelece com o cliente um acordo no qual os resultados são aferidos após um ano de implementação do projeto e que, após esse período, caso os resultados de comunicação não sejam positivos, é oferecido para a empresa uma revisão gratuita das estratégias desenvolvidas (DANTAS, 2015).
Tayana completa afirmando que gostaria que o design gráfico tivesse mais instrumentos e técnicas de avaliação dos seus impactos junto aos negócios (DANTAS, 2015).
Outra discussão deste mercado que merece ser destacada se insere nas diferenças existentes entre o relacionamento com micro, pequenas e médias empresas e o relacionamento com grandes empresas na cidade de Vitória.
Os profissionais entrevistados (GAMA, 2015; COLLI, 2015; GOMES, 2015; DANTAS, 2015) foram enfáticos em afirmar que a maior barreira enfrentada com as micro, pequenas e médias empresas na cidade é a falta de conhecimento dos gestores a respeito do valor do design para os seus negócios.
De maneira geral, os escritórios de design gráfico apresentam uma sensibilidade sobre o porte das empresas e adequam o escopo do projeto a capacidade de investimento do cliente, o que facilita a aceitação do serviço de design pelas PMEs quando elas reconhecem os benefícios do investimento em design (GAMA, 2015; FRANZOTTI, 2015).
Outra característica restrita ao processo de prestação de serviços para os pequenos negócios refere-se a estrutura organizacional dessas empresas, onde, normalmente, o dono assume diferentes funções, incluindo a interlocução com o escritório de design. Juliana Colli dOPARQUE conta que isso facilita o trabalho da equipe de design, uma vez que o escritório assume um método de desenvolvimento no qual a participação do cliente durante todas as etapas do projeto é imprescindível (COLLI, 2015).
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Jarbas Gomes, designer no Studio Ronaldo Barbosa, acrescenta que os projetos com PMEs são em sua maioria imediatistas, com tempos de produção muitíssimo apertados que muitas vezes complicam a atuação dos designers (GOMES, 2015).
Por outro lado, Tayana acrescenta que trabalhar com PMEs costuma ser interessante uma vez que os empresários dos pequenos negócios costumam estar mais abertos a possibilidades e apresentam uma postura menos ego-centrada e prepotente a respeito do mercado (DANTAS, 2015).
No âmbito das grandes empresas, o maior entrave enfrentado pelos escritórios de design gráfico é sensibilizar os gestores e diretores das grandes corporações sobre o know-how e a qualidade dos serviços oferecidos pelos designers capixabas. Felipe Gama conta que com frequência encontra empresários que após insistir na contratação de escritórios do Rio de Janeiro e São Paulo, resolvem dar uma chance aos jovens designers capixabas (GAMA, 2015).
Um outro problema recorrente é relatado por Flávia Carvalhinho. Segunda ela, as grandes empresas capixabas têm uma estrutura familiar, na qual os gestores dos departamentos responsáveis pela contratação dos serviços de design são profissionais “apadrinhados” que carecem de capacidade técnica e, muitas vezes, prejudicam o desenvolvimento do projeto (CARVALHINHO, 2016).
Outro entrave que é fruto da estrutura organizacional das grandes empresas está no fato de que normalmente os interlocutores do projeto responsáveis pelo briefing do projeto e aprovação das etapas parciais de desenvolvimento saem de cena na aprovação final com a participação decisiva dos diretores da empresa. Juliana Colli conta que isso ocorre corriqueiramente e, identifica-se um desalinhamento claro entre os desejos apontado por um e por outro, resultando em retrabalho para os designers e atraso na entrega dos projetos (COLLI, 2015).
Por outro lado, Flávia Carvalinho e Jarbas Gomes relatam que trabalhar com grandes empresas pode ser bastante positivo, uma vez que os clientes apresentam uma maturidade a respeito do próprio negócio. Os designers contam que essas empresas, normalmente, sabem onde querem chegar e, nesse sentido, cabe ao designer gráfico auxilia-la a alcançar seus objetivos com um bom projeto (CARVALHINHO, 2016; GOMES, 2015).
Jarbas completa afirmando, também, que os tempos de projeto com as grandes empresas são maiores por conta do escopo dos projetos que costumam ser mais abrangentes. Isso garante ao processo de desenvolvimento em design um grau de detalhe e atenção superior que é muitíssimo recompensador para os designers e para as empresas (GOMES, 2015).
168 5.3.2 Mercado de Design de Interiores
Diferentemente do mercado de design gráfico capixaba, o segmento de design de interiores apresenta um portfólio de serviços mais coeso e enxuto, dividido entre projetos residenciais e projetos comerciais.
A partir dessas duas linhas de serviços, as possibilidades de escopo para os projetos variam desde projetos menores como uma simples reforma, projetos de mobiliário e marceneria até propostas mais complexas que incluem projetos arquitetônicos e de paisagismo.
Os designers Ana Paula Brasil e Sérgio Caus avaliam que, na cidade, as empresas investem muito pouco em projetos de interiores e que, basicamente, o mercado se ocupa da realização de projetos residenciais (BRASIL, 2016; CAUS, 2015) cujos clientes, em sua maioria, pertencem à classe média-alta e a classe alta da região.
As entrevistas reveleram que, assim como ocorre no setor profissional de design gráfico, no mercado de design de interiores as experiências em design apresentada pelo cliente é muito diversificada. Existem clientes que já tiveram uma experiência com designers de interiores anteriormente e que permanecem com o mesmo profissional por décadas.
Ana Paula Brasil e Rita Garajau, que já atuam no mercado há bastante tempo, contam que apresentam uma cartela considerável de clientes fixos que já encomendaram projetos para diferentes apartamentos e casas ou sempre as indicam para projetos com outros membros da família e amigos (BRASIL, 2105; GARAJAU, 2016).
Sérgio Caus acrescenta que também há clientes que já tiveram experiências com designers de interiores anteriormente, mas ficaram insatisfeitos e trocam de profissional, e, ainda, outros que estão experimentando o design pela primeira vez (CAUS, 2015).
Os freelancers Natália Scarpati e Vinícius de Moraes completam que seus clientes são, normalmente, resposta ao estilo e personalidade que seus projetos carregam e que, portanto, essa assinatura configura-se um diferencial competitivo no mercado (SCARPATI, 2016; MORAES, 2016).
As entrevistas revelaram também algumas informações sobre o conhecimento que os clientes capixabas têm sobre o processo de design, etapas de projeto, tempos de execução e valores dos serviços:
A totalidade dos profissionais entrevistados afirmam que os clientes, até os mais experientes, desconhecem as etapas do projeto, atividades e tempos do projeto.
A arquiteta Bruna Richa comenta que descreve o projeto minuciosamente na proposta de serviço – escopo, etapas, atividades, datas e prazos para entregas e os valores de investimento (RICHA, 2016).
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Rita Garajau que acumula mais de 30 anos de experiência no mercado de design de interiores no Espírito Santo diz o seguinte “toda obra é demorada! Sempre falo isso para o cliente e reforço que fazer um cronograma de projeto rígido é impossível por conta da execuação. O processo é dinâmico e os clientes precisam se acostumar com isso” (GARAJAU, 2016).
Bruna Richa destaca que o dinamismo da obra se deve, também, ao fato de que um projeto de design de interiores envolve normalmente o trabalho de muitos profissionais e que a gestão dessa equipe é complexa e influencia diretamente na execução do projeto (RICHA, 2016).
Os profissionais comentaram, também, que a execução do projeto varia bastante por questões orçamentárias. Sérgio Caus relata que existem clientes que são obrigados a parar o projeto por problemas financeiros (CAUS, 2015). Sobre este assunto, Rita Garajau sintetiza o seguinte: “Os clientes sonham muito! O desejo é irrestrito, mas o orçamento é curto” (GARAJAU, 2016).
Apesar dos entrevistados serem enfáticos na afirmação de que os projetos de design de interiores comerciais são muito pouco requisitados, é possível perceber algumas diferenças entre o relacionamento das pequenas empresas e das grandes empresas.
Segundo o designer Sérgio Caus, a maioria das PMEs tomam todas as decisões em design arbritariamente e não costumam contratar um profissional. Na opinião de Sérgio, as empresas tomam essa postura porque desconhecem os benefícios do design e pensam que assumindo as funções desse profissional no desenho dos espaços comerciais, estão economizando (CAUS, 2015).
Vinícius destaca que as empresas maiores que investem em projeto de design comercial e corporativo para os seus ambientes o fazem por uma pressão social de que a contratação deste profissional é necessária, mas não reconhece de fato que o design pode agregar valor ao seu negócio (MORAES, 2016).