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3. Políticas de Design

3.2 PROGRAMAS E ESTRATÉGIAS DE DESIGN

3.2.1 Promoção do Design

As estratégias de promoção do design visam sensibilizar a sociedade sobre os benefícios do design (RAULIK-MURPHY; CAWOOD; LEWIS, 2010). Sua importância dos programas de promoção do design está em incentivar as pequenas, médias e grandes empresas a investir em design, facilitar o acesso aos bons designers e formar na sociedade uma consciência sobre os benefícios do design (CAWOOD, 1997; COX, 2005; DAHLIN, SVENGREN, 1996). Os programas de promoção do design podem, ainda, visar a difusão da

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identidade local no exterior, ou ainda educar internamente a população sobre produtos e serviços de qualidade (RAULIK, 2006).

Promover o design exige uma abordagem de integração entre governo, a comunidade de design, indústria, academia e a sociedade em geral. Inclui, ainda, outras organizações por questões econômicas e políticas, como associações profissionais de design, órgãos de financiamento e outras entidades que fornecem apoio, incentivos ou a demanda por design. Os programas de promoção de design variam principalmente quanto ao alcance das suas estratégias, podem visar um público interno (nacional) ou externo (internacional), dividido entre empresas, designers e sociedade em geral. Esta característica pode ser observada no Diagrama 04.

DIAGRAMA 04 – O alcance dos programas de promoção de design (elaborado pelo autor). As iniciativas de promoção do design se constituem, de modo geral de premiações, concursos, mostras, exposições, feiras, publicações, conferências, workshops, seminários e outras campanhas, sendo muito semelhantes em todo mundo (RAULIK-MURPHY; CAWOOD; LEWIS, 2010).

Atualmente, as premiações e concursos estão sendo reconhecidos como estratégias eficientes para a promoção da cultura de design no mercado consumidor e nos meios empresarial e profissional. Ao premiar a produção dos profissionais, essas ações: geram visibilidade e credibilidade para os designers (BORGES, 1996); incentivam o investimento em design por parte das empresas; valorizam e desafiam o aprimoramento do próprio setor profissional (KLOTZEL, 2007).

Segundo Ruth Klotzel (2007), as premiações de design têm o intuito de avaliar e reconhecer a qualidade da produção existente e, paralelamente, elevar o padrão do design uma vez que promove um melhor e mais extenso uso do design por parte das empresas. Para Ruth Klotzel (2007), as premiações podem, ainda, auxiliar na definição de medidas correntes e sinalizadores sociais, culturais e econômicos para os projetos de design futuros.

As premiações podem ser divididas entre nacionais e internacionais. Os prêmios nacionais de design, de maneira geral, promovem a competição profissional, estimulando a criatividade e a renovação do setor profissional de design. Os participantes desses concursos são, principalmente, estudantes ou designers em início de carreira, buscando por um credibilidade

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e visibilidade. No Brasil, é possível citar o Prêmio Design Museu da Casa Brasileira9 (Figura 12), uma das premiações em design mais tradicionais em atividade no país.

FIGURA 12 – Cartaz de Ana Luiza de Oliveira Costa, vencedor do 29º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira nas mãos do júri coordenado por Gustavo Piqueira.

Nos prêmios internacionais de design, por sua vez, os participantes procuram principalmente por: visibilidade internacional, visando alcançar o mercado externo, ou mesmo garantir competitividade nacional no seu segmento; e reconhecimento e absorção de consumidor melhor informado e, assim, selecionar melhor os clientes. Os prêmios internacionais oferecem uma chancela, selo ou aval, para o produto, serviço ou para o designer avaliados. Essas competições globalizadas exigem, normalmente, um grau de envolvimento ampliado, uma vez que a quantidade de etapas do processo é maior que a existente nas premiações nacionais.

Alguns exemplos de premiações internacionais de design são: Ret Dot Awards10, premiação internacional de design promovida na Alemanha (Figura 13 e 14) e Design Management Europe Award (DME Award)11, premiação de gestão de design europeia (Figuras 15).

9 Criado em 1986, o Prêmio Design Museu da Casa Brasileira é a mais antiga e prestigiada premiação

de design existente no Brasil. O prêmio é promovido pelo Museu da Casa Brasileira, instituição vinculada ao Governo do Estado de São Paulo (www.mcb.org.br/pt-BR/premio-mcb).

10 O Red Dot Design Award é uma premiação anual e internacional de design promovida pelo Design

Zentrum Nordrhein Westfalen em Essen, na Alemanha. Há três categorias de prêmios: design de produto; design e comunicação; e conceito de design. Os vencedores são premiados em uma cerimônia de gala. Em 2015, foram mais de 17.000 trabalhos inscritos de 70 países (www.red-dot.org).

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FIGURA 13 – Cerimônia de premiação do Red Dot Award 2015 em Essen, Alemanha.

FIGURA 14 – Ganhadores do Red Dot Award 2015 – Communication Design.

11 O Design Management Europe Award (DME Award) é um prêmio internacional dedicado à gestão

de design em organizações do setor público ou privado. Anualmente, o DME reconhece as melhores estratégias de gestão do design na concepção de produtos, serviços, comunicações, ambientes e marcas (www.designmanagementexcellence.com).

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FIGURA 15 – Cerimônia de abertura do DME 2008, em Cardiff, Reino Unido.

Mostras, salões e exposições são uma outra forma comum de promover o design. Essas estratégias configuram-se como uma oportunidade de integração entre o público e os projetos de design. Normalmente, essas iniciativas estão vinculadas a algum concurso, como é o caso da Exposição de projetos do DME, premiação de gestão de design europeia (Figura 16).

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Os seminários e conferências de design estão, normalmente, vinculados a instituições de ensino, envolvendo mesas-redondas, palestras e debates, ou são promovidos por associações profissionais, agências de design. Seu alcance é limitado e a maioria não tem longevidade. Os Seminários Design to Business12, promovido pelo Centro de Design do Paraná, no Brasil são um exemplo desta iniciativa (Figura 17);

FIGURA 17 – Philip Hess, criador do guarda-chuva que resiste a ventos de 100km/h, apresentou seu case de inovação em design na 13ª edição do seminário Design to Business, no Paraná, em 2011. Uma outra estratégia que tem se tornado comum nos programas nacionais de promoção do design é a oferta de um selo ou chancela de design para os produtos, profissionais ou empresas nacionais, como é o caso de Made in Taiwan13, campanha de promoção da produção nacional (Figura 18);

FIGURA 18 – Selo It’s Very Well Made in Taiwan.

Geralmente, o investimento em programas de promoção do design tem um custo menor quando comparado aos programas de suporte. A desvantagem das ações de promoção

12 O seminário Design to Business foi idealizado pelo Centro de Design Paraná tem a tarefa de trazer

ao Brasil referências internacionais em gestão do design, visando promover o design como ferramenta de inovação e de diferenciação de mercado para a indústria. O seminário acontece em dois eventos: uma palestra dirigida a empresários e designers e outra para estudantes (RAULIK, 2006).

13 Na década de 1990, Taiwan já possuía alta qualidade na sua produção industrial, mas, no entanto,

apresentava uma imagem nacional e internacional de produtos de baixa qualidade, com o rótulo de “cópia barata”. Uma das estratégias com o objetivo de certificar a qualidade dos produtos da indústria taiwanesa e promover o design foi o selo It’s Very Well Made in Taiwan (RAULIK, 2006).

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está na dificuldade de avaliar o impacto junto ao público, uma vez que seus resultados são percebidos a longo prazo junto à economia e à cultura de design (RAULIK, 2006).